quarta-feira, 10 de junho de 2026

ARTIGO


A força de uma tradição, em afirmação de identidade.

Tica Simões(1)



Ruy Póvoas, o babalorixá Katulembá, à esquerda.



A Academia de Letras de Ilhéus, em momento bem especial, oportunizou a apresentação do Documentário Òfú Ifaradá: o Sopro da Resistência (2), que tive o grande prazer de assistir, em 6 de maio de 2026.

Realizado em comemoração do cinquentenário do terreiro Ilê Axé Ijexá Orixá Olufon, situado em Itabuna, é uma obra cinematográfica emocionante, que registra história e afirma cultura. Rico em significações, do meu olhar, que sou de “fora da porteira”, oportuniza várias camadas de leitura.

Impõe a ideia de estética da resistência, expressão que já vem sendo enfatizada por artistas e culturalistas, em valorização de expressões historicamente marginalizadas. Nessa direção, Òfú Ifaradá... demonstra resistência quando recusa padrões eurocêntricos de narrativa e imagem; valoriza o tempo do ritual (mais lento, circular, não linear); colocao corpo negro e sagrado como centro, não como objeto. Então, aí, vê-se que cultura é prática, produção de sentido epoder. Ou seja, a estética não separa forma e conteúdo

— a própria forma é resistência; e, claro, posicionamento político.

Nas várias cenas apresentadas, percebe-se o reconhecimento de saberes que foram historicamente desvalorizados pelopensamento ocidental dominante, quando legitima saberes do terreiro como conhecimento (e não “crença inferior”); valoriza a oralidade, a ancestralidade e a experiência; mostra que há outras formas de compreender o mundo além daciência ocidental. Nesse sentido, o documentário não apenas representa uma cultura — ele reivindica um modo de conhecer.

Os elementos-chave da produção – entrevistas, imagens de arquivos, narração – exploram o tema com profundidade, leveza e beleza de cenas e cores. O sagrado não é traduzido de forma didática; é, também, experiência sensível, estética;não aparece como conceito, mas como presença. O telurismo se faz forte através dos elementos água, ar, fogo e terra. Oinvisível se manifesta através do ritmo (tempo ritual); do corpo (transe, dança, gesto); do som (cantos, tambores). Acena inicial da escolha das cabeças induz a dialogar com a ideia do destino, da identidade e da consciência; ou seja:essência, caminho, individualidade da pessoa; simboliza fortemente a construção do destino e da identidade espiritual de cada ser; criado do barro, representa a matéria primordial: a terra viva, úmida, moldável, de onde nasce a vida. Depois, o final provoca a reflexão de que o barro representa a origem, a ancestralidade, a matéria da vida, aquilo que vem da terra; é o ser humano pronto, andando... é o sopro da vida, o nascimento da consciência e da trajetória humana no mundo; deixa a sensação de que aquele corpo moldado ganha movimento, história, memória e missão. Ele deixa de ser apenas matéria e passa a ser existência; traz a sensação - simbólica, espiritual e cultural – da força da criação. Dessa forma, misturando arte e sagrado, o desfecho desse belo trabalho documental provoca reflexão sobre a existência; o mito da criação e o sagrado.

Assim, numa perspectiva poética e política, fala de um povo que saiu do barro, da dor, da escravidão e da invisibilidade,mas continua caminhando, resistindo e criando cultura. O “sopro” que integra o título reforça justamente essa sensação de vida, permanência e resistência ancestral. Então, a obra cria uma experiência sensível. O espectador não “entende” racionalmente — ele é convidado a sentir.

A Identidade baiana é tratada como síntese viva. A Bahia, nesse contexto, não é só um lugar geográfico — é umterritório simbólico onde África e Brasil se encontram; passado e presente convivem; resistência e criação caminhamjuntas. E podemos lembrar Milton Santos: o território é feito de vida, relações e significados, não apenas de espaço físico.

Ao atuar como um arquivo vivo de memória, ancestralidade e resistência do povo Ijexá, esse documentário é mesmo um marco na produção cultural sul baiana. Através de estéticas e narrativas próprias, reconhece saberes, ao legitimar epistemologias não hegemônicas; encarna o sagrado, ao transformar arte em experiência sensível; afirma identidade, ao apresentar a Bahia como espaço de memória e reinvenção. Transmite ao espectador sentimento de pertencimento.

Parabéns a Ruy Póvoas, o babalorixá Katulembá que, ao longo desses 50 anos, conduz o seu povo com sabedoria. Parabéns aos idealizadores e executores desse belo e significativo registro.

E o sopro permanece!



(1) Maria de Lourdes Netto Simões (Tica Simões). Integra: Academia de Letras de Ilhéus, cadeira 19; Academia de Letras de Itabuna – ALITA, cadeira 31.

(2) Òfú Ifaradá: o Sopro da Resistência. Direção geral de Paulo Ferreira (Alaramó).
Produção da Associação Santa Cruz do Ijexá – ASSANCRI, 2025.

sábado, 30 de maio de 2026

ROMUALDO LISBOA TOMA POSSE NA ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS



Atrás: Fabrício Brandão, Jabes Ribeiro, Antônio Hygino, Jane Hilda, Vercil Rodrigues e Nazal. À frente: Pawlo Cidade, Cátia Hughes, Luh Oliveira, Josevandro Nascimento, Renée Albagli, Romualdo Lisboa,  Anarleide Menezes, Tica Simões, Ramayana Vargens, Ruy Póvoas e Marcelo Henrique.



Em prestigiada sessão, na noite de quinta-feira, dia 28/5, o dramaturgo e ator Romualdo Lisboa dos Santos tomou posse na Academia de Letras de Ilhéus (ALI). O novo acadêmico ocupa agora a cadeira de nº 27, cujo efetivo anterior foi o professor e jurista Carlos Valder do Nascimento, tendo como patrono José de Sá Nunes e fundador Heitor Dias.


O confrade-presidente da “Casa de Abel”, professor e advogado Josevandro Nascimento (cadeira 14), comandou a sessão solene, sendo que a comissão condutora do neófito ficou a cargo da confreira Luh Oliveira (cadeira 3), vice-presidente da ALI e aos confrades Jabes Ribeiro (cadeira 8) e Marcelo Henrique Dias (cadeira 34), enquanto a saudação ao novo imortal ficou a cargo do confrade Ramayana Vaz Vargens (cadeira 11).

Além dos membros da ‘Casa de Abel”, a posse foi prestigiada por autoridades civis, militares, políticos, clubes de serviços, familiares, amigos, artistas de diversas áreas, bem como a imprensa sulbaiana, a exemplo dos sites e jornais DIREITOS e O COMPASSO, representados pela diretora e colunista social, Angélica Rodrigues, além de confrades/confreiras das academias coirmãs da região: Academia de Letras Jurídicas do Sul da Bania (Aljusba), Academia Grapiúna de Artes e Letras (Agral), Academia Grapiúna de Letras (Alita) e Academia Maçônica de Letras, Ciências e Artes da Região Grapiúna (Amalcarg), sediadas em Itabuna, que inclusive de forma inédita compuseram a mesa dos trabalhos. 

O confrade Ramayana Vaz Varges de maneira eloquente e didática fez uma abordagem sócio-histórica de vida e obra do entrante, que contagiou a plateia. O agora ocupante da cadeira 27, em seu discurso de posse, enalteceu as qualidades profissional do seu antecessor, professor e jurista Carlos Valder do Nascimento, do patrono José de Sá Nunes e do fundador da cadeira que passou a ocupar com a posse, Heitor Dias.




“Chego aqui para inscrever neste chão, pavimentado por Carlos Valder, a convicção de que a cultura é o motor da cidade (cultura est vis motrix urbis) e que ela, a cultura, vista a partir das margens, do suor do trabalhador e da coletividade artística também é legítima herdeira e construtora do pensamento e das letras em Ilhéus”, declarou Romualdo Lisboa.

Para o escritor e ex-presidente da ALI Pawlo Cidade, que indicou o novo confrade, a chegada de Romualdo fortalece a instituição. “Romualdo chega para fortalecer a Academia com uma bagagem cultural invejável. A sua trajetória é marcada, sobretudo, por prêmios e indicações de teatro pelo Brasil”, explica o imortal.

Um dos fundadores do Teatro Popular de Ilhéus (TPI), construiu uma carreira marcada pela articulação entre teatro, literatura e gestão cultural. Natural de Ibicaraí e atualmente morando em Ilhéus, é autor de mais de 20 peças teatrais e 14 livros publicados, Romualdo Lisboa dos Santos também desenvolveu intensa atuação como cronista e gestor público da cultura, ocupando funções estratégicas na Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e na Fundação Cultural do Estado.

 

sábado, 23 de maio de 2026

Romualdo Lisboa toma posse na Academia de Letras de Ilhéus em sessão solene na próxima semana



Cerimônia, agendada para o dia 28 de maio, marca o reconhecimento institucional a uma trajetória dedicada ao teatro, à literatura e à cultura


A Academia de Letras de Ilhéus (ALI) realiza, no próximo dia 28 de maio, às 19h, a sessão solene de posse do ator, dramaturgo, escritor e diretor Romualdo Lisboa dos Santos como membro efetivo da instituição. A cerimônia acontecerá no auditório da ALI, no centro de Ilhéus, reunindo acadêmicos, artistas, autoridades e convidados.

Eleito para a cadeira nº 27, Romualdo Lisboa passa a integrar oficialmente uma das mais importantes instituições culturais do sul da Bahia, consolidando um percurso de mais de três décadas dedicado à produção artística e ao pensamento cultural. A cadeira tem como patrono José de Sá Nunes e teve como último ocupante o jurista Carlos Valder.

A escolha de Romualdo Lisboa se deu a partir de indicação de quatro membros da Academia: Rita Santana, Anarleide Menezes, Ramayana Vargens e Pawlo Cidade. Após a indicação, seu nome foi submetido à votação, sendo eleito pela maioria dos membros efetivos, conforme o regimento da instituição.

“A posse de Romualdo Lisboa na Academia de Letras de Ilhéus é o reconhecimento, até tardio, da importância de um dos mais relevantes intelectuais da nossa região, da Bahia e do Brasil na atualidade”, destaca o confrade Ramayana Vargens, que proferirá a saudação ao novo acadêmico na cerimônia de posse.

Para o escritor e ex-presidente da ALI Pawlo Cidade, a chegada de Romualdo fortalece a instituição. “Romualdo chega para fortalecer a Academia com uma bagagem cultural invejável. A sua trajetória é marcada, sobretudo, por prêmios e indicações de teatro pelo Brasil”, explica o imortal.

Trajetória

Um dos fundadores do Teatro Popular de Ilhéus (TPI), junto com Équio Reis, Romualdo Lisboa, de 52 anos, construiu uma carreira marcada pela articulação entre teatro, literatura e gestão cultural. Natural de Ibicaraí e, desde 1995, à frente do TPI, contribui para consolidar o grupo como uma referência nacional, reconhecida pela pesquisa estética e pela capacidade de dialogar com a cultura regional e com clássicos da dramaturgia.

Autor de mais de 20 peças teatrais e 14 livros publicados, Romualdo também desenvolveu intensa atuação como cronista e gestor público da cultura, ocupando funções estratégicas na Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e na Fundação Cultural do Estado.

“Além de autor e diretor teatral, Romualdo é um homem de letras, com muitas obras publicadas, e um editor pioneiro, que tem viabilizado a publicação de obras importantes de autores de todo o estado da Bahia. Parabéns pela posse de Romualdo na Academia de Letras de Ilhéus”, celebra Ramayana Vaz Vargens.

Sobre o TPI

O Teatro Popular de Ilhéus é uma instituição cultural privada, parcialmente financiada pelo programa de Ações Continuadas da Secretaria de Cultura da Bahia, com recursos do Fundo de Cultura e do Governo do Estado.

Atualmente, o TPI está sediado temporariamente nas instalações da UESC, por meio de parceria com a Pró-Reitoria de Extensão, o Departamento de Letras, o Núcleo de Artes e o Observatório Astronômico da universidade.

Yordan Bosco (MTB 2991)
Teatro Popular de Ilhéus (TPI)
Assessoria de Comunicação
(71) 99133-7282

sexta-feira, 8 de maio de 2026

ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS CELEBROU CENTENÁRIO DE MILTON SANTOS


Josevandro Nascimento, Cátia Hughes, Neide Silveira, Renée albagli, Luh Oliveira, Tica Simões, Anarleide Menezes e Maria Schaun


A Academia de Letras de Ilhéus (ALI) celebrou o centenário de Milton Santos no dia 05/05/2026, em sua sede, com as presenças de diversos membros da Academia e convidados ilustres do sul da Bahia. O presidente do sodalício, Josevandro Nascimento, abriu os trabalhos da noite. Para compor a mesa, convidou a acadêmica Maria Schaun, secretária e ocupante da cadeira n.º 35 e os palestrantes Lurdes Bertol Rocha, Marcelo Henrique Dias e José Antunes

Além do presidente e da secretária da Academia, os seguintes acadêmicos compareceram ao evento: Anarleide Menezes, Antônio Hygino, Cátia Hughes, Efson Lima, Luh Oliveira, José Nazal, Marcelo Henrique Dias, Neide Silveira, Renée Albagli, Sebastião Maciel e Tica Simões.

Os expositores fizeram apresentações diversificadas sobre a vida e os estudos de Milton Santos, assim como o impacto de sua produção acadêmica para a compreensão dos problemas globais. O professor José Antunes (UFSB) em sua abordagem listou os traços de personalidade de Milton Santos verificáveis a partir dos textos do correspondente do jornal A Tarde, inclusive, identificando a relação fraterna dele com Simões Filho, sendo este fundador do periódico vespertino e escolhido pelo geógrafo para ser patrono da cadeira n.º 35 na ALI, cujo assento foi ocupado, primeiramente, por Santos.

O acadêmico Marcelo Henrique Dias, membro da cadeira n.º 34 da ALI e professor de História da UESC, abordou sobre o ingresso do professor Milton Santos no Instituto Municipal de Ensino (IME), em Ilhéus, evidenciando para os presentes as práticas de pesquisa de campo, especialmente, a realizada na Fazenda Morro Redondo e apresentou fotografia de jornais, por meio de recurso de multimídia, com textos de Milton Santos. Foi um momento rico com ilustrações e com informações sobre a passagem de Milton Santos no sul da Bahia.

A professora Lurdes Bertol Rocha, membro da Academia de Letras de Itabuna, cadeira n.º 06, cujo patrono é o geógrafo em comento, referenciou a biografia de Milton Santos, traçando os desafios do estudioso para se afirmar enquanto docente no ensino superior no Brasil após o retorno do exílio, sem prejuízo de registrar os mais de vinte títulos de “doutor honoris causa” recebidos em diversas universidades do mundo e as premiações. 

Os membros da Comissão do Centenário Milton Santos pela ALI foram destacados pela presidência da Academia: Maria Schaun, Efson Lima, José Nazal e Luh Oliveira, reconhecendo os trabalhos desenvolvidos.

Antes de terminar as atividades, o confrade José Nazal sugeriu que a Academia de Letras de Ilhéus solicitasse ao poder público municipal a fixação de placa no IME para registrar a presença de Milton Santos no quadro docente na instituição de ensino e na cidade de Ilhéus.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

ARTIGO

 O Centenário do geógrafo Milton Santos

            



A Bahia recebeu como presente o nascimento de Milton Almeida dos Santos em 03 de maio de 1926, em Brotas de Macaúbas. Aquela criança cresceu e se tornou uma das maiores referências da Geografia e do campo das humanidades no mundo. Imortalizou-se com uma vasta produção acadêmica, rompendo preconceitos e se notabilizando como um dos pensadores brasileiros de maior relevo no exterior. Milton Santos se tornou um “diplomata” e difundiu o quê é que a Bahia tem: conhecimento. 

            

A efemeridade do centenário de nascimento de Milton Santos desperta reflexões em torno das contribuições dele para a Geografia e demais campos do conhecimento. Sendo assim,  a  Academia de Letras de Ilhéus, cuja instituição Milton Santos colaborou para a fundação em 1959 e se imortalizou na  cadeira de n.º 35, hoje, ocupada pela jornalista Maria Schaun, promove no dia 05 de maio uma sessão em homenagem a um de seus fundadores e discorrerá sobre a passagem de Milton Santos no sul da Bahia. Em Ilhéus, foi professor do Instituto Municipal de Ensino e estudou sobre as fazendas e a lavoura de cacau, inclusive, publicando estudos sobre o tema. Esteve correspondente do jornal A Tarde,  na zona cacaueira, entre 1949 - 1953.

            

Diversas homenagens e estudos estão a ocorrer sobre o premiado Milton Santos. Os membros da Academia de Letras da Bahia (ALB) aprovaram após a presidência, liderada pelo escritor Aleilton Fonseca, requerer aos pares do sodalício a posse simbólica de Milton Santos como membro correspondente. O homenageado fora eleito em 26/11/1998, entretanto, não tomou posse, faleceu em 24 de junho de 2001. A ALB promoverá, em 07/05/26,  reunião dedicada a celebrar o centenário de Milton Santos. Outra distinção de alto relevo é a inscrição de Milton Santos no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, por meio de projeto de lei,  em tramitação no Congresso Nacional. Extrai-se da  proposta o objetivo de reconhecer  o legado de Milton Santos e as suas contribuições como “geógrafo negro e intelectual focado no Brasil e na globalização”. O professor foi o primeiro latino-americano a receber o prêmio Vautrin Lud (1994), o "Nobel da Geografia".

            

O professor Milton Santos foi perseguido na ditadura militar, precisou se exilar e, para sobreviver, lecionou em universidades da Europa, da África e das Américas. Ele foi reconhecido com dezenove títulos de Doutor Honoris Causa e eleito "O Brasileiro do Século" em 1999, na categoria Educação, Ciência e Tecnologia, pela revista IstoÉ. Recebeu ainda o Prêmio Jabuti (1997) na categoria “Ciências Humanas” e o Prêmio UNESCO de Ciência. Sua obra ultrapassa os muros das universidades, permanece vigente e necessária.

 

Efson Lima

Doutor em Direito. Membro das Academias de Letras de Ilhéus e da Grapiúna de Artes e Letras (Agral).

efsonlima@gmail.com

terça-feira, 28 de abril de 2026

ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS CELEBRA O CENTENÁRIO DO GEÓGRAFO MILTON SANTOS



No dia 03 de maio de 2026 se comemorará o centenário de nascimento do geógrafo Milton Santos e para celebrar a data, a Academia de Letras de Ilhéus realizará uma sessão em homenagem ao saudoso acadêmico no próximo dia 05 de maio, às 18 horas, na sede do sodalício, à Rua Antônio Lavigne de Lemos, n.º39, Centro, Ilhéus. O professor Milton Santos foi um dos fundadores da Academia de Letras de Ilhéus, em 14 de março de 1959. A cadeira de n.º 35, atualmente é ocupada pela jornalista Maria Schaun.  O acadêmico residiu em Ilhéus e lecionou no Instituto Municipal de Ensino (IME).

Para o presidente da Academia de Letras de Ilhéus, Josevandro Nascimento, "a comemoração do Centenário de Milton Santos é a oportunidade da Academia de Letras de Ilhéus relembrar a trajetória do geógrafo que revolucionou  a compreensão sobre o campo da Geografia no mundo e registrar as vivências do acadêmico no sul da Bahia, especialmente, em Ilhéus."

A Comissão constituída para as celebrações do centenário de Milton Santos é composta pelos acadêmicos: Maria Schaun, Efson Lima, José Nazal e Luh Oliveira. Os membros convidaram para a solenidade comemorativa a professora Lurdes Bertol e os professores José Antunes e Marcelo Henrique Dias, sendo este último membro da ALI. Os professores vão abordar as trajetórias de Milton Santos, as contribuições dele para a geografia e as diversas áreas, bem como a passagem de Milton Santos por Ilhéus.

A acadêmica Maria Schaun, Secretária da ALI, considera que “é um privilégio ocupar a cadeira número 35 da Academia de Letras de Ilhéus. Cadeira que foi fundada pelo renomado geógrafo, Milton Santos e eu desejo ter sempre condições de honrar esse lugar", concluiu a jornalista.

O professor Milton Santos possui um vasto currículo e diversos livros publicados, entre eles: “Por uma outra Globalização”. No ano de 1994, ele foi laureado com o Prêmio Internacional de Geografia Vautrin Lud, o equivalente ao Nobel da área. Milton Santos foi consultor da ONU, OIT, OEA e UNESCO e redator do Jornal A Tarde. Tornou-se um personagem vivo da Geografia, contribuindo positivamente para o campo da ciência e enaltecendo as raízes brasileiras, inclusive, problematizando o fenômeno da globalização, sendo professor em diferentes universidades. Milton Santos faleceu em 24 de junho de 2001.

Texto: Efson Lima, membro da cadeira nº 40

terça-feira, 17 de março de 2026

A Academia de Letras de Ilhéus celebra abertura do ano acadêmico de 2026 com vasta programação cultural

 



As atividades tiveram início na Praça Castro Alves, 
em frente ao busto do poeta. 


Da redação/Jornalista Vercil Rodrigues

Fotos: José Nazal 


A Academia de Letras de Ilhéus (ALI), fundada em 14 de março de 1959, no dia do nascimento do poeta Castro Alves e uma das mais antigas do Brasil, realizou na tarde e noite de sábado, 14/3, abertura do  ano  acadêmico de 2026 com uma diversificada programação cultural.

Presidida pelo confrade Josevandro Raymundo F. Nascimento (cadeira 14), os trabalhos começaram oficialmente às 17 horas fora da sede da instituição. O ponto de encontro foi a Praça Castro Alves, onde ocorreu uma homenagem ao "Poeta dos Escravos". O momento contou com um belíssimo discurso do acadêmico Antônio Carlos Hygino (cadeira 1), celebrando a memória e o legado de Castro Alves no local que perpetua o seu nome.

A sessão solene de abertura, aconteceu às 19 horas, na sede da entidade, com a palestra do conceituado jornalista, escritor e advogado Durval Ramos Neto. Ex-presidente da OAB Bahia e ex-Conselheiro Federal da OAB, que em uma abordagem dinâmica nos trouxe o tema Castro Alves (1847–1871), patrono da Academia de Letras de Ilhéus. “Louvamos Antônio de Castro Alves, o jovem quase imberbe que ousou desafiar, em pleno século XIX, a sociedade desumana, combatendo a brutal exploração dos que não tiveram a sorte de ser devorados pelos tubarões da travessia”, declarou Neto.


Solidade Lima, vencedor do VI Prêmio Sosígenes Costa de Poesia

Um dos momentos mais aguardados da noite foi a entrega do VI Prêmio Sosígenes Costa de Poesia, uma das principais distinções da ALI, que reconhece o talento e a produção poética contemporânea, que teve como vencedor Dilson da Solidade Lima (Feira de Santana) com o livro “Selva Insana”, e menção honrosa para os autores Noiane de Jesus Souza (Vitória da Conquista) e Ronaldo Oliveira Santos (Ilhéus). O prêmio do vencedor é a publicação do livro pela editora Editus em uma parceria da Academia de Letras de Ilhéus (ALI) com a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).


Lançamento do livro "70 Faróis em Palavras", de Isaac Albagli

Com a apresentação descontraída Jabes Ribeiro (cadeira 8), confrade aniversariante do dia – com direito a bolo e aos parabéns –, o articulista Isaac Albagli lançou e autografou o seu mais novo livro "70 Faróis em palavras" (Mondrongo), fechando o ciclo de abertura com o incentivo à nova produção literária regional.

Por último, como é de praxe, a diretoria da Academia de Letras de Ilhéus  (biênio 2025/2027) recepcionou a todos com um digno coquetel.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Academia de Letras de Ilhéus Celebra Abertura do Ano Acadêmico de 2026 com Vasta Programação Cultural



O orador convidado para a noite é o conceituado jornalista, escritor e advogado Durval Ramos Neto.


ILHÉUS – No próximo dia 14 de março, a Academia de Letras de Ilhéus (ALI) dará início oficial às suas atividades de 2026. Sob a presidência de Josevandro Raymundo F. Nascimento (biênio 2025/2027), a instituição preparou uma solenidade que promete movimentar o cenário cultural da "Terra do Cacau", reunindo homenagens a grandes ícones da literatura, premiações e lançamentos de obras inéditas.

Homenagem ao Poeta dos Escravos

As celebrações começam às 17h, fora da sede da Academia. O ponto de encontro será a Praça Castro Alves, onde ocorrerá uma homenagem ao "Poeta dos Escravos". O momento contará com um discurso do ilustre acadêmico Antônio Carlos Hygino, que celebrará a memória e o legado de Castro Alves no local que perpetua o seu nome.

Sessão Solene e Palestra Magna

A partir das 19h, a programação se desloca para a sede da Academia de Letras de Ilhéus. A Sessão Solene de abertura contará com a presença de autoridades e entusiastas das letras. O orador convidado para a noite é o conceituado jornalista, escritor e advogado Durval Ramos Neto. Ex-presidente da OAB Bahia e ex-Conselheiro Federal da OAB, Ramos Neto trará sua vasta experiência para compor o corpo intelectual do evento.

Um dos momentos mais aguardados da noite será a entrega do VI Prêmio Sosígenes Costa de Poesia, uma das principais distinções da casa, que reconhece o talento e a produção poética contemporânea.

Lançamento Literário

Encerrando a noite de celebração, às 20h, o escritor Isaac Albagli lançará seu novo livro intitulado "70 Faróis em palavras". O lançamento ocorrerá na própria sede da ALI, fechando o ciclo de abertura com o incentivo à nova produção literária regional.

A diretoria da ALI reforça que a presença do público e de autoridades locais é motivo de "enorme alegria e distinção", marcando o início de mais um ciclo dedicado à preservação da cultura e ao fomento do conhecimento em Ilhéus.

Serviço:

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

PONTO DE LEITURA ANDRÉ ROSA SERÁ ABERTO AMANHÃ

No dia 24 de janeiro de 2026, a cidade de Ilhéus celebrará a inauguração de um novo espaço dedicado ao incentivo à leitura, à cultura e à formação cidadã. Às 18h, na Rua Bento Berilo, nº 120, será inaugurado o Ponto de Leitura André Rosa, uma iniciativa voltada à democratização do acesso ao livro e ao fortalecimento das práticas culturais na comunidade.


O Ponto de Leitura André Rosa nasce como um espaço aberto, inclusivo e acolhedor, destinado a leitores de todas as idades. O local contará com um acervo diversificado deixado por André Rosa após sua morte, reunindo livros que refletem sua trajetória, seus interesses intelectuais e seu compromisso com a educação e a cultura. Além do acervo, o espaço promoverá atividades de mediação de leitura e ações culturais voltadas à comunidade de Ilhéus e região.

André Rosa foi um entusiasta da leitura, da educação e da cultura, reconhecido por sua atuação comprometida com a formação humana, o diálogo social e a valorização do conhecimento como ferramenta de transformação. Seu acervo pessoal, agora compartilhado com o público, representa um legado de ideias, afetos e compromisso com o acesso democrático à cultura.

Para Anna Lívia Rosa Ribeiro, gestora do Ponto de Leitura André Rosa e irmã do homenageado, a criação do espaço é também um gesto de memória e continuidade. “Transformar a biblioteca pessoal do meu irmão em um espaço aberto à comunidade é uma forma de manter viva sua paixão pelos livros e seu desejo de ver o conhecimento acessível a todas as pessoas. O Ponto de Leitura André Rosa nasce para acolher, inspirar e formar leitores, especialmente em um território que tanto precisa de iniciativas culturais como esta”, afirma.

A inauguração contará com a presença de representantes da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), da Academia de Letras de Ilhéus (ALI), convidados, educadores, agentes culturais, estudantes e membros da comunidade, marcando um momento simbólico de valorização da cultura, da memória e do conhecimento.

Ao transformar o acervo pessoal de André Rosa em um Ponto de Leitura aberto ao público, a iniciativa reafirma o compromisso com a promoção da educação, da cultura e do pensamento crítico, fortalecendo redes locais de incentivo à leitura e ampliando o acesso a bens culturais no município.

O evento é aberto ao público.


📚 Inauguração do Ponto de Leitura André Rosa
📅 Data: 24 de janeiro de 2026
⏰ Horário: 18h
📍
 Local: Rua Bento Berilo, nº 120 - Ilhéus/BA

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

FINALISTAS DO PRÊMIO SOSÍGENES COSTA DE POESIA



A Universidade Estadual de Santa Cruz, em parceria com a Academia de Letras de Ilhéus, divulgou a lista dos finalistas do VI Prêmio Sosígenes Costa de Poesia, Edital nº 197, de 2025. Os finalistas são:

 

Dom Jorge Du Joir, com a obra “Ilhéus vista do chão – Via BR 415 e “Um causo bom do sertão”, de Ilhéus, Bahia;

 

Mersila Kin, com a obra “Setígonos para transpor o tempo”, de Vitória da Conquista, Bahia.

 

Yasaf Selah, com a obra “A Seiva Insana”, de Feira de Santana, Bahia.

 

O vencedor do Prêmio será divulgado posteriormente. A entrega da premiação ocorrerá no primeiro semestre de 2026, em cerimônia a ser divulgada em momento oportuno. O vencedor terá seu livro publicado pela Editora Editus, da UESC, com uma tiragem de 400 exemplares e receberá troféu da Academia de Letras de Ilhéus.