quinta-feira, 31 de outubro de 2013

ACADÊMICO CYRO DE MATTOS TOMA POSSE NO PEN CLUBE DO BRASIL

                          

Cyro de Mattos mostra aos convidados o seu diploma  como membro titular do Pen Clube do Brasil.

Discurso do Homem Real     

                                     
                                     Cyro de Mattos

            Ilma. Sra. Vice-Presidente do Pen Clube do Brasil,  Escritora Clair Matos. Na sua  pessoa,  estou saudando os ilustres integrantes desta Mesa.
            Illma. Sra. Doutora Olívia Barradas, estimada conterrânea, que  muito honra a Bahia com o brilho de sua inteligência e erudição, a quem agradeço as palavras ressaltando aspectos de minha obra literária. Incentivam-me a continuar na jornada.   
           Meus senhores, minhas senhoras.    
            Vou começar lendo este poema:

 Lá longe o velho sol
Não pintava os desertos
Com as cores da  manhã.
A lua não espalhava dores,
A chuva não fecundava
O ventre mineral da terra.
O vácuo inútil era tudo.
A  razão e a emoção
Estenderam a palavra
No vazio do mundo.
Com suspiros e pesares
A vida deu-me os sabores.
A poesia, os rumores.

             

Cyro de Mattos adentra ao salão nobre do Pen Clube, conduzido pela escritora Gilda Sousa Campos.

Assim é que eu chego a esta Casa das Letras, portador da crença de que sou útil à sociedade quando me exerço na aventura da linguagem. Bem sei que, nesta aventura, não consigo solucionar os problemas econômicos, políticos, sociais e religiosos. Mas é assim mesmo que eu sou e caminho entre seres e coisas, o guardador de memórias, cúmplice do eterno riscado num instante.  É esta minha maneira de estar sozinho, dar testemunho ao meu tempo.  Ainda que seja um grão no deserto, onde tudo eu arrisco, todo tecido de ilusão é esta minha condição,  o meu lugar, pois é aqui que me sinto como um homem real. Sem essa hora no caos desencanto-me. Lembro Fernando Pessoa: “Tudo é ilusão. Sonhar é sabê-lo”. Com a palavra que me representa nos instantes idênticos de dores e ternuras, fecunda o imaginário  e escuta o espírito do mundo  é que busco dizer em versos o contrário das coisas. Escrevo histórias para adultos e crianças pensando tornar a vida viável. Descubro rostos, abro portas,  questiono fissuras e rupturas, sou surpreendido com graça e alegria no reino dos pequenos.  Acontece a reinvenção  do pensamento lógico e do pensamento mágico. Os  sinais visíveis da escrita, tão antigos, são que me anunciam cativo da solidão solidária. Bem ou mal, tentam dizer o quanto eu sou  no certame do amor e da dor. Afirmam que sem a literatura  não há a lágrima, o beijo, o sorriso, o epitáfio. Não há a música dos sentidos.   

ASSEMBLEIA ORDINÁRIA

Ilustres confrades,
Ilustríssimas confreiras,

Da ordem do presidente da Academia de Letras de Ilhéus, Josevandro Nascimento, convocamos todos para reunião ordinária no dia 01 de novembro de 2013, a partir das 17:00 horas, na sede da ALI, com a seguinte pauta:

Avaliação do Projeto Primavera Cultural;
Próximos eventos e promoções;
Eleição do Dr. Gustavo Cunha;
O que ocorrer.

Aguardamos a presença de todos.


Atenciosamente,


Pawlo Cidade
Secretário Geral
Academia de Letras de Ilhéus


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

HAPPY HOUR COM VINÍCIUS DE MORAES


Amanhã tem happy hour com Vinícius de Moraes na Academia de Letras de Ilhéus. O professor Samuel Mattos (UESC) nos brindará com uma palestra bem descontraída sobre a vida e obra do compositor e poeta que completou 100 anos de nascimento no último dia 19. Todos vocês são nossos convidados.

Um abraço,

Josevandro Nascimento
Presidente

O QUÊ? Palestra e cantoria sobre a vida de Vinícius de Moraes
QUANDO? Dia 25 de outubro de 2013
ONDE? Academia de Letras de Ilhéus, Rua Antonio Lavigne de Lemos,39
QUE HORAS? A partir das 17 horas.

QUANTO? Entrada gratuita.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

A ÁRVORE DA ESPERANÇA


A neblina densa cobria a cidadezinha com um véu diáfano. Luz difusa, por trás da cortina definia as formas. Dr.Cordeiro Lima, misto de médico e fazendeiro-de-cacau, já de botas e esporas, aguardava o Maroto - vendedor de doce transformado em camarada-de-viagem, por força da puberdade...
Já montado, a besta "queimada" castanholando "picado"na estrada calçada, ruminava decisão firme de suspender todos os serviços da fazenda, mesmo os de rotina.
O Dias, gerente de firma exportadora, dera-lhe as piores notícias sobre mercado de cacau. A noite a televisão confirmara, anunciando baixa na Bolsa de Mercadorias de Nova Iorque. Na roda de amigos na esquina, era só em que se falava. Até o Freitas, recém chegado da capital, saíra de seu otimismo costumeiro para anunciar a crise que se esboçava. O Dr. Osvaldo - representante dos produtores - não trouxera boas notícias da África.
- Só tem um jeito: parar tudo. Evitar despesas. Não se vai arriscar num negócio, sem pelo menos saber-se em que vão parar as cousas. Pensava.
A Bolsa de Mercadorias de Nova Iorque, espécie de fantasma indefinível, distante, ninguém entendia. O cacau sobe baixa sem causa sabida.
Por que sobe? Por que baixa?
-Coisa lé dos gringo. Ninguém entende - diziam mateiros, acomodando os pensamentos.
-Eu sou mateiro de anel, pensava o médico. Conhecia de perto o divórcio da escola com a vida prática. Fizera todos os cursos preparatórios para atingir o de medicina. Possuía boa bagagem de cultura geral, afirmada inclusive pela aprovação "plenamente"conseguida em todos os exames escolares, tanto escritos como orais. Mas em todos esses currículos não estavam incursos crédito bancário, bolsas de mercadorias, formação de preços, exportação, e todo um complexo de conhecimentos que a prática da vida exige. Ele, o médico; o homem que estudara latim, matemática, química, física, história natural, geografia, história da civilização e do Brasil, literatura, desenho, francês, inglês, português , instrução moral e cívica, botânica, estava alí incapaz de compreender cousa que deveria ser tão simples. Imaginava os mateiros semi e os totalmente analfabetos...
-Somos todos presa fácil dos espertos. Ninguém sabe nada a respeito de seu próprio produto. Ele mesmo, ledor de revistas e livros técnico-agrícolas: mantedor de conversas e mesmo correspondência com sessões especializadas; fazendo também suas pesquisazinhas, orientadas pelo Dr.Augusto Silva, agrônomo lido e experimentado, que escapou da burocracia; levava sempre a pior quando comerciava o seu produto.Estava convencido de que para o produtor de cacau, eram indispensáveis os conhecimentos de finanças. Estes sim.

domingo, 20 de outubro de 2013

VAGA NA ACADEMIA

ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS
PATRIAE LITTERAS COLENDO SERVIAM
FUNDADA EM 14 DE MARÇO DE 1959
ILHÉUS – BAHIA


EDITAL DE INSCRIÇÃO

O Presidente da Academia de Letras de Ilhéus, no uso de suas atribuições regimentais e estatutárias, de acordo com os arts. 47 e 48 e ss/parágrafos do Regimento Interno, faz saber a quantos este Edital virem ou dele conhecimento tiverem, que, com o passamento do saudoso confrade Mário de Castro Pessoa, cadeira n. 23, cujo fundador foi Ramiro Berbert de Castro, ficam abertas as inscrições para preenchimento dessa vaga, pelo prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data de publicação deste, devendo os interessados procurar a Secretaria da Academia de Letras de Ilhéus, na Rua Antonio Lavigne de Lemos, 39, Centro, nesta cidade, para maiores esclarecimentos e informações a respeito.


Ilhéus – Bahia, 20 de outubro de 2013


Josevandro Nascimento
Presidente


Pawlo Cidade
Secretário Geral


terça-feira, 15 de outubro de 2013

NOTÍCIAS DOS ACADÊMICOS

CYRO DE MATTOS


No próximo dia 23, Cyro de Mattos estará tomando posse no Pen Clube do Brasil como membro titular. O discurso de saudação será proferido por Doutora Olívia Barradas. No dia 25, receberá o Prêmio Internacional de Poesia da União Brasileira de Escritores, do Rio, na sede da Academia Brasileira de Letras, pelo livro "De tes instants no dans le poème/De teus instantes no poema", publicado pela Editions du Cygne,  Paris, na Coleção Poesia do Mundo, com prefácio de Margarida Fahel. A versão do livro para o francês é de Pedro Vianna, que também receberá da UBE/RJ o Prêmio de tradução Jean Paul Mestas. Ainda no mês de outubro nosso poeta participou como convidado do XVI Encontro de Poetas Iberoamericanos promovido pela Fundação Cultural de Salamanca, Espanha.

PAWLO CIDADE



No último dia 13 de outubro, durante a V Conferência Estadual de Cultura, em Camaçari, Pawlo Cidade foi um dos eleitos para o Conselho Estadual de Cultura, como membro representante do Território Litoral Sul. Pawlo Cidade é também presidente do Colegiado Setorial de Teatro da Bahia, segundo ele “o território foi apenas uma porta de entrada para o Conselho, mas eu vou sempre trabalhar em prol da cultura de todo o estado da Bahia. Também quero propor ações para fortalecer as ações dos conselhos municipais porque os conselhos são os principais instrumentos para o Sistema Municipal de Cultura.” 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

ORAÇÃO AOS JOVENS É PALESTRA DE ENCERRAMENTO DO PRIMAVERA CULTURAL


Quarta-feira, dia 25, a Academia de Letras de Ilhéus apresenta a última palestra do Projeto Primavera Cultural – A Primavera das Letras, com o tema “Oração aos Jovens”, que será ministrada pelo professor Dorival de Freitas (FOTO). O professor, que nasceu na cidade de Santa Inês, estado da Bahia, a 8 de dezembro de 1932, passou a residir em Ilhéus em 1933.
Em 1946, iniciou seus estudos no Seminário Central da Bahia – Humanidades, no Seminário Menor, e filosofia e teologia, no seminário Maior, ordenando-se sacerdote em 6 de dezembro de 1959, na Igreja Matriz de São Jorge. Nos 7 anos de ministério sacerdotal, exerceu os cargos de Diretor Espiritual e Reitor do Seminário São Jorge dos Ilhéus, Secretário da Cúria Diocesana e Capelão do Hospital São José. “É desse tempo que me lembro de sua bela oratória,” declara Maria Luiza Heine, confreira e autora do blog Ilhéus com Amor.
Pediu licença do ministério Sacerdotal em 1966 para casar-se, em 1968, com Marita Maria Ocke de Freitas, e assim, dar início a uma nova caminhada. Nosso palestrante estudou filosofia na Faculdade de Filosofia de Itabuna, concluindo o curso em 1969, sendo o orador da turma, como não podia deixar de ser. Posteriormente fez o curso de direito na Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna (FESPI), concluindo-o em 1978, e foi o orador da turma. Fez concursos para o Magistério Médio do Estado da Bahia, para Português em 1968, e Psicologia Geral em 1970, passando em 1o lugar nos dois concursos.
Exerceu ainda os cargos de Diretor do Instituto Municipal de Educação, IME, Vice-diretor do Colégio Estadual de Ilhéus, diretor do Centro Integrado de Educação Rômulo Galvão, Gerente de Seleção e Orientação na UESC, chefe de Gabinete da Reitoria na UESC e diretor de Revisão da Editus, Editora da UESC. Foi professor na Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC – de História da Filosofia, Antiga e Medieval e Metafísica e Professor de Direito Constitucional; foi titular de Cosmologia do Curso de Filosofia e professor de História da Filosofia no Instituto de Teologia de Ilhéus (ITI). É membro da Academia de Letras de Ilhéus, ocupando a cadeira n° 11.
A palestra “Oração aos Jovens” terá início às 18:30 horas, na sede da Academia de Letras de Ilhéus, quarta-feira, dia 25 de setembro de 2013. 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

PALESTRA DE RUY PÓVOAS NO TERCEIRO ENCONTRO DA PRIMAVERA DAS LETRAS


O terceiro encontro do Projeto Primavera Cultural traz o acadêmico Ruy Póvoas (FOTO) com a palestra “O real oculto e dado evidente no mundo do candomblé: uma abordagem bachelardiana,” inspirada no último lançamento do babalorixá. O Professor Ruy do Carmo Póvoas, filho de tradicional família do Pontal de São João, jovem que muito cedo, ainda, assume o seu papel de homem sábio, sério, devotado ao estudo da língua lusitana e das tradições afro-brasileiras, afirma Guilherme Albagli, e acrescenta: “homem sábio e santo, sem aqueles genes que trazem à alma humana a maldade que quarteia a face, com rugas e musculatura tensa, Mestre Ruy é um querubim moreno que harmoniza, numa bôa, o Espírito e a Razão.”

O Projeto Primavera Cultural – “A Primavera das Letras” prossegue nesta quarta-feira, 18 de setembro, sempre à partir das 18:30 horas, na Academia de Letras de Ilhéus, com entrada gratuita.






domingo, 15 de setembro de 2013

ARTIGO

Duas Academias de Letras
                                                  
                                                   Cyro de Mattos

Fundada em 14 de março de 1959, nos moldes da francesa, em que a Academia Brasileira de Letras também se inspirou, a Academia de Letras de Ilhéus tem como um dos princípios o cultivo da língua e da literatura nacionais, sem desprezar as relações que mantém com as artes e as ciências. O poeta ilheense Abel Pereira foi o idealizador da instituição e o primeiro presidente.

A Academia de Letras de Ilhéus é formada por quarenta membros, dos quais vinte e cinco serão obrigatoriamente residentes em Ilhéus e Itabuna. Já conta, em sua história, com figuras do porte de Jorge Amado, Adonias Filho, Zélia Gattai, Telmo Padilha, Hélio Pólvora,  Milton Santos, João Mangabeira, José Cândido de Carvalho Filho, Euclides Neto, Orlando Gomes, Luiz Fernandes Pedreira, Gumercindo Rocha Dórea e Edivaldo Brito,  citando-se aqui apenas algumas de suas figuras expressivas.

A LITERATURA DO SUL DA BAHIA ULTRAPASSA FRONTEIRAS DO BRASIL

          A literatura do Sul da Bahia  ultrapassa as fronteiras do Brasil e ganha o mundo. No próximo dia 30 de setembro, na Casa de Escrita da Câmara Municipal de Coimbra, Portugal, o escritor  grapiúna  Cyro de Mattos estará autografando a edição portuguesa de seu livro “ Vinte e Um Poemas de Amor”, com ilustrações da artista plástica baiana Edsoleda Santos.   Nos dias 2 e 3 de outubro, Cyro de Mattos estará representando a Bahia no XVI Encontro de Poetas Iberoamericanos, evento realizado na Espanha e coordenado pelo professor da Universidade de Salamanca, Alfredo Perez Alencart.

Nessa edição, o Encontro reunirá 50 poetas de 12 países, entre eles México, Portugal, Espanha, Chile, Colômbia, Nicarágua, Uruguai, Argentina, Peru e Honduras.

Além de Cyro de Mattos, os poetas Álvaro Alves de Faria, de São Paulo,  Paulo de Tarso e Rizolete Fernandes, do Rio Grande do Norte,  representam o Brasil no evento, de repercussão internacional, que neste ano homenageará um dos maiores nomes das poesia espanhola, Fray Luís de León. Durante o Encontro, uma antologia  com poemas escritos por autores convidados, entre eles Cyro de Mattos, será lançada para homenagear Fray Luís de León. “Minha poesia intitula-se Soneto de Fray Luís de León.  A antologia será publicada em 50 línguas. Essa é uma oportunidade ímpar para a cultura do nosso Estado da Bahia e, em especial, da região cacaueira, ultrapassar as fronteiras brasileiras e mostrar seu alto nível de criatividade”, disse Cyro de Mattos.

sábado, 14 de setembro de 2013

A POESIA, DONA DA CASA

Aleilton Fonseca

Se “a poesia é hoje a álgebra superior da metáfora” o que dizer de uma palestra que fala-nos ao coração, remete-nos à nossas idiossincrasias e desperta os mais puros sentimentos humanos? Assim foi a palestra do acadêmico Aleilton Fonseca ao passear sobre os mais instigantes poemas ecológicos e telúricos da poesia brasileira, através de autores baianos, na última quarta-feira, dia 11 de setembro, no Projeto Primavera Cultural. 

 Silvana (Diretora do Espaço Cultural Adonias Filho) e Baísa Nora (Acadêmica)

 O Presidente Josevandro Nascimento

 A plateia atenta. Diversos escritores presentes.




 Aleilton Fonseca e sua mãe

Momento dos autógrafos de "As Marcas da Cidade"

Registro fotográfico: Alderacy Júnior

terça-feira, 10 de setembro de 2013

“A POESIA DAS ÁGUAS: VIVÊNCIAS E ENCANTAMENTOS” É TEMA DA SEGUNDA PALESTRA DO PRIMAVERA CULTURAL


Aleilton Fonseca (natural de Firmino Rocha e criado em Ilhéus), membro da Academia de Letras da Bahia e Professor do curso de Letras da Universidade Estadual de Feira de Santana estará na Academia de Letras de Ilhéus lançando novo livro e fazendo palestra de tema pouco comum, por isso mesmo imperdível: a poesia. “Aleilton é um estudioso de muita capacidade e um orador competente. O evento tem tudo para agradar,” salienta o editor Gustavo Felicíssimo.

A palestra e o lançamento do livro fazem parte do Projeto Primavera Cultural – “A Primavera das Letras.” O tema da palestra: “A poesia das Águas: Vivências e Encantamentos” é uma reflexão sobre poemas de águas, rios, mares, chuva, mostrando as imagens líricas que registram vivências e encantamentos dos poetas. O livro de contos “As Marcas da Cidade” são sete contos sobre situações e experiências vividas por personagens populares, na cidade de Salvador.

Aleilton Fonseca é o segundo palestrante do Projeto Primavera Cultural, criado com o objetivo de aproximar cada vez mais a Academia da comunidade e da classe estudantil. “O espaço acadêmico é dinâmico e criativo, quanto mais estivermos juntos, mais cultuaremos as letras,” assinala do presidente da ALI Josevandro Nascimento.

Confira:

Quando: Dia 11 de setembro de 2013, quarta-feira
Onde: Academia de Letras de Ilhéus
Horário: 18 horas
Entrada Gratuita sujeita a lotação do espaço. 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

A PRIMAVERA JÁ COMEÇOU NA ACADEMIA


"A Academia é como um santuário das discussões literárias, 
poéticas e artísticas." 
Prof. Josevandro Nascimento

A Primavera das estações ainda não chegou. Mas, a Primavera da Academia de Letras de Ilhéus abriu as portas sob a égide da poesia e da experiência de Cyro de Mattos. Quem esteve na noite do último dia 04 pôde presenciar o relato vivo e apaixonante do escritor que tem percorrido o mundo com suas obras. A plateia, entusiasmada com o fato de trocar ideias e opiniões sobre a arte de escrever foi também agraciada com as palavras de Antonio Olímpio e Sônia Maron. O primeiro, um contador de causos, sempre recheados de humor; o segundo, absorvida pelas lembranças dos tempos em que meninos e meninas brincavam de cantigas de roda.

O público prestigiou. Diversos estudantes estiveram presentes 
da Faculdade Madre Thaís.

Cyro de Mattos apresentou seu mais novo livro “Onde Estou e Sou”, com uma série de poemas ecológicos extraídos de Vinte Poemas do Rio, Cancioneiro do Cacau, Ecológico, Vinte e um Poemas de Amor e Oratório de Natal, livros publicados, e dos inéditos Rumores de Relva e Mar, Agudo Mundo e Devoto do Campo. O poeta autor também de “O Menino Camelô”, disse-nos que “sua voz é a voz que carrega a mata escura, sua asa é a asa que peleja contra a noite.” Como não viajar no poeta da solidão solidária? Basta sentir “Lugar”, em sua mais profunda identidade:

Ainda que eu seja
Um grão no deserto
O poema é meu lugar
Onde tudo arrisco.
Irriga minhas veias
Como a chuva a terra
Em suas mil línguas.
Antigo, tão antigo,
Anuncia-me cativo
Da solidão solidária
Dizendo silêncios.
Sem esse jeito
De ser flor e vento,
Sonho e música,
Palavra só amaor,
Não há o espanto,
A lágrima, o beijo,
O riso, o espitáfio,
Não há o sentido.

O Secretário Geral Pawlo Cidade, o presidente Josevandro Nascimento 
e o palestrante Cyro de Mattos

Para o Presidente da Academia de Letras de Ilhéus, Professor Josevandro Raymundo Nascimento, a ideia é abrir a Academia para a população mostrando o papel que a mesma desempenha na comunidade, "como um santuário das discussões literárias, poéticas e artísticas." A Primavera Cultural da Academia está apenas começando. Na próxima quarta-feira, dia 11, Aleilton Fonseca, membro da Academia Baiana de Letras, nos blindará com a palestra “A poesia das Águas: Vivências e Encantamentos”. Nela, o poeta e romancista falará sobre poemas de águas, rios, mares, chuva, mostrando as imagens líricas que registram vivências e encantamentos dos poetas com estes aspectos da natureza e que são expressas através da palavra poética. Na oportunidade, o acadêmico também lançará “As Marcas da Cidade”, da Editora Caramurê.

Você é nosso convidado. 


Sônia Maron, presidente da Academia de Letras de Itabuna


 O acadêmico Hans Schaeppi


A Confreira Eliane Sabóia


O ex-prefeito Antonio Olímpio

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

HOJE TEM INÍCIO A PRIMAVERA CULTURAL


O escritor e poeta Cyro de Mattos (FOTO) vai proferir palestra sobre o tema “Viver e Escrever” na Academia de Letras de Ilhéus, hoje, dia 4 de setembro, a partir das 18 horas, com entrada franca. Depois da palestra estará lançando o livro “Onde e Estou e Sou”,  de poesia, publicado pela  Ler Editora de Brasília,  bilíngüe, com prefácio e versão para o espanhol do poeta peruano-espanhol Alfredo Pérez Alencart, professor da Universidade de Salamanca.

O livro “Onde Estou e Sou” será também lançado durante o XVI Encontro de Poetas Iberoamericanos, evento de repercussão internacional promovido pela Fundação Cultural de Salamanca e Universidade de Salamanca, nos dias 2 e 3 de outubro. Na oportunidade,  professores universitários e estudantes estarão recitando poemas do autor grapiúna no Liceu e Teatro de Salamanca.

“Onde Estou e Sou” é uma antologia poética com textos extraídos dos livros “Vinte Poemas do Rio”, “Cancioneiro do Cacau”, “Ecológico”, “Vinte  e Um Poemas de Amor” e “Oratório de Natal”, livros publicados, e dos inéditos “Rumores de Relva e Mar”, “Agudo Mundo” e “Devoto do Campo”. Nessa amostragem poética foram reunidos textos   que inauguram novos sentidos da vida, motivados  pela pureza da infância, solidões na colheita do nada, verdes visões na rota da felicidade, mundo cego do homem contra o homem, o erótico e o afetivo no encontro perfeito do amor, vozes do campo, ora fraternas, ora aflitas, rumores de relva e mar, cantos dedicados  ao Cristo, todos eles com versos idênticos  de ternuras e dores na paisagem do tempo.


O lançamento e a palestra de Cyro de Mattos dão o pontapé inicial ao Projeto Primavera Cultural da Academia de Letras de Ilhéus. A entrada é gratuita. 

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

MORRE A ESCRITORA GRAPIÚNA SONIA COUTINHO


"...Autora de qualidades expressivas  indiscutíveis na moderna literatura brasileira, ao nível de Clarice Lispector, a dose deve ter sido bem forte. Uma lástima."


A Escritora Sonia Coutinho
Cyro de Mattos*

Tomo conhecimento da notícia de que a escritora Sonia Coutinho foi encontrada morta pela filha em seu apartamento, no Rio de Janeiro, na sexta-feira, dia 23 de agosto.   Aos 74 anos de idade, a escritora baiana, contista e romancista respeitável, morava só. Havia comunicado à filha pouco antes um mal-estar.

Nunca nos acostumamos com o quadro triste da morte. É amarga sempre sua memória. Em alguns casos,  quando se vive muito, preenche-se a vida com ganhos, formando-se uma biografia bem-sucedida no plano familiar, econômico e profissional, há o consolo entre os parentes, amigos e conhecidos do falecido. O trauma é atenuado com o fato  de que não se podia querer mais do morto. A dura lei da vida foi para ele recheada de trunfos. Assim, o falecido, de saudosa memória, deixa boas marcas e lembranças.

Com Sonia Coutinho, a traiçoeira invenção da vida não permitiu sob vários aspectos que os fatos acontecessem no lado azul da canção. Mas não é o momento agora para se falar das amargas que perseguiram essa notável escritora baiana.  Se Virgínia Woolf disse que viver é perigoso, o que alcança todos nós, em nossa condição de solitários no mundo, com Sonia Coutinho, autora de qualidades expressivas  indiscutíveis na moderna literatura brasileira, ao nível de Clarice Lispector, a dose deve ter sido bem forte. Uma lástima.

Ela nasceu em Itabuna, em 1939, filha do promotor Natan Coutinho, homem culto, poeta parnasiano, inteligência brilhante, que chegou a ser  deputado estadual na Bahia. Com a família, ainda menina,  mudou-se para Salvador. Na capital baiana graduou-se em Letras pela Universidade Federal da Bahia.  Depois que estreou com Do Herói Inútil, em 1966, contos, pequeno grande livro, que já prenunciava uma ficcionista de boas qualidades na sondagem e exposição contraditória da alma humana, ela foi morar no Rio onde exerceu o jornalismo. Viveu para sobreviver no sul da Brasil  também como tradutora de grandes romancistas e  deu prosseguimento à sua carreira literária.

Tornou-se autora dos livros de contos Nascimento de Uma Mulher, 1971, Uma Certa Felicidade,1976, O Último Verão de Copacabana, 1985, Mil Olhos de Uma Rosa, 2001, Ovelha Negra e Amiga Loura, 2006. E dos romances: O Jogo de Ifá,  1980, Atire em Sofia, 1989,  O Caso Alice, 1991,  e Os Seios de Pandora, 1999. Era  também ensaísta,  seus textos participam   de importantes  antologias do conto, no Brasil e exterior. Conquistou prêmios literários expressivos, com destaque para o Jabuti da Câmara Brasileira do Livro (SP), duas vezes, o da Revista Status, para literatura erótica, e o da Fundação Biblioteca Nacional.

Sua ficção une arte e documento para situar o real como vínculo de gravidade nas limitações da condição humana. Desenganos, desencontros, problemas existenciais e psicológicos de natureza aguda, na cidade grande, informam o herói em crise, que a autora logra questionar através de cortes e monólogos na mente do personagem,  em suas narrativas curtas e longas.

Sonia Coutinho pertenceu à minha geração. Sua obra ficcional, como a de Hélio Pólvora,   Euclides Neto e outros, mostra, nessa altura,  que a boa literatura de  autores nascidos no sul da Bahia não acontece apenas com a grandeza de Jorge Amado e Adonias Filho. Estudos críticos calcados em bases investigativas e de análise mais larga desses outros autores são necessários  para que a  literatura de alto nível não se torne exclusivista e repetitiva apenas através de dois nomes fundamentais.

Tal postura contribui em especial  para que certos legados primorosos, que se sustentam em admirável estrutura criativa  sejam sufocados e/ou relegados ao plano menor, injusto. É que a ideologia predominante de certos setores de nossa mentalidade  costuma debruçar-se  no que já está construído.  Não gosta de arriscar, por comodismo, até porque nessa condição é mais fácil  julgar e divulgar, enfim, tirar proveito do que não impõe mais esforço.

Quando se fizer uma história séria da literatura baiana, com relação aos legítimos escritores  nascidos na região cacaueira sulina,  mesmo que  não  tenham  questionado  o tema da civilização do cacau em sua obra,  será inadmissível a falha de  quem não situar com relevância a ficção de Sonia Coutinho. Como ícone da literatura brasileira no século XX ela já é reconhecida. 

*Cyro de Mattos é escritor, poeta e advogado aposentado.