segunda-feira, 27 de julho de 2020

CYRO DE MATTOS HOMENAGEIA O MUNICÍPIO DE ITABUNA COM POEMAS

O poeta Cyro de Mattos, ocupante da cadeira nº 16

Dia 28 de julho o Município de Itabuna completa 110 anos de emancipação e o confrade e poeta Cyro de Mattos faz uma justa homenagem com dois lindos poemas:
SONETO DE ITABUNA
Encontro-me no verde de teus anos,
Como sonho menino nos outeiros,
Afoitas minhas mãos de cata-vento
Desfraldando estandartes nessas ruas.
São meus todos esses frutos maduros:
Jaca, cacau, mamão, sapoti, manga.
E esta canção que trago na capanga
É o vento soprando nos quintais.
Quem me fez estilingue tão certeiro
Nos verões das caçadas ideais?
Quem nesse chão me plantou com raízes
Fundas até que me dispersem ventos
Da saudade e solidão? Ó poema!
Ó recantos! Ó águas do meu rio!

Vista aérea de Itabuna, na Bahia

CANÇÃO DE ITABUNA
Uma canção de Itabuna
Nessa estrada ressoa,
A essa altura comprida,
Vem de dentro da infância,
Nesses ventos da aventura.
Pelejando nos campinhos,
Festejando nos quintais,
São meninos como sonho,
Cada um quer ser herói,
Nesses ventos da esperança.
Todos eles um rio conhece
Nos mergulhos do verão,
Nos acenos da aurora,
Que desponta radiante
Nesses ventos da ilusão."
* Cyro de Mattos é escritor, poeta, membro da Academia de Letras da Bahia, da Academia de Letras de Ilhéus e da Academia de Letras de Itabuna. Foi o primeiro a receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz-UESC.

quinta-feira, 12 de março de 2020

ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS LANÇA PRIMEIRA EDIÇÃO DA SUA REVISTA EM 14 DE MARÇO PRÓXIMO.



Em 14 de março próximo, quarta-feira, às 19 horas, a Academia de Letras de Ilhéus realiza sessão de abertura do ano acadêmico de 2020, em sua sede, à Rua Antônio Lavigne de Lemos, 39, centro históricoao tempo que lança o primeiro número da Revista ESTANTE, uma publicação da instituição. Desde março de 2019 a ALI realizou eventos diversos em comemoração aos 60 anos de sua fundação, ocorrida em 14 de março de 1959. Assim, a Academia de Letras de Ilhéus fecha o ano do seu sexagésimo aniversário trazendo a lume a primeira edição de sua revista, batizada de ESTANTE, de modo a realizar o sonho dos membros fundadores, que já na ata de sua fundação fizeram consignar um Diretor de Revista nos quadros da Diretoria.


“Um belo trabalho de conteúdo histórico, memorialista e literário foi realizado, com dedicação dos(as) confrades”, diz André Luiz Rosa Ribeiro, atual Presidente da Academia, e integrante do Conselho Editorial da revista, juntamente com Aleilton Fonseca, Fabrício Brandão, Jane Hilda Badaró, Maria Luiza Nora (Baísa) e Ramayana Vaz Vargens. Publicada pelo selo editorial da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, a revista tem coordenação editorial de Paulo Bina, assistentes editoriais Alexsandro Mateus dos Santos, Bira Paim e Idalina Vilas Boas, projeto gráfico, editoração e capa P55 Edição de André Portugal e Marcelo Portugal, e impressão e acabamento da Empresa Gráfica da Bahia. A distribuição será direcionada e gratuita. 
A ESTANTE é composta por Memórias dos 60 anos da ALI, artigos, contos, crônicas, poesias e entrevistas, assinados por membros efetivos da Academia ilheense, a exemplo de Carlos Roberto Santos Araujo, Raymundo Laranjeira, Cyro de Mattos, Ruy Póvoas, Aleilton Fonseca, Geraldo Lavigne de Lemos, Neuzamaria Kerner, Carlos Eduardo Passos, Arléo Barbosa, Baísa Nora, Ramayana Vargens, André Rosa, Jane Hilda Badaró, Maria Schaun,  Josevandro Nascimento, Gustavo Cunha, Luh Oliveira, Fabrício Brandão, e dos saudosos Sosígenes Costa e João Hygino Filho. A imagem que compõe a capa da edição é fragmento de uma das obras de Jane Hilda Badaró, intitulada “País do Carnaval”. No miolo da revista, vê-se outras obras da artista, trabalhos que foram realizados em 2012, quando das comemorações do centenário de nascimento do escritor Jorge Amado. 
Através da realização de conferências, concursos, cursos, premiações, e outras atividades de natureza literária, artística e cultural, o sodalício ilheense é uma das Academias de Letras mais antiga do Brasil.  Também chamada de “Casa de Abel”- numa referência ao seu idealizador e fundador poeta Abel Pereira-, a ALI, que tem como lema “Patriae Litteras Colendo Serviam”, segue cumprindo sua hercúlea missão, visto que para mantê-la viva, exigiu e exige grande esforço de muitos idealistas, desde os fundadores, até seus atuais membros, intelectuais e cultores das Artes e das Letras, incentivadores e promotores da cultura nestas terras grapiúnas. Sua atual diretoria é composta por: Presidente: André Luiz Ribeiro Rosa, Vice Presidente: Carlos Roberto Arléo Barbosa, Secretária Geral: Jane Hilda Badaró, 1a. Secretária: Maria Schaun, 2o. Secretário: Josevandro Nascimento, 1o. Tesoureiro: Gustavo Cunha, 2o. Tesoureiro: Fabrício Brandão e Diretora de Revista: Maria Luíza Nora (Baísa).                                     

quarta-feira, 13 de março de 2019

A ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS COMEMORA 60 ANOS DE HISTÓRIA!



"Aos quatorze dias do mês de março de mil novecentos e cinquenta e nove (1959), nesta cidade de Ilhéus, do Estado Federado da Bahia, precisamente as 17 horas, na residência do intelectual Abel Pereira, Edifício Magalhães, 2o. andar, apartamento 2, à Praça Visconde de Mauá, reuniram-se os srs. Abel Pereira, Nelson Schaun, Wilde Oliveira Lima e Plínio de Almeida, membros da comissão de iniciativa , e mais os convidados Dom Caetano Antonio Lima dos Santos, Osvaldo Ramos, José Cândido de Carvalho Filho, Halil Medauar, Jorge Fialho e Otávio Moura- para o caso especial de se estudar o plano e consequente fundação da Academia de Letras de Ilhéus.  Nessa reunião, fizeram-se representar pelo Sr. Abel Pereira, por meio de cartas de autorização, os srs. Fernando Diniz Gonçalves, Sosígenes Costa, Camilo de Jesus Lima, Raimundo Brito, Eusígnio Lavigne, Ramiro Berbert de Castro, Flávio Jarbas, Heitor Dias, Flávio de Paula e Milton Santos”. 

Com o texto acima, foi iniciada a Ata Especial da Fundação da Academia de Letras de Ilhéus, lavrada em 14 de março de 1959, oportunidade em que registrou-se a designação da primeira diretoria do novel silogeu, composta por Presidente- Abel Pereira, 1º. Vice Presidente- Halil Medauar, 2º. Vice Presidente- Osvaldo Ramos, Nelson Schaun- Secretário Geral,  Francolino Neto-1º. Secretário, José Nunes de Aquino- 2º. Secretário, Jorge Fialho-1º. Tesoureiro, Washington Landulfo- 2º. Tesoureiro, Nilo Cardoso- Diretor da Biblioteca, e Plínio de Almeida- Diretor da Revista. 

Naquela reunião histórica, o primeiro orador, Plinio de Almeida, “disse considerar aquele dia um dos maiores para os forais ilheenses, pois que, no dia do nascimento de um dos mais altos poetas das Américas, Castro Alves, fundava-se em Ilhéus, graças aos esforços do Sr. Abel Pereira, uma Academia de Letras. Salientou o orador que o cometimento não era pequeno. Uma Academia de Letras requer muito esforço, muito denodo, muita renúncia. Ela, ao nascer, tem de fazer face a muita crítica, sendo, portanto, necessário o esforço dos fundadores para que a obra não fracasse. Esta, acentuou, não fracassará, porque nasceu sob a égide de Castro Alves, que foi um excelso poeta e magnífico batalhador”. 

A profética oratória mostra força de concretude na medida em que em 14 de março de 2019 a Academia de Letras de Ilhéus - uma das Academias de Letras mais antiga do Brasil- comemora sessenta (60) anos de fundação. Decerto a missão é hercúlea, exigiu e exige grande esforço de muitos idealistas, desde os fundadores, até seus atuais membros, intelectuais e cultores das Artes e das Letras, mantendo viva a entidade no seu fidedigno propósito expresso no lema do sodalício: “Patriae Litteras Colendo Serviam”. E a Casa de Abel – assim chamada numa referência ao seu idealizador e fundador poeta Abel Pereira- segue firme no cumprimento da missão de incentivar e promover a cultura, através da realização de conferências, concursos, cursos, premiações, e outras atividades de natureza literária, artística e cultural.

Vale assinalar alguns nomes referenciais que ocuparam uma das 40 cadeiras da ALI: Jorge Amado, Adonias Filho, Otávio Moura, Carlos Monteiro, Leones da Fonseca, Paulo Cardoso Pinto, Clarêncio Baracho, Ramiro Berbert de Castro, Otávio Moura, Pe. Nestor Passos, Osvaldo Ramos, Carlos Pereira Filho, Natan Coutinho, Leopoldo Campos Monteiro, José Nunes de Aquino, João Mangabeira, Gileno Amado, Zélia Gattai, Amilton Ignácio de Castro, Janete Badaró, Ariston Cardoso, Dorival de Freitas, Ton Lavigne, Mario Pessoa, Hélio Pólvora, Érito Machado, Raymundo Sá Barreto, Claudio Silveira, Manoel Carlos de Almeida, Hans Tosta Schaeepi, João Hygino Filho, dentre outros.  

A despeito da rica história, e maturidade, a Academia de Letras de Ilhéus é hoje uma academia jovem e vigorosa. Existe entre seus atuais membros personalidades das mais diferentes idades, desde o decano ministro José Cândido Carvalho Filho, contando seus 96 anos de vida, Gumercindo Dórea com 95 anos, até o poeta Geraldo Lavigne, hoje com 32 anos, empossado desde 2014. Todos contribuem para o crescimento e enriquecimento da instituição na medida das riquezas de suas trajetórias, da força que empreendem nas lides culturais e artísticas das terras grapiúnas, regionais, estaduais, ou de suas produções literárias. Muitos dos membros da Academia ilheense ganharam, e/ou ganham, visibilidade e reconhecimento que extrapolam as fronteiras nacionais e internacionais. 

A Academia de Letras de Ilhéus celebra portanto bodas de diamante,  e o momento será comemorado em 14 de março, na sede da Rua Antonio Lavigne de Lemos, às 19 horas, ocasião da abertura do Ano Acadêmico de 2019, com uma preleção sobre a trajetória da instituição proferida por Arléo Barbosa, e posse da Diretoria eleita para o biênio 2019-2021: Presidente: André Luiz Ribeiro Rosa, Vice Presidente- Arléo Barbosa, Secretária Geral: Jane Hilda Badaró, 1ª. Secretária- Maria Schaun, 2º. Secretário- Josevandro Nascimento, 1º. Tesoureiro- Gerson dos Anjos e 2º. Tesoureiro- Gustavo Cunha. 

Compõem ainda o quadro da Academia de Letras de Ilhéus: o decano José Cândido Carvalho Filho, Raymundo Laranjeira, Antônio Lopes, Aleilton Fonseca, Luis Pedreira Fernandes, Carlos Roberto Santos Araújo, Cyro de Mattos, Ruy Póvoas, Geraldo Lavigne, Baísa Nora, Eliane Sabóia Ribeiro, Soane Nazaré de Andrade, Ramayana Vargens, Antônio Ezequiel, Jabes Ribeiro, Maria Luiza Heine, Neuzamaria Kerner, Neuza Nascimento, Edvaldo Brito, Carlos Eduardo Passos, Mário Albiani, Pawlo Cidade, Neide Silveira, Anarleide Menezes, Sebastião Maciel, Vercil Rodrigues, Leônidas Azevedo, Gumercindo Dórea, Jorge Luiz Matos, Fabrício Brandão, Luh Oliveira e Carlos Valder Nascimento. 



Programada para ocorrer com o quadro completo - com seus membros efetivos ocupando as 40 cadeiras existentes - o destino, entretanto, resolveu surpreender, e, na semana que antecede a solenidade, no dia 8 de março p.p., o advogado João Hygino Filho se despediu deste plano, tendo deixado vaga a cadeira de número 1, e um sentimento de pesar entre seus pares, que, por ocasião da “Sessão da Saudade”, com data ainda a ser definida, eternizarão a sua memória, ressaltando os méritos que possuía enquanto pessoa, profissional e acadêmico. 

* Por Jane Hilda Badaró 
  (Secretária Geral da ALI)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

AVISO DE RECESSO


A Academia de Letras de Ilhéus comunica que devido ao recesso acadêmico, e à necessidade de reformas urgentes devido às infiltrações nas paredes, não estamos pautando nenhum evento até a abertura dos trabalhos acadêmicos em 14 de março de 2019.

Contamos com a compreensão de parceiros, amigos e colaboradores.

Cordialmente,

André Luiz Rosa Ribeiro
Presidente

quinta-feira, 17 de maio de 2018

ADEUS, AMIGO CONFRADE! ADEUS, NÃO! ATÉ BREVE.



Hans Tosta Scharppi - Membro efetivo da Academia de Letras de Ilhéus, cadeira n. 3. Nascido em Salvador, onde também fez a passagem na madrugada de 16 de maio de 2018, aos 90 anos de idade. Ilhéus perde um grande homem. Idealista, guerreiro, hoteleiro, industrial, agricultor, pecuarista, escritor, artista plástico, compositor e dramaturgo ( prêmio Silvio Bocanera Júnior). Recebeu título de Cidadão ilheense em 1985! Nesta cidade viveu durante muitos anos, e por ela demonstrava grande amor! Vá em paz, confrade! Missão cumprida!

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Festa Literária de Ilhéus

Confirmada a atriz e escritora Elisa Lucinda na abertura da Festa Literária de Ilhéus


A arte marca a abertura oficial da Festa Literária de Ilhéus. O evento contará com a participação da escritora e atriz de peças, filmes e telenovelas da Rede Globo, Elisa Lucinda. A atriz participará de um bate-papo literário com a professora de Sociologia da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Flávia Alessandra de Souza. Será na próxima terça-feira (16), às 17h30, no Teatro Municipal de Ilhéus.

A escritora e professora da UESC, Maria de Lourdes Netto Simões (Tica Simões) é a homenageada desta edição da Festa Literária. O nome escolhido pela comissão organizadora levou em consideração a carreira de Tica Simões, sempre voltada para a pesquisa, leitura e literatura.

Ainda nesta cerimônia, haverá a premiação dos vencedores do III Prêmio Sosígenes Costa de Poesia e o lançamento da Campanha “Memórias de Leitura”, da Fundação Pedro Calmon (FPC). O público ainda vai poder curtir apresentações musicais, com os grupos locais Dilazenze e Mulheres em Domínio Público.




Festa Literária de Ilhéus integra Feira do Livro da UESC e Festival Literário de Ilhéus

A Festa Literária de Ilhéus será de 15 a 18 de maio, na UESC, Teatro Municipal de Ilhéus, Academia de Letras de Ilhéus, Biblioteca Municipal Adonias Filho, Casa de Arte Baiana, Human Network do Brasil, Calçadão Jorge Amado e Praça Pedro Mattos.

O evento é uma co-realização entre a Editus – Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Secretaria Municipal de Cultura, Academia de Letras de Ilhéus (ALI) e Fundação Pedro Calmon (Secult/BA), e reúne a 6ª Feira do Livro da UESC e o III FLIOS - Festival Literário de Ilhéus.

A programação geral conta com palestras, oficinas, saraus, exposições, apresentações culturais, lançamentos de livros, além de estandes para a venda de livros variados de editoras universitárias filiadas à ABEU (Associação Brasileira das Editoras Universitárias) e editoras comerciais, todos a preços promocionais. Outras informações sobre o evento podem ser conferidas no site: https://doity.com.br/festa-literaria-de-ilheus.

sábado, 5 de maio de 2018

Vem aí!


Divulgados os finalistas do III Prêmio Sosígenes Costa de Poesia


Os escritores José de Assis Freitas Filho, Maria do Carmo Sena do Nascimento e Messias Nunes Correia são os finalistas do III Prêmio Sosígenes Costa de Poesia. Eles são autores, respectivamente, dos livros "Poemas sobre a ternura das lâminas", "Na veia da palavra" e "A ascensão noturna”.

No dia 16 de maio, às 17h30, no Teatro Municipal de Ilhéus, durante a abertura oficial da Festa Literária de Ilhéus será divulgado o resultado final e haverá a premiação do vencedor. O campeão terá o livro de poemas publicado pela Editus – Editora da UESC e ganhará um prêmio de R$ 2.000,00.

As inscrições para a terceira edição do Prêmio ocorreram entre os dias 20 de fevereiro e 30 de março. Cada autor teve que se inscrever em pseudônimo e apresentar uma obra inédita. O Prêmio Sosígenes Costa de Poesia é uma realização da Editus – Editora da UESC e Academia de Letras de Ilhéus (ALI) e, nesta edição, conta com o apoio da Secretaria de Cultura de Ilhéus. Ao homenagear o escritor sul-baiano Sosígenes Costa, a organização do concurso busca valorizar, difundir e revelar novos talentos da literatura poética baiana.

Na primeira edição, em 2016, o concurso premiou Weslley Almeida, mestrando em Literatura e morador de Feira de Santana, pelo livro “Memórias Fósseis”. Já em 2017, Natan José Muniz Barreto, tradutor e professor primário, nascido em Salvador e residente em Londres, foi o ganhador da segunda edição, com a obra “Um quintal e outros cantos” – que será lançada pela Editus no dia 15 de maio, na Festa Literária de Ilhéus.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Literatura e arte na programação da Festa Literária de Ilhéus




    Contagem regressiva para a Festa Literária de Ilhéus. De 15 a 18 de maio, o evento vai oferecer palestras, oficinas, saraus, exposições, apresentações culturais, lançamentos de livros, além de estandes para a venda de títulos variados de editoras universitárias filiadas à ABEU (Associação Brasileira das Editoras Universitárias) e editoras comerciais.

    Por meio do tema “Leituras Democráticas: livros e zaps”, a Festa Literária de Ilhéus vai propor discussões, durante os quatro dias de evento, sobre a integração das juventudes com o universo dos livros nas suas diferentes plataformas e linguagens, destacando as variadas maneiras de acessar e difundir o conhecimento.

    A programação reúne nomes como a escritora capixaba Elisa Lucinda, o coordenador da Campanha Vidas Negras da ONU Brasil, Thiago Ansel; o membro da Plataforma Educação Não Formal e Tecnologias Sociais, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e ex-consultor da Secretaria Nacional de Juventude, André Sobrinho, e a cantora baiana Márcia Short. As atividades contemplam todos os públicos. As crianças contarão com uma programação especial, com jogos educativos, brincadeiras, oficinas e apresentações artísticas.

    Inovadora, a Festa Literária nasce como uma ação integradora entre dois grandes eventos literários já consagrados na região: a 6ª Feira do Livro da UESC e o III FLIOS - Festival Literário de Ilhéus, e é uma co-realização entre a Editus – Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Secretaria Municipal de Cultura, Academia de Letras de Ilhéus (ALI) e Fundação Pedro Calmon (Secult/BA). O objetivo da parceria é somar esforços para oferecer uma programação diversificada e garantir uma maior participação e envolvimento da comunidade regional.

    A realização da Festa Literária de Ilhéus conta ainda como o apoio da Pró-Reitoria de Extensão da UESC, NAU (Núcleo de Artes da UESC), Proler (Programa Nacional de Incentivo à Leitura), Rádio UESC, TV UESC, Casa de Arte Baiana, Human Network do Brasil, Rota Transportes, Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Bombom Gelados, Cenoe – Hospital de Olhos, Barrakítika, Bataclan, Vesúvio, Cerveja Sier Beer, TV Santa Cruz, Canal Futura, Rádio Bahia FM Sul, Rádio Gabriela FM, Rádio Ilhéus FM e Blog O Tabuleiro.

    O evento será realizado na UESC, Teatro Municipal de Ilhéus, Academia de Letras de Ilhéus, Biblioteca Municipal Adonias Filho, Casa de Arte Baiana, Human Network do Brasil, Calçadão da Rua Jorge Amado e Praça Pedro Mattos. A programação completa e outras informações sobre o evento podem ser conferidas no site: https://doity.com.br/festa-literaria-de-ilheus


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

ASSEMBLEIA GERAL


CONVOCAÇÃO





O Presidente da Academia de Letras de Ilhéus convoca todos os seus membros para ASSEMBLEIA GERAL a ser realizada em 15 de fevereiro de 2018, às 17 horas, havendo quorum metade mais um de seus membros, ou às 17:30, em segunda convocação com número de membros presentes,  na sede da instituição, sita à Rua Antonio Lavigne de Lemos n. 39, centro, na cidade de Ilhéus-Bahia, com o  objetivo de referendar as diretorias da Academia de Letras de Ilhéus desde o ano de 2005 até a diretoria atual, de acordo com registros documentais existentes; e as mudanças estatutárias ocorridas no mês de junho de 2017, procedidas dentro dos ditames regimentais. Ao final, será lavrada uma Ata Histórica para registro e averbação no Cartório/Ofício de Registro de Títulos e Documentos e Registro Civil de Pessoas Jurídicas de Ilhéus-Bahia. Tal procedimento se faz necessário para regularizar civilmente a ALI, de modo a possibilitar necessários procedimentos de direito.







Ilhéus, 9 de fevereiro de 2018







André Luiz Rosa Ribeiro- Presidente ALI
Jane Hilda Mendonça Badaró- Secretária Geral ALI




segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

É NATAL!

Ilustração de Jane Hilda

O Amanhecer


Para Firmino Rocha,
em memória

A estrela desponta,
A nuvem se descobre,
O galo clarineta
E anuncia que  em Belém
O menino já chegou
Na manhã mais bela.

A boa notícia corre
No fiozinho do rio
Que da montanha desce.
Segue no vento leve
Que sopra a flor sozinha
Na plantinha do brejo.
Vem com a borboleta
Que pousa na roseira
E fica brincando
Com os raios de sol.

 

      Cyro de Mattos

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Poema: Carta a Ilhéus



Carta a Ilhéus


    Poema dedicado aos 500 anos de Ilhéus, passagem que ocorrerá em 2034.


Ilhéus, estou aqui, um dos seus,
filho de sua filha, plaga de sua plaga,
parte da Capitania.

Onde seu reino se instala,
                                 não se apaga,
pois suas terras, como eu disse,
são sangue do nosso sangue,
sem distinção entre natos e naturalizados.

Venho rogar pelos nossos dias. E venho anotar,
também, o meu alistamento; ao qual, respondo
sem hesitar.

Valho-me do jus soli,
dos meus ancestrais que estão em seus cemitérios,
do suor deles e do meu, que caíram sobre as suas terras;

valho-me do jus sanguinis,
do nosso sangue mestiço;

valho-me das vitórias por Nossa Senhora,
dos colonos aqui radicados, dos migrantes,
do nosso sangue estrangeiro;

valho-me dos bravos nadadores assassinados,
dos aimorés, das tribos expulsas,
do nosso sangue caboclo;

valho-me do levante do Engenho de Sant’Ana,
da resistência escrava, dos quilombos,
do nosso sangue crioulo;

e dirijo-lhe esta oração:

Ó, Ilhéus, terra mãe,
conduza-nos ao futuro.
Ajude-nos a salvar a sua memória,
ecoar os acertos e não reiterar os erros.
Em um ambiente de paz e fraternidade,
dê-nos gana sem ganância.
Você, que é anciã, de sabedoria secular,
ensine-nos sobre igualdade e respeito.
Que, nesse porvir, tenhamos o mínimo existencial,
para que cada cidadão seu tenha uma vida digna.
Que a infância seja protegida;
            a juventude, alimentada;
                   e a velhice, acolhida.
Que não falte ocupação aos adultos, nem amparo na falta.
Que, na escassez, haja partilha; e, na fartura, prudência.
Que as futuras gerações frequentem boas escolas,
desfrutem da natureza e se preocupem com as que virão;
e que encontrem em você um lar,
amando-lhe, como nós, hoje, amamos.




Geraldo Lavigne de Lemos
Membro da Academia de Letras de Ilhéus e da Agenda 34.


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

ARTIGO

UM MESTRE DA CRÔNICA
Por Cyro de Mattos

De origem grega, a palavra crônica vem de chronos, que quer dizer tempo. Forma  textual de narrativa curta, a crônica possui uma inclinação para  os fatos da vida diária, contemporâneos. Escrita para o jornal ou revista, televisão ou rádio, o estofo literário retira-lhe a condição estrita de jornalismo, cuja linguagem é objetiva para informar o fato. Conciso e útil,  o jornalismo pretende aproximar  do evento os  seres humanos com a linguagem precisa, onde quer que estejam,  para que tomem  conhecimento do que acontece no mundo, enquanto a crônica ameniza a notícia ou o evento levado ao leitor sobre a vida diária.    
Na crônica de humor, o autor faz graça com o cotidiano. Na crônica de feição do ensaio,  o cronista tece crítica ao que acontece no sistema organizado, detectando falhas nas relações sociais e de poder. Na crônica filosófica logra extrair do cotidiano reflexões  sábias,  a partir de um fato. Na jornalística enfoca aspectos particulares de notícias ou fatos, que podem acontecer na área esportiva, policial e política ou  em outros campos da atuação humana.
Pode ser atemporal, se o  assunto,  extraído da realidade exterior sob bases sentimentais,  revestir-se  de estofo literário, servindo para ser lido tempos depois   desgarrado do seu contexto  e ainda assim causando emoção.  Sempre dando  tratamento agradável ao assunto em  que está descrevendo,  a crônica é  de tal forma argumentativa ou  digressiva nos devaneios dos sentimentos. Seu lirismo poetiza a vida, aviva  o evento com graça,  tornando-o ameno pelo eu que  o recorda no relógio afetivo do peito.
A crônica atingiu o ápice na Idade Média quando passou a registrar  uma série de acontecimentos, obedecendo  uma sequência linear. Nessa época  era destituída de qualquer interpretação nas informações de natureza histórica. Com a significação moderna entrou em uso no século XIX  quando passou a designar textos que, embora remotamente se ligam à forma originária,  revestem-se de tratamento literário para tornar o assunto menos insípido e fugaz.  Em nossas letras,  Machado de Assis, no século XIX,  com engenho e arte  encontrou os meios necessários para lhe dar expressividade. 
         A crônica no seu arcabouço de escrita híbrida, entre o jornal e o literário, não apresenta limites muito definidos. Sujeita ao efêmero que passa  ante o eterno que fica, o espaço que melhor  achou para morar e se expandir  foi  o jornal, lugar em que  demonstra  leveza na informação do fato e corresponde  ao que os ingleses chamam de commentary, sketch, light essay, literary column, human interest story. Usa a oralidade na fala dos personagens e o coloquial na escrita, a linguagem é  simples, alguns querem que seja   como  poesia espontânea  em forma de prosa.
      A crítica não aceita a crônica como uma expressão  literária significativa,  se comparada ao romance, à poesia e ao conto.  Nenhuma literatura se faz grande com livros de crônicas, alega-se. No Brasil, quando se fala em cronistas de primeira grandeza soam com aplausos os nomes de Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Carlos Heitor Cony, Henrique Pongeti, Stanislaw Ponte Preta, Rachel de Queiroz, Carlos Drummond de Andrade, Nelson Rodrigues  e Fernando  Veríssimo.
         No elenco formado por esses cronistas de primeira qualidade  poderia figurar o baiano (de Ilhéus) Fernando Leite Mendes?
          Como todo bom autor, ele escreveu um sem-número de crônicas para todos os gostos com fina sensibilidade. Dariam, se publicadas,  vários volumes. Ficaram esparsas, esquecidas, perdidas no baú do tempo. O único livro desse cronista admirável, Os olhos Azuis de D. Alina e algumas crônicas (1985), hoje uma raridade  bibliográfica,  foi publicado postumamente, graças à iniciativa do sobrinho Gumercindo Leite Mendes. O volume reúne cinqüenta crônicas, algumas antológicas, como “Os Gatos” e “Elogio do Urubu”, a primeira de humor e a segunda com sabor de prosa poética; “João da Verdura”   e “ Adeus, Tamiroff!”, crônicas, como de resto,  além do cotidiano, de tão humanas, atingem o universal, em seus tons carregados de subjetividade comovente.   Apresentam-se pontuadas de ternura na exposição do drama.  
          Jornalista de talento excepcional, de Salvador seguiu com sua vocação para o  Rio onde, nos anos em que residiu na metrópole, nunca esqueceu  as raízes  baianas, fincadas em  Ilhéus e Salvador. Em terras cariocas,  no seu voo de homem inteligente,     se impôs como editor, redator e cronista dos principais veículos da imprensa.  Lúcido,  esteve presente em algumas colunas importantes que assinou: O Homem da Rua, A Poesia do Asfalto, Sextas-Feiras Estórias.  Foi editor  político de “Última Hora”, redator da “Revista da Semana” e do “ Consórcio Time-Life”, editorialista do “Diário de Notícias” e do “ Correio da Manhã”, redator-chefe do “Diário Carioca.”
Intensamente humano, autêntico  lírico que gostava de expressar  o lado encantador da vida, como mostra em “Os Olhos Azuis de D. Alina”;  com a alma triste pelo  que percebeu  na figura de Jacinto de Gouveia, um tocador de piano no cabaré de Ilhéus, que fumava cachimbo inglês e usava cachecol, na cidade atlântica de clima tropical,  vivendo pobremente, e que, na última vez que viu o cronista,  pediu-lhe que trouxesse do Rio a partitura do poema sinfônico Finlândia, de Sibelius; irônico como pede o assunto em “Um Comedor de Vidro”; alegre com os lances aguerridos da pelada,  vista da janela, quando então se revoltou  com o adulto que quis interrompê-la,  depois aceitou  o convite dos meninos e foi pegar no gol. 
Com uma capacidade de falar de modo simples e, ao mesmo tempo, sedutor e culto, de gesto solidário e terno, o  Tempo não quis que esse amanuense da palavra vivesse  mais anos aqui entre os humanos.  Foi-se embora aos 48 anos. Tivesse mais tempo para esbanjar seu talento verbal, certamente teria  posto numa festa demorada da vida mais riso, fraternidade, esperança e sonho, companhias necessárias, ontem como hoje. Haveria mais leitura desses momentos fotográficos que ele registrou  no teclado da  sua máquina portátil Remington, levada para ser usada onde estivesse, em Hong-Kong ou Paris. Mais escuta sensível  dos seres humanos haveria, graças a um senhor gordo, com alma de menino, um relógio de cordas suaves no peito, cujos ponteiros costumavam marcar como poesia os  passos da existência. Mais divulgado, em seu brinquedo preferido, a crônica, ensejaria  minutos de delícia às novas gerações. 


·         Baiano de Itabuna, Cyro de Mattos é contista, novelista, romancista, cronista, poeta, autor de livros para jovens e crianças  Já publicou  quarenta e três livros pessoais no Brasil e nove  no exterior.  É membro efetivo da Ordem do Mérito da  Bahia, Academias de Letras da  Bahia, de Ilhéus e de Itabuna,  e Pen Clube do Brasil. Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz (Sul da Bahia). Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México.


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

ACADÊMICA MARIA LUIZA HEINE LANÇA NOVO LIVRO



Maria Luiza Heine lançou o livro "Política Nacional de Educação Ambiental: entre a Lei e a realidade", em 13 de novembro p.p., na Academia de Letras de Ilhéus. Estiveram presentes seu editor prof. Gasparetto da Via Litterarum, André Rosa- Presidente da Academia de Letras de Ilhéus e a Secretária Geral da ALI Jane Hilda Badaró, Profa. Sandra Milanesi - Diretora da Faculdade de Ilhéus, Acadêmicos Raimundo Laranjeira, Eliane Saboia, Hans Scaeppi, Maria Schaun e Pawlo Cidade, também Secretário de Cultura de Ilhéus, Antonio Marcos Campos- Presidente da Associação Comercial de Ilhéus, Janete Lainha - do Conselho de Cultura, o contador de histórias José Delmo, além de amigos e familiares da autora. 
Profa. Sandra Milanesi, Antonio Marcos Campos, Eliane Saboia, 
Maria Luiza, Pawlo Cidade e Jane Hilda

Maria Luíza Heine é Membro efetivo da Academia de Letras de Ilhéus. Nasceu no Rio de Janeiro e veio morar em Ilhéus na década de 70. Formou em Filosofia pela Fespi, atual UESC. Fez Especialização em História Regional e Mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente. Tem sete livros lançados. Este título é resultado de sua tese de Doutorado em Educação na Universidade do Estado da Bahia

ARTIGO


Romancista do  Nascimento do Brasil 
       Cyro de Mattos
     

          Aracyldo Marques nasceu em Ilhéus onde fez os estudos primários. Concluiu o secundário em Salvador. No Rio de Janeiro fez o curso científico e ingressou na Escola de Medicina.  Mudou-se para o Paraná  em 1954, onde permaneceu por várias décadas,  como médico clínico,  em Campo Mourão. Faleceu em 20 de abril de  1996.
       Publicou: As rosas florescem em maio (1968), romance  em que recria  a vida diária e provinciana de Campo Mourão; E o verde voltará (1971), contos, com temas relacionados à colonização do centro-oeste do Paraná; O sino de cobre (1976), romance em que  enfoca  o retorno à infância de um menino através de sessões psiquiátricas e os conflitos que decorrem dessa volta; O tempo, cavalo doido (1982), romance que tem como tema a difícil  trajetória de um retirante nordestino; Extermínio (1986), romance em que  narra  a ocupação  da Capitania de São Jorge dos Ilhéus e  o genocídio que vitimou os povos nativos;  Templo de solidão (1987), romance, em que descreve o drama de um deficiente rejeitado pelo mundo;  Demônios do planalto, romance em que relata a saga do Contestado; Os desbravadores, romance que tem como fundo a saga dos  pioneiros de Campo Mourão.
        Em Extermínio, Aracyldo Marques  viaja pelos primórdios do Brasil quando ainda  estava  nascendo como nação na Capitania de São Jorge dos Ilhéus, pertencente ao escrivão luso Jorge de Figueiredo Correia.  Numa narrativa  que oscila  entre o lírico e o dramático,  o romance  tem uma estrutura simples, tripartite:  O Paraíso, A Vila e A Guerra dos Nadadores.
      Na primeira parte,  os costumes dos nativos são mostrados em suas bases naturais e deles fazem  parte uma nudez inocente. Em convívio de pura integração comunitária, vemos como a vida organiza-se na tribo: os  homens  pescam e  caçam, os mais jovens, os guerreiros, defendem a aldeia,  enquanto as mulheres dedicam-se à lavoura de milho  e  aipim;  além disso, são tecelãs hábeis, no artesanato útil fazem esteira, rede e cesto.  Há também o costume de comer moqueado o inimigo colonizador, fazendo com que o ódio ao invasor seja alimentado  em cada pedaço de carne comido..
      A mata não tem fim, escura de dia, de tão fechada,   a qualquer momento hostil nas emboscadas do  bicho,  que rasteja, salta e voa. Abriga minúsculos e maiúsculos dramas vividos por bichos e pássaros no cenário selvagem.  Perde-se no verde, que brilha intenso ao sol forte. À noite,  a lua derrama sua prata na cabeleira das árvores.   O mar perde-se nos confins do azul, lá  onde o céu se acurva. Sol ardente durante o dia,  “sempre rutilante, que aquece a terra, e traz algaravia aos pássaros,  cio aos animais, amor ao coração dos  seres viventes que falam e pensam. É festa na mata, é festa no mar, é festa  também no céu.” (p. 29) Falam os nativos e não deixa de pensar   nisso Pedro Dias, que chega a ter certeza de que é naquelas paragens,  não em algum outro lugar desse mundo,  que está o paraíso.
      Pedro Dias e seu filho Jaguanharõ, que quer dizer onça-brava, são personagens nucleares que entram em cena  já na primeira parte do romance. Seguindo com outro companheiro para o  degredo, o português Pedro Dias  foi deixado  “num país estranho, no meio de selvagens que ele, por sorte ou por fatalidade, ainda estava ali, vivo, fazendo parte da tribo como um deles, com os costumes deles que adquiriu ao longo do tempo,  inclusive o de comer moquém dos inimigos”,  e outras coisas mais, como o de ter várias índias, ao mesmo tempo,  como suas mulheres. (p. 36)
           O menino Jaguaranhõ, de cabelos cor de ouro e olhos esverdeados, irá se transformar no grande herói dos povos  nativos, exterminados pelos colonizadores. Apesar de sua pouca idade e ainda não ter se submetido às provas necessárias para ser considerado um guerreiro, era tido como um menino  muito corajoso. Nunca dirigiu ao pai Pedro Dias  uma palavra,  jamais  abriu a boca para lhe mostrar um sorriso, sempre arredio. Seu olhar duro provocava no rosto do  pai uma expressão de medo.