sábado, 12 de setembro de 2015

HOJE TEM REUNIÃO DA SAUDADE



A sessão começa às 19 horas. Todos estão convidados. 
A homenagem será feita pela acadêmica Eliane Sabóia.


A Academia de Letras realiza hoje, em sua sede, a Reunião da Saudade em memória da confreira Janete Badaró. A confreira que completou 80 anos no dia 16 julho, morreu nove dias depois. Foi autora, entre outros, do livro de poemas "Máscaras em Procissão".

A poeta, jornalista, bacharel em Direito e Acadêmica Janete Badaró festeja seus 78 anos neste mês de julho, em reunião festiva familiar. Mãe de cinco filhos: Arilton Carlos, Jane Kátia, Jane Suely, Carlos Alberto Filho (Beto) e Jane Hilda, e com muitos netos e bisnetos, Janete Badaró é um nome que se destaca na sociedade grapiúna, pela mulher idealista, guerreira, sensível, e cuja história empreende a marca do pioneirismo visto ter sido a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia de Letras de Ilhéus, academia onde, em vida,  foram membros os escritores Jorge Amado e Adonias filho. Ela  ocupa a cadeira n 06 daquele sodalício desde 1981.

Janete Mendonça Badaró nasceu em Ilhéus, em 16 de julho de 1935, filha de Ariston Bastos Mendonça e Beatriz Neves Mendonça. Tem dois livros de poesia lançados: “Momentos” e “Máscaras em Procissão”, além de participações em diversas coletâneas regionais; publicou crônicas e contos em vários jornais e revistas regionais defendendo idéias feministas e ecológicas. Seu nome é verbete em duas enciclopédias de escritores baianos; fundou o Ilhéus Jornal ao lado de seu esposo Carlos Alberto Ramagem Badaró, e com o falecimento deste, passou a editar e dirigir a Ilhéus Revista- durante quase três décadas. Foi Chefe de Gabinete na Prefeitura Municipal de Ilhéus, fez parte das diretorias da OAB sub-sessão Ilhéus e da Academia de Letras por várias gestões. Aposentada pela Secretaria de Educação do Estado, atualmente dedica-se a leituras de grandes obras, no sossego do seu lar.

Fonte: Jornal Bahia Online. Disponível em:


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

VEJA COMO SE CANDIDATAR A VAGA DO EDITAL 001/2015 - ADELINDO KFOURY


Tendo sido declarada vaga a cadeira n° 10, desta Academia de Letras, até então ocupada pelo acadêmico Adelindo Kfoury, por decisão de sua diretoria e em nome da Presidência, ficam abertas as inscrições para seu preenchimento, a partir desta data 04 de agosto de 2015 até às 18 horas do próximo dia 04 de setembro do corrente ano, e encaminhadas à sede da mesma, Rua Antonio Lavigne de Lemos, nº 39, Centro, Ilhéus, Bahia  obedecidos os seguintes dispositivos:

Artigo 1º - O candidato deve dirigir seu pedido de inscrição à Presidente, fazendo constar:
         a)      Currículo;
         b)      Endereço completo, CEP, telefones, correio eletrônico;
         c)       Requerimento demonstrando interesse em integrar a Academia;
         d)      Apresentar exemplares de suas publicações - tudo em uma única via;
         e)      Declaração de que reside no Estado da Bahia, no mínimo, há 10 anos;
         f)       Pagamento de taxa de inscrição no valor de R$ 150,00 (cento e cinquenta reais).

Artigo 2º - A documentação apresentada pelos candidatos será objeto de prévio exame da comissão designada e posterior apreciação da Diretoria Executiva;

Artigo 3º - O ato de inscrição implica em concordância com o que reza o Estatuto da Academia, que poderá ser consultado na Secretaria da Academia de Letras de Ilhéus, Rua Antonio Lavigne de Lemos, 39, Centro, Ilhéus, Bahia;

Artigo 4º - Findo o período de inscrições, 04 de setembro de 2015, os candidatos serão submetidos à eleição. A eleição será por escrutínio secreto, mediante voto pessoal ou por correspondência, considerado eleito o candidato que obtiver maioria absoluta dos votos dos seus membros;

Artigo 5º - Informações mais detalhadas podem ser obtidas, ao longo do período de inscrição, nos telefones (73) 3231.1612 e 9998-2555.

Artigo 6º - Os candidatos eleitos serão comunicados via notícia eletrônica ou telefônica, pelo Presidente da Academia até o dia 13 de outubro de 2015.

Artigo 7º - A posse do novo acadêmico dar-se-á em sessão solene a ser definida pela Diretoria Executiva da Academia de Letras de Ilhéus;

Artigo 8º - Os casos omissos serão julgados pela Diretoria Executiva.

Ficam os senhores acadêmicos convocados para a apuração da eleição no dia 08 de outubro deste ano, das 17h00 às 18h30, na sede da instituição, deste Município.


Ilhéus, Bahia, 04 de agosto de 2015



 Josevandro Nascimento

Presidente

TEM LANÇAMENTO NA ACADEMIA DIA 07 DE AGOSTO


terça-feira, 4 de agosto de 2015

ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS ABRE EDITAL PARA OCUPAÇÃO DA CADEIRA Nº 10

ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS
PATRIAE LITTERAS COLENDO SERVIAM
FUNDADA EM 14 DE MARÇO DE 1959
ILHÉUS – BAHIA


EDITAL DE INSCRIÇÃO



 Adelindo Kfoury, ex-ocupante da cadeira nº 10

O Presidente da Academia de Letras de Ilhéus, no uso de suas atribuições regimentais e estatutárias, de acordo com os arts. 47 e 48 e ss/parágrafos do Regimento Interno, faz saber a quantos este Edital virem ou dele conhecimento tiverem, que, com vacância da cadeira nº 10, antes ocupada pelo historiador, jornalista e escritor Adelindo Kfoury, cujo fundador foi Carlos Chiachio e patrono Camilo de Jesus Lima, ficam abertas as inscrições para preenchimento dessa vaga, pelo prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data de publicação deste, devendo os interessados procurar a Secretaria da Academia de Letras de Ilhéus, turno vespertino, na Rua Antonio Lavigne de Lemos, 39, Centro, nesta cidade, para maiores esclarecimentos e informações a respeito.


Ilhéus – Bahia, 04 de agosto de 2015



Josevandro Nascimento
Presidente


Pawlo Cidade
Secretário Geral



CLIQUE AQUI PARA LER O EDITAL 
(ainda não disponível)

sábado, 25 de julho de 2015

ACADEMIA DE LETRAS PERDE A CONFREIRA JANETE BADARÓ


A Academia de Letras de Ilhéus perdeu nesta manhã de sábado a confreira Janete Badaró. A confreira que completou 80 anos de idade no último dia 16 de julho, foi autora, entre outros, do livro de poemas “Máscaras em Procissão”. “As palavras que posso dizer são de puro amor e saudade! A vida dela fez valer! Nossa querida poeta! Vá em paz mãezinha. Que o manto de Maria lhe cubra de luz e Deus abençoe está sua viagem!” Comentou sua filha, Jane Hilda, artista plástica e advogada.

A Academia de Letras de Ilhéus lamenta a passagem da poeta e jornalista que muito contribuiu para as artes e a cultura ilheense. Janete Badaró era um símbolo de "mulher guerreira, determinada e corajosa. A agilidade nas letras e a sensibilidade para o cotidiano, lhe fez abrir portas para o que de melhor era produzido em Ilhéus e região."

O velório será no SAF Ilhéus, sito à avenida Itabuna, a partir das 14 horas deste sábado e o enterro será no domingo, às 9 horas, seguindo para cemitério da Vitória.

domingo, 5 de julho de 2015

O CONFRADE VERCIL RODRIGUES LANÇA “DICAS DE DIREITO IMOBILIÁRIO”

A inadimplência condominial, cobrança judicial condominial, financiamento mobiliário, direito e deveres do inquilino, a obrigatoriedade de fazer reparos no imóvel e cuidados com a segurança condominial são temas pautados no livro “Dicas de Direito Imobiliário”, de autoria do advogado, jornalista e professor Vercil Rodrigues, lançado pela Editora Direitos.
O livro  “Dicas de Direito Imobiliário” tem o respaldo dos melhores advogados do Estado da Bahia, a exemplo do Dr. Eurípedes Brito Cunha (In Memoriam), Advogado, especialista em Direito Imobiliário, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil/Seção-Bahia, ex-conselheiro Federal da OAB e autor do livro Advocacia Trabalhista – Experiências Profissionais, que prefacia a obra lítero-juridica.
“O Direito Imobiliário se destina a disciplinar os diversos aspectos de nossa vida particular no que se refere à posse e às várias formas de aquisição e perda da propriedade; condomínio; aluguel; compra e venda; permuta; doação; cessão de direitos; usucapião; financiamentos da casa própria; direito de construir; direito de vizinhança; registro de imóveis; adjudicação compulsória; enfiteuse; laudêmio e outros tantos institutos e assuntos concernentes ao bem imóvel”, frisou Dr. Vercil Rodrigues, autor também de obras de grande repercussão nacional, a exemplo dos livros “Breves Análises Jurídicas” e “Análises Cotidianas” (Editora Direitos).
 “Um excelente livro para profissionais, estudantes, síndicos e inquilinos que buscam a boa vizinhança e o respeito aos seus direitos e individualidades”, declarou Dr. José Carlos Oliveira, Auditor Fiscal do Trabalho aposentado e advogado militante, que apresenta a obra.
Sobre o livro, declarou Dr. Leandro Alves Coelho, advogado e coordenador do Núcleo de Prática Jurídica (NPJ) da Faculdade Unime e membro-fundador e ex-presidente da Academia de Letras Jurídicas do Sul da Bahia – Aljusba: “No livro ‘Dicas de Direito Imobiliário’, o ilustre advogado Vercil Rodrigues, não se preocupa em trazer apenas conceitos estereotipados acerca do tema. De fato, há uma verdadeira aproximação da obra com o rigor técnico-jurídico e a prática necessária ao cotidiano do mundo imobiliário, de modo que o presente livro servirá como parâmetro para diversos seguimentos, tanto para operadores do Direito quanto para aqueles que de algum modo vivenciam o mundo imobiliário. É factível que o autor utiliza linguagem clara e inteligível através de temas próprios, de modo que os leitores conseguirão encontrar com facilidade respostas para os questionamentos trabalhados na presente intentada literária. Nesse sentido, o trabalho configura-se como obra de vanguarda, visto que traz uma abordagem pragmática embasada em estudos sólidos e robustos da doutrina e da jurisprudência dominante”.

O Autor – Advogado, historiador e jornalista. Pós-graduado em Direito Público e Privado, fundador dos jornais Direitos e O Compasso e da revista Direitos, idealizador-fundador e vice-presidente da Academia de Letras Jurídicas do Sul da Bahia – Aljusba; membro-fundador da Academia Grapiúna de Letras – Agral, membro da Academia de Letras de Ilhéus – ALI e do Instituto Histórico e Geográfico de Ilhéus.

Livro: Dicas de Direito Imobiliário.
Páginas: 250.
Editora: Direitos.
Ano: 2015.
Tema: Jurídico.
Preço: R$ 50,00.



terça-feira, 12 de maio de 2015

QUINTA-FEIRA, DIA 14, TEM NOITE DA SAUDADE


A noite da saudade, em homenagem ao escritor Hélio Pólvora, ocupante da cadeira nº 24, será realizada no dia 14 de maio, com a saudação feita pelo acadêmico Aleilton Fonseca, da Academia de Letras da Bahia, às 18 horas.

Contamos com a presença de todos os acadêmicos, amigos e amantes da literatura do nosso saudoso confrade.


Hélio Pólvora era casado com Maria Pólvora Silva de Almeida. Deixou três filhos, Hélio e Raquel, frutos da união com Maria Pólvora, e uma filha (Fernanda), de união anterior. Entre os livros publicados estão os romances Inúteis Luas Obscenas (Casarão do Verbo, 2010) e Don Solidon (Casarão do Verbo, 2011), além dos livros Memorial de Outono (2005), Contos da Noite Fechada (2003) e “…de amor ainda se morre…” (2008).

quinta-feira, 23 de abril de 2015

CENTENÁRIO DE ADONIAS FILHO, por Cyro de Mattos

Comemora-se neste ano o Centenário de Adonias Filho, escritor baiano aclamado pela crítica nacional, nascido em Itajuípe, antigo Pirangi, distrito de Ilhéus, em 27 de novembro de 1915. Deixou  em sua obra de contista e romancista  cinco livros que têm como cenário o Sul da Bahia na época da conquista da terra: Os Servos da morte (1946), Memórias de Lázaro (1952), Corpo vivo (1962), Léguas da promissão (1968), e As velhas  (1975).

Adonias Filho é um autor de livros de ficção que engrandece  a região cacaueira baiana no corpo das letras brasileiras. Legítimo homem da civilização cacaueira baiana sustentou pela vida afora um amor de perdição por suas raízes e histórias de sua gente. Nos últimos anos de vida,  mudou-se do Rio de Janeiro  e foi morar com a esposa  na sua fazenda  Aliança, em Inema. Depois de muito caminhar pela cidade grande, por entre edifícios e gente vinda de todos os lados, retornava aquele homem de voz mansa, cordial, ao chão de seus ancestrais. 
            
É sabido que a obra literária motivada por certa região enfoca o peculiar de determinada cultura, tendo por fundo um cenário típico, cujas condições são refletidas no conteúdo da narrativa, conferindo-lhe nota especial. Os estudiosos dizem que o que faz uma obra regional é o fato de mostrar-se presa, em sua matéria narrativa, a um contexto cultural  específico,  que se propõe a retratar e de onde vai haurir a sua substância. Mas isso não a impede de adquirir sentido universal, em função de seu significado portador de humanidades, mensagem  profunda da existência, fazendo com que ultrapasse as fronteiras da região retratada.
         
É o caso do consagrado narrador Adonias Filho. Um criador de histórias que tem como cenário a região cacaueira baiana na época da infância quando a selva era impenetrável e hostil. Percebe-se nesse artesão da linguagem uma moderna forma de ser contada a história, harmonizada com a representação das essencialidades da criatura, as quais são retiradas do ambiente onde habitam.   
         
Ressalte-se que atrás do homem de determinada região, com sua típica problemática existencial do indivíduo,  seus falares e maneiras próprias de relacionar-se com o mundo,  há  o que é próprio de qualquer ser humano onde quer que esteja. Razão e emoção, pensamento e sentimento. O pensamento e o sentimento dos personagens de Adonias Filho obedecem às forças cegas do destino, que resultam  de solidões e desesperos impostos pelo ambiente de natureza bárbara. Como seres embrutecidos, primitivos, possuem os sentimentos reprimidos. São índios, negros, tropeiros,  caçadores,  pequenos agricultores arruinados.
           
Esse narrador de estilo sincopado e poético é uma das vozes fundamentais da melhor literatura de todos os tempos. Influenciado pelos dramaturgos gregos, Shakespeare, o cinema, do fundo trágico de seus romances, novelas e contos emanam personagens marcantes, em cujos passos e travessias ressoam  os sortilégios da morte através de entonações bíblicas.

Homem culto, simples, ocupou cargos públicos importantes. Foi diretor da Biblioteca Nacional, Editora A Noite, Serviço Nacional de Teatro e pertenceu à Academia Brasileira de Letras. Conquistou o Prêmio Nacional da Fundação Educacional do Paraná, Instituto Nacional do Livro, Jabuti, Pen Club do Brasil  e  Fundação Cultural do Distrito Federal pelo conjunto da obra. Seus romances foram publicados nos Estados Unidos, Portugal, Alemanha, Venezuela e Bratislava. É tão importante  o seu trajeto de vida para o Sul da Bahia que foi instalado em Itajuípe  o Memorial Adonias Filho para preservar sua obra e acervo. O Centro Cultural de Itabuna, da Fundação Cultural da Bahia, leva o seu nome. Ele é o patrono da Academia de Letras de Itabuna (ALITA).

Depois que a esposa Rosita  morreu em 1990, Adonias Filho caiu em grande tristeza. Ficava deprimido, em seus vagares pela casa-sede da fazenda. Dizem os conterrâneos  que morreu de amor, em 2 de agosto daquele mesmo ano, na casa-sede de sua fazenda, em Inema. O homem criador de romances pujantes e densos não conseguiu suportar a solidão com a perda da mulher amada e companheira.

Agora, no reencontro do legítimo homem do cacau  com a sua paisagem, no seu regresso às origens, o bem vence  o mal. Ultrapassa a morte  pelas mãos do amor  vivido entre Adonias e Rosita.


*Cyro de Mattos é contista, romancista, poeta e cronista. Organizou e prefaciou a coletânea  Histórias Dispersas de Adonias Filho.  



terça-feira, 14 de abril de 2015

SARAU NA ACADEMIA DE LETRAS REUNIU POETAS, ESCRITORES E AMANTES DA LITERATURA


Sob a organização do confrade Gerson dos Anjos, com apoio dos confrades Pawlo Cidade e Geraldo Lavigne de Lemos, o primeiro sarau da Academia deste ano contou com a participação de vários poetas e escritores, como Luh Oliveira, José Maria, Ângela, Mari, o próprio Geraldo e Pawlo Cidade. Além de estudantes da escola estadual Paulo Américo, conduzidos pela professora Naiara Rocha.

Foi uma noite de muita poesia e depoimentos que passaram por declamações de Fernando Pessoa, Olavo Bilac, Renato Russo, Valdelice Pinheiro e muitos outros. Sem falar dos poemas dos autores regionais e locais.

O próximo sarau será no dia 11 de maio, a partir das 18h30.

sábado, 4 de abril de 2015

CRÔNICA


Queima do Judas

     Cyro de Mattos
        
  
O sábado era o dia em que mais gostava na Semana Santa. Amanhecia alegre porque Jesus Cristo ressuscitava nesse dia. Já podia cantar marchinhas no banheiro lá em casa quando fosse escovar os dentes e tomar banho. Já podia  beber leite no café da manhã e comer carne de gado, porco, carneiro ou galinha na refeição do almoço. Podia jogar bola no campinho  da beira-rio, pescar, nadar e mergulhar no rio Cachoeira. Se quisesse, podia ir assistir ao último episódio do seriado de Flash Gordon na matinê do Cine Itabuna.
A cidade voltava a ter sua vida normal, os comerciantes abriam as portas de suas lojas, as pessoas caminhavam  na rua, ora apressadas, ora tranqüilas. A feira atrás da estação do trem voltava a fazer sua festa, com vozes que não paravam de falar, as pessoas comprando tudo que podia se imaginar. O padre Nestor celebrava a missa das sete com entusiasmo na igreja de Santo Antônio cheia de fiéis. Depois que dava a bênção final, bradava que Cristo estava vivo, era o verdadeiro e único  rei dos cristãos, reinou e sempre haveria de reinar, ressuscitava para o bem da vida,  aleluia!
A queima do Judas acontecia nos bairros populares. Para minha alegria e surpresa, dessa vez  o Judas  ia ser queimado lá na rua. Quem preparou o boneco de palha, cheio de bombas na cabeça, tronco e membros, foi seu Filó, o dono da casa que vendia ferro e alumínio na rua do comércio.  À noite, por volta das 19 horas, já havia muita gente diante  do Judas pendurado no poste.
Seu Filó começou a ler o testamento do Judas por volta das 20 horas.

A cabeça vai pra seu Ribeiro,
A dele nunca prestou mesmo,
A do burro vale mais dinheiro.
As mãos espertas e macias
Dou pro açougueiro Berilo
Roubar melhor no quilo,
Cada nádega  é pra seu Augusto
Comer gostoso e soltar arroto,
As pernas finas e compridas
Deixo pro João Monteiro
Andar pra frente e ligeiro,
O chapéu grande de palha
É pro prefeito usar sem as galhas,
A calça velha, a camisa rasgada,
O paletó com  a gravata preta
Vão vestir o Zeca Hemetério
Quando viajar pro cemitério,
Os sapatos furados sem cadarço
Dou pra Luís Bernardo calçar
Quando tiver são ou bêbado,
É da meninada minha barriga
Cheia de doces e lombriga,
O charutão é de seu Tonico,
Bom proveito quando for ao circo,
O dinheiro vai pro seu Aleixo
Gastar no jogo do bicho,
O par de meias  com chulé
É pro padre Nestor fazer rapé,
O que precisa Maria Padeira
É um bocado de pele grossa
Pra ela fazer uma peneira,
Já uma parte da peitaça
É pra Dona Maria Graça,
Se ainda sobrar algum osso
É pra dona Joanísia botar
Na sopa de seu Lindolfo.


Começava  a ser queimado pelos pés, aí o que se ouvia eram os estouros de cada bomba arrancando os pedaços do traidor de Jesus Cristo. Eram lançados para todos os lados. Os estouros das bombas misturavam-se com gaiatices, sorrisos,  gritaria de gente grande e pequena.
Alguns dos moradores da rua achavam graça quando tomavam conhecimento de que tinham figurado como herdeiros no testamento do Judas. Outros ficavam aborrecidos, evitando se encontrar com seu Filó na rua, durante algumas semanas. Seu Ribeiro, o agente dos correios,  exigiu que ele lhe pedisse desculpa, se ainda quisesse tê-lo como amigo e bom vizinho. O prefeito Nazário pensou até em processar seu Filó, velho companheiro de partido. Achava que sua fiel esposa Maria Santinha não merecia ser ofendida por tão  grande mentira, mesmo que se tratasse de uma brincadeira inventada por seu Filó no testamento de Judas. Não levou a idéia adiante porque as eleições municipais iam ocorrer naquele ano. Queria ser reeleito como prefeito. E ele bem sabia  que seu Filó era o seu melhor cabo eleitoral na cidade.   (Do livro Roda da Infância, novela, Editora Dimensão, BH)





quinta-feira, 2 de abril de 2015

ACADEMIA REABRIU OS TRABALHOS COM POESIA DE CASTRO ALVES NA PRAÇA QUE LEVA SEU NOME


Acadêmicos presentes: Pawlo Cidade, Josevandro, Neuza, André Rosa, Geraldo Lavigne e Gerson dos Anjos

Todo início de abertura dos trabalhos de cada ano, (14 de março) depositar flores no busto do poeta Castro Alves e recitar seus versos, é mais que uma obrigação, é uma celebração ao grande poeta dos escravos. Castro Alves nasceu no dia 14 de março. Data em que comemoramos o Dia Nacional da Poesia. Por coincidência ou não, quando foi fundada no mesmo dia em 1959, a Academia de Letras de Ilhéus já tinha pronto o seu lema: Patriae Litteras Colendo Serviam – Servir à Pátria cultuando as letras.

Encontro de poetas, José Delmo e o busto de Castro Alves

As comemorações iniciaram às 17h30, na Praça Castro Alves, bem em frente à Biblioteca Pública Adonias Filho, na Avenida Soares Lopes. O poeta e ator José Delmo recitou poemas de Castro Alves e de sua autoria. Depois foi a vez de estudantes do Colégio Ideal também prestar homenagem ao poeta. Em seguida, os confrades se reuniram na Academia de Letras de Ilhéus para a posse do segundo mandato do presidente Josevandro Nascimento e sua diretoria. Em seguida, antes mesmo da emocionante palestra da Dra. Olívia Barradas, o poeta José Delmo recitou um trecho do livro “As Velhas”, do autor centenário Adonias Filho.

A palestrante Olívia Barradas (FOTO) optou por falar sobre o escritor Adonias Filho revelando curiosidades sobre sua vida privada e de como os dois se conheceram. Falou de suas amizades e de como ele foi considerado um arquiteto e engenheiro da narrativa, sobretudo no livro que destacou: “Luanda, Beira, Bahia.” Salientou que “o historiador tem compromisso com o fato histórico, mas, o romancista tem compromisso com o verossímil.”


Diversas autoridades civis e militares estiveram presentes. Por fim, o presidente fez um breve relato das atividades de sua diretoria no biênio 2013-2015 reafirmando que ainda tem muito o que fazer pelas letras em Ilhéus. Lembrou o saudoso Barão de Popof

OS SARAUS DA ACADEMIA DE LETRAS ESTÃO DE VOLTA


NOITE DA SAUDADE EM HOMENAGEM AO ESCRITOR HÉLIO PÓLVORA SERÁ DIA 14 DE MAIO



A noite da saudade, em homenagem ao escritor Hélio Pólvora, ocupante da cadeira nº 24, será realizada no dia 14 de maio, com a saudação feita pelo acadêmico Aleilton Fonseca, da Academia de Letras da Bahia, às 18 horas.

Hélio Pólvora era casado com Maria Pólvora Silva de Almeida. Ele deixa três filhos, Hélio e Raquel, frutos da união com Maria Pólvora, e uma filha (Fernanda), de união anterior. Entre os livros publicados estão os romances Inúteis Luas Obscenas (Casarão do Verbo, 2010) e Don Solidon (Casarão do Verbo, 2011), além dos livros Memorial de Outono (2005), Contos da Noite Fechada (2003) e “…de amor ainda se morre…” (2008).