sexta-feira, 13 de agosto de 2021

MARIA LUIZA HEINE E SUEDE MAYNE LANÇAM “MEMÓRIA E HISTÓRIA: LIÇÕES DE UM VÍRUS ASSUSTADOR", SÁBADO,14/08





Nesse sábado, dia 14/08, às 16 horas, ocorre o lançamento do livro: “Memória e História: Lições de Um Vírus Assustador” por meio de live no Instagram: @ml_heine, com apresentação do professor Efson Lima. O livro é uma produção conjunta das professoras Maria Luiza Heine, ocupante da cadeira n° 20, da Academia de Letras de Ilhéus, e Suede Mayne.

A professora Luiza Heine tem diversos livros publicados. Ela é formada em filosofia e doutora em educação pela UNEB, com pesquisa no campo da educação ambiental. A autora Suede Mayne Pereira Araújo é formada em serviço social. Mestra em educação e especialista em saúde do trabalhador e em Psicodrama, Profissional de Serviço Social e atua no Hospital Menandro de Faria e no Instituto Federal da Bahia.

Segundo as autoras, o “livro surgiu como uma expressão da insatisfação pessoal com a vida que estamos vivendo, com as mudanças que brotaram a partir do aparecimento da Covid 19 e com a forma como muitas pessoas do país encararam o enfrentamento da pandemia”.

O livro tem prefácio do escritor Pawlo Cidade, presidente da Academia de Letras de Ilhéus e gestor cultural.

A obra está sendo comercializada por meio do perfil da escritora Maria Luiza Heine no Instagram, bem como no site da Editora Via Litterarum: https://viaeditora.com.br/acervo-literario/memoria-e-historia-licoes-de-um-virus-assustador/ no valor de R$ 30,00 mais frete. O livro também possui versão em e-book para comercialização.

O quê: Lançamento do “Memória e História: Lições de Um Vírus Assustador”

Autoras: Maria Luiza Heine e Suede Mayne

Vendas: no Instagram @ml_heine e no site Editora Via Litterarum

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

ARTIGO

Rui Barbosa - 1849 -1923

Erudição e Sabedoria em Rui Barbosa

por Cyro de Mattos

 

Rui Barbosa nasceu em Salvador, aos 5 de novembro de 1849. Filho de Maria Adélia, moça de tempe­ramento calmo e bem educada. Seu pai, João Barbosa, fora um político atuante, jornalista inflamado, homem preocupado com as refor­mas humanas no ensino, um médico que aban­donara a profissão.

       Rui foi membro da Academia de Letras da Bahia e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, tendo sido presidente quando Machado de As­sis faleceu. Era um homem de estatura baixa, franzino, a cabeça grande sustentada por um pescoço fino. Tímido e feio, mas tinha uma voz poderosa quando ocupava a tribuna. Os olhos faiscavam, de cada centelha a oratória incendiava com a argumentação fascinante, baseada na verdade.

Fora incapaz de conceber a vida sem um ideal. Liberal convicto, construtor da Repúbli­ca, deu-lhe o arcabouço jurídico inicial. Não aceitava a escravidão, clamava pela adoção das eleições diretas, reforma do ensino com méto­dos humanos, investia contra o poder papal, como defensor ferrenho da ideia de separação entre o Estado e a Igreja.

            A erudição adquirida ao longo do tempo era aplicada com brilho nas relações sociais, no intuito de construir a vida, só querendo fazer o bem. Gostava de repetir o versículo, “todo o bem que fizeres, receberás do Senhor.” No elogio a José Bonifácio, falecido no fim de 1886, desabafou contra aquele mundo político, que o fizera sofrer várias derrotas e que era considerado por ele como meio louco e míope, espé­cie de divindade gaga, protetora do daltonis­mo e da surdez, uma combinação da esteri­lidade das estepes com a paisagem onde não se canta, supondo-se queassim  fosse inimiga da har­monia, contradição do belo, como tem sido neste país. E, numa intencional advertência ao poder monárquico, reafirmou como encarava a questão da escravatura na célebre fra­se, primeiro a abolição, nada sem a abolição, tudo pela abolição.

Amara de verdade duas profissões: o jor­nalismo e a advocacia. O jornalismo sempre foi a janela de sua alma, por onde se acos­tumou a conversar durante todo o tempo, todas as manhãs, para a rua com os seus compatriotas, como informa Luís Viana, seu melhor e mais completo biógrafo, em A Vida de Rui Barbosa. Advogado do povo, foi o patrono dos professores demitidos de suas funções na Escola Politécnica. Quando o Congresso decretou a anistia, julgando impossíveis de revisão as penas e os processos dos aparen­temente beneficiados, ele bate às portas dos tribunais para se opor à situação que feria a lei e maltratava a justiça.

Ao se dedicar à política, fora eleito De­putado Provincial em 1878 e no período de 1879-1884 exerceu mandato na Câmara dos Deputados do Império. Com o advento da Re­pública, nomeado Ministro da Fazenda, a polí­tica financeira que adotou caracterizou-se pelo abandono do lastro-ouro e a adoção de grandes emissões garantidas por apólices do Governo, visando fomentar o comércio, além da criação do Tribunal de Contas e delegacias fiscais.

       O conferencista falava mais de três horas, sem que houvesse um murmúrio desaprova­dor do auditório repleto de pessoas. Quan­do terminava, no meio das palmas demora­das ouvia-se: “Continue! Continue!” Pessoas riam, choravam, deliravam, indignavam-se, aplaudiam, acompanhavam o orador hipno­tizadas pelas emoções que a sua alma a todos transmitia.

           Designado pelo Senado para examinar o projeto do Código Civil, já revisto pelo filólo­go baiano Carneiro Ribeiro, essa tarefa sem na­tureza política revelaria ao Brasil um gramático conhecedor amiúde e melhor na colocação dos pronomes. Em pouco tempo, o seu parecer apre­sentou mais de mil emendas ao texto revisto por Carneiro Ribeiro, o antigo mestre do Ginásio Baiano, sendo corrigido agora pelo ex-aluno nas regras gramaticais.

         Em Haia, o assunto mais importante da Conferência era a organização do Tribunal Permanente de Arbitragem, com o palco pre­viamente armado para o papel de destaque das potências que governavam o mundo e manda­vam nos povos.

        A voz impetuosa e indignada de Rui apre­senta sua proposta para a Organização do Tri­bunal, onde todos os países terão assento. Fica ao livre arbítrio dos contendores submeterem as suas questões ao plenário do Tribunal. Falou em francês castiço, entre o silêncio geral, perante um auditório que o desconsiderava, mas que ficara espantado. No final fora reconhecido como uma das mais poderosas vozes da assembleia. Aque­le homem pequeno, de voz ritmada na verdade e no direito, derrotara os que representavam os direitos e interesses das grandes potências, Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra, França, Rússia e Itália. Por seu desempenho superior fi­cou conhecido como a Águia de Haia.

O discurso de Rui surpreende pela va­riedade e nas expressões soberbas de suas leituras. Da palavra imantada nas imagens candentes emergem verdades que iluminam a vida, mas sua erudição não é apenas variada, de vocabulário ilimitado, domínio do idio­ma, citações e argumentos que impressiona­vam vivamente. Pode-se dizer desse paladino da liberdade que fora um erudito abraçado com um sábio.

Rui Barbosa, o que conhecia Vieira, lia Castilho, recitava Camões aos dez anos, santo Deus, o erudito e o sábio. Deixou este velho mundo em 1 de março de 1923. Fora residir na morada do eterno.

 

Referência

A Vida de Rui Barbosa, Luís Viana Filho, Lelo& Irmãos, Porto, Portugal, 1981. 

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

SESSÃO DA SAUDADE SERÁ REALIZADA NO TRADICIONAL ILHÉUS HOTEL


 

Com o avanço da reforma do telhado e dos pisos superior e térreo da Academia de Letras de Ilhéus, em parceria com a Prefeitura Municipal de Ilhéus, a Sessão da Saudade do confrade José Cândido de Carvalho Filho será realizada na sede do Ilhéus Hotel, sito à Rua Eustáquio Bastos, 144, Centro.

Devido às restrições sanitárias, só poderão participar da cerimônia apenas 20 convidados. Para ampliar a participação, a sessão será transmitida ao vivo pelo Facebook e Pelo Youtube da Academia de Letras.

sábado, 7 de agosto de 2021

TERTÚLIA ESPECIAL NO DIA DO ESCRITOR JORGE AMADO


No dia em que comemoramos os 109 anos de nascimento do escritor Jorge Amado, a Academia de Letras de Ilhéus promove uma tertúlia especial com o confrade, professor, escritor e mestre em letras vernáculas, Ruy Póvoas que fará comentários sobre a obra do escritor. A conversa será mediada pelo poeta e confrade Geraldo Lavigne. 

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

ARTIGO




OS NOVENTA E UM ANOS DE SOANE NAZARÉ DE ANDRADE*

 

Por Renée Albagli Nogueira

 

No dia 5 de agosto de 2021, Soane Nazaré de Andrade completa noventa e um anos. É com muito orgulho que me dirijo à sociedade regional e à comunidade acadêmica da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) para registrar homenagem a um dos maiores baluartes da implantação da Educação Superior na Região Sul da Bahia.

Falar de Soane Nazaré de Andrade e de sua importância para a Educação é um dever cívico para com as gerações futuras. Sua trajetória como educador teve início em 1960, com a criação da Faculdade de Direito de Ilhéus, sendo o seu primeiro Diretor. Participaram dessa luta: Amilton Ignácio de Castro, Francolino Gonçalves Queiroz Neto, Jorge Weill Fialho e José Cândido de Carvalho Filho.

Nesse mesmo ano de 1960, foi criada a Faculdade de Filosofia de Itabuna, por iniciativa de Dona Amélia Tavares Amado, reunindo figuras expressivas da Educação itabunense. Só em 1970 foi criada a Faculdade de Ciências Econômicas de Itabuna.

Convidado por José Haroldo Castro Vieira, então Secretário Geral da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), Soane Nazaré de Andrade recebeu a incumbência de liderar a implantação da Federação das Escolas Superiores de Ilhéus, que teve o seu funcionamento aprovado pelo Conselho Federal de Educação (CFE), mediante Processo CFE 4.989/73.

Em uma sala cedida pela CEPLAC, Soane Nazaré de Andrade liderou uma Comissão responsável pela elaboração do Projeto a ser submetido ao CFE. Integraram essa Comissão: Flávio José Simões Costa, Manoel Simeão da Silva, Valdelice Soares Pinheiro, Helena dos Anjos, Rosalina Molfi de Lima e Erito Francisco Machado.

As três Faculdades – Faculdade de Direito de Ilhéus, Faculdade de Filosofia de Itabuna e a Faculdade de Ciências Econômicas de Itabuna – foram então reunidas na Federação de Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna (FESPI).

Instalado o Campus, em 1974 foi realizado o primeiro vestibular, sob a coordenação dos Professores José Formigli Rebouças, Henrique Campos Simões e Maria de Lourdes Neto Simões. Já na Coordenação Pedagógica da FESPI, Soane Nazaré de Andrade foi assessorado pelas Professoras Enilda Lordello e Litza Mary Modesto Câmera.

A FESPI passou a funcionar sob a égide de uma fundação de direito privado, a Fundação Santa Cruz (FUSC), sendo seu presidente o Professor Erito Francisco Machado.

A FUSC era mantida, prioritariamente, pela CEPLAC e pelas anuidades estudantis. Na gestão de Soane Nazaré de Andrade, as primeiras edificações do Campus foram realizadas pela CEPLAC, cujos recursos, oriundos da cacauicultura, destinavam-se ao desenvolvimento regional.

Soane Nazaré de Andrade atribuiu às primeiras edificações da FESPI uma homenagem a dois grandes escritores brasileiros do Século XX: Jorge Amado e Adonias Filho. Posteriormente, foi construída a Torre Administrativa, e a esse edifício de seis andares foi dado o nome de José Haroldo de Castro Vieira. Foi uma justa homenagem, considerando os relevantes serviços prestados à Região Sul da Bahia.

Todos esses atos foram referendados democraticamente pelo Conselho Superior da FUSC, onde tinham assento os três dirigentes das Unidades Federadas.

A FESPI tinha localidade na Zona da Mata Atlântica, de grande importância para a preservação da cacauicultura, o que lhe assegurou, entre as universidades brasileiras, uma singularidade na sua vocação acadêmica: observar cientificamente o equilíbrio entre a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento regional. Soma-se a isso a importância de se manter como um Centro de Biotecnologia, associando-se à sua vocação cultural, enriquecida pela sua área de influência no sítio do descobrimento e na rica literatura regional.

Consciente dessa potencialidade de inserção regional, a FESPI sempre teve como ideal maior transformar-se em uma Universidade.

Por Soane Nazaré de Andrade foi pensada a bandeira da FESPI/UESC e o Hino da Universidade Estadual de Santa Cruz. Estas feições específicas lhe asseguram a sua identidade como Universidade.

Soane Nazaré de Andrade dirigiu a FESPI de 1974 a 1985. Durante todo o período Carmem Dolores Vieira Passos foi sua secretária.

No ano de 1982 foi instalada a Associação Profissional dos Professores Universitários de Ilhéus e Itabuna (APRUNI), sendo o seu primeiro presidente o Professor Joaquim Bastos da Silva. Nesse mesmo ano, em virtude das vicissitudes do ensino privado, surgem as primeiras mobilizações para a estatização da FESPI/UESC. Assim, a APRUNI liderou a comunidade acadêmica e as representações regionais, encaminhando ao então Governador do Estado, em 30 de agosto de 1982, a pretensão de estatização da FESPI/UESC.

Em 1984, perto da conclusão do seu mandato como Diretor Geral da FESPI, por iniciativa da comunidade acadêmica em documento encaminhado ao Conselho Superior da FUSC, foi aprovado atribuir-se ao Campus da FESPI/UESC o nome de Campus Professor Soane Nazaré de Andrade.

É nesse Campus que repousam os sonhos de centenas de professores, que, em gerações sucessivas, não só atuam nos fins da universidade: ensino, pesquisa e extensão, mas o fazem com competência e idealismo.

Hoje, dia 5 de agosto de 2021, do alto dos seus noventa e um anos, Soane Nazaré de Andrade acompanha os desafios e a grandiosidade da caminhada vitoriosa da FESPI/UESC, responsável pela educação de várias gerações de jovens da região, do estado, do país e até do exterior.

Para Soane Nazaré de Andrade, o pensamento de Henfil: “Se não houver frutos, valeu a beleza das flores; se não houver flores, valeu a sombra das folhas; se não houver folhas, valeu a intenção da semente”.


* Professor e confrade Soane Nazaré de Andrade ocupa a cadeira nº 32, da Academia de Letras de Ilhéus.

quinta-feira, 29 de julho de 2021

SESSÃO DA SAUDADE HOMENAGEIA O SAUDOSO CONFRADE JOSÉ CÂNDIDO DE CARVALHO FILHO




QUEM FOI JOSÉ CÂNDIDO?

Natural de Boa Viagem (CE), o confrade José Cândido de Carvalho Filho, que ocupou a cadeira nº 39 da Academia de Letras de Ilhéus, nasceu em 13 de abril de 1924 e se formou na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia em 1950 — já era licenciado em História pela Faculdade de Filosofia da mesma universidade. Em 1965, obteve o título de doutor em Direito Penal.

Antes de entrar na carreira jurídica, José Cândido foi deputado da Assembleia Legislativa da Bahia por duas legislaturas seguidas, entre 1959 e 1966. Logo em seguida, em 1967, tornou-se juiz federal no mesmo estado. Em 1969, assumiu como ministro suplente do TFR e tomou posse no cargo de juiz efetivo do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia.

A partir de 1980, atuou como ministro efetivo do TFR, onde exerceu a presidência da 2ª Seção. Foi corregedor-geral da Justiça Federal entre 1987 e 1989 e também presidiu a comissão responsável pelas obras dos cinco tribunais regionais federais criados pela Constituição de 1988.

Depois de tomar posse no STJ, onde presidiu a 6ª Turma e a 3ª Seção, foi ministro substituto e efetivo do Tribunal Superior Eleitoral e corregedor-geral da Justiça Eleitoral. Era casado com Maria da Conceição de Carvalho, com quem teve três filhos: Cesar, Célia Márcia e José Cândido de Carvalho Júnior.

Morreu no dia 25 de abril de 2019, aos 94 anos, em Valparaíso de Goiás (GO).

DIA E HORÁRIO DA SESSÃO DA SAUDADE

A Sessão da saudade, regimentalmente estabelecida pela ALI, será realizada no dia 11 de agosto, às 19h, na sede da Academia, com limitações de pessoas e seguindo todos os protocolos sanitários. A saudação será ministrada pelo doutor Antônio Ezequiel, amigo particular do saudoso confrade. Quem não pude estar presente poderá assistir a sessão pelo YouTube e pelo Facebook da ALI.

ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS PARTICIPA DO II WEBINÁRIO DE ESTUDOS AMADIANOS

 


Criado pelo Grupo de Pesquisa Crítica Literária e Identidade Cultural (CLIC), o Webinário Estudos Amadianos constitui-se como instrumento de divulgação, difusão, apoio e incentivo a pesquisas, atividades extensionistas e de ensino em andamento e concluídas, relacionadas à obra do autor brasileiro mais lido em todo mundo. O Webinário Estudos Amadianos constitui-se, ainda, como um projeto de formação de leitores, leitoras, professoras, professores, discentes e público em geral, falante de língua portuguesa.

Iniciado em 2020, agora em 2021 será realizado o II Webinário Estudos Amadianos com escritores e intelectuais de diversas universidades brasileiras e respeitados nomes da Nigéria, Polônia e Estados Unidos. Contará, também, com a participação da família de Jorge Amado, de escritores como Antônio Torres, Socorro Acioli, Itamar Vieira Júnior, Josélia Aguiar, Aleilton Fonseca, Cyro de Matos, Ordep Serra, Ruy Póvoas, Nelson Cerqueira, Sérgio Habib, Edilene Matos e outros grandes nomes. 

Para a sua realização o evento tem mais de duas dezenas de signatários com o apoio Cultural da Editora Companhia das Letras. Vale ressaltar a presença da Fundação Casa de Jorge Amado, da Casa do Rio Vermelho e das Academias de Letras da Bahia, Ilhéus, Itabuna e Aracaju com diversos imortais na nossa programação. Ao todo serão 19 Lives, sendo 17 Mesas e duas conferências. A conferência magna será proferida pelo professor doutor Félix Ayoh’OMIDIRE (Obafemi Awolowo, Ile-Ife, University, Nigéria) “A yorubaianidade de Jorge Amado e o triunfo dos orixá nagô na literatura brasileira”. Já o professor Prof. Dr. Eduardo de Assis Duarte (UFMG) tem como título de sua conferência “Dona Flor – nas encruzilhadas da nova mulher”.

Todas as Lives serão em língua portuguesa. Todos os inscritos receberão dois e-books da coleção “Cadernos de Leitura” sobre a obra de Jorge Amado e a cada Live novos livros serão ofertados. Visite o Canal Universidade da Gente. Confira a programação que vai de 4 a 31 de agosto de 2021 e faça logo sua inscrição no link .

PARTICIPAÇÃO DA ACADEMIA

No II Webinário Estudos Amadianos, a Mesa da ALI será 27.08, às 19:00 horas, com o tema: “Jorge Amado, múltiplo e plural: terra, morte e coronelismo“, com André Rosa que abordará a morte na obra de Jorge Amado; Maria Luiza Heine, que discutirá sobre Jorge Amado e os coronéis do cacau e o confrade Aleilton Fonseca que abordará "a mata viva, em Terras do sem-fim". A coordenação da mesa será do presidente da ALI, Pawlo Cidade.


sábado, 24 de julho de 2021

FUNDAÇÃO PEDRO CALMON RECEBE OBRA POÉTICA COMPLETA DE CYRO DE MATTOS



Jornalista e advogado, Cyro de Mattos, doou 70 livros de "Canto até hoje", sua obra poética completa, para as bibliotecas e espaço de leitura do estado. De acordo com o diretor geral da Fundação Pedro Calmon,
  Zulu Araújo, a obra de Cyro de Mattos é e será de grande valia para o estímulo do livro e da leitura em todo o estado. 

Cyro de Mattos é contista, novelista, romancista, cronista, poeta, ensaísta e organizador de antologia. É autor de 54 livros e seus contos e poemas figuram em mais de 50 antologias, no Brasil e no exterior. Conquistou mais de 40 prêmios literários. É membro efetivo do Pen Clube do Brasil, Ordem do Mérito da Bahia, no grau de Comendador, e da Academia de Letras da Bahia, Academia de Letras de Itabuna e Academia de Letras de Ilhéus. De acordo com o diretor geral da FPC, Zulu Araújo, a obra de Cyro de Mattos é e será de grande valia para o estímulo do livro e da leitura em todo o estado.



quarta-feira, 21 de julho de 2021

ARTIGO

          


Presença do Haicai em Abel Pereira 

                        Cyro de Mattos 

 

O haicai tem dezessete sílabas numa estrofe de três versos. O primeiro e o terceiro versos com cinco sílabas, o segundo com sete.  Para alguns estudiosos, esse poema minúsculo com uma estrutura tripartite tem suas origens incertas, nipônicas, bem antigas. Seu berço está na waka, forma poética de trinta e uma sílabas divididas em  versos de cinco-sete-cinco-sete-sete sílabas.

     Foi Bashô, um dos poetas mais consagrados da poesia nipônica, que deu autonomia, grandeza e solenidade ao haicai, no século XVIII, para que, em seu espaço breve, expressasse um estado emotivo relacionado com a natureza e a ciclagem permanente das estações. Destituído de simbolismo, rima e título no original, motivado pelas forças da natureza ou ciclo das estações, encerra uma sensação imitativa no espaço reduzido. 

   Concentra-se em pensamento poético ou filosófico, buscando alcançar no reino da natureza e sua conexão com o universo as zonas melodiosas do que nunca foi visto, ouvido e atingido. Dá a entender por isso que se destina a uma leitura poética feita em silêncio. Em sua ânsia de simplicidade, desconhecendo o descritivo, tem ainda como marca, registrada em tácito entendimento, o de plasmar a milenária sabedoria nipônica. Mais ouvir do que falar, fazer emanar da alma uma emissão poética de profundidade, que coincide neste ponto com o conceito grego quando diz que quanto menor a extensão maior a compreensão.   

Quem introduziu o haicai no Brasil foi o poeta paulista Guilherme de Almeida (1890/1969), com adaptações, incluindo a rima na estrutura sintética do poema.  Na sua maneira de construir o poema brevíssimo, fez com que o primeiro verso rimasse com o terceiro e, no terceiro, houvesse a  rima interna nas silabas tônicas, seguindo o esquema a-bb-a.  

Ao lado de Guilherme de Almeida, os poetas Millor Fernandes, Paulo Leminski e Olga Savary são nomes que não podem ser omitidos quando se fala na produção desse poema brevíssimo no Brasil, sob pena de omissão imperdoável.  Na Bahia, destacam-se como nomes de primeiro plano no cultivo do haicai o poeta Oldegar Vieira, que se revelava um apaixonado pelo poema de concisão e sobriedade, e mais recente o feirense Uaçaí Lopes.  

No sul da Bahia figuram como cultores exemplares desse poema minúsculo Abel Pereira e Gil Nunesmaia. Gustavo Felicíssimo é outro nome que desponta como exímio cultor desse poema, que anseia atingir o máximo com o mínimo, exprimindo estados emotivos que capturam, de súbito, o espetáculo perene da existência com o senso da natureza e as extensões da vida.     

Vários poetas brasileiros notabilizaram-se como autores de haicai. Alguns, íntimos do poema longo, de verso extenso, não ficaram imunes ao exercício prazeroso do   poema de configuração curta.  Uma maioria não quer nem ouvir falar dessa criatura que tem prazer em se acomodar no espaço ínfimo do verso e   que pega feito praga, na sua ânsia particular de querer dizer o máximo com o mínimo. Alegam os opositores que não passa de atitude de poeta pequeno, sem condição do voo largo, ficando por isso nesse exercício breve, que requer alguma destreza em espaço poético inferior.  Para ser escrito não exige fôlego criativo do legítimo poeta, argumentam em tom pejorativo.  Equívoco ou preconceito dos que lhe menosprezam, sem ligar nessas restrições de ambientes literários, o haicai vai ficando nas letras brasileiras, aparentemente sem equivaler a uma emissão de fôlego, mas atestando no jogo que emana da própria alma o quanto tem de larguras e funduras no que pretende dizer.

Pode-se dizer que o poeta Abel Pereira, baiano de Ilhéus (1908-2006), foi um colhedor de haicai, tamanha a presença do poema em seus livros, embora cultivasse também o soneto e poemas de versos livres. Usando a rima e o título, vemos em Abel Pereira que não é a forma do haicai que faz o poeta, mas o poeta, com sensibilidade e precisão, que faz o haicai.

Um dos fundadores da Academia de Letras de Ilhéus, tendo sido o seu primeiro presidente, durante vários mandatos, Abel Pereira publicou: Colheita (19570), Poesia até ontem (1977), Mármore partido (1989) e Haicais vagaluminosos (1989). Sua poesia tem motivação brasileira, com recortes no cenário de Ilhéus.

Como exemplo esclarecedor de sua poética com inspiração local, leia abaixo transcritos alguns haicais de Poemas à beira do cais:

 

Ancoradouro 

 

À noite no porto,

Os barcos têm os perfis parcos

De arvoredo morto. 

 

Carregamento

 

O cheiro bem forte

Das telhas novas nas velhas

Barcaças do Norte.

 

Vigília

 

Luz quase apagada.

Dormência. Um sono vence a

Barcaça cansada.

 

Velha Ponte

 

Vejo-a há muito tempo

Num gesto parado – resto

Que ficou do Tempo.

 

Grande Luta 

 

As barcas. Distúrbio.

A vária massa operária

Chega do subúrbio. 

 

O Vigia

 

No silêncio morto,

O apito do guarda: um grito

Que estremece o porto.

 

Encantamento

 

De encontro às ameias

Da pedra, o barco se quebra...

Cantam as sereias.

 

 

Sobre o poeta Abel Pereira disse Antonio Carlos Villaça: “Sim, um mestre. (...) Sem o senso da natureza não há haicai. Desde Colheita, Abel é um sagaz cultivador da mais sintética forma de poesia.” E Manuel Bandeira, um dos ícones da poesia modernista de 22, ressaltou: “Abel Pereira é um craque do haicai. Desde o primeiro, são cento e noventa e três estremecimentos, murmúrios ou rastros de perfume.”

 

 

Leituras Sugeridas 

 

MATTOS, Cyro de. Ilhéus de poetas e prosadores, antologia, Secretaria de Cultura da Bahia, Coleção Letras da Bahia, Salvador, 1998.

PEREIRA, Abel. Colheita, Simões Editora, Rio, 1957.

-------------------Haicais vagaluminosos, Massao Ohon Editor, São Paulo,  1989. 

 

·     Cyro de Mattos é ficcionista e poeta. Membro das Academias de Letras da Bahia, Ilhéus e Itabuna. Publicou 56 livros, de vários gêneros. Possui muitos prêmios literários. Primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa cruz. Foi distinguido com a Medalha Zumbi dos Palmares da Câmara de Vereadores de Salvador. Membro das Academias de Letras da Bahia, Ilhéus e Itabuna.

 

 

terça-feira, 20 de julho de 2021

MEMÓRIA DOS MEMBROS EFETIVOS ANTERIORES SERÃO POSTADOS NAS REDES SOCIAIS DA ACADEMIA


A Academia de Letras de Ilhéus estará lançando uma série de cards, com breves currículos, dos membros efetivos anteriores. Inicialmente foram publicados os cards com Zélia Gattai e Jorge Amado, ambos pertenceram a cadeira nº 13; e Hélio Pólvora, que ocupou a cadeira nº 8. Também foi lançado o card do escritor Adonias Filho, fundador e ex-ocupante da cadeira n° 9. 

A pesquisa ficará a cargo da confreira Maria Schaun e a edição dos cards sob a responsabilidade da presidência da ALI, o confrade Pawlo Cidade.

terça-feira, 13 de julho de 2021

ACADEMIA DE LETRAS REALIZA QUARTA EDIÇÃO DO “TERTÚLIAS ACADÊMIAS” NO PRÓXIMO SÁBADO, DIA 17

 



A cultura e a saúde determinam nossa existência? Os valores, as concepções que nós temos sobre saúde são sempre um traço cultural? Seria a cultura apenas um modo para ter prazer, para gozar, para defender o próprio interesse?

 

Saúde e Cultura são os próximos temas da quarta edição do Tertúlia Acadêmica. Sob o título de “Sem saúde não tem prosa”, os médicos Jorge Matos e Bernardo Guimarães, falam de suas carreiras como médicos e escritores, mediados pelo escritor Pawlo Cidade, e discutem questões como: A cultura e a saúde determinam nossa existência? Os valores, as concepções que nós temos sobre saúde são sempre um traço cultural? Seria a cultura apenas um modo para ter prazer, para gozar, para defender o próprio interesse?

Jorge Luiz Gonçalves Matos, membro da cadeira nº 7, médico ortopedista, nasceu em Canavieiras, BA, no dia 29 de abril de 1961, mas passou a sua infância na cidade de Camacan e mais tarde, mudou-se para Salvador, onde estudou Medicina, retornando para Ilhéus depois de formado. Diz escrever por prazer quando, em 1997, publicou seu primeiro livro “Seca, marginalidade e morte”. Possui sete livros publicados: “Trijuntos até a morte”, 2001; “Pecado sem culpa”, 2003; “Amor e obsessão em um só coração”, 2007 e “O meu lado obscuro”, 2011. Os temas estão sempre ligados ao cotidiano das relações familiares.

Bernardo Guimarães nasceu em Salvador, no dia 13 de março de 1953, mas vive em Nilo Peçanha, no Baixo Sul, onde atua como médico. Sua especialidade é saúde pública, desde 1978. Hoje trabalha com imagem. Escritor bissexto, é autor do romance “Morte Abjeta”, lançado em 2000, escrito em parceria com Judith Ribeiro. Escreve crônicas em blogs e nas redes sociais sobre o cotidiano.

 

SERVIÇO:

O quê? TERTÚLIA ACADÊMICA

Tema: SEM SAÚDE NÃO TEM PROSA

Quando? DIA 17 DE AGOSTO, SÁBADO

Horas? ÀS 18H.

Onde? PELO INSTAGRAM da ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS

segunda-feira, 12 de julho de 2021

NOTA DE PESAR DO CONFRADE MÁRIO AUGUSTO ALBIANI ALVES




A Academia de Letras de Ilhéus lamenta o passamento do confrade, pai, avô, bisavô, amigo e companheiro Mário Augusto Albiani Alves. O confrade, ocupante da cadeira nº 37, tomou posse na Academia de Letras de Ilhéus em 27 de novembro de 1991.

Que Deus possa confortar a família neste momento de dor. Só a saudade irá eternizar a sua presença.


Nossos mais sinceros sentimentos,



Cordialmente,

 

 

Pawlo Cidade

Presidente da Academia de Letras de Ilhéus



P.S. O velório será no cemitério Jardim da Saudade, hoje, 12 de julho de 2021, a partir das 11h, e a cerimônia de cremação será às 15h.

sábado, 10 de julho de 2021

ACADEMIA DE LETRAS CRIA COMISSÕES ESPECIAIS PARA PROJETOS INÉDITOS


As inscrições para o Projeto abxz - Caminho das Pedras, terão início no dia 25 de julho e a Comenda Rui Barbosa será entregue no dia 5 de novembro de 2021, em cerimônia especial.


A Academia de Letras de Ilhéus, sob orientação do presidente Pawlo Cidade, e por iniciativa espontânea de seus membros, criou a Comissão Especial de Literatura - CEL, e a Comissão Especial da Comenda Rui Barbosa. 

A CEL irá coordenar a seleção dos contos do "Projeto abxz - Caminho das Pedras", fomento à leitura e à criação literária, em parceria com a Editora Via Litterarum, direcionado a novos autores. Poderão participar escritores e escritoras residentes na bacia hidrográfica do Rio Almada, maiores de 14 anos, moradores dos Municípios de Ilhéus, Coaraci, Barro Preto, Uruçuca, Itajuípe e Almadina. A comissão será responsável por selecionar 30 contos que serão reunidos em livro e lançado pela Editora Via Litterarum no dia 7 de dezembro deste ano.

Membros da Comissão Especial de Literatura

Fazem parte da CEL, a professora, escritora e museóloga Anarleide Menezes; o professor e escritor Sebastião Maciel, que também presidirá a comissão; a escritora e professora Luh Oliveira; o poeta e advogado dr. Geraldo Lavigne e a escritora, professora e historiadora dra. Maria Luiza Heine.

Membros da Comissão da Comenda Rui Barbosa

A Comissão Especial da Comenda Rui Barbosa - CERB, honraria que será destinada a três categorias especiais que se destacarem no ano de 2021, por suas relevantes contribuições prestadas à Arte, a Cultura e a Ciência de Ilhéus, atribuídas pela Academia de Letras de Ilhéus e escolhidas pelos membros, é composta pelo escritor, especialista em gestão cultural e presidente da ALI, Pawlo Cidade, que também presidirá a comissão; o poeta, escritor e historiador, dr. André Rosa; o escritor, médico e vice-presidente da ALI, dr. Gustavo Cunha; o escritor e juiz, dr. Antônio de Souza Hygino e o ex-prefeito, também membro da ALI, dr. Jabes Ribeiro.

Rui Barbosa 

Rui Barbosa de Oliveira (1849-1923), ou simplesmente Rui Barbosa, baiano, polímata brasileiro, jurista, advogado, diplomata, escritor, filólogo, jornalista, tradutor e orador. Patrono da Academia de Letras de Ilhéus.