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sexta-feira, 8 de maio de 2026
ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS CELEBROU CENTENÁRIO DE MILTON SANTOS
segunda-feira, 4 de maio de 2026
ARTIGO
O Centenário do geógrafo Milton Santos
A Bahia recebeu como presente o nascimento de Milton Almeida dos Santos em 03 de maio de 1926, em Brotas de Macaúbas. Aquela criança cresceu e se tornou uma das maiores referências da Geografia e do campo das humanidades no mundo. Imortalizou-se com uma vasta produção acadêmica, rompendo preconceitos e se notabilizando como um dos pensadores brasileiros de maior relevo no exterior. Milton Santos se tornou um “diplomata” e difundiu o quê é que a Bahia tem: conhecimento.
A efemeridade do centenário de nascimento de Milton Santos desperta reflexões em torno das contribuições dele para a Geografia e demais campos do conhecimento. Sendo assim, a Academia de Letras de Ilhéus, cuja instituição Milton Santos colaborou para a fundação em 1959 e se imortalizou na cadeira de n.º 35, hoje, ocupada pela jornalista Maria Schaun, promove no dia 05 de maio uma sessão em homenagem a um de seus fundadores e discorrerá sobre a passagem de Milton Santos no sul da Bahia. Em Ilhéus, foi professor do Instituto Municipal de Ensino e estudou sobre as fazendas e a lavoura de cacau, inclusive, publicando estudos sobre o tema. Esteve correspondente do jornal A Tarde, na zona cacaueira, entre 1949 - 1953.
Diversas homenagens e estudos estão a ocorrer sobre o premiado Milton Santos. Os membros da Academia de Letras da Bahia (ALB) aprovaram após a presidência, liderada pelo escritor Aleilton Fonseca, requerer aos pares do sodalício a posse simbólica de Milton Santos como membro correspondente. O homenageado fora eleito em 26/11/1998, entretanto, não tomou posse, faleceu em 24 de junho de 2001. A ALB promoverá, em 07/05/26, reunião dedicada a celebrar o centenário de Milton Santos. Outra distinção de alto relevo é a inscrição de Milton Santos no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, por meio de projeto de lei, em tramitação no Congresso Nacional. Extrai-se da proposta o objetivo de reconhecer o legado de Milton Santos e as suas contribuições como “geógrafo negro e intelectual focado no Brasil e na globalização”. O professor foi o primeiro latino-americano a receber o prêmio Vautrin Lud (1994), o "Nobel da Geografia".
O professor Milton Santos foi perseguido na ditadura militar, precisou se exilar e, para sobreviver, lecionou em universidades da Europa, da África e das Américas. Ele foi reconhecido com dezenove títulos de Doutor Honoris Causa e eleito "O Brasileiro do Século" em 1999, na categoria Educação, Ciência e Tecnologia, pela revista IstoÉ. Recebeu ainda o Prêmio Jabuti (1997) na categoria “Ciências Humanas” e o Prêmio UNESCO de Ciência. Sua obra ultrapassa os muros das universidades, permanece vigente e necessária.
Efson Lima
Doutor em Direito. Membro das Academias de Letras de Ilhéus e da Grapiúna de Artes e Letras (Agral).
efsonlima@gmail.com
terça-feira, 28 de abril de 2026
ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS CELEBRA O CENTENÁRIO DO GEÓGRAFO MILTON SANTOS
No dia 03 de maio de 2026 se comemorará o centenário de nascimento do geógrafo Milton Santos e para celebrar a data, a Academia de Letras de Ilhéus realizará uma sessão em homenagem ao saudoso acadêmico no próximo dia 05 de maio, às 18 horas, na sede do sodalício, à Rua Antônio Lavigne de Lemos, n.º39, Centro, Ilhéus. O professor Milton Santos foi um dos fundadores da Academia de Letras de Ilhéus, em 14 de março de 1959. A cadeira de n.º 35, atualmente é ocupada pela jornalista Maria Schaun. O acadêmico residiu em Ilhéus e lecionou no Instituto Municipal de Ensino (IME).
Para o presidente da Academia de Letras de Ilhéus, Josevandro Nascimento, "a comemoração do Centenário de Milton Santos é a oportunidade da Academia de Letras de Ilhéus relembrar a trajetória do geógrafo que revolucionou a compreensão sobre o campo da Geografia no mundo e registrar as vivências do acadêmico no sul da Bahia, especialmente, em Ilhéus."
A Comissão constituída para as celebrações do centenário de Milton Santos é composta pelos acadêmicos: Maria Schaun, Efson Lima, José Nazal e Luh Oliveira. Os membros convidaram para a solenidade comemorativa a professora Lurdes Bertol e os professores José Antunes e Marcelo Henrique Dias, sendo este último membro da ALI. Os professores vão abordar as trajetórias de Milton Santos, as contribuições dele para a geografia e as diversas áreas, bem como a passagem de Milton Santos por Ilhéus.
A acadêmica Maria Schaun, Secretária da ALI, considera que “é um privilégio ocupar a cadeira número 35 da Academia de Letras de Ilhéus. Cadeira que foi fundada pelo renomado geógrafo, Milton Santos e eu desejo ter sempre condições de honrar esse lugar", concluiu a jornalista.
O professor Milton Santos possui um vasto currículo e diversos livros publicados, entre eles: “Por uma outra Globalização”. No ano de 1994, ele foi laureado com o Prêmio Internacional de Geografia Vautrin Lud, o equivalente ao Nobel da área. Milton Santos foi consultor da ONU, OIT, OEA e UNESCO e redator do Jornal A Tarde. Tornou-se um personagem vivo da Geografia, contribuindo positivamente para o campo da ciência e enaltecendo as raízes brasileiras, inclusive, problematizando o fenômeno da globalização, sendo professor em diferentes universidades. Milton Santos faleceu em 24 de junho de 2001.
Texto: Efson Lima, membro da cadeira nº 40
terça-feira, 17 de março de 2026
A Academia de Letras de Ilhéus celebra abertura do ano acadêmico de 2026 com vasta programação cultural
Da redação/Jornalista Vercil Rodrigues
Fotos: José Nazal
A Academia de Letras de Ilhéus (ALI), fundada em 14 de março de 1959, no dia do nascimento do poeta Castro Alves e uma das mais antigas do Brasil, realizou na tarde e noite de sábado, 14/3, abertura do ano acadêmico de 2026 com uma diversificada programação cultural.
Presidida pelo confrade Josevandro Raymundo F. Nascimento (cadeira 14), os trabalhos começaram oficialmente às 17 horas fora da sede da instituição. O ponto de encontro foi a Praça Castro Alves, onde ocorreu uma homenagem ao "Poeta dos Escravos". O momento contou com um belíssimo discurso do acadêmico Antônio Carlos Hygino (cadeira 1), celebrando a memória e o legado de Castro Alves no local que perpetua o seu nome.
A sessão solene de abertura, aconteceu às 19 horas, na sede da entidade, com a palestra do conceituado jornalista, escritor e advogado Durval Ramos Neto. Ex-presidente da OAB Bahia e ex-Conselheiro Federal da OAB, que em uma abordagem dinâmica nos trouxe o tema Castro Alves (1847–1871), patrono da Academia de Letras de Ilhéus. “Louvamos Antônio de Castro Alves, o jovem quase imberbe que ousou desafiar, em pleno século XIX, a sociedade desumana, combatendo a brutal exploração dos que não tiveram a sorte de ser devorados pelos tubarões da travessia”, declarou Neto.
Um dos momentos mais aguardados da noite foi a entrega do VI Prêmio Sosígenes Costa de Poesia, uma das principais distinções da ALI, que reconhece o talento e a produção poética contemporânea, que teve como vencedor Dilson da Solidade Lima (Feira de Santana) com o livro “Selva Insana”, e menção honrosa para os autores Noiane de Jesus Souza (Vitória da Conquista) e Ronaldo Oliveira Santos (Ilhéus). O prêmio do vencedor é a publicação do livro pela editora Editus em uma parceria da Academia de Letras de Ilhéus (ALI) com a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).
Com a apresentação descontraída Jabes Ribeiro (cadeira 8), confrade aniversariante do dia – com direito a bolo e aos parabéns –, o articulista Isaac Albagli lançou e autografou o seu mais novo livro "70 Faróis em palavras" (Mondrongo), fechando o ciclo de abertura com o incentivo à nova produção literária regional.
Por último, como é de praxe, a diretoria da Academia de Letras de Ilhéus (biênio 2025/2027) recepcionou a todos com um digno coquetel.
segunda-feira, 9 de março de 2026
Academia de Letras de Ilhéus Celebra Abertura do Ano Acadêmico de 2026 com Vasta Programação Cultural
O orador convidado para a noite é o conceituado jornalista, escritor e advogado Durval Ramos Neto.
ILHÉUS – No próximo dia 14 de março, a Academia de Letras de Ilhéus (ALI) dará início oficial às suas atividades de 2026. Sob a presidência de Josevandro Raymundo F. Nascimento (biênio 2025/2027), a instituição preparou uma solenidade que promete movimentar o cenário cultural da "Terra do Cacau", reunindo homenagens a grandes ícones da literatura, premiações e lançamentos de obras inéditas.
Homenagem ao Poeta dos Escravos
As celebrações começam às 17h, fora da sede da Academia. O ponto de encontro será a Praça Castro Alves, onde ocorrerá uma homenagem ao "Poeta dos Escravos". O momento contará com um discurso do ilustre acadêmico Antônio Carlos Hygino, que celebrará a memória e o legado de Castro Alves no local que perpetua o seu nome.
Sessão Solene e Palestra Magna
A partir das 19h, a programação se desloca para a sede da Academia de Letras de Ilhéus. A Sessão Solene de abertura contará com a presença de autoridades e entusiastas das letras. O orador convidado para a noite é o conceituado jornalista, escritor e advogado Durval Ramos Neto. Ex-presidente da OAB Bahia e ex-Conselheiro Federal da OAB, Ramos Neto trará sua vasta experiência para compor o corpo intelectual do evento.
Um dos momentos mais aguardados da noite será a entrega do VI Prêmio Sosígenes Costa de Poesia, uma das principais distinções da casa, que reconhece o talento e a produção poética contemporânea.
Lançamento Literário
Encerrando a noite de celebração, às 20h, o escritor Isaac Albagli lançará seu novo livro intitulado "70 Faróis em palavras". O lançamento ocorrerá na própria sede da ALI, fechando o ciclo de abertura com o incentivo à nova produção literária regional.
A diretoria da ALI reforça que a presença do público e de autoridades locais é motivo de "enorme alegria e distinção", marcando o início de mais um ciclo dedicado à preservação da cultura e ao fomento do conhecimento em Ilhéus.
Serviço:
O quê: Abertura do Ano Acadêmico de 2026 da ALI.
Quando: 14 de março de 2026.
Onde: Praça Castro Alves (17h) e Sede da ALI (19h).
Mais informações: www.academiadeletrasdeilheus.blogspot.com.br
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
PONTO DE LEITURA ANDRÉ ROSA SERÁ ABERTO AMANHÃ
No dia 24 de janeiro de 2026, a cidade de Ilhéus celebrará a inauguração de um novo espaço dedicado ao incentivo à leitura, à cultura e à formação cidadã. Às 18h, na Rua Bento Berilo, nº 120, será inaugurado o Ponto de Leitura André Rosa, uma iniciativa voltada à democratização do acesso ao livro e ao fortalecimento das práticas culturais na comunidade.
O Ponto de Leitura André Rosa nasce como um espaço aberto, inclusivo e acolhedor, destinado a leitores de todas as idades. O local contará com um acervo diversificado deixado por André Rosa após sua morte, reunindo livros que refletem sua trajetória, seus interesses intelectuais e seu compromisso com a educação e a cultura. Além do acervo, o espaço promoverá atividades de mediação de leitura e ações culturais voltadas à comunidade de Ilhéus e região.
André Rosa foi um entusiasta da leitura, da educação e da cultura, reconhecido por sua atuação comprometida com a formação humana, o diálogo social e a valorização do conhecimento como ferramenta de transformação. Seu acervo pessoal, agora compartilhado com o público, representa um legado de ideias, afetos e compromisso com o acesso democrático à cultura.
Para Anna Lívia Rosa Ribeiro, gestora do Ponto de Leitura André Rosa e irmã do homenageado, a criação do espaço é também um gesto de memória e continuidade. “Transformar a biblioteca pessoal do meu irmão em um espaço aberto à comunidade é uma forma de manter viva sua paixão pelos livros e seu desejo de ver o conhecimento acessível a todas as pessoas. O Ponto de Leitura André Rosa nasce para acolher, inspirar e formar leitores, especialmente em um território que tanto precisa de iniciativas culturais como esta”, afirma.
A inauguração contará com a presença de representantes da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), da Academia de Letras de Ilhéus (ALI), convidados, educadores, agentes culturais, estudantes e membros da comunidade, marcando um momento simbólico de valorização da cultura, da memória e do conhecimento.
Ao transformar o acervo pessoal de André Rosa em um Ponto de Leitura aberto ao público, a iniciativa reafirma o compromisso com a promoção da educação, da cultura e do pensamento crítico, fortalecendo redes locais de incentivo à leitura e ampliando o acesso a bens culturais no município.
O evento é aberto ao público.
📚 Inauguração do Ponto de Leitura André Rosa
📅 Data: 24 de janeiro de 2026
⏰ Horário: 18h
📍 Local: Rua Bento Berilo, nº 120 - Ilhéus/BA
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
FINALISTAS DO PRÊMIO SOSÍGENES COSTA DE POESIA
A Universidade Estadual de Santa Cruz, em parceria com a Academia de Letras de Ilhéus, divulgou a lista dos finalistas do VI Prêmio Sosígenes Costa de Poesia, Edital nº 197, de 2025. Os finalistas são:
Dom Jorge Du Joir, com a obra “Ilhéus vista do chão – Via BR 415 e “Um causo bom do sertão”, de Ilhéus, Bahia;
Mersila Kin, com a obra “Setígonos para transpor o tempo”, de Vitória da Conquista, Bahia.
Yasaf Selah, com a obra “A Seiva Insana”, de Feira de Santana, Bahia.
O vencedor do Prêmio será divulgado posteriormente. A entrega da premiação ocorrerá no primeiro semestre de 2026, em cerimônia a ser divulgada em momento oportuno. O vencedor terá seu livro publicado pela Editora Editus, da UESC, com uma tiragem de 400 exemplares e receberá troféu da Academia de Letras de Ilhéus.
quarta-feira, 12 de novembro de 2025
POETA CÁTIA HUGUES TOMA POSSE NA ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS NESTA SEXTA-FEIRA, 14
terça-feira, 28 de outubro de 2025
ESTÃO ABERTAS AS INSCRIÇÕES PARA O PRÊMIO DE POESIA MAIS ESPERADO DO ANO NA BAHIA
terça-feira, 16 de setembro de 2025
Professora Elisa Oliveira toma posse na Academia de Letras de Ilhéus
quinta-feira, 4 de setembro de 2025
DISCURSO DE RECEPÇÃO À CONFREIRA RENÉE ALBAGLI, PELA CONFREIRA TICA SIMÕES
quinta-feira, 28 de agosto de 2025
ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS SEDIA II COLÓQUIO DAS ACADEMIAS DE LETRAS DA BAHIA
domingo, 3 de agosto de 2025
ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS EMPOSSA O PROFESSOR MARCELO HENRIQUE DIAS




Fonte: Jornal Direitos
terça-feira, 10 de junho de 2025
GERSON DOS ANJOS: GUARDIÃO DA POESIA!
"Gerson era um homem laborioso. Sempre muito
preocupado com a empresa e suas demandas".
Boa noite, Sr. presidente, familiares e amigos de Gerson dos Anjos, prezadas confreiras e confrades, e toda comunidade aqui presente.
Reunimo-nos hoje para a Sessão da Saudade em homenagem à memória do nosso Poeta, assim, cumprimos parte dos rituais que conferem aos membros da Casa de Abel a condição simbólica de Imortalidade. Gerson, estamos hoje reunidos porque sentimos saudades de você e através das nossas saudades presentificamos e atualizamos a sua existência entre nós.
Gerson Alves dos Anjos nasceu em 23 de agosto de 1949, em Ibicaraí, e passou a residir em Ilhéus, ainda na infância, aos cinco anos de idade. Aqui, na Academia de Letras de Ilhéus, ocupou a cadeira nº 17 cujo patrono é Epaminondas Berbert de Castro e o fundador é Raimundo Brito. A sua posse ocorreu em 30 de novembro de 2010 e o seu falecimento se deu no dia 03 de junho de 2024. Além de dedicar parte de sua vida ao trabalho no Ateneu e à escrita, Gerson também se dedicou ao canto, participando do Coral Dom Eduardo da Catedral de São Sebastião. Escreveu e publicou alguns livros, como: Versos Brejeiros, 1995; Poemas no Tempo, em 2010, Olhos do Coração, em 2016. Deixou muitos amigos, a esposa, Evanildes dos Anjos, três filhos, George, Geanne, Rosane e os netos: Ari Gerson, Sarah e Maria Amélia.
Segundo o Dicionário dos Símbolos de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, Anjos são seres intermediários entre Deus e o mundo; seriam seres puramente espirituais ou espíritos dotados de um corpo etéreo, aéreo; ocupariam para Deus as funções de ministros, ou seja, mensageiros, guardiões, condutores de astros, executores de leis e protetores dos eleitos. Aqui, entre nós, Gerson se fez Poeta e construiu em sua existência mecanismos de mediação entre o mundo terreno e o mundo espiritual, através da sua conduta sempre atenta ao universo humano e voltada ao plano do invisível, celestial, através das suas indagações e de suas buscas, características que podemos constatar em sua obra, pois a sua Poesia reflete tais conotações e movimentos antitéticos, paradoxais. Logo, o nosso Poeta era um mensageiro, um protetor e um guardião da Poesia.
Gerson foi meu colega no Ateneu por algum tempo - é deste lugar de fala que tecerei meu discurso - e era também meu chefe, de forma indireta, visto que o meu trabalho estava mais ligado a Marcos Mendonça, como sua secretária. Ficávamos todos numa mesma sala, eu, Gerson, Sônia e Marcos. Não caberia aqui narrar nem descrever o desconforto de uma jovem inexperiente de 19 anos, iniciando a sua vida profissional. No entanto, saliento que havia entre nós, naquele ambiente de trabalho, companheirismo, respeito e um contexto de convivência harmoniosa. Parte daquela atmosfera era proporcionada por Gerson e sua postura generosa e conciliadora, homem de natureza amena, afável. Em sua memória, tentarei fazer um retrato daquele colega amoroso, cuidadoso ao lidar com o humano, ou seja, um homem que olhava para o outro com respeito, curiosidade e afeto. Seus olhos apuravam o mundo!
"Buscarei trazer o nosso Gerson, através dos seus poemas, afinal, não vislumbro melhor forma de lhe homenagear, nesta noite de junho que se inicia iluminado, iridescente, em Ilhéus".
Gerson era um homem laborioso. Sempre muito preocupado com a empresa e suas demandas. Era ele quem controlava a gráfica e lidava com os funcionários de forma mais direta. Um homem do trabalho. Às vezes percorria toda aquela engrenagem, disposto a resolver demandas, atrasos, prazos, pendências típicas da natureza do que era O Ateneu, uma papelaria, mas essencialmente uma Gráfica. Imagino o quanto aquele ambiente o estimulou a criar a sua própria obra e desejar ver impressos os seus futuros livros. Ele sabia dialogar com os funcionários e tratava-os sempre com muito respeito e muita cordialidade. Sempre soube posicionar-se como o responsável pela produção da Empresa. Gentileza e determinação faziam-se presentes para a administração do negócio. Ele era o homem de confiança de Marcos e correspondeu durante anos, até a sua aposentadoria, às suas expectativas.
Eu e Sônia Cerqueira, uma funcionária antiga na Casa e absolutamente competente, ágil, com anos de experiência e muito querida por Gerson, dividimos com ele momentos de descontração, conversas amenas, risos e as tensões do ambiente de trabalho. Recobrar a memória para pensar em Gerson, nesta homenagem, é um exercício intenso e que traz a sua presença, seu riso, sua alegria de viver e o seu prazer com a convivência. Alguns daqueles momentos tornavam Gerson ainda mais descontraído e feliz, um deles era quando a sua esposa e seus filhos ligavam ou apareciam rapidamente - nesses momentos ele ficava visivelmente emocionado e muio dengoso, derretido de amor, Gerson se transformava. O outro momento era quando Ton Lavigne surgia de repente para uma visita, uma conversa ou algum negócio. Os diálogos giravam em torno da poesia e havia uma amabilidade mútua, eram afagos entre amigos que se estimavam e que, anos mais tarde, estariam juntos aqui, na Academia. A sua fisionomia se expandia em risos e alegrias, quando aquele amigo vistoso aparecia para uma prosa e, quando a hora era propícia, se entregavam à amizade e às afinidades da alma. Ambos eram regidos pela Poesia, a paixão que os unia na vida lá fora e que também os uniu aqui na Academia de Letras de Ilhéus. A meu pedido, o nosso querido confrade Geraldo Lavigne escreveu algumas linhas para, em nome de sua família, também render as suas homenagens a Gerson:
Gerson e meu pai, Ton, nutriram profunda amizade baseada nas afinidades intelectuais comuns em razão da poesia e do trabalho. Por muitos anos, eles se encontraram n’O Ateneu, empresa de artes gráficas e papelaria da família Mendonça, onde tratavam dos detalhes do material de escritório e, certamente, entre papéis timbrados, envelopes, canetas e tintas, abordavam os versos que permeiam o labor da poesia. Essa vantagem rendeu uma aproximação carinhosa entre as famílias e a presença recíproca nos marcos acadêmicos de suas respectivas trajetórias. A título de exemplo, meu pai se fez presente no lançamento do livro de Gerson. Gerson, por sua vez, despediu-se de meu pai com versos. Hoje falam de poesia onde há claridade permanente, mas devem também comentar com saudade sobre as belas noites de Ilhéus e o convívio com os confrades.
apresentação do Coral da Catedral
Buscarei trazer o nosso Gerson, através dos seus poemas, afinal, não vislumbro melhor forma de lhe homenagear, nesta noite de junho que se inicia iluminado, iridescente, em Ilhéus. Na apresentação do seu livro Versos Brejeiros, encontramos uma carta ao leitor, onde o poeta nos convida a nos reencontrarmos com a poesia e com os devaneios, sentença que dialoga com as reflexões feitas no livro A água e os Sonhos, de Gaston Bachelard, em que o filósofo e ensaísta francês afirma:
“Essa adesão ao invisível, eis a poesia primordial, eis a poesia que nos permite tomar gosto por nosso destino íntimo. Ela nos dá uma impressão de juventude ou de rejuvenescimento ao nos restituir ininterruptamente a faculdade de nos maravilharmos. A verdadeira poesia é uma função de despertar.” O filósofo continua: “Os devaneios e os sonhos são, para certas almas, a matéria da beleza.” Enquanto Gerson, maravilhado diante do exercício poético, em sua missiva aos leitores, sugere:
“esperamos que a sua leitura além de um entretenimento, seja uma maneira de refletir, de viajar pelo tempo, de repensar alguns valores e sobretudo uma maneira de reencontrar-se com a poesia e os devaneios.”
Na primeira edição que tenho dos seus Versos Brejeiros, com a sua dedicatória, ele nos revela os seus primórdios , que certamente o conduziriam mais tarde a se tornar membro desta Casa.
“Tudo começou quando em 1984, em plena Copa do Mundo, foi inserida numa página de poesia da Ilhéus Revista, de Janete Badaró, a poesia “Épocas”, que caiu no agrado do Dr. Josevandro Nascimento, que veio a cumprimentar-me efusivamente.”
Assim era Gerson, um homem grato, generoso, gentil e de coração nobre, que sabia reconhecer e valorizar os instantes em que a vida e os amigos reconheciam a sua poesia e abriam espaços para ela. Tentaremos fazer um retrato lírico do nosso confrade. A cordialidade é certamente um dos seus atributos mais frequentes, manifesta através do riso doce, do olhar sempre úmido, quase lacrimejante, atento ao outro, às suas dores, demonstrando uma preocupação constante com o mundo, com as pessoas e com o trabalho. E não é esta a natureza intrínseca do Poeta, voltar-se às alteridades, recair o seu olhar aos outros?
“Que faria minh’alma vagando o espaço/
Trilhando o caminho do cosmo estrelar.”
O Poeta inicia o seu livro com um poema dedicado à sua esposa, Evanildes. Utiliza-se já ali da metalinguagem a fim de buscar razões para a sua poesia e faz uma radiografia da sua relação com o gênero que escolheu para se tornar um amante, pois Gerson era amante da poesia. E assim nos apresenta, na primeira estrofe do poema Minha Poesia, o seu projeto de escrita:
A minha poesia não tem idade,
São versos que surgem ao sabor do vento
E mesmo sem possuir maturidade
Procura gravar um doce momento.
O poeta é sensível às mazelas do mundo, portanto, sofre e manifesta suas dores em seus versos. A sua sofisticação poética é de caráter humanista, preocupado em realizar retratos líricos de todos que cruzavam o seu caminho, disposto a investigar e observar em todos nós os traços de humanidade, fragilidades, comportamentos, graça, beleza, timidezes que nos acometiam. Expressava tudo isso de maneira simples, com versos honestos e exatos que refletiam o seu olhar perante o mundo, mas também refletiam a personalidade de um homem que observava e sabia amar o mundo. Concomitantemente, nutria um olhar crítico quanto ao seu processo de criação, numa autocrítica acerca da forma e do tratamento estético que conferia aos seus textos. Era absolutamente consciente dos limites da sua poética e os expunha em seus versos, num jogo metalinguístico permanente em toda a sua obra. Experimenta rimas, métricas e avalia a sua qualidade lírica, consciente do seu fazer artístico. O poeta ainda cria um mundo próprio, íntimo, demonstra ser um romântico com amores idealizados, perdidos, platônicos, ou seja, investe-se da sua condição de criador e inventa ou finge sentimentos, afinal, o poeta é um fingidor, sabemos. Em sua lírica, revela a preocupação constante com a população, e denuncia seu sofrimento, revela desejos por igualdade, distribuição de renda, justiça social, logo, mostra-se também um poeta político. Atemporal e contemporâneo, o Poeta denuncia as guerras, coloca-se no lugar dos soldados, perscrutando suas dores e seu sofrimento. Um altruísta no exercício da sua generosidade e do sentimento do mundo, convoca Castro Alves a socorrer o Continente Africano. Em sua poesia ainda há a presença de homenagens a personalidades ilustres e queridas da Cidade, uma preocupação constante com a preservação das árvores, dos rios e de toda a natureza em Ilhéus. A notoriedade, a eternidade também são preocupações reveladas pelo eu poético. Lirismo, melancolia e saudade se entrelaçam em seus versos. O tempo e a morte rondam constantemente suas reflexões, pois quem alimenta um olhar constante sobre a vida e suas miudezas, suas especificidades, também contempla a morte, o tempo e seus desdobramentos. O Poeta observa as ruas e os transeuntes e especula sobre os sentimentos que os atravessam. São alvo de suas preocupações ainda os animais utilizados como cobaias em laboratórios. Vejam, Senhoras e Senhores, a contemporaneidade e a sensibilidade do nosso Poeta!
Atento à vida, o eu-lírico ainda divaga perante as circunstâncias e experiências após a sua morte, como no poema Dúvida Sobrenatural, 28. “Que faria minh’alma vagando o espaço/Trilhando o caminho do cosmo estrelar.” Ou no poema Se eu morresse amanhã, em que ele nos anuncia na primeira estrofe:
“Se eu morresse amanhã,
Que levaria do mundo?
Um pensamento profundo
E uma grande saudade.”
E é com a nossa demonstração de Saudade que afirmamos: Gerson permanece entre nós, em nossa memória, em nossa história, em nossas vidas e na Imortalidade conferida a ele pela Academia de Letras de Ilhéus, através dos seus ritos de passagem, através dos seus confrades e confreiras que sentem a sua ausência e têm o compromisso de manter o seu nome e a sua história como uma chama sempre acesa, a nos iluminar, enquanto houver história e enquanto houver existência humana em nosso planeta, enquanto houver Poesia, Gerson, seu guardião fiel, viverá.
* Rita Santana, membro efetivo da cadeira nº 37
Saudação em homenagem ao confrade Gerson Alves dos Anjos,
falecido em 3 de junho de 2024.







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