quarta-feira, 21 de setembro de 2022

A ESCRITORA RITA SANTANA TOMA POSSE NA ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS NO PRÓXIMO SÁBADO

A escritora Rita Santana tomará posse na Academia de Letras de Ilhéus, no dia 24/09 (sábado), às 19 horas, a solenidade ocorrerá na sede da Academia. A chegada da escritora na Academia é aguardada com entusiasmo pelos confrades e confreiras, assim como pelos familiares e amigos da poeta e, especialmente, por seus leitores. 

A eleição de Rita Santana para a Academia de Letras de Ilhéus ocorreu em junho deste ano após a indicação via carta subscrita por diversos membros da Academia e homologação ocorrida em reunião do sodalício, que definiu o nome da professora Rita Santa para a cadeira nº 37, que pertenceu ao jurista Mário Albiani, falecido em 11 de julho do ano passado.

A escritora Rita Santana é natural de Ilhéus e bastante conhecida nos meios culturais do sul da Bahia e em Salvador, em razão de seu trabalho como escritora, atriz e professora. Ela possui livros de contos e poesia, além de diversos textos em antologias publicadas no Brasil e no exterior. O seu nome é verbete no site da Universidade Federal de Minas Gerais e o livro de poesia “Alforrias” publicado pela Editus é considerado uma obra prima da literatura baiana contemporânea.

A escritora Rita Santana será saudada pelo professor universitário, ensaísta e poeta Aleilton Fonseca, membro das Academias de Letras de Ilhéus, Itabuna e da Bahia. Para a mais nova imortal, Rita Santana, “é uma alegria imensa ser acolhida de forma tão calorosa pelos conterrâneos. Sinto que é o momento de retribuir a Ilhéus tudo que aprendi e vivi. A dimensão do afeto que tenho recebido é imensurável”, concluiu a escritora. 

Diversos membros da Academia de Letras de Ilhéus já confirmaram presenças, além de autoridades e convidados. A solenidade será conduzida pelo presidente da Academia, o escritor Pawlo Cidade.

BREVE CURRÍCULO DA ESCRITORA RITA SANTANA

Rita Santa é graduada em Letras com habilitação em língua francesa pela Universidade Estadual de Santa Cruz desde 1997. Em 2007, cursou pós-graduação em História Social e Cultura Afro-brasileira. Como atriz, atuou em peças infantis com destaque para PLUFT, o fantasminha, de Maria Clara Machado. Participou de recitais de poesia e feiras culturais no interior da Bahia, explorando o teatro de rua, sendo uma das fundadoras do grupo Caras e Máscaras (Ilhéus, 1990-1995). 

Ela recebeu o prêmio de melhor atriz regional em 1994 e integrou o elenco de “Dona Flor e seus Dois Maridos”, adaptação do romance homônimo de Jorge Amado, com direção de Fernando Guerreiro (Ilhéus/Salvador - 1992). Participou também do elenco de “Renascer”, telenovela exibida pela Rede Globo e do filme “Tieta do Agreste”, de Cacá Diegues, em 1995. Atuou ainda de outras produções, como “Era uma vez na mata”, espetáculo infantil de Rita Brito (1998). Como escritora, publicou seus contos no Diário da Tarde, em Ilhéus, e no suplemento cultural do jornal A Tarde, de Salvador. Foi uma das coordenadoras do projeto Universidade em Verso na UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz. 

Em 2004, ela foi a vencedora do Prêmio Braskem de Cultura e Arte – Literatura, para autores inéditos, que possibilitou a publicação de seu primeiro livro de contos, “Tramela”. Em 2012 publica “Alforrias”, com poemas de elaboração sofisticada que atestam o amadurecimento da autora na arte da palavra. Em 2019 publicou “Cortesanias (poesia), pela editora Caramurê, um livro de grande exuberância imagística e um lirismo de alto nível. Em 2019, foi a poeta convidada a representar o Brasil no Festival Internacional de Poesia de Buenos Aires.



SERVIÇO

Dia: 24/09/2022 (sábado)
Horário: 19 horas
Local: Sede da Academia de Letras de Ilhéus
Rua Antônio Lavigne de Lemos, n.º 39, Centro.

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

CONVOCAÇÃO ELEIÇÃO BIÊNIO 2023-2025



ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS

 

Edital 

 

PROCESSO ELEITORAL 

PARA DIRETORIA 

BIÊNIO 2023/2025

 

 

O Presidente da Academia de Letras de Ilhéus, no uso das atribuições que lhe são conferidas, vem publicar o presente EDITAL, referente ao Processo Eleitoral para escolha da DIRETORIA 2023/2025, apresentando o calendário a seguir, para ciência de todos os membros: 

 

 

1      — INSCRIÇÃO DE CHAPAS: 

 

·        De 3 a 5 de outubro de 2022;

 

·      A ELEIÇÃO SE DÁ POR CHAPA, QUE DEVE CONSTAR:

 

— PRESIDENTE

— VICE-PRESIDENTE

— SECRETÁRIO(A) GERAL

— 1o. SECRETÁRIO(A)

— 1o. TESOUREIRO(A)

— 2o.TESOUREIRO(A)

 

·        AS DIRETORIAS SÃO DE INDICAÇÃO DO PRESIDENTE;

 

·      A PUBLICAÇÃO DA(S) CHAPA(S) INSCRITA(S) E HOMOLOGADAS SE DARÁ EM 5 de novembro de 2022.

 

2      — PERÍODO DE CAMPANHA: 

 

·        De 6 a 10 de outubro de 2022.

 

— PERÍODO DAS VOTAÇÕES:

 

·        De 11 a 16 de outubro de 2022. 

 

·      Os votos podem ser feitos através de cédulas na urna, na sede da ALI, ou pelo e-mail da ALI: academiadeletrasdeilheus@gmail.com colocando no assunto: ELEIÇÕES 2022, e no corpo do e-mail a informação que vota na Chapa “X”.

 

4 — CONTAGEM DOS VOTOS 

 

·      A contagem dos votos ocorrerá em Reunião Ordinária, no dia 17 de outubro de 2022 (segunda-feira), as 17 horasna sede da instituição ou de forma remota, sita à Rua Antonio Lavigne de Lemos n. 39, centro, na cidade de Ilhéus-Bahia, ficando os membros desde já convocados, através da publicação deste Edital;

 

·      A responsabilidade da contagem e demais etapas desta eleição ficarão a cargo da Comissão de Eleição Exclusiva para esta finalidade, formada pelos acadêmicos Maria Schaun, Maria Luíza Nora e Jane Hilda Mendonça Badaró. Cabendo à primeira a presidência desta comissão.

 

5 — ENCERRAMENTO E ABERTURA DO ANO ACADÊMICO

 

·        O ano acadêmico se encerra em 15 de dezembro de 2022 (Art. 16, dos Estatutos 2017), e o ano acadêmico se inicia em 14 de março de 2023, quando será a posse da nova diretoria. 

 

 

 

Ilhéus, 12 de setembro de 2022

 

 

 

Pawlo Cidade - Presidente ALI

Jane Hilda Mendonça Badaró- Secretária Geral ALI




 

CONVITE DE POSSE




 

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

NOTA DE PASSAMENTO




O confrade Carlos Eduardo Lima Passos da Silva era membro da cadeira nº 38, cujo patrono era Virgílo de Lemos e fundador Nestor Passos.

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

REGISTROS NO TEMPO

 


O confrade Cyro de Mattos no lançamento de seu livro "Berro de Fogo", contos, livro de estreia, na Galeria Goeldi, Ipanema, Rio de Janeiro, 1966. O evento contou com a presença do famoso romancista Adonias Filho, à direita.

domingo, 21 de agosto de 2022

NATHAN COUTINHO DO ROSÁRIO - FUNDADOR DA CADEIRA 37, DA ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS

NATHAN COUTINHO

Por Cyro de Mattos


Nasceu na cidade de Valença, Bahia, em 22 de agosto de 1911. Muito jovem, recém-formado em direito veio residir em Itabuna, onde se dedicou ao jornalismo, à advocacia e à política. Aqui dirigiu durante onze anos o jornal diário “A Época”, que tinha no seu corpo de redatores os jornalistas Hélio Pólvora e Manoel Leal. Em 1947, eleito para a Assembleia Legislativa do Estado transferiu-se com a família para Salvador onde exerceu como deputado três legislaturas. De 1958 a 1959, assumiu a presidência da Assembleia Legislativa Estadual. Foi nomeado para o tribunal de Contas do Estado no qual se tornou conselheiro.

 É autor do livro de poesias Inquietudes. Sua poesia de bom nível seria mais reconhecida se publicada em jornais de circulação nacional. Aparecia nos jornais de Itabuna e Ilhéus. E assim, impressa nas ilhas literárias do interior, ficou esquecida. Ele era o pai da consagrada contista e romancista Sônia Coutinho e do sociólogo Carlos Nelson Coutinho, uma das maiores autoridades sobre a dialética marxista através do prisma de Georg Lukacs. Filhos de Itabuna, ambos passaram aqui a sua infância, antes de o pai com a família fixar residência em Salvador.

 

Nathan Coutinho foi incluído na antologia Poesia Moderna da Região do Cacau, organizada pelo poeta Telmo Padilha, com dois poemas. Um deles transcrevo agora.

 

O Soneto de Agosto

 

Na sombria mudez de teus dias cinzentos

há soluços de inverno e angústias de sol posto.

És veneno e ilusão… E nos teus céus nevoentos

há o motivo maior de todo o meu desgosto.

Mês das horas mortais e dos minutos lentos,

mês de melancolia e de penumbra… Agosto!

Tu vens ressuscitar a dor dos meus tormentos,

pondo-me crepes na alma e lágrimas no rosto.

 

No lívido palor dos teus dias de calma

com o noturno da chuva a minha dor confortas

e ouço a alma de Chopin a chorar na tua alma…

Quando vens, mansamente, no Nada me convidas:

porque és o mês do tédio, o mês das folhas mortas

– ó mês sentimental das ânsias incontidas!

 

“O Soneto de Agosto” apresenta-se no formato fixo do próprio soneto, o conteúdo tem laivos simbolistas. Sem deslizes na ideia e nos versos, emerge da tristeza e revela as interioridades do poeta através das unidades rítmicas. Um soneto que tem a cor das sombras, da melancolia, como pedia a estética simbolista e que dá uma pequena mostra de quanto Nathan Coutinho era um poeta de qualidades, que sabia se expressar com inconfundível disponibilidade anímica. Ele é um dos patronos da Academia de Letras de Itabuna ( ALITA).


* Cyro de Mattos é membro da Academia de Letras de Ilhéus.


PARA SABER MAIS SOBRE Nathan Coutinho CLIQUE AQUI.

sábado, 13 de agosto de 2022

POESIA


Foto: Jorge Amado no Cana Brava, Ilhéus/ Divulgação


Peripécia de Jorge Amado

Cyro de Mattos* 


Eu te louvo pelos oprimidos

nos subterrâneos da liberdade,

teu pulso erguido com amor

fale da seiva de servos,

calo sem orvalho na trama

do ouro vegetal com rifle na curva.

Teu verde galope sem sono,

na seara vermelha tua face

carregando sede e fome,

o olho do sol crepitando

céu de fogo na aurora,

fósforo aceso no crepúsculo.

Teu riso leonino fendido

com os capitães da areia,

esse trauma de ladeiras

e ruas do mundo sem teto

manchado na hora da ciranda.

Numa tenda dos milagres

toda a Bahia mestiça cabendo,

no sumiço de uma santa

a arte incrível de um feiticeiro.  

Eu te louvo no peito lírico,

a garra de Teresa Batista,

fome de Dona Flor, agreste Tieta,

rosa de Gabriela, cravo de Nacib.

Quem te fez pastor da noite,

Vasco Moscoso, flor do povo,

Pedro Bala, amado guerreiro,

boêmio, malandro, meretriz, violeiro,

guardador de chaves africanas,

verdade absoluta em Pedro Arcanjo,

duas mortes de Quincas Berro Dágua,

gargalhada da Bahia ao infinito?

Ó meu capitão de longo curso,

para te louvar com aplausos,

risos grandes e muitos vivas,  

 tua cidade de mares e santos 

amanhece repetida de foguetes,

de estrelas e atabaques anoitece,

nos terreiros orixás estão descendo.


* Membro da Academia de Letras de Ilhéus, ALITA e Academia de Letras da Bahia.


quarta-feira, 10 de agosto de 2022

HOJE É O DIA DO NOSSO ESCRITOR-MOR, JORGE AMADO. SE VIVO ESTIVESSE COMPLETARIA 110 ANOS!



“Não foi por devoção que Eulália deu ao primeiro filho o nome de santo que batizava a cidade mais próspera. O preferido era santo Antônio, a quem chamava Tonho nas rezas em que lhe pedia a vinda de um varão, e não de uma mulher, mais uma a sofrer. Como Ilhéus deixara de ser chamada pelo nome mais longo — São Jorge dos Ilhéus —, a mãe, que talvez não se recordasse do padroeiro, adivinhava a fama no pertencimento.

 

No registro ficou Jorge Amado. Sem o Leal, da mãe, e o de Faria, do pai, João.”

(Jorge Amado: Uma biografia: Joselia Aguiar, São Paulo: Todavia, 1ª. ed., 2018).

 

Jorge Amado nasceu no dia 10 de agosto de 1912, na Fazenda Auricídia, cidade de Itabuna e faleceu em Salvador, no dia 06 de agosto de 2001.

domingo, 7 de agosto de 2022

ANTONIO BERNARDO VASCONCELOS DE QUEIROZ É O NOSSO PATRONO DA CADEIRA Nº 37


ANTONIO VASCONCELOS DE QUEIROZ 
E SUA VERTENTE POÉTICA

Por Gilson Antunes *

Antonio Bernardo Vasconcelos de Queiroz

Antonio Bernardo Vasconcelos de Queiroz nasceu em 05 de dezembro de 1879, aqui em Valença. Nasceu na mesma casa que foi o berço do seu tio-avô, o estadista do Império, Zacarias de Góis e Vasconcelos. Era filho de doutor Aristides Galvão de Queiroz e dona Maria Benedita Vasconcelos de Queiroz. Realizou os estudos secundários no antigo Liceu da Bahia e o curso superior na Faculdade de Medicina em Salvador, colando o grau em 1902. Foi catedrático de Física, por concurso, do Instituto Normal, transferido depois para o Colégio da Bahia.


Antonio Vasconcelos de Queiroz, homem sábio que marcou sua geração, atuou em Valença, exercendo a medicina e a política. Na vida política, ocupou o cargo de intendente (termo usado até o primeiro quartel do século XX para designar o chefe do poder executivo municipal, hoje prefeito) da Prefeitura durante 06 anos (1916-1922). Já o exercício da medicina, consta nos registros da Almanak Laemmert (76º anno, 2º volume, 1919-1920) seu único nome como médico (entre 1919-20), provavelmente trabalhando no único hospital aí indicado: a Santa Casa. Confrontando os dados supracitados, é bem provável que, ao mesmo tempo em que administrava a cidade, atendia como médico na Santa Casa. 

Na época de sua administração, Valença possuía em torno de 25 mil habitantes, já era iluminada à eletricidade, tinha a maior parte de suas ruas calçadas, era servida por água canalizadas e contava, dentro do perímetro urbano, com cerca de 1.600 casas, conforme dados da Almanak Laemmert. Esse registro histórico ainda assinala uma lista de professores que atuavam na cidade, tanto no âmbito público (estadual e municipal) quanto na esfera particular. Trago esses dados, porque o poema que logo transcreverei analisa o perfil do professor, representando-o de maneira sofrida e sonhadora, como um herói desconhecido que luta, incansavelmente, pelo sustento diário.

Os professores destacados pelo Almanak, na esfera pública foram: 1. Esfera estadual – Guilhermina de Góes, Julia Petit Ferreira, Maria dos Anjos da Fonseca, Marieta Cezimbra Coutinho, Donatilia Guimarães, Rosalina Maria da Fonseca e Antonio Destero. 2. Esfera municipal - Arlinda Torres, Judith Góes, Anna Cathalá Loureiro, Rachel Genoveva Gomes e Adelina Reali. Já na esfera particular, atuava na Escola da Sociedade Beneficente Valença Industrial a professora Helena de Magalhães e tinha como adjunta a professora Maria Fonseca Vasconcelos de Queiroz. Além disso, atuavam como professores particulares Evergisto de Deus, Amélia Messias, Alvina Costa Netto e Dufrosa Freitas. 

O poema que segue, escrito em 1940, segundo Aloysio de Carvalho Filho (1951), é composto por 12 quadras e soa como uma espécie de homenagem ao professor.



PELO SINAL DO PROFESSOR


Distingue-se o professor,

do modo mais evidente,

onde quer que se apresente,

pelo sinal:



É um tipo triste, cansado,

de aspecto pobre e servil:

o mesmo em todo o Brasil

da Santa Cruz.



Sempre queixoso do atraso

nas fôlhas de pagamento...

(Do seu perêne lamento

livre-nos Deus!).



Abandonado da sorte,

só numa coisa confia:

é que desta o leve um dia

Nosso Senhor.



Quando avista um companheiro,

sorri, compassivo, e diz:

- ali vai um infeliz

dos nossos...



Mas não lhe fala: não pode;

é hora de uma lição.

(Quem não souber diz que são

inimigos!)



Não aprecia uma festa,

Um cinema, um recital:

só tem vida social,

em nome.



Sóbrio à força, sonha, às vezes,

com frutas, doce, bebida...

Menos jejum tem a vida

do padre



E neste andar, oscilando

entre um apêrto e um apuro,

como cuidar do futuro

do filho?



Mas trabalha. E para a luta,

que sustenta, dia a dia,

tem que sacar energia

do espírito.



Meio cavaleiro andante,

misto de monge e jogral,

mas nutrindo um ideal

santo!



É um herói desconhecido.

Isso – é mais do que ninguém

Deus te proteja, colega!

Amen. 



Nessas estrofes, saltam aos nossos olhos o perfil do professor traçado pela sensibilidade do poeta. A primeira marca destacada é a de um sujeito passivo, cansado e servil, tipicamente o homem brasileiro. É um indivíduo queixoso e de lamento contínuo, infeliz em sua profissão, em virtude das injustiças que lhe são imputadas. Sem vida social, seu sonho está centrado em alimentos, já que, devido à sua condição financeira, padece de constantes jejuns. Mergulhado nessa miséria financeira, o professor é um ser em luta diária e em contínuas travessias sem norte (Cavaleiro andante, Dom Quixote a alimentar fantasias de um desejo impossível). Trata-se, sob a pena do poeta, de um herói desconhecido, pois, em seu anonimato e em suas injustiças, dedica-se ao trabalho com responsabilidade e afinco, nutrindo um santo ideal. De lá para cá, quase nada mudou. As injustiças continuam, e o professor ainda luta por se tornar um herói reconhecido socialmente. 


REFERÊNCIAS



ALMANAK LAEMMERT. Valença. In: Anuário Comercial, Indistrial, Agricola, Profissional e Administrativo da República dos Estados Unidos do Brasil para 1919-1920. Rio de Janeiro, 76º anno, 2º volume (Estados), p. 2323-2325.

CARVALHO FILHO, Aloysio de. Coletânea de poetas bahianos. Rio de Janeiro: Minerva, 1951.

(*) SILVA, Gilson Antunes da. Antonio Vasconcelos de Queiroz e sua vertente poética. Jornal Valença Agora. Valença, BA, nº 620, 16 a 22 de março de 2017, p.19, 2017.

 

Saiba quem é o professor, doutor em literatura e pesquisador Gilson Antunes da Silva clicando aqui.

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

CYRO DE MATTOS PUBLICA LIVRO SOBRE JORGE AMADO

O escritor e confrade Cyro de Mattos acaba de publicar o livro Os saberes nas narrativas de Jorge Amado, reunindo 18 ensaios sobre a obra do famoso romancista, numa coedição da Fundação Casa de Jorge Amado e ALBA, editora da Assembleia Legislativa da Bahia. O livro traz o prefácio “Cyro Mattos e Jorge Amado: um encontro Grapiúna”, assinado pelo professor doutor em Letras Nelson Cerqueira, poliglota, membro da Academia de Letras da Bahia, ensaísta e ficcionista, e o posfácio “Cyro de Mattos pisando chão verdadeiro”, de Ângela Fraga, escritora e presidente da Fundação Casa de Jorge Amador (Salvador). 

Este é o quinto livro de ensaio de Cyro de Mattoso, também é o quinto publicado pela Fundação Casa de Jorge Amado, com o selo editorial Casa de Palavras. Os outros foram Berro de Fogo e outras histórias, Canto a Nossa Senhora das Matas, Poemas Ibero Americanos e Canto até hoje, obra poética reunida, Prêmio das Arte Jorge Portugal, da Fundação Cultural do Estado e Lei Aldir Blanc. Ele já publicou 62 livros de criação pessoal e possui 15 livros publicados por editoras europeias. 

Os ensaios inclusos em Os saberes nas narrativas de Jorge Amado são estes: O menino grapiúna, Romances da juventude, Negro valente e brigão, Mar de amor e morte, Meninos abandonados, Universo do cacau, Incursão em Itabuna, Da caatinga para o desconhecido, Vadiagem e marinhagem, Pastores da noite, Numa tenda dos milagres, Uma flor entre dois maridos, Duas mulheres guerreiras, Uma história de feitiçaria, O romancista acadêmico, O criador de personagens, Prosador e poeta, Autor para a garotada.

sábado, 23 de julho de 2022

ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS PARTICIPA DO 13º FESTIVAL INTERNACIONAL DO CHOCOLAT BAHIA 2022



A Academia de Letras de Ilhéus também está presente na 13a. edição do Festival Internacional do Chocolat Bahia 2022. Um stand de oito metros quadrados foi montado na área da economia criativa no Centro de Convenções de Ilhéus. "Queremos cada vez mais estar próximos da comunidade ilheense e dar visibilidade à produção literária dos nossos membros", destaca o presidente Pawlo Cidade.

Do agro ao paladar. O maior evento de chocolate e cacau da América Latina também tem literatura. "Afinal, Jorge Amado, Adonias Filho, Jorge Medaur, Euclides Neto e tantos outros efetivos anteriores da Academia tiveram suas histórias ambientadas em fazendas de cacau", ressalta Pawlo. "Estamos muito felizes com o convite da MVU", completa. 

O Chocolat Festival tem o objetivo de promover o chocolate de origem e fomentar os negócios da cacauicultura no país. Além de comercialização de chocolates e outros derivados do cacau selecionado, o Chocolat Bahia promove experiências sensoriais, exposições históricas e artísticas, cursos de capacitação , workshops, debates sobre temas do setor e palestras ministradas por especialistas nacionais e internacionais.

O 13º Festival Internacional do Chocolat Bahia 2022 acontece de 21 a 24 de julho, sempre das 14h às 22h, no Centro de Convenções de Ilhéus.

terça-feira, 19 de julho de 2022

FESTA LITERÁRIA DE ILHÉUS: QUATRO DIAS DE CELEBRAÇÃO!


Jeferson Tenório, vencedor do Prêmio Jabuti 2021, falou sobre sua vida e obra


A 5a Festa Literária de Ilhéus, uma promoção conjunta da Academia de Letras de Ilhéus e a Editus - Editora da UESC, foi encerrada com "gostinho de quero mais" na noite do último sábado, às 18h, com a conferência de Jeferson Tenório sob o tema homônimo de seu premiado livro "O Avesso da pele", para um auditório repleto de amantes da literatura. Jeferson Tenório nasceu no Rio de Janeiro, em 1977. Radicado em Porto Alegre, é doutorando em teoria literária pela PUCRS. Estreou na literatura com o romance O beijo na parede (2013), eleito o livro do ano pela Associação Gaúcha de Escritores. Teve textos adaptados para o teatro e contos traduzidos para o inglês e o espanhol. É autor também de Estela sem Deus (2018). O avesso da pele (2020) é seu romance mais recente, publicado pela editora Companhia das Letras. 

Durante quatro dias de festa, bate-papos literários, workshops, contação de histórias para crianças, sarau, lançamento coletivo e feira de livros fizeram parte da programação que este ano foi realizada em cinco espaços, a saber: Sindicato Rural de Ilhéus (bate-papos literários e sarau), Academia de Letras de Ilhéus (workshops sobre a escrita), Museu do Cacau (feira de livros), Rua Almirante Barroso (programação infantil e musical) e no Palácio Paranaguá (lançamento coletivo de livros das editoras Via Litterarum, Plante e Editus).

ABERTURA - A conferência de abertura deste ano foi apresentada por Viviane Mosé, (foto Ruy Penalva), com o tema: "Literatura e utopias do imaginário", também lema da festa. Viviane Mosé é capixaba, psicóloga e psicanalista, graduada pela Universidade Federal do Espirito Santo, onde tornou-se especialista em Elaboração e Implementação de Politicas Públicas. (Desta especialização nasceu o livro A resistência tapuia na Capitania do Espírito Santo, publicada em 2012). É Mestre e doutora em filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, (cuja tese foi publicada com o Título Nietzsche e a grande política da linguagem, em 2005, pela Editora Civilização Brasileira) e autora de doze livros entre poesia, filosofia, educação, tendo duas indicações ao Prêmio Jabuti, Stela do Patrocínio – Reino dos bichos e dos animais é o meu nome, de 2002, e A Escola e os desafios contemporâneos, de 2013.

BATE-PAPOS E ATIVIDADES - A primeira mesa da programação do dia 14 teve início às 9h e foi marcada pela poesia modernista na contemporaneidade com Aleilton Fonseca, André Rosa, Geraldo Lavigne de Lemos e mediação de Cátia Hughes. Paralelamente, o workshop "A arte da escrita", foi ministrada na Academia de Letras de Ilhéus pelo escritor Ivo Korytowski. 



Mesa de abertura - A poesia modernista na contemporaneidade


Na sequência, às 14h, Ivo Korytowski, Wilson Mendes e Pawlo Cidade trouxeram à tona um cronista esquecido pelos ilheenses, Fernando Leite Mendes que nos idos pré-internet em que todo mundo lia jornal, tivemos uma plêiade de notáveis cronistas literários, entre eles, o ilheense Fernando Leite Mendes. Às 16h, Elisa Oliveira, Luh Oliveira, Neila Bruno Brasil e Kali Oliveira falaram sobre "A arte e a vez de escrever para crianças" debatendo que é preciso redescobrir palavras, conversar com as crianças para que possamos escrever para elas. Por fim, às 18h, encerrando a programação do segundo dia do evento, o Palácio Paranaguá foi palco do lançamento coletivo de livros das editoras Via Litterarum, Plante e Editus. Cerca de vinte autores estiveram presentes para apresentar suas obras ao grande público que esteve presente. Entre eles, o homenageado Ruy do Carmo Póvoas, Jorge Araújo, Neila Bruno e Marcelo Henrique. 



Lançamento coletivo de livros no Palácio Paranaguá


O terceiro dia, às 9h, começou com Elis Matos, Iran Melo e Tales Pereira/Tallúyz Mann discutindo o tema: "Todas, todos e todas: uma questão de gênero e linguagem" que, embora já consolidados, os estudos de gênero ganham cada vez mais corpo não só no campo acadêmico, com interface em disciplinas de várias áreas, mas também no debate social. Ao mesmo tempo, o workshop "Transformando ideias em contos", ministrado por Neila Brasil, ocorria no auditório da Academia de Letras de Ilhéus e a contação de histórias pela Bibex e o Proler na rua Almirante Barroso.

À tarde, às 14h, para uma plateia repleta de estudantes, Edgard Abbehusen, escritor, jornalista e compositor, autor dos livros “Quem Tem Como Me Amar Não Me Perde Em Nada” (Villardo, 2017), “O Que Tiver de Ser Amar (Villardo, 2019) e “Acredite Na Sua Capacidade De Superar (Planeta, 2020) e mais de um milhão de seguidores no Instagram, ao lado das queridas Julianna Torezani e Rita Virgínia Argollo falaram sobre "Redes sociais: entre a arte e o controle". Distantes do cenário em que pensávamos o ciberespaço como um ambiente de compartilhamentos e trocas, passamos pela experiência da apropriação e debate cercados por estratégias de mercado. Neste contexto, a mesa discutiu se seria possível pensar as redes sociais como suporte para a arte sem ter em mente as questões em todo da chamada sociedade de controle.

Às 16h, Fabrício Brandão, Jane Hilda Badaró, Maria Luiza Heine e Tcharly Briglia abordaram sobre "Poesia, arte e internet" salientando que a diversidade de contextos na atualidade e a velocidade com que se propagam ideias e ideais, a poesia tem ganhado cada vez mais espaço no mundo virtual e descido, literalmente, das estantes. A programação do penúltimo dia da festa terminou com o Sarau "Poesia de Aluvião", dirigido por Geraldo Lavigne de Lemos e Fabrício Brandão. Na oportunidade também foi lançado o livro homônimo organizado por eles e com a participação de quinze poetas do Sul da Bahia.

No quarto e último dia da celebração das letras, às 10h, Karen Ramos, Milena Magalhães e Thiago Soares fizeram uma roda de conversa com um objetivo de proporcionar um diálogo em torno da produção musical contemporânea e sua relação com a cultura, literatura e os anseios sociais sob o tema: "Corpos dançantes: música, literatura e artivismo". Às 15h foi a vez do sul-africano Mlungisi Mkhonza e do cineasta carioca Rodrigo Felha, mediados pelo professor Rodrigo Bomfim, falarem sobre "Favela, juventudes e narrativas do mundo". A roda de conversa propôs uma análise a partir do que se pode entender como diversidade de pólo emissor, da polifonia e dos diversos suportes que devem estar à disposição dos públicos mais variados, independentemente de espaço geográfico ou condições sociopolíticas. 

À noite, Jeferson Tenório fechou com chave de ouro, seguido pelo show autoral de Ligia Callaz, às 20h, no palco Letto Nicolau, armado na rua Almirante Barroso.



Maurício Santa Moreau (vice-reitor da UESC), Pawlo Cidade (presidente da ALI), Mozart Aragão (Secretário da Casa Civil), Roger Sarmento (TV Santa Cruz) e Nívia Cohen (Coordenadora Institucional da Bahiagás). Foto Ruy Penalva.


APOIOS IMPORTANTES - Este ano a festa contou com o apoio cultural da Cesol, Setre, He-Net, Hotel La Dolce Vita, Proex, Proler, Fundação Pedro Calmon, Rádio Uesc, TV Uesc, Tv Santa Cruz, Bahia FM Sul, Ilhéus FM, Bar Vesúvio, Barrakitica e Patrocínio do governo do Estado da Bahia através da Bahiagás. 

quinta-feira, 7 de julho de 2022

5ª FESTA LITERÁRIA DE ILHÉUS COMEÇA NO PRÓXIMO DIA 13 COM CONFERÊNCIA DE VIVIANE MOSÉ




Com o tema “Literatura e utopias do imaginário”, a 5ª edição da Festa Literária de Ilhéus (FLI) será realizada de 13 a 16 de julho, promovida pela Editus - Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) - e Academia de Letras de Ilhéus (ALI), com apoio da Ilhéus FM, Bahia FM Sul, TV Santa Cruz, Hotel La Dolce Vita, Secretaria Municipal de Cultura, Governo do Estado da Bahia, através da Fundação Pedro Calmon e Secretaria de Esporte, Emprego e Renda; Cesol e patrocínio da Bahiagás.  

A FLI integra dois grandes eventos literários já consagrados na região: a Feira do Livro da UESC e o Festival Literário de Ilhéus (FLIOS).

A iniciativa é composta por atividades culturais, comercialização de livros, ações para o público infantil, workshops e rodas de conversas, e tem como objetivo valorizar a institucionalização da literatura universal sulbaiana, fomentar a leitura e a formação de novos escritores. 

A abertura oficial acontecerá dia 13, às 19 horas, no Sindicato Rural, à Rua Eustáquio Bastos, no centro histórico de Ilhéus, quando ocorrerá a entrega do Prêmio Sosígenes Costa de Poesia – comemorativo pelos 26 anos de criação da Editus - e conferência com a psicóloga e escritora Viviane Mosé.

A Festa Literária de Ilhéus conta também com o apoio da Pró-reitoria de Extensão da Uesc (Proex) e do PROLER, e este ano homenageia ao professor, escritor e babalorixá Rui do Carmo Póvoas. A programação, no dia 14, conta com bate-papo sobre “A poesia modernista na contemporaneidade”, às 9 horas, também no Palácio Paranaguá, com a participação dos escritores Aleilton Fonseca, André Rosa, Cátia Hughes e Geraldo Lavigne. 

Logo mais, às 14 horas, no mesmo local, nova mesa de bate-papo vai tematizar a obra de “Fernando Leite Mendes, um cronista esquecido”, com as presenças dos escritores Ivo Korytowski, Pawlo Cidade e Wilson Mendes. Em seguida, às 16 horas, a mesa reunirá as escritoras Elisa Oliveira, Kali Oliveira, Luh Oliveira e Neila Brasil, para debater sobre “A arte e a vez de escrever para crianças”. Às 18 horas, haverá lançamento coletivo de livros na Academia de Letras de Ilhéus. 

Mais Programação – No dia 15, com atividades também no auditório do Sindicato Rural, a partir da 9 horas, o bate-papo será com Elis Matos, Iran Melo e Tales Pereira/ Tallýz Mann sobre o inquietante tema “Todas, todos e todes: uma questão de gênero e linguagem”. Às 14 horas, os professores e comunicólogos Edgard Abbehusen, Julianna Torezani e Rita Virginia Argollo, conversarão sobre “Redes sociais: entre a arte e o controle.”

Os poetas Fabrício Brandão, Jane Hilda Badaró, Maria Luiza Heine e Tcharly Briglia se reúnem à mesa, às 16 horas, para discutir sobre “Poesia, arte e internet”. Às 18 horas, acontecerá um sarau lítero-musical, sob a direção do poeta Geraldo Lavigne de Lemos.

No último dia do evento, 16 de julho, às 10 horas, o bate-papo sobre o tema “Corpos dançantes: música, literatura e artivismo” contará com as presenças de Karen Ramos, Milena Magalhães e Thiago Soares. Às 15 horas, o sul-africano Mlungisi Mkhonza conversará com os professores Rodrigo Bomfim e Rodrigo Felha sobre “Favela, juventudes e narrativas do mundo”.





A programação terá continuidade às 17 horas, com o lançamento de livros da Editus. Em seguida, às 18 horas, a conferência de encerramento será com o escritor carioca Jeferson Tenório sobre “O avesso da pele”, vencedor do Prêmio Jabuti 2021. Depois, previsto para às 19h30min, será apresenta o show da artista Ligia Callaz, também no Palácio Paranaguá.

Workshops e Feira de Livros – A programação da 5ª Festa Literária de Ilhéus oferece também dois workshops gratuitos, que acontecem na Academia de Letras de Ilhéus. Um sobre o tema “A Arte da Escrita”, a ser ministrado pelo premiado escritor Ivo Korytowski, no dia 14, das 9 às 12 horas. E o segundo, no dia 15, nesse mesmo horário, sobre o tema “Transformando Ideias em Contos”, com a professora e escritora Neila Brasil.



Já no Museu do Cacau, ao lado do Sindicato Rural, haverá a tradicional Feira de Livros, com descontos de até 50%.

Para outras informações sobre o evento e seus participantes, além de inscrições para as atividades, acesse o site: https://doity.com.br/festaliterariadeilheus.

VAI TER FEIRA DE LIVROS NA FESTA LITERÁRIA DE ILHÉUS COM DESCONTOS DE ATÉ 50%!




Durante a Festa Literária de Ilhéus teremos a tradicional Feirinha de Livros com descontos de até 50%. A Feirinha será no Museu do Cacau, próximo ao Sindicato Rural de Ilhéus onde acontecerão os bate-papos literários.