domingo, 28 de março de 2021

ACADEMIA DE LETRAS FARÁ ALTERAÇÃO DE SEU ESTATUTO


CONVOCAÇÃO 


O Presidente da Academia de Letras de Ilhéus convoca todos os seus membros para ASSEMBLEIA GERAL a ser realizada em 01 DE ABRIL DE 2021, QUINTA-FEIRA, às 18 horas, havendo quorum metade mais um de seus membros, ou às 18h30, em segunda convocação com número de membros presentes. A reunião se dará DE FORMA REMOTA, PELA PLATAFORMA MEET, com o objetivo da discussão e aprovação do ESTATUTO/REGIMENTO DA ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS. Ao final, será lavrada ata, que junto ao Estatuto, serão encaminhados para registro e averbação no Cartório/Ofício de Registro de Títulos e Documentos e Registro Civil de Pessoas Jurídicas de Ilhéus-Bahia. Tal procedimento se faz necessário para regularizar civilmente a ALI, de modo a atender a nova legislação federal que rege a matéria.



Ilhéus, 26 de março de 2021


João Paulo Couto Santos /Pawlo Cidade- Presidente ALI

Jane Hilda Mendonça Badaró- Secretária Geral ALI


ATENÇÃO! A minuta do novo estatuto será enviado por e-mail à todos os membros e compartilhado também no grupo da ALI. Aqueles que não receberem, gentileza entrar em contato com a secretaria ou enviar e-mail para: academiadeletrasdeilheus@gmail.com 

sábado, 27 de março de 2021

HOJE É DIA MUNDIAL DO TEATRO! NOSSA HOMENAGEM A ESTA ARTE FANTÁSTICA DO ESPETÁCULO

Quintas Culturais desta semana conta com apresentação de teatro

Quando tudo isso passar, certamente estaremos na primeira fila, para sentir de perto a energia, o pulsar, o movimento, o gesto, o choro, o riso, e a magia de uma das maiores artes da nossa história! 

Viva Téspis de Ática! 

Parabéns a todos e todas artistas de Teatro do Brasil e do mundo. 


* Téspis de Icaria, (século VI, A.C.), cantor grego de ditirambos durante o século VI a.C., foi, segundo algumas fontes da Grécia Antiga e especialmente Aristóteles, o primeiro ator do Ocidente a representar um personagem numa peça teatral. Segundo outras fontes, ele introduziu a figura do ator principal, destacando-se do coro.

quarta-feira, 24 de março de 2021

CONFRADE ALEILTON FONSECA ESCREVE POEMA ÉPICO SOBRE A PANDEMIA

Durante a pandemia da Covid-19, o confrade Aleilton Fonseca, membro da cadeira nº 24, escreveu um longo poema que  narra a trajetória do coronavírus pelo planeta, de janeiro até setembro de 2020. A Terra em pandemia, publicado pela Editora Mondrongo, estrutura-se em cinco cantos: O enterro dos mortos, Um jogo de cartas, A Terra em pandemia, O desfile das infâmias e Canto final.

São 620 versos, em 62 estrofes. De forma cronológica, registra aspectos tristes e emocionantes da pandemia no Brasil e no mundo. O livro dialoga com o famoso poema The waste land (1922), de T.S. Eliot, ao descrever a terra devastada pela doença e pela dor, em que o sofrimento e o luto levam o poeta a refletir sobre as estruturas podres de um mundo enfermo, que não respeita as regras da natureza e por isso se encontra condenado pela crise ecológica e pelas desigualdades sociais.

O poema convoca e cita diversas vozes de poetas e filósofos históricos como Ovídio, Platão, Dante Alighieri, William Shakespeare, Cervantes, Camões, Descartes, Charles Baudelaire, Stéphane Mallarmé, Carlos Drummond de Andrade, Ferreira Gullar e Patativa do Assaré, entre outros.

Há também várias passagens originais em inglês, alemão, francês, espanhol, italiano, chinês catalão, japonês e até em árabe, grego, latim e sânscrito, tudo traduzido e explicado em 62 notas de rodapé.

Publicado originalmente no site: RASCUNHO

LEIA O LIVRO AQUI

(O link ficará disponível gratuitamente até 6 de abril de 2021).

domingo, 21 de março de 2021

ARTIGO

Diretoria biênio 2015/2017. Da esquerda: Euzner Teles (Vice-presidente), Alfredo Silveira (Tesoureiro), André Rosa (Secretário), José Nazal (Presidente), Arléo Barbosa (Membro honorário), Raimundo Sá Barreto Neto (Bibliotecário), e Isaac Albagli, representando a memória do pai, Manoel Carlos Amorim de Almeida, patrono do instituto.

 Uma década de filiação ao Instituto 

Histórico e Geográfico de Ilhéus


*Vercil Rodrigues

 

 

           O ano de 2011, portanto, a 10 anos, foi um ano emblemático na vida desse doublé de professor, jornalista, advogado, empresário de comunicação – fundador dos jornais e portais de notícias DIREITOS e O COMPASSO – e autor de livros nas “horas vagas.”


Nesse ano com um grupo de intelectuais de Itabuna, fundamos no dia 4 de abril, a Academia Grapíúna de Letras (AGRAL), a primeira academia de letras de Itabuna, já no dia 5 de maio – dia do meu aniversário – fui empossado na cadeira 21, cujo patrono é Francisco Borges de Barros e tem como fundador Paulo Cardoso Pinto, na Academia de Letras de Ilhéus/ALI (fundada no dia 14 de março de 1959), realizando um sonho acalentado a muito tempo. E ainda nesse mesmo mês, dia 20, junto com um grupo de operadores do Direito sulbaiano, idealizamos e fundamos a Academia de Letras Jurídica do Sul da Bahia (ALJUSBA), a primeira do gênero a ser implanta no interior do estado.

 

No começo daquele ano, dia 10 de janeiro, enquanto historiador formado pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), especialista em História Regional (UESC) e professor de História da rede pública estadual da (SEC/BA) a mais de duas décadas, o ápice foi ter sido aceito pelo Instituto Histórico e Geográfico de Ilhéus (IHGI) como membro efetivo, na gestão do historiador e professor-doutor da UESC André Luiz Rosa Ribeiro, que então presidia o órgão.


O Instituto Histórico e Geográfico de Ilhéus (IHGI), foi fundado em 28 de Junho de 1953, é uma sociedade civil de caráter científico e cultural, reconhecida de utilidade pública municipal pelo Decreto nº 2.929 de 6 de novembro de 2001, com a finalidade de promover o estudo e a divulgação da História e dos aspectos geográficos regionais, mediante conferências públicas, publicações de obras científicas, conservação e guarda de documentação, manutenção de intercâmbio com instituições congêneres do estado e do país, manutenção de bibliotecas e arquivos especializados, promoção de cursos abertos à comunidade, assim como colaborar com os poderes públicos nas solenidades cívicas que se realizem, a exemplo do 28 de Junho – Dia da Cidade (Lei Municipal nº 921 de 10/03/1967).


Vale salientar que, grande parte do conhecimento produzido sobre a história da antiga capitania de São Jorge dos Ilhéus até os dias de hoje foi produzido por seus sócios e apresentado em forma de teses acadêmicas, livros didáticos e científicos, assim como por palestras em inúmeros eventos culturais.

 

* Vercil Rodrigues, membro da cadeira nº   21.

sexta-feira, 19 de março de 2021

ARTIGO

      

      
Um Precursor da Literatura no Sul da Bahia

*Cyro de Mattos

      Existem escritores que produzem obras literárias combinando imaginação e testemunho da realidade exterior. Através da acumulação dos fatos registrados, impressões guardadas, lembranças do cenário conhecido, a vida real é imaginada no quadro objetivo e transposta para o plano literário com os seus episódios. O texto forma um retrato fiel da vida sob o ritmo cotidiano do plano exterior. Fotografa-se com nitidez o exterior para não deixar dúvida a quem lê o que se passa com os tipos e costumes firmados na paisagem de caracteres próprios. Os meios de franco realismo são exercidos para que correspondam à ótica acurada de quem viu, ouviu e sentiu o drama. 

      Essa é a impressão que nos transmite Sabóia Ribeiro com os contos de Rincões dos Frutos de Ouro (1933), livro premiado pela Academia Brasileira de Letras, mas escrito em 1928.  Como se deu com Afrânio Peixoto com o   romance Maria Bonita, Sabóia Ribeiro surge com os seus contos regionais para ocupar o lugar de autor precursor do tema do cacau   no cenário de nossa prosa de ficção.  Enquanto Afrânio Peixoto tem uma narrativa que resvala no tema, em Sabóia Ribeiro a ambiência de seus contos regionais expande-se na trama, que acontece nas zonas banhadas pelos Rios de Contas e Almada, no sul da Bahia.  

Os estudiosos de nossa história literária registram O missionário (1888), de Inglês de Sousa, O cortiço (1890), de Aluízio Azevedo, A normalista (1893) e Bom-Crioulo (1895), de Adolfo Caminha, como realmente o que de melhor produziu a prosa de ficção naturalista no Brasil.   O Rio de Janeiro serviu de cenário para a maior parte dos romances naturalistas no final do século dezenove e começo do vinte. Às vezes, a província serviu de ambiente para o desenvolvimento desse tipo de romance. Foram os casos de A Normalista, em Fortaleza, e O mulato (1881), de Aluízio Azevedo, em São Luís. Esses romances podem ser considerados até certo ponto como regionalistas. Uma modalidade urbana de regionalismo. Um desvio acentuado do modelo genérico, subjacente a esses livros como romances da pequena cidade, da província com suas intrigas, preconceitos, rivalidades pessoais, presença marcante do clero, mandonismo político, paixões e tipos peculiares.             

Alguns dos ingredientes que permeiam os romances dos autores  naturalistas em uma época sincrética de nossa letras, situada no final do século XIX e começo do XX,  estão presentes no regionalismo rural dos contos de Sabóia Ribeiro, que era cearense como Adolfo Caminha. A admiração que teve por este seu conterrâneo motivou-lhe uma biografia e estudos sobre o ficcionista de A Normalista. Essa admiração tornada influência percebe-se subjacente em algumas cenas naturais, vigorosas, descritas em Rincões dos frutos de ouro.  Exemplo do que afirmo é encontrado no conto “Ferocidade”.

As narrativas de Sabóia Ribeiro retratam a realidade da zona cacaueira  com fidelidade aos tipos,  correspondência aos  costumes e ao  cenário  armado para as ações dos personagens no desenvolvimento do drama.  Embora tardio, filiam-se ao regionalismo representativo de nossos autores no final de século dezenove e começo do vinte. Regionalismo que tinha como finalidade a fixação do ambiente, tipos e costumes, por fim expressar a correspondência psicológica e social da linguagem no texto narrado ao nível da fala, em cujo conteúdo perderia o sentido sem esses elementos exteriores, pois é nesse contexto típico que hábitos e formas de vida mostram-se diferentes dos padrões impressos na civilização de natureza urbana.

Nessa época eclética de nossas letras, o conto brasileiro vai procurar   os elementos necessários para documentar a realidade e renovar  nossa sensibilidade no espaço geográfico.  Se fortalece com alguns escritores que procuravam ver o Brasil dentro do Brasil, focando o processo de suas realidades como reflexo da problemática social. O romance regionalista de 30, com José Américo de Almeida, Jorge Amado, Rachel de Queiroz, José Lins do Rego e Graciliano Ramos, retrata, em quadro e imagem, o universo brasileiro que se mostra no micro duma região nordestina. Em linguagem e paisagem, problema e drama, folclore e comportamento, os padrões desse romance são capazes de representar a personalidade típica de um povo. 

Em Sabóia Ribeiro ressalta-se como virtude o desfecho imprevisível que o autor utiliza com habilidade no relato. Sua narrativa segue o padrão cronológico dos acontecimentos com os momentos de princípio, meio e fim.  Vê-se no conto “Vida Áspera” que o personagem Cirilo ganha dimensão humana na sua angústia de trabalhar a terra e conquistá-la no esforço dos dias, apesar da   doença grave no coração. O final que o autor encontra para os contos “Ciganos” e “Gente Nativa” surpreende em seu feliz achado. Já com o coronel Norberto Duarte, de “Brios Sertanejos”, a velha Cipriana, de “ Rapsódia do Rio”, tanto quanto Cirilo de “Vida Áspera”, temos personagens bem caracterizados quando agem e se manifestam  no  contexto histórico da região cacaueira baiana em que estão inseridos.

O livro Rincões dos frutos de ouro teve três edições. A primeira pela editora Paschoal Simões, Rio de Janeiro, em 1933; a segunda em 1966, pela Pongetti, Rio de Janeiro, acrescida de uma segunda parte do volume com os Contos do cacau; a terceira, quase quarenta anos depois da segunda, é da Editus, editora da Universidade Estadual de Santa Cruz, Ilhéus, em 2005.  Como o autor falecera em 7 de agosto de 1968, percebe-se que teve cerca de dois anos para reescrever os seus contos regionais para uma terceira edição de seu livro com temática cacaueira. 

Chama a atenção que só depois de quase quarenta anos é que vai ser publicada a última edição do livro.  Para melhor aferir os avanços e recuos da escrita nos contos desse autor, através das publicações em épocas diferentes, oportuna seria a aplicação da crítica genética aos manuscritos das três edições, ou sejam, a originária, a segunda e a terceira, para que sejam detectados os elementos formais da escritura desses relatos ambientados no Vale do Rio de Contas e arredores. 

A última edição de Rincões dos frutos de ouro mostra uma escritura amadurecida, de tal sorte ocorre uma mudança visível na construção verbal de períodos. Trechos dos contos na segunda edição são agora eliminados. Apresentam-se com um fraseado mais seguro no que pretende dizer na narrativa. O livro agora não foi apenas revisto, mas reescrito em sua versão originária, embora traga em sua terceira estruturação literária os mesmos equívocos da segunda edição. Termos difíceis voltam inseridos na frase para alcançar tão somente o efeito sonoro e mostrar seu uso para o adorno, para a erudição com o emprego do idioma no plano da linguagem literária.  Esse procedimento praticado por escritores do final do século XIX e começo do XX empobreciam o texto literário. Tornava-o longe de ser apreendido com transparência no tecido verbal. Esse equívoco que se tornou moda por alguns de nossos expoentes literários na época, como o festejado Coelho Neto, causou mal a seguidores na metrópole carioca e nos que estavam espalhados de resto pelo interior do Brasil, forçando-os a pôr o desnecessário na escrita melhor e intensa.  

Escritos tardiamente, quando então o regionalismo do final do século dezenove e começo do vinte não correspondiam aos anseios de uma nova estética para refletir outros tempos, com uma problemática social diferente, a repercutir suas tonalidades sociais, econômicas e políticas nos territórios rurais brasileiros, não se pode deixar de reconhecer que os contos de Rincões dos frutos de ouro aproximam-se de sua verdade histórica. Permitem que se ressalte neles sua importância documentária, seu poder cultural advindo de uma temática vinculada a uma civilização de natureza singular com bases na lavra do cacau. Formam no conjunto uma nota especial marcada por seus tipos, costumes e valores. Outros elementos de resultados positivos podem ser vistos no texto literário desses contos precursores do cacau como tema na literatura baiana, mesmo que transferidos do romance naturalista nas cenas e situações. 

 

·       Cyro de Mattos é ficcionista e poeta. Doutor Honoris Causa da UESC. Membro da Academia de Letras da Bahia, de Ilhéus e de Itabuna. Do Pen Clube do Brasil. Publicado em inglês, francês, italiano, espanhol, alemão, dinamarquês e russo. Premiado no Brasil, Itália e México. 

REGISTROS NO TEMPO

Almoço em homenagem aos 80 anos de Joaquim Inojosa



Foto: Carlos Ltda. Acervo da Academia de Letras de Ilhéus.

Em comemoração ao 80º aniversário de Joaquim Inojosa, nascido a 27/03, mas comemorado no dia 28 de março de 1981, no Rio de Janeiro. 

Da esquerda para a direita: Plínio Doyle, Inojosa, Abel Pereira, Pedro Novo, Carlos Drummond de Andrade, Alphonso Guimarães, Gilberto de Mendonça Teles. 

Nosso saudoso Abel Pereira, fundador desta casa, estava presente.

MEMÓRIAS

EM UM DIA COMO OUTRO QUALQUER
*Maria Luiza Heine

ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS III | Ilhéus... com amor!


A ALI, Academia de Letras de Ilhéus iniciou um projeto para publicação dos discursos de posse dos acadêmicos. Até o início deste século XXI, os discursos eram arquivados escritos, para guardar a memória e história dos acadêmicos e sua participação na vida da academia. É importante ressaltar que a ALI tem inúmeros momentos de destaque, que compõem sua história, nestes mais de 60 anos de existência. Entretanto, dois desses momentos são mais marcantes: um antes e outro depois de sua sede que, não podemos esquecer, foi uma doação da Prefeitura de Ilhéus, no governo do futuro acadêmico Jabes Ribeiro, ocorrida no ano de 2002. Desde sua fundação em 1959, as reuniões ordinárias eram realizadas na casa de alguns acadêmicos, sendo as primeiras, de acordo com depoimentos, na residência do acadêmico fundador, Nelson Schaun. Daquele tempo tenho algumas notícias, que se tornam cada vez mais raras, à medida que os pioneiros vão partindo para o andar de cima. Mesmo sem o devido conhecimento, acredito que possa afirmar uma característica que seria muito seguida, que é a de obedecer a um ritual, comum às academias de letras. É quase certo que os momentos das posses seguiam os rituais de uma importante solenidade.

Da minha posse, ocorrida em 21 de dezembro de 2002, não existe discurso gravado e nem escrito; foto, só aquela que serve de ilustração à introdução desta crônica e nela não aconteceu nenhuma solenidade. Acredito que tenha sido a posse mais singular, talvez, em toda a existência deste sodalício. Já havia se passado algum tempo que a eleição havia ocorrido, quando recebi a comunicação de que a posse ocorreria naquela semana, no Salão Nobre da Associação Comercial de Ilhéus. Só estavam presentes cinco acadêmicos (Mário Pessoa, João Higino, Francolino Neto, Antônio Lopes e o quinto deles cortado na foto); o confrade Jabes Ribeiro também compareceu, mesmo não pertencendo à academia, tendo sido convidado por ser o prefeito da cidade e por prestigiar com frequência os eventos na academia. Jabes, quando viu tão pouca gente no importante evento, mandou chamar Hélio Pólvora, acadêmico e presidente da Fundaci, que alegou estar sem paletó. Jabes ligou para a Prefeitura, mandando vir o fotógrafo, trazendo um paletó que guardava no gabinete para eventuais necessidades.

No momento de fazer o discurso, quem disse, que discurso de posse? Eu não sabia que deveria fazê-lo, falei de improviso. Até aquele momento não havia assistido a uma posse na academia. Dele não se tem registro. Na minha memória ficou a enorme emoção daquele dia, a sensação de estar ingressando num espaço muito especial, num Olimpo, não de deuses, mas de “imortais”.

Aquele dia, que começou como um dia qualquer, foi um dos mais importantes da minha vida e da minha história profissional. Também deixou um momento de descontração, que não esqueço: apesar de ser um dia de semana à tarde, me arrumei toda com minha roupa mais bonita, um tailleur bege muito elegante, salto alto, meia de seda e maquiagem.

Luiza, minha sobrinha de sete anos, acostumada a me ver vestida de forma muito simples, perguntou: “vai aonde tia?”

Respondi: “para a academia”. 

Ela retrucou: “tolerância zero, não, tia”.

Ela só conhecia a academia de ginástica. Dei muita risada.

Atendendo à sugestão dos meus pares, escrevi esta crônica.


* Maria Luiza Heine é membro da Cadeira nº 20.

quinta-feira, 18 de março de 2021

NOSSA POESIA

Academia de Letras de Itabuna - ALITA: Instalação
Ruy do Carmo Póvoas é membro da cadeira nº 18 da ALI


CARÊNCIAS
*Ruy Póvoas


Sem ar,

sem luz,

sem música,

sem perfume,

sem paz,

sem gente,

sem planta,

sem bichos,

sem livros,

não sou semente.

Sem raios de sol,

sem nuvens,

sem chuva,

sem lua,

sem minha rua,

fico doente.

Custa muito caro

ao mundo

me manter contente.

Para onde vou

com esta consumição

tão exigente...



15/03/21


* Possui graduação em Letras Português Inglês pelo Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna(1972) e mestrado em Letras (Letras Vernáculas) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(1983). Professor da Secretaria de Educação do Estado da Bahia e Membro de corpo editorial da Revista Kàwé. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia das Populações Afro-Brasileiras. Atuando principalmente nos seguintes temas:linguagem - candomblé - sócio-lingúística. Ë ocupante da cadeira nº 18, da Academia de Letras de Ilhéus.

 

terça-feira, 16 de março de 2021

"NA CARREIRA LITERÁRIA VOCÊ TEM QUE TER DUAS COISAS PARA SER ESCRITOR: VOCAÇÃO E TALENTO!" (Cyro de Mattos)



Entrevista do escritor, jornalista e advogado Cyro de Mattos à Associação Brasileira de Editoras Universitárias. 

Nosso confrade Cyro de Mattos, premiado em mais de 40 concursos, ocupa a cadeira 16 da Academia de Letras de Ilhéus. Nesta conversa nos brinda com essa deliciosa entrevista falando um pouco de sua carreira literária. E aconselha: "Na carreira literária você tem que ter duas coisas para ser escritor: vocação e talento! Sem estas duas coisas, você nunca será escritor".



NOSSA POESIA


Geraldo Lavigne de Lemos é membro da cadeira nº 23, da ALI.


TRAVESSIA 1
Geraldo Lavigne de Lemos


era de giz o meu desejo

e com ele eu risquei um mundo

no muro que existia entre nós



tinha caliça em meu nariz

de tanto procurar o cheiro

que traduzisse a sua voz



e da solidão que se erguia

eu fiz ruir com teimosia

a divisa do estar a sós



quebrei do tijolo à alvenaria

mas do outro lado nada havia

senão o sonho e a ilusão



desenhei seu corpo naquele chão

com a cal que restou em minhas mãos

e depois o cobri com frios lençóis




* Geraldo Lavigne de Lemos| São Paulo, Brasil | é advogado e poeta, membro da Academia de Letras de Ilhéus, autor de seis livros. Publicou literatura nas revistas Revista da Academia de Letras da Bahia, Diversos Afins, Mallarmargens, Subversa, InComunidade, Ser MulherArte e Acrobata, nos jornais Diário de Ilhéus (Ilhéus/BA), Fuxico (Feira de Santana/BA) e A Gazeta (Vitória/ES) e no blogue LiteraturaBR. Poesia publicada originalmente na Revista Subversa. Disponível também em: http://revistasubversa.com/artigo/travessia-i-geraldo-lavigne/ 

segunda-feira, 15 de março de 2021

"SERVIR A PÁTRIA, CULTUANDO AS LETRAS!"

Acompanhe o vídeo de posse da nova diretoria da Academia de Letras de Ilhéus, realizada no dia 14 de março de 2021. Data em que A Casa de Abel completou 62 anos de fundação. A posse contou com a palestra do ilustre confrade Aleilton Fonseca sobre o tema: "Castro Alves, entre a pandemia e o cancelamento".



Nota: Nos primeiros 4'27 ocorreu um problema técnico. Mas depois foi corrigido.


segunda-feira, 8 de março de 2021

CONFRADES GERALDO LAVIGNE E CYRO DE MATTOS PARTICIPAM DA 2a. FEIRA VIRTUAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS EDITORAS UNIVERSITÁRIAS - ABEU




Depois do sucesso da primeira edição, em 2020, a Associação Brasileira das Editoras Universitárias (ABEU), promove de 08 a 17 de março a 2ª Feira Virtual da ABEU, um evento reúne mais de 60 editoras do Brasil e da América Latina e tem como foco promoção de livros impressos e digitais, e-books para download gratuito e uma intensa programação cultural. 

No dia 09/03, a primeira roda tem como tema Livro infantil: para além das histórias. A mediação será feita pelo advogado e poeta Geraldo Lavigne, e como debatedores estão a Prof.ª Fátima Gondim (CAPI/Ipiaú), autora do livro Jardim encantado, Prof.ª Maria Lícia Queiroz (DCET/UESC) autora do livro Depois do vestido azul, Prof. Jacques Delabie (DCAA/UESC), autor do livro Cartas de Natal, e de Cyro de Mattos, autor da Coleção Infância Livre.

Na sequência, 10/03, será o lançamento do livro Territórios migrantes, interfaces expandidas, da Série Comunicação e Educação, organizado por Eliana Nagamini (MECOM-ECA/USP) e Ana Luiza Zanoboni (Oboré). O encontro reúne os pesquisadores Filomena Bomfim (UFSJ), Juliane Martins (UFPR), Rogério Pelizzari (MECOM-ECA/USP), Eliana Nagamini e Adilson Citelli (MECOM-ECA/USP), que vão falar sobre Territórios expandidos na comunicação e educação.

Dia 11/03, o tema Prática docente e movimentos sociais vai conduzir o lançamentos dos livros Nós professores: reflexões e memórias do trabalho com o ensino e aprendizagem de línguas, organizado pelas professoras Patrícia Argôlo Rosa (DLA/UESC), Simone Bueno (UFBA), além do professor Raulino Batista Figueiredo Neto (UNEB), Movimentos sociais e educação: políticas e Práticas, e também Educação do campo: políticas e práticas, ambos organizados pelas professoras Julia Maria da Silva Oliveira (DCIE/UESC), Lívia Andrade Coelho (DCIE/UESC), Arlete Ramos dos Santos (UESB), e pelo professor Geovani de Jesus Silva (UESB). A conversa conta com a participação das professoras Arlete Ramos (UESB), Simone Bueno (UFBA) e Julia Maria Oliveira (DCIE/UESC).

8 DE MARÇO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER

"A condição das mulheres é determinada por estranhos costumes: elas são ao mesmo tempo dominadas e protegidas, fracas e poderosas, excessivamente desprezadas e excessivamente respeitadas".

Marguerite Yourcenar

Primeira mulher a ingressar na Academia Francesa de Letras 




A Academia de Letras de Ilheús saúda todas as mulheres nas pessoas das confreiras Baísa Nora, Maria Schaun, Eliane Ribeiro, Neuza Nascimento, Anarleide Menezes, Luh Oliveira, Neide Silveira, Maria Luiza Heine, Neuzamaria Kerner e Jane Hilda Badaró. 


domingo, 7 de março de 2021

POSSE DA NOVA DIRETORIA DA ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS ACONTECE EM 14 DE MARÇO, DE FORMA REMOTA

Pawlo Cidade assume a presidência da Academia para o biênio 2021-2023

Na data regimental de 14 de março, data comemorativa do aniversário do poeta baiano Castro Alves e também do Dia da Poesia, a Academia de Letras de Ilhéus realiza sessão para abertura do ano acadêmico de 2021, ao tempo em que empossa a diretoria para o biênio de 2021 a 2023. A solenidade será presidida por André Luiz Rosa Ribeiro, atual Presidente, que dará posse ao próximo Presidente Pawlo Cidade, e a nova diretoria, formada por Vice-Presidente: Gustavo Cunha, Secretária Geral: Jane Hilda Badaró, 1º. Secretário: Sebastião Maciel, 2º. Secretária: Luh Oliveira, 1º. Tesoureiro: Anarleide Menezes e 2º. Tesoureiro: Leônidas Azevedo. Na oportunidade, o membro da Academia de Letras da Bahia e da Academia de Letras de Ilhéus, Aleilton Fonseca, falará sobre o tema “Castro Alves, entre a pandemia e o cancelamento”. Devido, ao distanciamento social imposto pelos riscos da pandemia do COVID-19, a sessão ocorrerá de forma remota, das 18 às 20 horas, e poderá ser acompanhada pelo Facebook “Academia de Letras de Ilhéus” (pt-br.facebook.com/academiadeletrasdeilheus/). 

Uma das mais antigas do Brasil, a Academia de Letras de Ilhéus, fundada a 14 de marco de 1959, mantém acesos, em mais de seis décadas de história, os ideais sonhados por seus fundadores e o propósito expresso no lema do sodalício: “Patriae Litteras Colendo Serviam”, que seja, servir à pátria cultuando as letras. Neste propósito, a Casa de Abel, assim chamada numa referência ao seu idealizador e fundador, poeta Abel Pereira, segue incentivando e promovendo a cultura, através da realização de conferências, concursos, cursos, premiações, e outras atividades de natureza literária, artística e cultural. Templo da inteligência e do espírito- desde a sua fundação, passaram intelectuais do mais alto quilate, à exemplo de Jorge Amado, Adonias Filho, Zélia Gattai, dentre tantos outros. No mesmo diapasão, encontra-se nos seus membros efetivos atuais, os atributos da intelectualidade - pessoas exponenciais no cenário artístico cultural de Ilhéus e da Bahia, sendo que muitos extrapolam esta fronteira e galgam reconhecimento nacional. 

PLANO DE AÇÃO E MEMBROS DA DIRETORIA PARA BIÊNIO 2021/2023

O plano de ação traçado para o biênio envolve estabelecer parcerias e filiações com as academias de letras da região, da Bahia e do Brasil; promover os autores da literatura regional; promover sessões literárias, musicais e lítero-musicais; promover eventos e parcerias com universidades e escolas públicas e privadas com vistas à valorização das letras e da arte; aconselhar, contribuir, estimular órgãos públicos nas políticas públicas de cultura; estimular o livro e a leitura como gênero de primeira necessidade; tomar a dianteira do movimento intelectual ilheense nas discussões de políticas públicas para a literatura, a cultura, a ciência e a arte. Entre as metas traçadas destacam-se a realização do Encontro Baiano de Academias de Letras e Artes; Seminário Regional de Literatura Baiano; Bate-papos com escritores; criação de campanhas de estímulo a compra do livro e a leitura; e criação do Boletim da Casa/Academia. 

O Presidente a ser empossado para gerir a Academia de Letras de Ilhéus no biênio que se inicia em 14 de março vindouro, é Pawlo Cidade, dramaturgo, escritor com 18 livros publicados, especialista em Educação Ambiental, especialista em Gestão Cultural pela UESC, especialista em Projetos Culturais pela FGV, ex- conselheiro estadual de cultura, ex-secretário municipal de cultura de Ilhéus, ocupante da cadeira n. 13 da Academia de Letras de Ilhéus, consultor de políticas públicas para cultura e atual Diretor das Artes da Fundação Cultural do Estado da Bahia. 


Gustavo Cunha, vice-presidente, é ocupante da cadeira n. 5 da Academia de Letras de Ilhéus, é medico, poeta e autor do livro “Chácara das Tormentas”. Possui especialização em Saúde Pública e em Infectologia. É membro titular da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), docente titular e fundador da cadeira de parasitologia da Faculdade madre Thaís (Ilhéus-Ba), Presidente da Comissão de Controle de Infecção hospitalar do Hospital Costa do Cacau. Médico referência em HIV/SIDA do Município de Ilhéus.



Ocupante da cadeira n. 6 da Academia de Letras de Ilhéus, Jane Hilda Badaró é poeta, artista plástica, advogada e professora do Departamento de Ciências Jurídicas na Universidade Estadual de Santa Cruz- UESC. Mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. Como jornalista, atuou na imprensa regional, foi assessora de Imprensa da Fundação Cultural de Ilhéus, editora na Ilhéus Revista, colunista do Jornal Diário da Tarde e Folha da Praia. Autora do Livro “ Imagens & Sentimentos: poemas (des) engavetados e pinturas”. Participou de diversas exposições de artes em individuais e coletivas, em Ilhéus, outros Estados e países. Secretária Geral da Academia de Letras de Ilhéus desde outubro de 2017. 

Sebastião Maciel é cearense da cidade do Crato, radicado em Ilhéus, cidade que há muitos anos escolheu para viver, trabalhar, estudar e constituir família. Professor, com 50 anos de efetiva regência de classe, na disciplina Língua Portuguesa, tanto na educação básica quanto superior. Ocupa a cadeira n. 2 da Academia de Letras de Ilhéus. 



A baiana Luh Oliveira é poeta, professora, Mestra em Letras. Atualmente é pesquisadora do tema Literatura Infantil e Afetividade. Ocupa a cadeira n. 3 da Academia de Letras de Ilhéus. Membro do Mulherio das Letras Bahia e nacional. Ministra workshops virtuais de poesia para jovens, além de promover a literatura regional em lives no instagram. É colunista na Revista Ser Mulher Arte e editora da Vixe Bahia revista. Membro da comissão organizadora do Festival Literário Sul-Bahia ( FLISBA) . Publicou seis livros infantis e três livros de poesia para adulto. Participação em várias coletâneas. 


Anarleide Menezes ocupa a cadeira n. 29 da Academia de letras de Ilhéus. É especialista em Educação e Relações Étnicos Raciais pela Universidade Estadual de Santa Cruz- UESC.Graduada em Letras pela Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna -FESPI, atua como professora de Língua Portuguêsa e Produção Textual. Gestora do Museu da Piedade, dedica-se, há mais de dez anos aos estudos e à prática da museologia, conservação de acervo e educação para conservação do patrimônio. Participa ativamente do cenário cultural da Região Sul da Bahia, promovendo eventos culturais, artísticos, de memória e identidade regional. É Articuladora de Museus do Interior da Bahia, e produtora cultural. 


Leônidas Azevedo é médico, professor, e autor de diversos livros de Literatura Infantil, lançados com o selo da EDITUS, editora da Universidade Estadual de Santa Cruz-UESC. Ocupa a cadeira n. 10 do silogeu. Algumas de suas obras já foram disponibilizadas em braille e fonte ampliada, beneficiando os pequenos leitores com necessidades especiais. 

 

 

Texto informativo:

Jane Hilda Badaró/Secretária Geral da ALI