quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

CRÔNICA

Elza Soares morre aos 91 anos, no Rio de Janeiro

Elza, 23/6/1937 a 20/01/2022



 Elza Soares 

 

Arrebatava a plateia com seu ritmo musical diferente, que arranhava a garganta e brincava com o som. Vi de perto em minha juventude quando deu um show de espetáculo cantante ao se exibir com uma voz esplendorosa no Cine Teatro Itabuna e no Clube Social de Itabuna. Sua voz era puro jazz na garganta inflamada, no melhor proveito, improviso e efeito. Uma desordem musical causando harmonia impetuosa e prazerosa. 

Uma mulher negra, que veio da pobreza, na favela com a lata d'água na cabeça, no morro ainda adolescente subia e descia, não se cansava, noite e dia.  Em condições precárias cantava para enganar a difícil dureza da vida e foi se descobrindo com uma entonação musical que só ela tinha, cheia de malabarismos vocais. 

Voz das vozes, flor do samba que expandia alegria para quem a ouvisse, contagiando a todos com aquele timbre musical forte. E assim com seu jeito de cantar versátil ganhou o mundo, nos lugares mais distantes mostrou que o Brasil é grande quando beneficiado com criaturas como Elza e outras do mesmo naipe. 

Que mulher incrível com sua entonação musical! Eu só acreditava porque estava vendo, como era que ela fazia aquilo com a voz? Só podia ganhar o mundo, com indiscutíveis méritos e receber os beijos merecidos da glória.

         Trouxe no coração Garrincha, o gênio de pernas tortas, a alegria do povo com os seus dribles incríveis. Quando o craque já não mais valia para o futebol, como mulher corajosa deixou que se fosse no jogo adverso da vida. Amparou seu menino grande, aquecendo o corpo do campeão mundial de futebol com a febre do amor, adoçando o seu coração quando o sentia com a cor triste da manhã e a incerteza da noite.   

      Notável exemplo de vida. Acredito que tenha ido para o lado de lá, na sua viagem sem volta, cantando e sambando. Levou Elza, na sua chegada do lado de lá, meu beijo gravado no lado de cá quando eu a ouvia cantar e ficava com uma vontade assanhada para sambar. Não somente eu, mas quem gostasse de viver com o ritmo delirante do samba.  


Cyro de Mattos, membro das academia de Ilhéus, Itabuna e da Bahia

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

ESCRITORES BRASILEIROS DO SÉCULO XX

               

Cyro de Mattos

               

            Em sua contribuição enciclopédica e analítica da literatura, Nelly Novaes Coelho, intelectual rara, desincumbe-se da jornada literária com erudição, consciência crítica e uma santa paciência de pesquisadora. Ela sempre está surpreendendo. Depois de enriquecer o corpo das letras brasileiras com volumes importantes, como Literatura e LinguagemLiteratura Infantil, Dicionário Crítico de Escritoras BrasileirasDicionário Crítico de Literatura Infantil e Juvenil BrasileiraPanorama Histórico da Literatura Infantil/Juvenil, na idade em que muitos já aposentaram suas ferramentas, eis que ela pra lá dos oitenta anos comparece com ensaios fecundos para brindar seu público leitor com a obra Escritores Brasileiros do Século XX, publicado pela Editora Letra Selvagem.

           

Monumental testemunho crítico, o alentado volume é resultado de cinquenta anos de pesquisas, leituras e releituras de obras apresentadas em cursos universitários, congressos, seminários, colóquios, no Brasil, Portugal e Estados Unidos da América. São oitenta e um escritores analisados neste precioso e extenso livro. Dos mais conhecidos, como Jorge Amado, Graciliano Ramos. Guimarães Rosa, Mário de Andrade e João Ubaldo Ribeiro, passando por nomes expressivos que ficaram esquecidos pela crítica e do mercado editorial, como Cornélio Pena, Gustavo Corção, Adonias Filho e Murilo Rubião.        

         
E ainda outros que precisam de divulgação para que melhor sejam conhecidos:   Ricardo Guilherme Dicke, Mora Fuentes, Samuel Rawet e Nicodemos Sena. Todos esses autores, elencados nessa obra de natureza o  enciclopédica, dão voo à razão e à emoção quando abordam a problemática existencial do ser humano e a crise de uma sociedade exaurida de valores e sentidos. Dão imaginação e transcendência ao mundo. 
         
A ensaísta admirável revela:

        - Foi a “Sorte ou o Acaso” que puseram em meu caminho os oitenta e um escritores reunidos e analisados neste meu último livro. 

        

A generosidade, a humildade e a solidariedade são marcas da alma dessa enorme ensaísta.   Os autores no extenso volume analisados tiveram, sim, a sorte ou o acaso,  posto em seus caminhos para a leitura crítica dessa valorosa analista literária. 

        

Ela disse:

        
- Um autor para ser instituído como cânone precisa de um crítico dotado  de instrumental teórico suficiente que  chame atenção para as questões estéticas, seja capaz de revelar os elementos estruturantes que entraram  na composição da  forma e conteúdo da sua obra.
         
No meu caso,  de autor baiano insulado na cidade natal, no sul da Bahia, distante do eixo Rio e São Paulo,  que ainda hoje  funciona como tambor cultural desse país inculto e enorme, por mais que o mundo de uns tempos para cá tenha se tornado uma aldeia globalizada, nem sei como agradecer nossa inclusão  na relação desses escritores conceituados, selecionados e reunidos  no testemunho crítico da professora doutora Nelly Novaes Coelho. 
         
Vale a pena repetir o que certa vez ela disse sobre a literatura: 

- Sem leitura e escrita a vida não tem emoção. 
         
Essa Nelly Coelho Novais, que viveu para amar a literatura e que, com uma vocação valorosa, na passagem dos anos, tanto demonstrou quanto a amava.

 

 Cyro de Mattos, membro das Academias de Letras de Ilhéus, Itabuna e da Bahia.

 

           

 

 

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

PROVOCAÇÃO DE HELOÍSA PRAZERES, por Cyro de Mattos

Heloísa Prazeres é membro da Academia de Letras da Bahia/Foto Jornal Correio




Conterrânea Heloisa Prazeres, bom dia.



Atendendo seu pedido, assisti ontem à noite sua palestra em parceria com o professor Aleilton Fonseca sobre o tema agoridade, o tempo e a escrita. Bem instrutiva. Você me pede que eu diga alguma coisa sobre a atuação dos dois doutores. Só não me coloque em condição que eu não sou quando carinhosamente me chama de mestre. Mestre era Jesus, o bem-amado salvador da humanidade, que não tinha biblioteca, mas tudo sabia sobre o caminho e a verdade, permita-me. O seu chamamento de mestre não me cabe, fica por conta da generosidade.

Constato que estou como vínculo de gravidade inserido na agoridade dos tempos eletrônicos. Sincronizado ou submisso, travado pelos dias velozes no que fui como um leitor curioso e voraz de autores fantásticos. O tempo, como romanceia o genial William Faulkner, não perdoa. Há muito passei a ser sabedor que não muda, nós é que mudamos. Assim, a contragosto, por mais que eu tenha tantas explicações, do princípio ao fim nada sei de mim, nessa viagem caudalosa, pontuada de mistério. Nessa caminhada por camadas espessas de sombras, que me justapõem por caminhos que se bifurcam, tornados círculos metafísicos como rios que se repetem em busca do que não tem resposta, como nos fala Borges em suas maravilhosas ficções, aquele homem que ficou cego, mas que valia por toda uma literatura, como se refere Infante Cabrera. 

Cada vez mais estou sabendo que saímos de cena como entramos, despidos de tudo, vestidos no inexorável, nada se fazendo até agora para abrir a porteira com a clarividência e se adentrar no lado de lá. Ser ou não ser, eis a questão. Dou-me conta então que os gregos e seus deuses, a Bíblia, Shakespeare e Cervantes são quatro pilastras gigantescas de nossa evolução cultural, inauguram novos sentidos da vida. Mas quem inaugura o personagem na História é o criador do Quixote, bom não esquecer, como o antropólogo Muniz Sodré observa com conhecimento de causa. 

Depois de duas guerras mundiais, que abalaram os fundamentos do mundo, aconteceu o personagem crítico com a fixação do mal, um discurso de anti-herói em tempo de conflito mesclado com depressões e pessimismo. Com o seu dizer que põe a razão no abismo, sem escape, travado pelo cerco do absurdo indicado por Kafka. Acontece que depois da revolução industrial, este ser que tudo quer, nada lhe satisfaz, mas ainda tanto se desconhece, que se apresenta como homem ou algo que valha com o nome de homem, inventou essa nossa vida recheada de meios eletrônicos. Estou no trânsito da vida como um ser eletrônico, atônito e pasmo. Tudo é rápido, esgota num abrir e fechar de olho, aqui como acolá, expande-se e volta para a tela da agoridade.

Nessa circunstância crítica do que sou nesse momento, sincronizado com a agoridade ou vivente com a diáspora dos meios eletrônicos, nada impede que eu escreva os meus pequenos poemas, como esse a seguir chamado de Dunas: “Considero que o silêncio/reencontra-me no imenso/e me ilumina em solidão.” Preciso dizer que estou sendo influenciado por Ungaretti? São jeitos da tão discutida agoridade, um autor ser puxado pelo grande.

Com quase 83 anos, evidente que o tempo vai ficando curto. Preciso selecionar. Agrava o caso alguns abalos na saúde, o que é próprio da idade avançada. A mente continua saudável, daí continuar escrevendo e publicando, coisas de ontem e hoje como se na escrita da agoridade falassem. Você, minha conterrânea, e o professor Aleilton deram uma aula bem-sucedida sobre o tema agoridade, o tempo e a escrita. Uma exposição eficaz que fez com que eu despertasse sobre a problemática do assunto, como merece, daí agradecer aos dois doutores sobre a acuidade mental com base em instrumental teórico suficiente com que enfrentaram o desafio do assunto.

Cronos não muda, é o mesmo, mudamos nós, que nos perdemos no viver de cada instante que se vai. Com tanta velocidade, meios eletrônicos que fazem o longe ser perto, a extensão ter compreensão instantânea, tudo ficou relativo. Os seres e coisas postos no mundo para que sejam alcançados são assim detectados, às vezes com proveito, outras horas com desperdício na enxurrada visual das mensagens, mas fica evidente que, graças a Deus, ainda não conseguiram abolir o sonho. 
Como diz o enorme Fernando Pessoa, aquele que elegeu os heterônimos, substituindo o eu lírico pelas versões filosóficas do poético, “o que dói não é / o que está no coração, / mas essas coisas/ que não existirão.”

Obrigado,

Cyro de Mattos.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

NOTA DE PESAR




A Academia de Letras de Ilhéus lamenta profundamente o desaparecimento da Sra. Maria Geni Lima Pereira, mãe do poeta, professor e confrade Efson Lima. Não há palavras que possam descrever a partida daquela que é constantemente comparada com o brilho das estrelas. 

Receba, querido Efson Lima, os sentimentos dos membros desta academia.

Cordialmente,


Pawlo Cidade
Presidente da ALI






quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

"HOMEM DE BEM, EXEMPLO DE INTEGRIDADE, ALMA DE LUZ"



A ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS, sente a passagem do Dr. Rui Carlos Carvalho, "homem de bem, exemplo de integridade, alma de luz". 
Nossos sentimentos à família enlutada. 
Abaixo, texto do confrade Ramayana Vargens em sua homenagem.


Pawlo Cidade
Presidente




Rui tinha 71 anos de idade


RUY, GENTE DEMAIS 
Ramayana Vargens


Morre um homem de bem. Pessoa do bem. Desaparece um exemplo de integridade. Vai embora uma alma cheia de luz. Ruy Carvalho partiu.

Sai de cena um amigo de todos. Alguém que o povo ouvia e confiava. Presença que trazia alegria e inspirava respeito e admiração. A Bahia perde uma voz crítica e corajosa, que sabia expressar - com firmeza - nossa indignação contra os danosos oportunistas no poder. Já faz falta o cidadão que, acima de tudo, amava sua terra e sua gente. Segue em paz, querido Ruy.

Lembraremos sua gargalhada gostosa. Não esqueceremos suas lutas. Não deixaremos morrer sua esperança na reconstrução de um mundo melhor e na reinvenção de um ser humano mais justo e solidário. 

Continuaremos a ver sua energia estampada na filharada bonita - “genética poderosa” (como você dizia). Recordaremos suas aventuras cheias de paixão, que desaguaram no imenso amor feliz ao lado de Elísia. 

Não deixaremos esvair-se a grandiosidade do perdão que você dedicou àqueles que o traíram politicamente. Honraremos sua memória revivendo os casos engraçados que você sabia contar com estridente maestria.

Entre zoando no céu. Santos, anjos, orixás, entidades e muita gente boa lhe esperam para a festa no paraíso. Descanse. A tristeza fica aqui. A decepção com o país, com os rumos duvidosos de Ilhéus, permanece na caminhada terrena. É coisa para o nosso presente resolver. Desfrute a paz. Missão cumprida. Muito bem cumprida.

Obrigado pela bela história que você deixa como legado. Deus lhe abençoe. Segue na luz . Grande companheiro! Valeu!

sábado, 11 de dezembro de 2021

ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS FARÁ LANÇAMENTOS LITERÁRIOS, EXPOSIÇÃO DE LIVROS E ARTE NO FESTIVAL INTERNACIONAL DO CHOCOLATE E DO CACAU.




A Academia de Letras de Ilhéus estará com um stand no 12º Festival Internacional do Chocolate e Cacau, evento que será realizado no período de 16 a 19 de dezembro do presente ano, na cidade de Ilhéus. Na programação, a ALI promoverá três(3) lançamentos literários, bate-papo com escritores, exposições de objetos pessoais de saudosos membros da ALI, exposições de obras literárias ligadas à temática cacaueira e exposição de artes plásticas. 

Dia 17, a partir das 19 horas, acontecerá o lançamento do livro “Os Nós na construção do indivíduo”, publicado pela Editora A5, do confrade Sebastião Maciel Costa. O livro é fruto da vivência do autor com pais dos mais variados níveis sociais, intelectuais e econômicos, de onde foram extraídos vários recortes de experiências de quem reconhece que falhou em poucos momentos, mas não foi capaz de reverter a falha, transformando-a em um problema irreversível.



Sebastião Maciel Costa, Maria Luiza Heine, Pawlo Cidade e Jane Hilda Badaró


No dia 18, também às 19 horas, será a vez do lançamento do livro “Memória e História: Lições de um vírus assustador”, publicado pela Editora Via Litterarum, escrito a quatro mãos pela confreira Maria Luiza Heine e a Assistente Social Suede Mayne Pereira Araújo. A obra nos conta como o coronavírus se prospectou no Brasil e no mundo, trazendo reflexões de importantes pensadores da atualidade como Yuval Harari. É, na afirmação das autoras, “uma expressão da nossa insatisfação pessoal com a vida que estávamos vivendo, com as mudanças que brotaram a partir do aparecimento da Covid19 e com a forma como muitas pessoas do nosso país encararam o enfrentamento da pandemia”.

Já no dia 19, às 18 horas, o escritor e atual presidente da Academia de Letras de Ilhéus, Pawlo Cidade, lança “O Tesouro Perdido das Terras do Sem-fim”, 2ª. edição, revista e ampliada, da obra que remonta a narrativa do desenvolvimento da Capitania de São Jorge dos Ilhéus, a existência dos índios botocudos e os tempos áureos do cacau, a partir da descoberta de um mapa que leva a um lendário tesouro perdido há mais de cem anos. O livro foi copublicado pelas editoras A5 e Editora Via Litterarum.



Afrânio Peixoto, Jorge Amado e Sosígenes Costa

Obras literárias importantes serão expostas no stand da Academia de Letras, a exemplo da obra “Cacaulista”, de Inglês de Souza, publicado em 1876; Afrânio Peixoto, com o livro “Maria Bonita”; Sabóia Ribeiro, com o livro de contos “Rincões dos frutos de ouro”; Jorge Amado que publica em 1933, “Cacau”, “Terras do Sem-Fim”, 1942; “São Jorge dos Ilhéus”, 1944; “Gabriela Cravo e Canela”, 1958; “O Menino Grapiúna”, 1981 e “Tocaia Grande: A face obscura”, em 1984 e a obra “Sul da Bahia: Chão de Cacau, uma civilização regional”, publicado em 1978, de Adonias Filho. Diversos outros títulos de membros efetivos anteriores e membros efetivos atuais da ALI também serão expostos.

A acadêmica Jane Hilda Badaró, artista plástica e escritora, autora do livro “Imagens e Sentimentos: Poemas (des)engavetados & pinturas”, vai expor quadros com a temática das obras de Jorge Amado, sobre o cacau, e outras “grapiunidades”

O saudoso membro da ALI, Sosígenes Costa (1901-1968) será homenageado através da exposição da escrivaninha e da máquina datilográfica que usava para escrever seus belíssimos poemas. 

Nos quatro dias do Festival, membros da Academia de Letras de Ilhéus se farão presentes no stand para falar sobre as atividades desenvolvidas naquele vitalício ao longo dos seus 61 anos de existência. Visitantes serão contemplados com a Revista Estante, edição nº 1, recentemente lançada pela ALI.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

HOMENAGEM


DORIVAL DE FREITAS

Por René Albagli



Hoje, 8 de dezembro de 2021 seria o aniversário de Dorival de Freitas.

Ele, por certo, está muito feliz, afinal ele deve ter assistido a maravilhosa festa dos 30 Anous da Universidade Estadual de Santa Cruz UESC, organizada pelo atual Reitor Alessandro Fernandes.

Dorival é, entre tantos pioneiros, um dos professores que tem o seu nome gravado na História da Universidade Estadual de Santa Cruz UESC.

Foi estudante da antiga Faculdade de Direito de Ilhéus-FDI, aluno e orador da primeira turma daquela Faculdade, quando ainda tinha como endereço a Casa de Jorge Amado.

Naquele ano o homem pisava na Lua pela primeira vez e Dorival fez um discurso memorável: era o conflito entre o avanço da tecnologia e as imensas necessidades primárias da humanidade. Para ele , não era justo este antagonismo.

Depois, tornou-se Professor da Faculdade de Direito de Ilhéus, da Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna, quando migrou para o Departamento de Filosofia e Ciências Humanas, dedicando-se, mais precisamente, à Filosofia Antiga.

Na UESC teve uma passagem pela Geseor, ao lado de Moema Cartibani.

Quando fui Eleita Reitora da UESC, Ele foi o meu primeiro Chefe de Gabinete. Fui parabenizada por José Haroldo Castro Vieira pela escolha de Dorival de Freitas como meu Chefe de Gabinete. Eu respondi a José Haroldo Castro Vieira: a Universidade exige Cultura, tenho Margarida Cordeiro Fahel como Vice Reitora e Dorival de Freitas como Chefe de Gabinete.

Dorival, embora tivesse perfil para o cargo e adorava política, era avesso às exigências do protocolo. Eu sabia disso! E então, na segunda gestão ele foi para Editus e a Editus reunia tudo que ele amava: a erudição, o fazer literário e a leveza de Maria Luiza Nora de Andrade (Baisa).

Dorival se viu livre do paletó e da gravata e com todas as chaves penduradas na cintura ele deixou crescer o seu cabelo de poeta...Muitas saudades de Dorival de Freitas!

Nota do ALI: Dorival de Freitas pertenceu a Academia de Letras de Ilhéus.

domingo, 5 de dezembro de 2021

ARTIGO

As alforrias de Rita Santana

Cyro de Mattos 



A vida é falha, não basta na sucessão dos acontecimentos. É ambígua, contraditória, do nascimento ao ocaso não satisfaz. Para onde vá finita é envolvida com as marcas inexoráveis da precariedade. Irreversível no anonimato dos dias, náufraga na memória do efêmero, submete-se ao jogo de Cronos, que tudo dá e toma. Encontra para fundamentar-se no seu ser-estar a linguagem artística, que a torna essencial, inaugurando seus dizeres com novos sentidos e conceitos. 

Nessa hora de crises e questões, a poesia entra em cena com seus modos, que são versos e motivações, buscas num obstinado empenho de totalidade, visão individual com a auscultação do absoluto no particular, exposição de alforrias, que circulam em seu íntimo, tocam os acordes já uma vez entoados, recriados, como os cria também no leitor. 

Um poema lírico é eficiente quando se pensa na sensação, palavras e versos como meios surpreendentes de seus motivos anímicos crivados de falas. É belo quando a verdadeira força e valor estão no efeito de seus motivos. Quando é pobre na sua motivação, deixa de operar a presença com eficácia perante a existência. E, sensações estranhas no ritmo, versos inócuos na ideia, o que seria inspiração e transpiração perde-se no vazio, na incapacidade de transmitir algo sério, alcançar um grau eficaz na dicção particular em que se expressa. 

O estético nesse caso sem resultado positivo, graças ao efeito ineficiente do pensamento verbal, dissociado do conteúdo rico de significados, não se faz bom nem belo, eis que se apresenta destituído de um discurso crítico, pulsante de vida, prazer e dores. Destituído de densidade na palavra, frágil assim para refletir a vida, dispensa compreensão e fruição da mensagem, pois nele não se consegue perceber o relacionamento contraditório dos seres e as coisas. 

Nesses vinte e oito poemas de Alforrias (2016), de Rita Santana, a poesia em versos livres se expressa com palavras herdeiras da língua e de neologismos inventados para reforçar o sentido, que em muitos momentos é desenvolvido pelas motivações de natureza existencial agônica. 

A metáfora fecundada de alusões apropriadas insinua a possibilidade de uma compreensão lógica e sensitiva da vida, crispada na face multifacetada de dores e falhas. Parece que tudo isso trabalhado com equilíbrio, a nível de engenho e arte, ressoa em Alforrias com a consciência dos sentimentos, intuições e razões que se prestam à perspicácia da alma, à liberação de um lirismo que corresponde a certas inclemências, paixões com a solitude do vento, invasões com as tormentas e os abortos clandestinos. 

O lirismo em que se refere a poeta para transmitir cometimentos, estruturados em estados de desejo incompleto, resulta da necessidade categórica própria dessas alforrias, que querem ser percebidas num mundo-mar de vastidões e até mesmo na forja das ilhas onde cavam suas profundidades. Seu discurso contundente em que dolorosa é a mensagem não esconde a intenção do eu e tu como vínculo de gravidade. Das suas colisões constam adultério, torpezas e vilania, sempre esse estar crítico do drama, disposto a revelar-se sem concessões do verso doce, querendo ser desdobrado em poesia secreta e prosadura. 

Essas alforrias de Rita Santana, tecidas na tristeza da alma e nas acusações eróticas do amor, distribuem-se com a temática afrodescendente, da condição da mulher frente ao homem e na versão carnal que os une e desune. Percepção do que a vida oferece em situações do desamor está no poema “Mortes Cotidianas’. 


Chove na promessa remissa do feriado

E a migração não cessa.

Entristeci há dias

E o espelho, somente ele,

Revelou o embranquecer dos pelos,

O cansaço da voz,

E a desidratação da esperança.



Chove nos confins da minha alegria.

Virei moça triste sem vontade de sorrir.

Não tenho nada!

E nada resta do ser, senão, securas.

Artroses na atriz, reumatismos no feminino

E uma alergia de afetos.



Há anos não gozo, por puro desgosto!

Há anos não canto, por puro desencanto!

Há anos não vivo, só tenho banzo! 

Por pura preguiça

De subir tantas ladeiras,

E descer tanto Morro,

Morro, morro, morro, morro...



Como observa Maria de Fátima Maia Ribeiro, na orelha desse pequeno grande livro de poemas instigantes, o lirismo atual desse poeta “definitivamente descarta a necessidade de espera de tempo e serenidade, em favor do encantamento, da exacerbação e do reencontro com camadas tantas vezes adormecidas.” 

A ilheense Rita Santana é atriz, professora graduada em Letras pela Federação de Escolas de Ensino Superior de Ilhéus e Itabuna. Mulher que se inventa em versos e na prosa de ficção curta. Além de Alforrias, publicou Tramela (2004), contos, vencedor do Prêmio Brasken de Cultura e Arte, e Tratado das Veias (2006), poesia. Um talento dos melhores que aconteceu há poucos anos nas letras contemporâneas da Bahia. 



Referência 

SANTANA, Rita. Alforrias, Editus (Uesc), Ilhéus, Bahia, 2016.

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

CYRO DE MATTOS DOA MAIS DE 700 EXEMPLARES DE SUA OBRA À FUNDAÇÃO PEDRO CALMON




Autor de 80 livros, Cyro de Mattos é ficcionista, poeta, ensaísta, cronista e autor de literatura infantojuvenil. Editado em Portugal, Itália, França, Espanha, Alemanha e Estados Unidos, o escritor baiano doou 738 exemplares, de diversos gêneros da sua obra, à Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBa). Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Pen Clube do Brasil e primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz, Cyro de Mattos conversou com o #FPCEntrevista para falar sobre a importância da leitura em todo o estado.

Para ler a entrevista CLIQUE AQUI.

sábado, 20 de novembro de 2021

SOLENIDADE DE ENTREGA DA COMENDA RUI BARBOSA FOI REALIZADA EM 19 DE NOVEMBRO P.P., NA ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS





Presidente Pawlo Cidade, Magnífico Reitor Alessandro Fernandes e 
a confreira Anarleide Menezes/foto Ruy Penalva 

Aconteceu na noite do dia 19 de novembro p.p.,  a solenidade de entrega da comenda Rui Barbosa, honraria conferida pela Academia de Letras de Ilhéus a duas instituições e uma personalidade. Na categoria Personalidade das artes, da cultura ou da ciência, a contemplada foi a Secretária Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, a professora doutora Adélia Melo Pinheiro. Na categoria Instituição Social ou Cultural, a Fundação Fé e Alegria, Movimento de Educação Popular Integral e Promoção Social, representada por sua coordenadora Josefa Soares dos Santos; e na categoria Instituição Pública, a Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC,  na pessoa do Magnífico Reitor professor doutor Alessandro Fernandes. Uma noite memorável, pelas merecidas honrarias concedidas, pelos discursos dos homenageados, pela emoção espelhada nos olhares das passoas presentes.


  foto: Ruy Penalva 


A mesa alta foi composta pelo Presidente e pela Secretária Geral da Academia de Letras de Ilhéus, Pawlo Cidade e Jane Hilda Badaró, pela Secretária de Estado Adélia Pinheiro, o Magnífico Reitor da UESC  prof. Alesandro Fernandes, o representante do Exército Brasileiro Coronel Rênor, Presidente da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo, e o Secretário Municipal de Cultura Geraldo Magela, representando o Prefeito de Ilhéus, Mário Alexandre. Na oportunidade estiveram presentes os acadêmicos Ruy do Carmo Póvoas, Ramayana Vargens, Antônio Carlos Hygino, André Rosa, Antônio Ezequiel, Anarleide Menezes, Luh Oliveira, Sebastião Maciel, Gerson dos Anjos e Leônidas Azevedo. 



Confrade André Rosa entrega comenda à Professora Adélia Melo/foto Ruy Penalva 


A Secretária de Estado, Profa. Adélia, expressou a honra e o estímulo que sente em seguir jornadas de valorização e apoio a ciência, alegria e inquietude para estar sempre alerta à cultura presente, ancestral e futura, emoção e contemplação da vida através da arte. Agradeceu pela distinção e reconhecimento expresso através da Comenda recebida, e reafirmou seu engajamento , pertencimento e compromisso com Ilhéus - sua Terra- e o povo eu dela faz parte, tendo sempre como fio condutor os valores de humanidade e direitos que assegurem justiça social, qualidade de vida do coro físico e soacial, da vivência espiritual e da civilidade que inspira. 

 


Professora Josefa Soares recebeu a comenda das mãos do confrade Ramayana Vargens e do presidente da Câmara de Vereadores Jerbson Moraes/foto Ruy Penalva 


Profa Josefa, coordenadora do Fé e Alegria, falou sobre a importância do trabalho social, e conclamou a todos no sentido de que agissem em benefício das comunidades carentes, dos jovens e todos aqueles que vivem em situação de dificuldade na nossa sociedade. Dois talentosos alunos da instituição - Emilly Santos Batista e William Silva Santos - fizeram um momento de arte, uma bonita e impactante performance, cujo conteúdo abordou a questão da inclusão, ilustrou as dificuldades que os jovens encontram nos lugares mais precários e desasistidos, mas falou também da esperança. Aquele momento, por si, demonstrou, enquanto resultado de aprendizado e valorização do Ser Humano em formação, o valor do trabalho realizado´pela instituição. 


O Magníco Reitor da Universidade Estadual de Santa Cruz, Prof. Alesandro Fernandes,  ressaltou a importância daquela instituição pública na área do ensino superior - vez que ao longo dos quase 30 anos de existência vem atuando na formação de brilhantes profissionais nas mais diversas áreas. Pelo compromisso que sempre teve com o ensino, a  pesquisa e extenção, a UESC encontra-se no ranking das melhores universidades, tanto à nível nacional, quanto internacional. Ressaltou que a Comenda Rui Barbosa, ora recebida, é motivo de honra, e se deve ao empenho de todos os reitores que o antecederam, os(as) professores(as): Soanne Nazaré de Andrade, Aurélio Faria de Macedo,  Altamirando Marques, Renê Albagli Nogueira, Antônio Joaquim Bastos, Adélia Maria Carvalho de Melo Pinheiro e Evandro Sena Freire, assim como do corpo docente - que possui grandes inteligências -, e dos servidores. Ressaltou ainda a importância das Academias de Letras para disseminar cultura e arte na sociedade. 

 

 

 

texto: Jane Hilda Badaró 

Secretária Geral ALI 

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

PRÊMIO SOSÍGENES COSTA DE POESIA SERÁ LANÇADO NA EDIÇÃO ESPECIAL DA FESTA LITERÁRIA




O concurso leva o nome do poeta (centro da foto) Sosígenes Costa que viveu a maior parte da vida em Ilhéus.


A quinta edição do Prêmio Sosígenes Costa de Poesia será lançada durante a programação da Festa Literária de Ilhéus. O Concurso tem por objetivo a seleção de 01 (um) livro de poesias, escrito em língua portuguesa e inédito, que não tenha sido objeto de qualquer tipo de apresentação, veiculação ou publicação parcial ou integral (exceto publicação parcial em sites, blogs ou rede sociais) antes da inscrição no Concurso até a divulgação do resultado e entrega do prêmio ao vencedor. 

Poderão inscrever-se no V PRÊMIO SOSÍGENES COSTA DE POESIA os brasileiros maiores de 18 (dezoito) anos, desde que nascidos na Bahia e residentes no estado há no mínimo 2 (dois) anos, conforme declaração assinada pelo inscrito. Cada autor poderá concorrer com apenas uma obra, devendo inscrever-se sob pseudônimo. As inscrições são gratuitas e estarão abertas no período de 3 de janeiro a 4 de março de 2022. O arquivo, em PDF, com a obra, cópia do RG e CPF, deve ser anexado ao FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO, disponível no blog oficia da Academia de Letras de Ilhéus (https://academiadeletrasdeilheus.blogspot.com) e no site da Editus (http://www.uesc.br/editora/).

Somente serão aceitos os trabalhos enviados dentro do prazo estipulado. Não serão aceitas trocas ou alterações, inserções ou inclusões de partes da obra após a entrega da mesma, ainda que dentro do prazo de recebimento. 

O lançamento será realizado às 17h30, na Praça Pedro Mattos, em frente ao Teatro Municipal de Ilhéus.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS CONCEDE COMENDA RUI BARBOSA NO DIA 19 DE NOVEMBRO


Adélia Melo, Alessandro Fernandes e Josefa Soares serão os homenageados com a Comenda Rui Barbosa

 

A Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC, na pessoa do Reitor Alessandro Fernandes de Santana, a Secretária Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Profa. Adélia Maria Carvalho de Melo Pinheiro, e a Fundação Fé e Alegria, na pessoa de sua Coordenadora Executiva Regional, Josefa Soares dos Santos, são os contemplados para o recebimento da Comenda Rui Barbosa em 19 de novembro próximo, às 19h30, na sede da Academia de Letras de Ilhéus, na Rua Antôno Lavigne de Lemos. A escolha dos homenageados se deu através de ampla consulta aos acadêmicos, membros daquele sodalício.

 

Instituída pela Portaria nº 01, de 13 de julho de 2021, outorgada pelo presidente da Academia de Letras de Ilhéus - ALI, Pawlo Cidade, com a finalidade de premiar personalidades, órgãos e entidades públicas e privadas, municipais, estaduais e nacionais, que se distinguiram por suas relevantes contribuições prestadas à Arte, a Cultura e a Ciência de Ilhéus no ano em curso, a Comenda Rui Barbosa será entregue pelo Presidente da Casa de Abel, Pawlo Cidade. Na oportunidade, a ALI reabre a sua sede para realização dos trabalhos presenciais. 

 

Para a categoria Personalidade das artes, da cultura e da ciência foi escolhida a professora e doutora Adélia Maria Carvalho de Melo Pinheiro, atual secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia. A professora Adélia, como é gentilmente conhecida, é formada em Medicina pela Universidade Federal da Bahia, com especialização em Medicina Social, mestrado em Saúde Coletiva e doutorado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo. Foi também reitora da Universidade Estadual de Santa Cruz.

 

Na categoria Instituição Social, a coordenadora executiva regional, Josefa Soares dos Santos, receberá a comenda pela Fundação Fé e Alegria do Brasil, escritório de Ilhéus. Na Bahia, A Fundação Fé e Alegria atua há 30 anos e é sediada no município de Ilhéus. Desde então, a Fundação se compromete com a promoção social, alinhando suas ações às ações a nível Fé e Alegria nacional e internacional, ofertando, especificamente, no bairro Nossa Senhora das Vitórias Educação Formal para 480 educandos e o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) para 120 atendidos.

 

A Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC, receberá a comenda na categoria Instituição Pública, pelos excelentes serviços prestados à educação.  Situada no eixo eixo Ilhéus-Itabuna, na Região Cacaueira, a UESC está no ranking das melhores universidades brasileiras. Em 1972, resultante da iniciativa da CEPLAC, as escolas isoladas (Faculdade de Direito de Ilhéus, Faculdade de Filosofia de Itabuna, e Faculdade de Ciências Econômicas de Itabuna) congregaram-se, formando a Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna - FESPI. Em 1991, foi estadualizada. Seu atual reitor, Alessandro Fernandes, para honra da ALI, receberá a merecida homenagem.

terça-feira, 9 de novembro de 2021

FESTA LITERÁRIA DE ILHÉUS, EDIÇÃO ESPECIAL, ACONTECE DIA 19 DE NOVEMBRO



 

Depois de quase dois anos longe de atividades presenciais, Editus - Editora da UESC, Academia de Letras de Ilhéus (ALI) e Secretaria Especial de Cultura de Ilhéus planejam o retorno à praça pública. Com todos os cuidados e protocolos de segurança, será realizada a Festa Literária de Ilhéus - Edição Especial, dia 19 de novembro, das 9h às 20h, na Praça Pedro Matos (em frente ao Teatro Municipal de Ilhéus). A ação marca as comemorações dos 25 anos da Editus e a reabertura da ALI e conta com o apoio da Fundação Pedro Calmon.

A Festa Literária de Ilhéus (FLI) integra dois grandes eventos literários já consagrados na região: a Feira do Livro da UESC e o FLIOS - Festival Literário de Ilhéus. O objetivo da parceria é somar esforços para oferecer uma programação diversificada e promover uma maior participação e envolvimento da comunidade regional. A programação inclui promoção de livros, rodas de conversa e muito mais.


PROGRAMAÇÃO

Gabriela Maja, Eloah Monteiro e Mirian Oliveira são algumas das atrações da 

Edição Especial da Festa Literária de Ilhéus.


9h às 19h – Feira de livros

10h às 11h – Contação de história com Mirian Oliveira (local: Praça Pedro Mattos)

10h às 11h30 - Mesa 1: Literatura Sulbaiana: Regionalismo ou universalidade?, com Ramayana Vargens (ALI), André Rosa (UESC/ALI), Tica Simões (ALITA) e mediação de Katiana Rigaud (CLUBE DE LU) (local: Praça Pedro Mattos)

12h – Atração Musical – Gabriela Maja (local: Praça Pedro Mattos)

14h – Inauguração Sala Silva (local: Palácio Paranaguá)

15h30 às 17h – Mesa 2: Ubuntu e outros ensinamentos de África com Prof. Flávio Gonçalves (UESC), Prof.ª Cynthia Barra (UFSB) e Prof.º Maria Aparecida Lopes (UFSB), (local: Praça Pedro Mattos)

17h30 – Lançamento do edital do Prêmio Sosígenes Costa 2022, lançamento da 4ª Festa Literária de Ilhéus (FLI 2022), lançamento da nova edição do projeto Um Lugar para Ler (local: Praça Pedro Mattos)

18h30h - Atração Musical – Eloah Monteiro (local: Praça Pedro Mattos)

19h30 –Entrega da Comenda Rui Barbosa (local: Academia de Letras de Ilhéus)

domingo, 7 de novembro de 2021

HOMENAGEM

Marília Mendonça morreu aos 26 anos de idade em trágico acidente aéreo


O escritor e poeta Ruy do Carmo Póvoas, nosso confrade, fez esta bela poesia em homenagem a partida precoce da cantora e compositora Marília Mendonça. 

A Academia de Letras de Ilhéus lamenta profundamente o passamento inesperado da artista e se solidariza com parentes, amigos e fãs da cantora.

A CARREIRA


Marília Dias Mendonça (Cristianópolis22 de julho de 1995 — Piedade de Caratinga5 de novembro de 2021) foi uma cantoracompositora e instrumentista brasileira, um dos nomes de maior repercussão e influência na música nacional nas décadas de 2010 e 2020.

 

Em 2015 lançou seu EP de estreia homônimo, porém Mendonça só ganhou destaque após lançar seu primeiro DVD homônimo em 2016, que lhe concedeu certificado de tripla platina pelas 240 mil cópias vendidas. A canção "Infiel", incluída no álbum, tornou-se uma das músicas mais tocadas no Brasil e recebeu certificado de disco de diamante triplo, fazendo Marília ganhar visibilidade nacional. Seu segundo álbum Realidade foi lançado em 2017 e recebeu uma indicação ao Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Música Sertaneja. Em 2019, lançou Todos os Cantos, um projeto roterizado com shows gravados pela cantora em todas as capitais do país. O álbum recebeu uma certificação de tripla platina pelas 240 mil cópias vendidas e rendeu à intérprete seu primeiro prêmio Grammy Latino, vencido na categoria Melhor Álbum de Música Sertaneja. (Fonte: Wikipédia). 

 



ADEUS A MARÍLIA


Vai, Marília.

Vai na paz de Deus.

Tu sai da vida

coberta de glória.

E os que te pranteiam

teremos que aprender

a seguir vivendo,

tentando costurar

mais este rombo

na mambembe teia

da vacilante nossa história.

O tempo e o vento,

junto ao povo que foi teu,

por muito tempo ainda,

cantarão teus cantos,

lamentos e sofrências

de quem ao amor se deu.




Ruy Póvoas, 6/11/21