terça-feira, 13 de agosto de 2024

ARTIGO


Cyro de Mattos, cadeira nº 16, fala sobre nosso confrade Carlos Roberto Santos Araújo, membro da cadeira nº 26 neste belo artigo sobre sua poesia





Poeta no Rio das Solidões

Cyro de Mattos 


Nascido em Ibirapitanga, município da região cacaueira baiana, em 1952, Carlos Roberto Santos Araújo muda-se para São Paulo com a família aos treze anos de idade. Ainda jovem conquista o Prêmio de Poesia Estímulo-1970, promovido pelo Governo do Estado de São Paulo, com o livro Lira dos dezoito anos. Diploma-se em Direito pela tradicional Faculdade de Direito da Universidade Federal de São Paulo. Exerce a advocacia durante cinco anos em São Paulo e na Bahia. Torna-se Juiz de Direito e atualmente é desembargador do Tribunal de Justiça da Bahia. É também membro da Academia de Letras de Ilhéus. 

Publicou: A nave submersa (1986), Lira destemperada (2004), Sonetos da luz matinal (2008) e Viola ferida (2010), livros integrantes do volume Poemas reunidos (2012). O ofício de ser poeta atrai Carlos Roberto Santos de Araújo na   adolescência. Na sua estreia com A nave submersa, abraçado às vagas do sonho, através do sentimento apurado e pensamento arguto, aceita o desafio de propor um discurso de encantação e revelação no tempo fugaz de instantes feitos de chuvas, ausências que consomem os dias sem trégua. Versos vibrantes ousam decifrar o sentido íntimo das águas. Submerso na nave do sonho, segue na travessia incomum, na qual existem precipícios, demônios que apunhalam solidões com o beijo da morte. Não recua na vontade de querer decifrar o código do viver, descobrir o que se oculta por entre seres e coisas, nos recônditos dos dias, de provar o tom elegíaco aceso na saudade. No jogo dos valores universais.  

Poeta do mergulho na realidade difícil do existir, perturba a verdade de seu canto, vazado na paisagem que convive com a solidão, saudade, lágrima, morte. O vazio em que está perdido é vida para esse poeta, reflete-se no entendimento de uma vocação legítima. E, no compromisso de que precisa ser asa plena para atravessar abismos, assume a carga do relacionamento feito à margem da vida, doce fruta, plataforma lançada sobre o tempo, com a sua face complexa, severa e absurda.  Nessa nave interior é que se submete às realidades imaginadas que nos surpreendem, de construções pródigas do eu que se aprofunda diante dos contrários. Constata no ato difícil de ser essas águas dissipadas nas ressonâncias agudas.  Depara-se nas paredes do ser em clima de vertigem, de perguntas sem resposta, de sensações insólitas onde o sol levanta-se para ser tragado pela noite. Se precária a vida, comporta o mundo incrementado de silêncios, do amor gravado na verdade pura de uma pedra, logrando extrair a sua imagem neutra, fixada no rio que é sua imagem.  

Nos poemas em torno da morte do pai, na série de belos sonetos decorrentes de um espiritual humanismo integral, nos versos do poema longo ou curto, que incide nas reflexões sobre a existência, o poeta canta em si os dizeres cúmplices da vida e súplices da morte. Percute perplexidades e insônias. Submerso em sua nave do sonho, embora nela interfiram vestígios simbolistas, confirma segurança no artesanato, que o conduz com brilho no manejo de uma rota sem equívocos. Um ritmo semântico de que é possuidor    é o seu movimento quando conduz “um pouco de sangue nas palavras.” Em constante canção ferida de notas tristes ocupa-se o seu enunciado, faz-se pungente nos pulsos do poeta lúcido, do combatente da noite, sem hesitações quando a enfrenta vestido dos fios sem fim da aurora.  

Poeta com sede de mel que escorre da existência, resgata a memória no verso vazado de ardor no sentimento, do sonho a imagem feita de cega lágrima da luz, da vida ida, mas vivida com as palavras emprestadas à fantasia.  Nela se torna um mergulhador de águas revoltas e esquecidas. No discurso consistente, seus fachos de luz acendem o sangue lírico da existência capaz de revelar a dialética do eu pulsando os impasses no outro, na alma inquieta em seus momentos de transe, mas que não se agarra ao desespero dos dias. No verso ferido com as perdas que rolam nos precipícios mostra que se não fosse o sonho não teria como tirá-las do tempo fugaz enquanto dura a eternidade. Sonho e memória pelos campos de silêncio, sentimento e pensamento formando uma unidade harmoniosa, que se expressa como notas feridas do amor para dizer de descobertas nos momentos tormentosos propostos em segredo pela vida.  

E porque sabe o peso das palavras, o milagre que opera o poema quando ilumina o ser, já se faz presente no que foi como homem do campo, renascendo da memória lírica entranhada no peito, que se derrama no encontro de abril das mais belas avencas.  Homenageia no enunciado do sol oculto o cavalo sem o orgulho da paisagem, sem a companhia da chuva e do vento,  sem tremores e relinchos, solitário, tornado comida de rapinas,  não mais flor quadrúpede por entre relâmpagos e penhascos. Captura a mentira que se enreda nas feridas que possuem os dias, nos caminhos mortos pelo tempo, provados nas notas ardentes de seus ruídos, para que a vida não seja em vão, embora passe para sempre, mas esteja cheia de sonhos.  

Esse canto genuíno, sem maquiagem da poesia alheia, nasce das veias excitadas de ardor no tempo fugitivo, em conexão com a memória e o sonho, nutrido de emoções e impulsos que resgatam delitos, expressos na passagem da vida com a lucidez do que se perde. E, principalmente, do que como ternura e tristeza fazem parte de uma cena que não volta através da vivência do poeta. De lastros clássicos, formas antigas, mostra uma predileção pela métrica e a rima. Sentimento e pensamento unem-se como unidade plasmada na imagem possuída de realidade e dinamismo inventivo. Símbolos e metáforas alcançam com equilíbrio criaturas e coisas, figuras que se acendem na memória através de lembranças, retiradas de paisagem passada para que sejam vistas no presente   em que pulsam a lucidez e a embriaguez que o imaginário propicia como exercício fecundo da vida recriada. O que a vida esconde com suas vozes mudas, o poeta com habilidade e talento desnuda, sabe da verdade como parte da vertigem do próprio vazio. Isso como iluminação do ser no universo cercado do mistério, do que se oculta perante a existência, feita de contingência e finitude. É o que se vê com sobras nas canções, sonetos, sextinas e até nos poemas modernos de verso livre. 

Amante da nudez e transparência, para Carlos Roberto Santos Araújo a poesia armada de signos funciona como captura de nuvens e ausências. Veste-se de pássaro   para tocar com seus voos de luz uma verdade maior:  a vida como fundamento, poetizada como objeto recriado e acrescido de novos sentidos. É disso que resulta um cântico elucidativo do mistério da vida e da morte sob muitos matizes. Na entonação do discurso, que se aperfeiçoa na maturidade com a face achada da infância, ressoa uma música acumulada de adolescência na leitura do amor.

Em “O enterro da borboleta”, revela-se um prodígio de sutilezas líricas, de toque delicado, que sugere a foto da beleza sublimada com a fineza da palavra sensível, que ilude e cativa.  No entanto é no soneto que se reinventa prodigioso nas artes singulares de seu estro. A feitura amadurecida do poema reveste-se de fulgores e sonhos, sereias que atraem nas águas da ilusão, para que momentos banhados de ternura sejam absorvidos no sentimento do ser-estar, devagar. Nessa condição, o verso seja capaz de transmitir o bem  em tudo que se dobra com o vazio.  Como ele alude no soneto antológico “No campo de sonhar”.  


No campo de sonhar onde me atrito

Com as arestas inúteis do precário,

De súbito apodrece o lado estrito

Do mundo traiçoeiro, necessário


E propício como flor, e assim me agito

À procura de alçar meu canto vário,

Feito mais de silêncio que de grito,

Que o silêncio é a voz do solitário


Poeta, em tempo de mudez, maldito,

Vivendo a vida pelo seu contrário,

Entre rito e gemido involuntário,


Quando a sílaba translúcida, irrestrito

Cântico de amor, cintila no estuário

Do rio de solidões, que necessito.


São poucos os poetas que ousam compor uma coroa de sonetos no intuito de encher de sonhos o mundo.  Trata-se de uma composição em verso formada por um conjunto de quinze interligados pelo tema, que, por sua vez, reparte-se em subtemas de idêntico teor.  Repete-se o último verso no primeiro do soneto seguinte. O primeiro verso do décimo quinto se faz o mesmo que foi usado no último do primeiro soneto. O último verso do décimo quarto é repetido no último do décimo quinto soneto. 

Carlos Roberto Santos Araújo motivou-se a compor sua coroa de sonetos, que fecha o volume Poemas reunidos, com o verso “À casa de meu pai retorno em sonho”, de Hélio Pólvora, contista consagrado, nascido em Itabuna, e poeta bissexto.  

É preciso ler devagar para apreciar com serenidade a beleza que se espraia nesta coroa de sonetos. Sorver o mundo que o poeta foi desentranhar na infância, nas figuras do pai e da mãe, enfim, na casa erguida pela vida, perdida, cantada com amor pela voz do cantor vigoroso, amadurecido mergulhador no rio de solidões.    


Leitura Sugerida 

ARAÚJO, Carlos Roberto Santos.  Poemas reunidos, Scortecci Editora, São Paulo, 2012.

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

ELEITO O MAIS NOVO MEMBRO DA ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS: JOSÉ NAZAL



Foi eleito na tarde de hoje, 09 de agosto de 2024, para a cadeira de nº 38, cujo efetivo anterior foi o professor e advogado Carlos Eduardo Lima Passos da Silva, o memorialista e fotógrafo José Nazal Pacheco Soub. José Nazal nasceu em uma família cujo pai, Lucio Soub, veio para a região do cacau numa leva de imigrantes do Oriente Médio e por parte do avô materno, dr. Raimundo Pacheco, juntamente com a avó Ester, que muito contribuíram para nossa cidade com serviços médicos e sociais. Sua mãe, conhecida como Amelinha e suas tias foram professoras fundadoras de colégios sendo fundamentais para a educação de algumas gerações da população ilheense.

José Nazal aprendeu a amar Ilhéus vendo seus familiares trabalhando por seus destinos. Ingressou no curso de Economia da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC, em 1975, mas não concluiu. Entretanto, sua paixão pela fotografia amadora teve início ainda quando cursava o científico no Instituto Nossa Senhora da Piedade, mas se tornou sua profissão vinte anos depois quando passou a colecionar e publicar fotos de sua coleção, publicando seu primeiro trabalho em julho de 1977, onde comparava fotos de períodos anteriores com as daquele momento.

 

Em 2005 lançou a primeira edição do livro Minha Ilhéus, onde apresenta fotos e textos históricos de diversos autores, esse livro teve edições posteriores com ampliações e atualizações. É membro do Instituto Geográfico e Histórico de Ilhéus.


Em abril de 2024, nosso futuro confrade, recebeu o título honorífico de Doutor Honoris Causa, pela Universidade Estadual de Santa Cruz.


José Nazal terá como patrono da cadeira que irá ocupar, a de nº 38, Virgílio de Lemos, e como fundador Nestor Passos. O novo membro da ALI obteve 65% dos votos válidos. A sessão de apuração dos votos foi presidida pela confreira Maria Schaun e pelo Secretário Geral Josevandro Nascimento.



quarta-feira, 7 de agosto de 2024

DISCURSO DE HOMENAGEM AO DR. SOANE NAZARÉ DE ANDRADE, PELO CONFRADE JOSEVANDRO NASCIMENTO

Noite da saudade em homenagem a Dr. Soane Nazaré de Andrade, em 05/08/2024, na Academia de Letras de Ilhéus.

*Josevandro Raymundo Ferreira Nascimento




Meus senhores, minhas senhoras:

 

Descrever a trajetória de Soane Nazaré de Andrade, o melhor presente que a cidade irmã de Uruçuca nos ofereceu, em 5 de agosto de 1930, filho de Adjovânio Andrade e Selika Nazaré de Andrade, é falar de EDUCAÇÃO. 

É falar do menino da Escola Afonso de Carvalho, do Instituto Municipal de Educação (IME), do adolescente do Colégio Estadual da Bahia, do Bacharel em Direito pela Universidade Federal da Bahia, nos idos de 1953. 


Casado com a profa. Heloisa Cavalcanti Nazaré de Andrade, companheira com quem viveu em harmoniosa união, gerando quatro filhos: Ana Virginia Cavalcanti de Andrade, Luis Frederico Cavalcanti de Andrade, Soane Nazaré de Andrade Júnior e Maria Valéria Cavalcanti de Andrade.

Além do convívio fraterno, Soane Nazaré era um sonhador, capaz de forjar realidades muito concretas, como a Universidade Estadual de Santa Cruz -UESC.

Dono de uma inteligência brilhante, era predestinado a realizações, porque idealista. Mas o seu sonho foi sempre a Universidade Estadual de Santa Cruz -UESC.


Para homenagear o Acadêmico Soane Nazaré de Andrade, considerando a extensão e riqueza da sua vida e de sua obra, elegemos comentar duas de suas publicações, que nos levará a conhecer o seu pensamento.

O livro "Três Mestres" reúne por iniciativa da Reitora da UESC, Professora Renée Albagli Nogueira, homenagens de Soane Nazaré de Andrade às suas Professoras Alina Berbert de Carvalho e Dolores Vieira, e ao antigo companheiro Professor Amilton Ignácio de Castro, que com ele fundou a Faculdade de Direito de Ilhéus e depois a própria Universidade Estadual de Santa Cruz -UESC.


A homenagem à Professora Alina Berbert de Carvalho foi em discurso proferido em sessão solene da Câmara Municipal de Ilhéus, realizada no dia 8 de Março, no ano de um mil novecentos e noventa e um, sob a presidência do vereador Dr Amilton Andrade.

Por seis décadas a Escola Afonso de Carvalho lançou muitas sementes e colheu muitos frutos.


Aluno interno, Soane era considerado filho de Dona Alina.

Dizia Dona Alina que “a Cartilha e as noções elementares recebidas na infância na Escola Afonso de Carvalho talvez tenham sido a prodigiosa semente que fez brotar a ideia da Universidade Estadual de Santa Cruz”, que sem a tenacidade, e o querer forte de Dr. Soane, teríamos sido privados desta realidade que honra a nossa região, a Bahia e o Brasil.

Dona Alina compreendeu que o aluno Soane Nazaré de Andrade, ao deixar a Escola Afonso de Carvalho, para ingressar no Ginásio Municipal de Ilhéus e seguir estudando, primeiro no Colégio da Bahia e, finalmente, na Faculdade de Direito, em Salvador, haveria de levar, aonde quer que fosse, o estandarte da escola amada.



Ela reunia o que de melhor possuía a cidade em competência, disciplina, postura ética, compreensão dos deveres da cidadania. Por isso, ao lado da técnica do ensino praticava-se a educação e se produzia cultura, dizia Soane Nazaré de Andrade, e prossegue:

“Quem dava o exemplo era ela, a professora, a diretora, a segunda mãe. Exemplos de estudo disciplinado, de respeito às normas de convivência social, da prática do bem, de solidariedade humana. Mais do que ler e contar, a Escola Afonso de Carvalho ensinava a viver e a conviver.”

Ainda falava Soane: 

“Lembro-me quando naufragou o Itacaré, tinha eu nove anos, aluno interno da Escola, então funcionando defronte da Barra, onde hoje está situado o Ilhéus Praia Hotel. Da varanda via-se com nitidez o pequeno navio emborcado, e ouviam-se os gritos de dor dos que buscavam sobreviver. Dona Alina transformou o colégio em centro de orações pelos mortos. E se apresentou voluntária para todas as ações de ajuda e amparo aos náufragos sobreviventes.

[...]

Se era medonha a tragédia do mar, maior era a lição de que, ou vivemos para servir ou não servimos para viver. Ela transmitia consciência a Instituição que criara e dirigia com o ímpeto da juventude e da energia modeladora do seu caráter.”


O Professor Soane Nazaré de Andrade era um cavalheiro a antiga: educado, elegante na expressão e nas atitudes, moderado e bom interlocutor. 

Em novembro de 1987, Soane Nazaré de Andrade fez um pronunciamento no auditório do Instituto Nossa Senhora da Piedade, na comemoração do Jubileu de Ouro de Magistério da Professora Maria Dolores Vieira Passos. 

Na Escola Afonso de Carvalho, Soane Nazaré de Andrade teve como sua primeira Professora, Maria Dolores Vieira Passos, no ano de 1938.

Dizia Soane: a professorinha estava construindo futuros. E porque era competente, as suas aulas não foram levadas pelo vento vadio que dispersa as folhas fugidias dos calendários. As suas aulas, as suas lições - creio poder dizer, o seu sangue- tudo quanto é a vida de Dolores renasce nos êxitos de tantos alunos, antigos e novos, nós todos que estamos, orgulhosamente, na apoteose do seu Jubileu de Ouro.


Há um provérbio japonês que ensina "Melhor é caminhar com esperança, do que chegar ao fim do caminho". A sabedoria de Dolores nos ensina, que é proibido chegar. Haveremos de continuar, como da lição de sua vida, a abrir e palmilhar caminhos. É proibido chegar, porque toda a beleza da vida está nos passos da caminhada.

Em maio de 1991, em sessão solene da Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC, Soane Nazaré de Andrade prestou uma homenagem a Amilton Ignácio de Castro, quando no seu pronunciamento disse: não há nada mais agradável, para mim, do que render homenagem aos que lançaram comigo os alicerces desta Universidade. E não só pelo prazer de ser pessoalmente justo. É, mais ainda, pela alegria de verificar quanto a sociedade, devidamente educada, pode aprimorar o seu senso de justiça, porque é próprio dos povos cultos o respeito e o carinho para com aqueles que contribuem para o seu engrandecimento e a sua felicidade.


A mim foi reservada a histórica oportunidade de chamar Amilton Ignácio de Castro ao reduzido número de fundadores desta por todos os títulos, gloriosa Universidade Estadual de Santa Cruz.

Foi no mais adequado cenário que conheci Amilton Ignácio de Castro. Subia os degraus da ampla escadaria do Palácio Paranaguá. Em sentido contrário, vinha descendo Amilton. Não tinha Soane mais que vinte e nove anos. Amilton Ignácio de Castro já tinha passado dos cinquentas. Contava, pois, com mais de meio século vivido com inteligência e abnegação, por isso pleno de cultura e sabedoria. Desejávamos ambos aqueles encontros. Amilton, recém chegado de Salvador, porque renunciara a cargo do Governo de Juraci Magalhães, para vir fundar a Faculdade de Direito de Ilhéus. E eu, porque informado de seus dotes de talento e de cultura, de honradez e de espírito público, virtudes essenciais ao perfil do Professor que eu buscava.


Completa Soane porque para mim o Ensino Superior tem para com a Nação um compromisso ético, além do educar, profissionalizar...

A outra publicação do acadêmico Soane Nazaré de Andrade foi em 1984, " A Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC em Porto Seguro - Um compromisso com a História".  

O principal marco da historia do ensino superior na região, se inicia com a criação da Faculdade de Direito de Ilhéus nos anos 60.

Para tal empreendimento ele contou com Amilton Ignácio de Castro, seu Vice-Diretor, amigo inseparável, que lhe dava apoio e inspirava confiança. Contou, também, com o apoio político do então Prefeito de Ilhéus, Henrique Weill Cardoso, com o apoio de seu grande amigo e colega da Faculdade, José Cândido de Carvalho Filho, então Deputado Estadual, que viera a integrar o grupo dos primeiros professores da Faculdade de Direito de Ilhéus. 

José Cândido de Carvalho Filho era contemporâneo de Soane Nazaré de Andrade, em uma época em que a amizade era coisa séria, Ele, José Cândido de Carvalho Filho ,subiu  ao palanque,  quando Soane Nazaré de Andrade se candidatou a Prefeito de Ilhéus, apoiado pelo então Prefeito Jabes Ribeiro.


Foi uma plêiade de professores competentes e idealistas, que Soane Nazaré de Andrade foi capaz de reunir para fundar a Faculdade de Direito de Ilhéus: Altamirando de Cerqueira Marques - depois Reitor Pró-tempore da UESC -, Manoel Targino de Araújo, Francolino Gonçalves de Queiroz Neto, Jorge Fialho Costa, Alberto Galvão, entre outros, todos eles inesquecíveis mestres.

A Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna-FESPI, alicerce da UESC, foi instituída em 22 de abril de 1974, no Campus Soane Nazaré de Andrade, por iniciativa dos servidores, que enviaram o documento ao Conselho da Fundação Santa Cruz / FUSC. 50 anos nos distanciam deste momento histórico.

A FESPI era mantida por uma Fundação de Direito Privado, a FUSC, com o grande alicerce da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira - CEPLAC, tendo como Secretário Geral, José Haroldo de Castro Vieira, que tinha profunda confiança na liderança, seriedade e competência de Soane Nazaré de Andrades


Foi José Haroldo Castro Vieira, que tinha grande vontade para implantar o ensino superior na região cacaueira, quem convidou Soane Nazaré de Andrade para reunir as três unidades de Ilhéus e Itabuna, criando a Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna - FESPI.

E os recursos financeiros indispensáveis não faltaram, sendo convidado o Prof. Erito Francisco Machado recebeu a incumbência de gerir a Fundação Santa Cruz - FUSC, mantenedora da FESPI.



E Soane Nazaré de Andrade liderou os pioneiros da Educação Superior, e em um escritório da CEPLAC, a Comissão se reunia semanalmente. Por dever de justiça a Comissão era constituída pelos seguintes professores: Erito Francisco Machado, Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas; Manoel Simeão da Silva, Diretor da Faculdade de Filosofia e Letras de Itabuna; Amilton Ignácio de Castro, Diretor da Faculdade de Direito de Ilhéus; Professoras Helena dos Anjos Souza, Valdelice Soares Pinheiro, Rosalina Molfi de Lima da Faculdade de Filosofia e Letras; e Flávio José Simões Costa, um batalhador da Educação Superior na Região.

Predestinado a realizações, porque idealista, ele continuou a sonhar com dias mais fecundos para a região cacaueira, que o viu nascer. Depois da FESPI, por iniciativa do Prefeito Jabes Ribeiro, foi convidado a ser Secretário de Governo do Município de Ilhéus e, nessa condição, lançou a ideia da Universidade Livre do Mar e da Mata, que atualmente encontra-se em péssimo estado de conservação, dada a ausência de manutenção pela gestão municipal.


Hélio Pólvora, companheiro de Soane Nazaré de Andrade, na época da Prefeitura de Ilhéus dizia: Soane é um eterno estudante, porque sempre a se aprimorar, transmite a serena certeza do homem realizado: o que sente e sabe que não esteve e nem estará só.

Em 27.07.2023, a Universidade Estadual de Santa Cruz chorou a sua partida e lembrou com extremo sentimento de gratidão, a longeva e grandiosa existência do Prof. Soane, hoje reverenciado aqui na casa de ABEL, num preito de justiça e saudade.

Para concluir escolhemos o Poema de Valdelice Soares Pinheiro, escrito em 31.07.1985, dedicado a Soane Nazaré de Andrade, na oportunidade em que concluída mais uma etapa de construção da Universidade.


"Cada espaço deste chão,

 cada folha, casa flor, cada árvore,

cada ave que pousa ou passa por aqui,

como que dizendo,

na expressão do voo,

o sonho livre da asa;

cada pedra,

cada grão de cimento,

cada prédio,

cada sala,cada voz nessas salas,

como que dizendo,

na extensão do tempo,

o sonho de sempre 

que o tempo não leva;

cada coisa ,enfim,

e cada destino 

e cada passo,

e cada gesto

guardam a presença 

do seu sonho confirmado 

na expansão infinita da semente 

para a verdade do fruto 

que já se colhe aqui."

 

Viva Dr. Soane !

 

 

* Membro da cadeira nº 14.

 

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS REALIZA SESSÃO EM HOMENAGEM À SOANE NAZARÉ DE ANDRADE





A Academia de Letras de Ilhéus (ALI) realiza, no dia 5 de agosto, segunda-feira, às 18h30min, a Sessão da Saudade em homenagem ao acadêmico Soane Nazaré de Andrade, um dos fundadores da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), falecido em 27 de julho de 2023. A solenidade, aberta à comunidade, será realizada na sede da entidade, situada à Rua Antônio Lavigne de Lemos, 39, no centro histórico.

Sob a presidência do acadêmico Pawlo Cidade, a saudação ao homenageado será feita pelo confrade Josevandro Nascimento, que abordará a vida e a obra de Soane Nazaré, ressaltando os três livros escritos por ele. Nascido em 5 de agosto de 1933, em Uruçuca, à época chamado Água Preta e pertencente ao município de Ilhéus, Soane é filho de Adjovânio Andrade e Selika Nazaré Andrade, tendo como irmãos, Deir, Gilta, Denílson, Vera, Suzana e Antônio.

Os pais mudaram para cidade de Ilhéus quando ele tinha seis anos de idade. Estudou na Escola Afonso de Carvalho e no Instituto Municipal de Ensino Eusínio Lavigne - IME. Em Salvador, no Colégio da Bahia e na Faculdade de Direito da Bahia, onde se formou, em 1953. Casado com Heloisa Cavalcante Andrade, tiveram quatro filhos: Ana Virgínia, Luís Frederico, Soane Jr. e Maria Valéria.

Soane Nazaré foi professor no IME, diretor da Penitenciária do Estado da Bahia; fundador, diretor e professor (Direito Constitucional e Direito Político) da Faculdade de Direito de Ilhéus (FDI); Chefe de gabinete do Ministro das Comunicações, Carlos Simas, de 1968 a 1969; delegado do Brasil na Conferência das Comunicações, em Genebra, Suíça, em 1969.

Fundador da antiga FESPI (Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna), onde foi o seu primeiro reitor e professor de Direito Constitucional, que originou a Uesc. O campus da atual Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), que completou 50 anos, tem o seu nome. Soane também foi idealizador da Universidade Livre do Mar e da Mata (Maramata), criada em Ilhéus para difundir ideias de preservação ambiental. Tornou-se membro da Academia de Letras de Ilhéus a 25 de junho de 1981, ocupando a cadeira 32, que tem como Patrono Pethion Villar e fundador, Flávio de Paula.

terça-feira, 9 de julho de 2024

ARTIGO




Murilo Rubião na esquina da Augusto de Lima com Espírito Santo: escritor referência do realismo fantástico também morou no Centro da capital
(foto: Humberto B. Nicoline/Acervo Escritores Mineiros UFMG)


O Absurdo em Kafka e Murilo Rubião 
Cyro de Mattos* 



Há uma identificação de padrões na criação do absurdo com suas relações associadas à existência humana entre o mineiro Murilo Rubião e Kafka, o grande escritor judeu, criador do realismo fantástico. Daí o escritor mineiro ser chamado de nosso Kafka brasileiro. Essa semelhança de atitudes na construção do absurdo e suas implicações com a realidade existencial da humanidade não permite que se afirme ter sido o mineiro Murilo Rubião influenciado pelo escritor judeu. O fato é que cada um tem sua experiência própria como ficcionista, sua marca, suas antevisões ambíguas, imaginário onírico fora do real como ele é. 

Kafka veio primeiro, tem um legado portentoso em termos de criação literária, enquanto Murilo Rubião viveu outra experiência aqui no Brasil, possivelmente sem conhecer a obra kafkiana. Sua produção literária está resumida a pouco mais de trinta contos. São escritores visionários, mas o escritor judeu aderiu ao vasto, enquanto o escritor mineiro ao ínfimo, com pouco mais de trinta histórias sobre gentes estranhas e coisas espantosas que acontecem na terra, como refere a epígrafe do Os Dragões e Outros Contos (1965), retirada de Jeremias, versículo 30. 

Kafka nasceu em 3 de julho de 1883 em Praga, e, em 1909, publicou no periódico literário Hyperion Conversação com o Orante e Conversação com o Ébrio, dois diálogos que integram a Descrição de Uma Luta. Em Praga, no diário Bohemia, publicou Os Aeroplanos de Brescia. No período compreendido entre 1909 e 1924, sua obra constituída de contos e romances passa a ser publicada em periódicos e revistas, trazendo na sua bagagem um cenário constituído sem lógica formal, do qual com uma estrutura visual ilógica a literatura convencional do Ocidente não estava acostumada. O espaço preponderante da história vai ser ocupado agora por situações e cenas formadas pela dimensão vertical, na qual o personagem convencional deixa de existir, não terá a liberdade nos movimentos, irá se mostrar como um autômato, um ser inferior prisioneiro dentro de um sistema mecanizado. 

Torna-se importante lembrar que a obra de Kafka será publicada em livros depois de sua morte, graças ao amigo Max Brod, que guardou seus escritos, prestando com a sua atitude acertada uma contribuição valorosa para o conhecimento de um dos gênios da literatura mundial, surgindo como um fenômeno para romper com a estrutura linear do drama, até então em voga no Ocidente. 

As Obras Completas de Kafka só virão aparecer na América Latina em 1959, em Buenos Aires, pelas Edições Emecê, reunindo em dois volumes os romances América, O Castelo e O Processo, além dos contos, relatos e outros escritos. Enquanto isso, O Ex-Mágico, o primeiro livro de contos de Murilo Rubião, foi publicado em 1947, pela Editora Universal, Rio. 

O fenômeno enfocado com verticalismo no centro da história, em que Murilo Rubião aborda as relações do absurdo na existência humana, assemelha-se na perspectiva com a natureza de certos relatos do mundo imaginado por Kafka nas zonas do ilógico. Fica evidente que seus efeitos imediatos em ambos os escritores consistem na suposição de que forças invisíveis manipulam a condição humana. No universo ficcional elaborado pelos dois narradores não existe a trama que resulta da história com episódios lineares e extraordinários. A fragmentação da narrativa para que o absurdo aconteça sem uma sequência lógica joga com panoramas humanos estranhos e estes sobrepõem na estrutura de suas construções o tempo/espaço como funções básicas, incorporando flashes back,monólogos interiores, visões concatenadas em que impera o ilógico e o imprevisível. Do ponto de vista da lógica comum, o assunto desenvolvido torna–se cada vez mais absurdo e inexplicável. No genial Kafka e no talento admirável de Murilo Rubião, não são usados os elementos tradicionais para a composição estética da vida no plano do absurdo. Não são adotados recursos da estrutura presa à forma de narrar realista. É alegórica na compreensão dissimulada das fraquezas humanas. 

Em “Os Dragões”, conto, Murilo Rubião narra como a aparição desses animais de aparência meiga causa confusão entre os moradores, que não sabiam como educá-los por desconhecimento de seus costumes. O vigário achando que fossem demônios determina que sejam recolhidos a uma casa velha, previamente exorcismada. A balburdia continuava, e o vigário sugeriu que eles fossem batizados. Acharam que por serem dragões não precisavam de nomes nem de batismo. Foram morrendo por doenças desconhecidas. Dois que restaram fugiam do casarão durante a noite e iam beber no botequim onde se embriagavam. Quando lhes foi negado a bebida, recorreram ao roubo. Eram presos e soltos com a intervenção de um de seus simpatizantes, que teve a incumbência de reeducá-los. Odorico, o mais velho dos dragões, alvoraçava-se quando estava na presença de um rabo de saia. Houve uma mulher que se apaixonou por ele e abandonou o marido. Até que um dia Raquel foi encontrada chorando junto do corpo do companheiro, morto por um tiro de caçador de má pontaria. O carinho que o homem simpatizante e sua mulher tinham por Odorico transferiu-se para João, o outro dragão. Certa noite, a mulher flagrou João vomitando fogo. Havia com isso atingido a maioridade. Era agora a atração entre as gentes da cidade. Quando um dia apareceu o circo de cavalinhos, feras amestradas e malabaristas, foi anunciado em um dos números a grande atração com o homem que engolia fogo. Os espectadores interromperam aos gritos, “Temos coisa melhor! Temos coisa melhor!” E João realizou a sua antiga proeza de vomitar fogo. Recebeu propostas para integrar o circo, mas recusou. Pretendia se eleger prefeito, o que não ocorreu. Apaixonou-se por uma das trapezistas e lá se foi com o circo. Depois disso muitos dragões passaram pela cidade. Os moradores insistiam para que permanecessem entre eles, mas suas súplicas não eram atendidas, buscavam outros lugares. 

“Teleco, O Coelhinho”, um dos contos famosos de Murilo Rubião, começa com o moço que está admirando o mar absorvido em ridículas lembranças. É quando escuta a voz que lhe pede um cigarro. Não dá importância ao pedinte que insistia. O moço ameaça de chamar a polícia para afastar dali o moleque inconveniente com o seu atrevimento. Ao descobrir de frente o coelhinho, o moço torna-se seu amigo. Fica sabendo que o coelho mora na rua, é convidado para morar no casarão com ele, que não tem família. Teleco quis saber se a sua intenção era sincera, se ele não gostava de carne de coelho. Revela que a versatilidade para se transformar em bicho é o seu fraco. Transforma-se em girafa. Aos vizinhos agiotas vira leões para amedrontá-los. Gostava de agradar às crianças, divertindo-as com os seus malabarismos, aos velhos ajudava-os levando suas cargas. O primeiro atrito entre eles dois foi quando vindo de um encontro com a irmã Emi, com quem teve áspera discussão, ao abrir a porta de entrada, deparou-se com aquele canguru e a moça, sentados no sofá. O que deseja a senhora com esse horrendo animal? - zangado, o moço perguntou. O canguru disse que era Teleco e para provar isso virou-se em uma perereca. Acrescentou que de agora em diante seria apenas um homem. Apesar da gargalhada do moço, apresentou-lhe Teresa, não é linda? Sem sono, os pensamentos do moço giravam em torno da mulher. Estava iniciada a peleja amorosa. Não admitia a tolice de Teleco em torno de Teresa, com suas pernas bem torneadas. Alterado com Teleco, que se dizia ser um homem, de nome Barbosa, o conflito entre eles se instaura forte, chegando ao máximo da explosão, Se é Barbosa, rua! O pranto de Teleco demoveu-lhe da decisão anterior, melhor dizendo, fora persuadido pelo olhar súplice de Teresa. Ante o pedido que voltasse a ser aquele coelho, cinzento e meigo, respondeu que nunca foi o bicho que ele se referia. E piscava o olho para a companheira. A intimidade de Teleco e Teresa tornava o ciúme dele incontrolável. Chegou ao auge com Teleco sendo esmurrado, terminando a surra com a sua expulsão de casa. Uma noite saltou janela a dentro um cachorro imundo. Era Teleco, que adiante, mais tranquilo, ia se transformar em animais pequenos. Até que se fez em um carneirinho, balindo tristemente. Cansado pela longa vigília, o moço fechou os olhos e dormiu. Ao acordar, percebeu que algo se transformava em seus braços. 



“No meu colo estava uma criança loura, 
encardida, sem dentes. Morta.” (pg. 30)



A metamorfose da existência humana ligada no absurdo está presente nos contos de Murilo Rubião. Essa condição tem a ver com o próprio contista e sua propensão para o alegórico. Perfeccionista contumaz, faz e refaz suas histórias estranhas no intuito de alcançar a clareza e a perfeição. Como se assim agisse numa espécie de metamorfose de autor em busca da perenidade virada em arte literária legítima. A linguagem do contista mineiro também se manifesta no olhar dos personagens, no qual a visão se presta a uma função necessária para sustentar a cena. Esse recurso, ligado no olhar do personagem para compor a construção da alegoria, adere como elemento natural na estrutura do ilógico, descrito como sendo uma coisa real nas questões da existência humana. Olhos que enxergam como janelas da vida dizem então dos sentidos, deixam transparecer no seu espelho a visibilidade do que somos nos momentos críticos, em que sutilezas e ambiguidades emergem da expressão do rosto para dizer de nosso sofrimento decorrente das relações absurdas da existência humana mais das vezes. 

Estudiosos destacam o papel que tem os olhos nos contos de Murilo Rubião, a sua função importante para que a narrativa alcance seus propósitos na cena, dentro do clima formado pelo diálogo entre os personagens. O olhar é capaz de revelar no gesto em silêncio que a alma do personagem está de acordo ou não com a observação do outro em torno do assunto no auge do conflito. Se fazendo súplica, expressa sua ternura, nos seus ares polidos, quando a situação crítica criada pelo outro atinge o coração, através de setas que foram desferidas para um alvo pressentido. Este se fará tocado pelas impressões de coisas que não têm sentido, propostas para que o absurdo não seja nada de mais na existência humana, através de incoerentes desejos, aflições incabíveis do ser-estar na vida. 

O clima do absurdo em confronto com a existência humana será como percebeu aquele personagem narrador de “Os Três Nomes de Godrofedo”, ao pressentir “que a vida se repetirá constante, sem possibilidade de fuga, silêncio e solidão”. (125)



Referência 

KAFKA, Franz. Obra Completa, dois volumes, Emecê Editores, Buenos Aires, 1959.

RUBIÂO, Murilo. Os Dragões e Outros Contos, Editora Movimento Perspectiva, Minas Gerais, 1965.

* Cyro de Mattos é membro da Academia de Letras de Ilhéus.

terça-feira, 2 de julho de 2024

EFETIVO ANTERIOR/EFETIVO ATUAL




Zélia Gattai Amado de Faria, nascida em 2 de julho de 1916, em São Paulo, foi uma escritora, fotógrafa e memorialista brasileira, tendo também sido expoente da militância política nacional durante quase toda a sua longa vida, da qual partilhou cinquenta e seis anos casada com o também escritor Jorge Amado, até a morte deste. Zélia Gattai morreu no dia 17 de maio de 2018. Pertenceu a Academia Brasileira de Letras e a Academia de Letras de Ilhéus, onde ocupou a cadeira nº 13.

Pawlo Cidade, nasceu em 23 de junho de 1968, em Ilhéus, na Bahia. É escritor, pedagogo, gestor cultural, dramaturgo, especialista em projetos culturais, autor de 24 livros. É sucessor de Zélia Gattai e o atual presidente da Academia de Letras de Ilhéus.

segunda-feira, 1 de julho de 2024

ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA



Portaria 004/2024 de 01 de julho de 2024.

 

 

Dispõe sobre convocação de assembleia ordinária.

 

 

A Academia de Letras de Ilhéus, presidida pelo Sr. João Paulo Couto Santos, eleito para o biênio 2023-2025, no uso de suas atribuições,

 

RESOLVE:

 

Art. 1º — Convocar todos os seus membros para Assembleia Geral Ordinária a realizar-se em 10 de julho de 2024 (quarta-feira), de forma REMOTA, às 19h, em primeira chamada; às 19h15, em segunda chamada.

 

Art. 2º — As decisões a serem tomadas serão validadas com o número de acadêmicos presentes.

 

Art. 3º — Ficam estabelecidos os seguintes pontos de pauta:

 

1.    Homologação do(s) candidato(s) à cadeira de nº 38;

2.    Criação da Comissão de Elaboração do Regimento Interno;

3.    O que ocorrer.

 

Art. 4º — O link para reunião será fornecido até 30 minutos antes do início da assembleia.

 

Art. 5º — Esta Portaria entra em vigor a partir da data de sua publicação.

 

 

 

João Paulo Couto Santos

Presidente

sexta-feira, 28 de junho de 2024

PARABÉNS, ILHÉUS!




É claro que Ilhéus não tem só escritores. Tem pintores, artesãos, atores, atrizes, dramaturgos, carpinteiros, marceneiros, artistas mil! Parabéns, querida Ilhéus! 

Desejamos à você um futuro digno de sua altura.


Pawlo Cidade
Presidente
Academia de Letras de Ilhéus

segunda-feira, 24 de junho de 2024

ESCRITORA NEUZAMARIA KERNER LANÇA "MEMÓRIAS DO SILÊNCIO"


Neuzamaria Kerner é membro da cadeira nº 36 da ALI

Imagine um lugar onde o invisível se torna visível e o inesperado é parte do cotidiano. Assim é “Memórias do Silêncio”, novo livro da escritora Neuzamaria Kerner. A cerimônia de lançamento ocorreu na Biblioteca Pública Municipal de Domingos Martins, situada na Av. Senador Jefferson de Aguiar, n. 275, no Centro Cultural Imperador, anexo ao antigo Hotel Imperador, em Vitória, Espírito Santo. 


“Memórias do Silêncio” é uma coletânea composta por 22 contos curtos. As histórias se movem no terreno do realismo fantástico, abordando temas como o invisível, o inesperado e a impermanência da vida. Os personagens nas narrativas transitam entre o céu e a terra, oferecendo um olhar único sobre as experiências humanas e suas próprias vivências.

Sobre seu novo trabalho, Neuzamaria Kerner comenta: “Em ‘Memórias do Silêncio’, cada conto é uma porta para mundos onde o fantástico e o real se encontram. Espero que os leitores se permitam caminhar por esses universos e descobrir as sutilezas da vida através dos olhos de meus personagens”, disse a escritora.

Neuzamaria Kerner, membro da cadeira 36 desde 1989, nascida em 1952 em Salvador (BA), é uma escritora com vários livros publicados e ex-professora universitária. Com formação em Letras e especialização em Leituras Múltiplas, ela se destacou também como educadora em projetos como o Proler e iniciativas de Filosofia para crianças. Além de seu trabalho acadêmico, Neuzamaria é autora, poetisa e possui contribuição para a literatura brasileira contemporânea.

Texto adaptado do site Montanha Capixaba.

sexta-feira, 21 de junho de 2024

ESCRITOR PAWLO CIDADE LANÇA "A INVENÇÃO DE SANTA CRUZ"




Pawlo Cidade é membro da cadeira nº 13


No próximo domingo, 23 de junho, termina a promoção de pré-venda do novo livro do escritor Pawlo Cidade: A Invenção de Santa Cruz. Coincidência ou não, no domingo também o escritor completa 56 anos de idade. Este é o seu 24º livro e o  6º romance. 

Para Pawlo Cidade, membro da cadeira nº 13 e atual presidente da ALI, escrever este novo romance foi uma experiência incrível que começou no verão de 2022, durante sua participação na 1a. Feira de Livros de Serra Grande - FLISG, em Uruçuca, Bahia. "Eu queria contar uma história diferente, talvez até original, que tivesse uma mistura de distopia, utopia e autoficção. Doideira, não é? Senti também que a mitologia indígena deveria permear toda a trama, envolvendo diretamente a participação de algumas divindades que estivessem ligadas diretamente ao comportamento humano e as ações da natureza. A exemplo de Amana-manha, a deusa da chuva e protetora das nascentes dos rios. Estas aleivosias que permeiam toda a história retratam a existência de um mundo em outro mundo (o nosso), numa mesma terra, em que coexistem, povoam e impregnam toda a trama", declara.

O escritor disse também ter optado por usar muitas expressões regionalistas. "Muitas vezes só nossa". Como: cabo-de-esquadra (amante), chuva-cachorra (chuva muita fina que não dá para molhar), cavalo-gravata (o que tem uma mancha no pescoço), entre outras. 

Em 2023, Pawlo Cidade disse que pensou em abandonar a escrita de A Invenção de Santa Cruz durante o tratamento de um câncer do cólon: "Entre uma quimioterapia e outra eu tentava escrever um capítulo. Mas os efeitos colaterais da quimio confundiam minhas ideias e não me deixavam dar prosseguimento a história. Quando finalmente terminei as 12 sessões, 12 longas batalhas, 12 longos trabalhos - como os de Hércules - a história estava lá, me esperando, só aguardando o momento dos meus dedos escorregarem pelas teclas do meu notebook para ganhar vida. E assim nasceram 41 mil palavras, 26 capítulos e 216 páginas". 


Capa embaixo d'água. Uma referência ao 
período chuvoso de Santa Cruz, em 1914.


O livro é editado pela Editora Teatro Popular de Ilhéus, com projeto gráfico e capa de Romualdo Lisboa. A capa é originada de um mapa de 1640, de João Teixeira Albernaz, o Velho, que retrata a porção Norte da Capitania de São Jorge dos Ilhéus.

O livro será lançado dia 25 de julho, às 18h30, na Academia de Letras de Ilhéus.

Para adquirir o livro basta fazer um Pix para o celular: (73) 9.9998.2555, em nome de João Paulo Couto Santos. Depois enviar o comprovante para o direct do Instagram do autor (@pawlocidade) ou para o e-mail: dimensoesculturais@gmail.com.

PAWLO CIDADE nasceu em 1968, em Ilhéus (BA), e, além de escritor, é também articulista, gestor cultural e professor. Publicou mais de vinte livros, entre romances, teatro, gestão da cultura e novelas juvenis. Ocupa a cadeira nº 13 da ALI. Está no segundo mandato como presidente da Academia de Letras de Ilhéus.