quarta-feira, 26 de outubro de 2022

MARIA DE LOURDES NETTO SIMÕES É A MAIS NOVA ACADÊMICA DA ALI


Maria de Lourdes Netto Simões, Tica Simões, é eleita para a cadeira nº 19, cujo efetivo anterior foi o professor historiador Carlos Roberto Arléo Barbosa. Tica possui uma sólida formação humanística, cientifica e pedagógica. Cumpriu Doutorado em Estudos Portugueses; é pós-doutora em Literatura Comparada e Turismo Cultural;  e pós-doutora em Literatura Portuguesa Contemporânea, pela Universidade Nova de Lisboa, Portugal. Como professora da graduação e da pós-graduação, em Letras e em Turismo, da Universidade Estadual de Santa Cruz, ela marcou época, como uma das fundadoras das bases da pesquisa, do ensino e da extensão no estudo da nossa literatura. Assim, orientou 51 trabalhos de alunos, entre graduação e pós-graduação, organizou diversos eventos acadêmicos literários, publicou dezenas de trabalhos em periódicos nacionais e estrangeeiros, num total de 175 textos, entre prefácios, artigos e ensaios, em diversos livros e revistas. Participou de vários eventos locais, nacionais e internacionais, apresentando seus trabalhos, realçando o nome da UESC e da nossa região. Sua sensibilidade crítica a levou a identificar e descrever as relações entre a literatura do Sul da Bahia e o seu potencial para o desenvolvimento do turismo de qualidade cultural, demonstrando que a poesia e as narrativas contituem um legado que retrata as nossas paisagens, as nossas referências, como um conhecimento ao mesmo literário e turístico, como forma de fruição dos ilheenses e também dos nossos visitantes. Atualmente é Consultora para assuntos Literários e Culturais, inclusive os relacionados a fluxo turístico.

Depois de décadas dedicadas à formação intelectual de várias gerações de professores, estudiosos, escritores, críticos literários – seus ex-alunos que a reverenciam nos eventos, Tica Simões tornou-se Professora Titular, hoje aposentada, da Universidade Estadual de Santa Cruz, onde, além de docente, foi Pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação (1996-2000). Foi Conselheira Estadual de Cultura do Estado da Bahia (2011-2013). Por seus méritos, recebeu a Comenda da Ordem do Ensino Público ( de Portugal), e a Comenda do Mérito de São Jorge dos Ilhéus. Trata-se de uma intelectual completa, com vasta experiência, considerada uma grande conhecedora da literatura baiana, brasileira e portuguesa, reconhecida no Brasil e no exterior. Até o momento, já publicou 15 livros, sendo 12 títulos pela Editus, em sua maioria sob a direção editorial da acadêmica Baísa Nora. Entre eles: Pluralidades Patrimônio Cultural e Viagens, Fragmentos postais de um pedaço da Bahia e Expressões culturais, literatura e turismo : estudos sobre memória, identidade e patrimônio cultural.

Seja bem-vinda querida Tica Simões.

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

CONVOCAÇÃO ELEIÇÃO BIÊNIO 2023-2025


ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS


Edital 


PROCESSO ELEITORAL 

PARA DIRETORIA 

BIÊNIO 2023/2025



O Presidente da Academia de Letras de Ilhéus, no uso das atribuições que lhe são conferidas, vem publicar o presente EDITAL, referente ao Processo Eleitoral para escolha da DIRETORIA 2023/2025, apresentando o calendário a seguir, para ciência de todos os membros: 

 

 

1      — INSCRIÇÃO DE CHAPAS: 

 

·        De 1 a 4 de novembro de 2022;


·      A ELEIÇÃO SE DÁ POR CHAPA, QUE DEVE CONSTAR:

 

— PRESIDENTE

— VICE-PRESIDENTE

— SECRETÁRIO(A) GERAL

— 1o. SECRETÁRIO(A)

— 1o. TESOUREIRO(A)

— 2o.TESOUREIRO(A)

 

·        AS DIRETORIAS SÃO DE INDICAÇÃO DO PRESIDENTE;

 

·      A PUBLICAÇÃO DA(S) CHAPA(S) INSCRITA(S) E HOMOLOGADAS SE DARÁ EM 5 de novembro de 2022.

 

2      — PERÍODO DE CAMPANHA: 

 

·        De 7 a 11 de novembro de 2022.

 

— PERÍODO DAS VOTAÇÕES:

 

·        De 14 a 16 de novembro de 2022. 


·      Os votos podem ser feitos através de cédulas na urna, na sede da ALI, ou pelo e-mail da ALI: academiadeletrasdeilheus@gmail.com colocando no assunto: ELEIÇÕES 2022, e no corpo do e-mail a informação que vota na Chapa “X”.

 

4 — CONTAGEM DOS VOTOS 

 

·      A contagem dos votos ocorrerá em Reunião Ordinária, no dia 17 de novembro de 2022 (quinta-feira), as 17 horasna sede da instituição ou de forma remota, sita à Rua Antonio Lavigne de Lemos n. 39, centro, na cidade de Ilhéus-Bahia, ficando os membros desde já convocados, através da publicação deste Edital;

 

·      A responsabilidade da contagem e demais etapas desta eleição ficarão a cargo da Comissão de Eleição Exclusiva para esta finalidade, formada pelos acadêmicos Maria Schaun, Maria Luíza Nora e Jane Hilda Mendonça Badaró. Cabendo à primeira a presidência desta comissão.

 

5 — ENCERRAMENTO E ABERTURA DO ANO ACADÊMICO

 

·        O ano acadêmico se encerra em 15 de dezembro de 2022 (Art. 16, dos Estatutos 2017), e o ano acadêmico se inicia em 14 de março de 2023, quando será a posse da nova diretoria. 

 

 

 

Ilhéus, 19 de outubro de 2022

 

 

 

Pawlo Cidade - Presidente ALI

Jane Hilda Mendonça Badaró- Secretária Geral ALI

 

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

ASSEMBLEIA ORDINÁRIA





CONVOCAÇÃO

 

P/ REUNIÃO ORDINÁRIA EM 26 DE OUTUBRO DE 2022

A ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS CONVOCA SEUS MEMBROS PARA

REUNIÃO ORDINÁRIA A REALIZAR-SE EM 26 DE OUTUBRO DE 2022, DE

FORMA REMOTA, ÀS 19:00 HORAS EM PRIMEIRA CHAMADA E AS 19:10 EM

SEGUNDA CHAMADA VALIDANDO-SE AS DECISÕES COM O NÚMERO DE

ACADÊMICOS PRESENTES:

 

SERÃO PONTOS DE PAUTA:

 

A) DEFINIÇÕES SOBRE ELEIÇÃO E PREENCHIMENTO CADEIRA N.19, EM VACÂNCIA

PELO PASSAMENTO DO CONFRADE CARLOS ROBERTO ARLÉO BARBOSA .

B) O QUE OCORRER

 

• O LINK PARA A REUNIÃO SERÁ FORNECIDO OPORTUNAMENTE

 

SAUDAÇÕES CORDIAIS

 

ILHÉUS, 17 DE OUTUBRO DE 2022.

 

PAWLO CIDADE - PRESIDENTE

JANE HILDA M. BADARÓ – SECRETÁRIA GERAL

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

A ESCRITORA RITA SANTANA TOMA POSSE NA ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS NO PRÓXIMO SÁBADO

A escritora Rita Santana tomará posse na Academia de Letras de Ilhéus, no dia 24/09 (sábado), às 19 horas, a solenidade ocorrerá na sede da Academia. A chegada da escritora na Academia é aguardada com entusiasmo pelos confrades e confreiras, assim como pelos familiares e amigos da poeta e, especialmente, por seus leitores. 

A eleição de Rita Santana para a Academia de Letras de Ilhéus ocorreu em junho deste ano após a indicação via carta subscrita por diversos membros da Academia e homologação ocorrida em reunião do sodalício, que definiu o nome da professora Rita Santa para a cadeira nº 37, que pertenceu ao jurista Mário Albiani, falecido em 11 de julho do ano passado.

A escritora Rita Santana é natural de Ilhéus e bastante conhecida nos meios culturais do sul da Bahia e em Salvador, em razão de seu trabalho como escritora, atriz e professora. Ela possui livros de contos e poesia, além de diversos textos em antologias publicadas no Brasil e no exterior. O seu nome é verbete no site da Universidade Federal de Minas Gerais e o livro de poesia “Alforrias” publicado pela Editus é considerado uma obra prima da literatura baiana contemporânea.

A escritora Rita Santana será saudada pelo professor universitário, ensaísta e poeta Aleilton Fonseca, membro das Academias de Letras de Ilhéus, Itabuna e da Bahia. Para a mais nova imortal, Rita Santana, “é uma alegria imensa ser acolhida de forma tão calorosa pelos conterrâneos. Sinto que é o momento de retribuir a Ilhéus tudo que aprendi e vivi. A dimensão do afeto que tenho recebido é imensurável”, concluiu a escritora. 

Diversos membros da Academia de Letras de Ilhéus já confirmaram presenças, além de autoridades e convidados. A solenidade será conduzida pelo presidente da Academia, o escritor Pawlo Cidade.

BREVE CURRÍCULO DA ESCRITORA RITA SANTANA

Rita Santa é graduada em Letras com habilitação em língua francesa pela Universidade Estadual de Santa Cruz desde 1997. Em 2007, cursou pós-graduação em História Social e Cultura Afro-brasileira. Como atriz, atuou em peças infantis com destaque para PLUFT, o fantasminha, de Maria Clara Machado. Participou de recitais de poesia e feiras culturais no interior da Bahia, explorando o teatro de rua, sendo uma das fundadoras do grupo Caras e Máscaras (Ilhéus, 1990-1995). 

Ela recebeu o prêmio de melhor atriz regional em 1994 e integrou o elenco de “Dona Flor e seus Dois Maridos”, adaptação do romance homônimo de Jorge Amado, com direção de Fernando Guerreiro (Ilhéus/Salvador - 1992). Participou também do elenco de “Renascer”, telenovela exibida pela Rede Globo e do filme “Tieta do Agreste”, de Cacá Diegues, em 1995. Atuou ainda de outras produções, como “Era uma vez na mata”, espetáculo infantil de Rita Brito (1998). Como escritora, publicou seus contos no Diário da Tarde, em Ilhéus, e no suplemento cultural do jornal A Tarde, de Salvador. Foi uma das coordenadoras do projeto Universidade em Verso na UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz. 

Em 2004, ela foi a vencedora do Prêmio Braskem de Cultura e Arte – Literatura, para autores inéditos, que possibilitou a publicação de seu primeiro livro de contos, “Tramela”. Em 2012 publica “Alforrias”, com poemas de elaboração sofisticada que atestam o amadurecimento da autora na arte da palavra. Em 2019 publicou “Cortesanias (poesia), pela editora Caramurê, um livro de grande exuberância imagística e um lirismo de alto nível. Em 2019, foi a poeta convidada a representar o Brasil no Festival Internacional de Poesia de Buenos Aires.



SERVIÇO

Dia: 24/09/2022 (sábado)
Horário: 19 horas
Local: Sede da Academia de Letras de Ilhéus
Rua Antônio Lavigne de Lemos, n.º 39, Centro.

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

CONVOCAÇÃO ELEIÇÃO BIÊNIO 2023-2025



ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS

 

Edital 

 

PROCESSO ELEITORAL 

PARA DIRETORIA 

BIÊNIO 2023/2025

 

 

O Presidente da Academia de Letras de Ilhéus, no uso das atribuições que lhe são conferidas, vem publicar o presente EDITAL, referente ao Processo Eleitoral para escolha da DIRETORIA 2023/2025, apresentando o calendário a seguir, para ciência de todos os membros: 

 

 

1      — INSCRIÇÃO DE CHAPAS: 

 

·        De 3 a 5 de outubro de 2022;

 

·      A ELEIÇÃO SE DÁ POR CHAPA, QUE DEVE CONSTAR:

 

— PRESIDENTE

— VICE-PRESIDENTE

— SECRETÁRIO(A) GERAL

— 1o. SECRETÁRIO(A)

— 1o. TESOUREIRO(A)

— 2o.TESOUREIRO(A)

 

·        AS DIRETORIAS SÃO DE INDICAÇÃO DO PRESIDENTE;

 

·      A PUBLICAÇÃO DA(S) CHAPA(S) INSCRITA(S) E HOMOLOGADAS SE DARÁ EM 5 de novembro de 2022.

 

2      — PERÍODO DE CAMPANHA: 

 

·        De 6 a 10 de outubro de 2022.

 

— PERÍODO DAS VOTAÇÕES:

 

·        De 11 a 16 de outubro de 2022. 

 

·      Os votos podem ser feitos através de cédulas na urna, na sede da ALI, ou pelo e-mail da ALI: academiadeletrasdeilheus@gmail.com colocando no assunto: ELEIÇÕES 2022, e no corpo do e-mail a informação que vota na Chapa “X”.

 

4 — CONTAGEM DOS VOTOS 

 

·      A contagem dos votos ocorrerá em Reunião Ordinária, no dia 17 de outubro de 2022 (segunda-feira), as 17 horasna sede da instituição ou de forma remota, sita à Rua Antonio Lavigne de Lemos n. 39, centro, na cidade de Ilhéus-Bahia, ficando os membros desde já convocados, através da publicação deste Edital;

 

·      A responsabilidade da contagem e demais etapas desta eleição ficarão a cargo da Comissão de Eleição Exclusiva para esta finalidade, formada pelos acadêmicos Maria Schaun, Maria Luíza Nora e Jane Hilda Mendonça Badaró. Cabendo à primeira a presidência desta comissão.

 

5 — ENCERRAMENTO E ABERTURA DO ANO ACADÊMICO

 

·        O ano acadêmico se encerra em 15 de dezembro de 2022 (Art. 16, dos Estatutos 2017), e o ano acadêmico se inicia em 14 de março de 2023, quando será a posse da nova diretoria. 

 

 

 

Ilhéus, 12 de setembro de 2022

 

 

 

Pawlo Cidade - Presidente ALI

Jane Hilda Mendonça Badaró- Secretária Geral ALI




 

CONVITE DE POSSE




 

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

NOTA DE PASSAMENTO




O confrade Carlos Eduardo Lima Passos da Silva era membro da cadeira nº 38, cujo patrono era Virgílo de Lemos e fundador Nestor Passos.

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

REGISTROS NO TEMPO

 


O confrade Cyro de Mattos no lançamento de seu livro "Berro de Fogo", contos, livro de estreia, na Galeria Goeldi, Ipanema, Rio de Janeiro, 1966. O evento contou com a presença do famoso romancista Adonias Filho, à direita.

domingo, 21 de agosto de 2022

NATHAN COUTINHO DO ROSÁRIO - FUNDADOR DA CADEIRA 37, DA ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS

NATHAN COUTINHO

Por Cyro de Mattos


Nasceu na cidade de Valença, Bahia, em 22 de agosto de 1911. Muito jovem, recém-formado em direito veio residir em Itabuna, onde se dedicou ao jornalismo, à advocacia e à política. Aqui dirigiu durante onze anos o jornal diário “A Época”, que tinha no seu corpo de redatores os jornalistas Hélio Pólvora e Manoel Leal. Em 1947, eleito para a Assembleia Legislativa do Estado transferiu-se com a família para Salvador onde exerceu como deputado três legislaturas. De 1958 a 1959, assumiu a presidência da Assembleia Legislativa Estadual. Foi nomeado para o tribunal de Contas do Estado no qual se tornou conselheiro.

 É autor do livro de poesias Inquietudes. Sua poesia de bom nível seria mais reconhecida se publicada em jornais de circulação nacional. Aparecia nos jornais de Itabuna e Ilhéus. E assim, impressa nas ilhas literárias do interior, ficou esquecida. Ele era o pai da consagrada contista e romancista Sônia Coutinho e do sociólogo Carlos Nelson Coutinho, uma das maiores autoridades sobre a dialética marxista através do prisma de Georg Lukacs. Filhos de Itabuna, ambos passaram aqui a sua infância, antes de o pai com a família fixar residência em Salvador.

 

Nathan Coutinho foi incluído na antologia Poesia Moderna da Região do Cacau, organizada pelo poeta Telmo Padilha, com dois poemas. Um deles transcrevo agora.

 

O Soneto de Agosto

 

Na sombria mudez de teus dias cinzentos

há soluços de inverno e angústias de sol posto.

És veneno e ilusão… E nos teus céus nevoentos

há o motivo maior de todo o meu desgosto.

Mês das horas mortais e dos minutos lentos,

mês de melancolia e de penumbra… Agosto!

Tu vens ressuscitar a dor dos meus tormentos,

pondo-me crepes na alma e lágrimas no rosto.

 

No lívido palor dos teus dias de calma

com o noturno da chuva a minha dor confortas

e ouço a alma de Chopin a chorar na tua alma…

Quando vens, mansamente, no Nada me convidas:

porque és o mês do tédio, o mês das folhas mortas

– ó mês sentimental das ânsias incontidas!

 

“O Soneto de Agosto” apresenta-se no formato fixo do próprio soneto, o conteúdo tem laivos simbolistas. Sem deslizes na ideia e nos versos, emerge da tristeza e revela as interioridades do poeta através das unidades rítmicas. Um soneto que tem a cor das sombras, da melancolia, como pedia a estética simbolista e que dá uma pequena mostra de quanto Nathan Coutinho era um poeta de qualidades, que sabia se expressar com inconfundível disponibilidade anímica. Ele é um dos patronos da Academia de Letras de Itabuna ( ALITA).


* Cyro de Mattos é membro da Academia de Letras de Ilhéus.


PARA SABER MAIS SOBRE Nathan Coutinho CLIQUE AQUI.

sábado, 13 de agosto de 2022

POESIA


Foto: Jorge Amado no Cana Brava, Ilhéus/ Divulgação


Peripécia de Jorge Amado

Cyro de Mattos* 


Eu te louvo pelos oprimidos

nos subterrâneos da liberdade,

teu pulso erguido com amor

fale da seiva de servos,

calo sem orvalho na trama

do ouro vegetal com rifle na curva.

Teu verde galope sem sono,

na seara vermelha tua face

carregando sede e fome,

o olho do sol crepitando

céu de fogo na aurora,

fósforo aceso no crepúsculo.

Teu riso leonino fendido

com os capitães da areia,

esse trauma de ladeiras

e ruas do mundo sem teto

manchado na hora da ciranda.

Numa tenda dos milagres

toda a Bahia mestiça cabendo,

no sumiço de uma santa

a arte incrível de um feiticeiro.  

Eu te louvo no peito lírico,

a garra de Teresa Batista,

fome de Dona Flor, agreste Tieta,

rosa de Gabriela, cravo de Nacib.

Quem te fez pastor da noite,

Vasco Moscoso, flor do povo,

Pedro Bala, amado guerreiro,

boêmio, malandro, meretriz, violeiro,

guardador de chaves africanas,

verdade absoluta em Pedro Arcanjo,

duas mortes de Quincas Berro Dágua,

gargalhada da Bahia ao infinito?

Ó meu capitão de longo curso,

para te louvar com aplausos,

risos grandes e muitos vivas,  

 tua cidade de mares e santos 

amanhece repetida de foguetes,

de estrelas e atabaques anoitece,

nos terreiros orixás estão descendo.


* Membro da Academia de Letras de Ilhéus, ALITA e Academia de Letras da Bahia.


quarta-feira, 10 de agosto de 2022

HOJE É O DIA DO NOSSO ESCRITOR-MOR, JORGE AMADO. SE VIVO ESTIVESSE COMPLETARIA 110 ANOS!



“Não foi por devoção que Eulália deu ao primeiro filho o nome de santo que batizava a cidade mais próspera. O preferido era santo Antônio, a quem chamava Tonho nas rezas em que lhe pedia a vinda de um varão, e não de uma mulher, mais uma a sofrer. Como Ilhéus deixara de ser chamada pelo nome mais longo — São Jorge dos Ilhéus —, a mãe, que talvez não se recordasse do padroeiro, adivinhava a fama no pertencimento.

 

No registro ficou Jorge Amado. Sem o Leal, da mãe, e o de Faria, do pai, João.”

(Jorge Amado: Uma biografia: Joselia Aguiar, São Paulo: Todavia, 1ª. ed., 2018).

 

Jorge Amado nasceu no dia 10 de agosto de 1912, na Fazenda Auricídia, cidade de Itabuna e faleceu em Salvador, no dia 06 de agosto de 2001.

domingo, 7 de agosto de 2022

ANTONIO BERNARDO VASCONCELOS DE QUEIROZ É O NOSSO PATRONO DA CADEIRA Nº 37


ANTONIO VASCONCELOS DE QUEIROZ 
E SUA VERTENTE POÉTICA

Por Gilson Antunes *

Antonio Bernardo Vasconcelos de Queiroz

Antonio Bernardo Vasconcelos de Queiroz nasceu em 05 de dezembro de 1879, aqui em Valença. Nasceu na mesma casa que foi o berço do seu tio-avô, o estadista do Império, Zacarias de Góis e Vasconcelos. Era filho de doutor Aristides Galvão de Queiroz e dona Maria Benedita Vasconcelos de Queiroz. Realizou os estudos secundários no antigo Liceu da Bahia e o curso superior na Faculdade de Medicina em Salvador, colando o grau em 1902. Foi catedrático de Física, por concurso, do Instituto Normal, transferido depois para o Colégio da Bahia.


Antonio Vasconcelos de Queiroz, homem sábio que marcou sua geração, atuou em Valença, exercendo a medicina e a política. Na vida política, ocupou o cargo de intendente (termo usado até o primeiro quartel do século XX para designar o chefe do poder executivo municipal, hoje prefeito) da Prefeitura durante 06 anos (1916-1922). Já o exercício da medicina, consta nos registros da Almanak Laemmert (76º anno, 2º volume, 1919-1920) seu único nome como médico (entre 1919-20), provavelmente trabalhando no único hospital aí indicado: a Santa Casa. Confrontando os dados supracitados, é bem provável que, ao mesmo tempo em que administrava a cidade, atendia como médico na Santa Casa. 

Na época de sua administração, Valença possuía em torno de 25 mil habitantes, já era iluminada à eletricidade, tinha a maior parte de suas ruas calçadas, era servida por água canalizadas e contava, dentro do perímetro urbano, com cerca de 1.600 casas, conforme dados da Almanak Laemmert. Esse registro histórico ainda assinala uma lista de professores que atuavam na cidade, tanto no âmbito público (estadual e municipal) quanto na esfera particular. Trago esses dados, porque o poema que logo transcreverei analisa o perfil do professor, representando-o de maneira sofrida e sonhadora, como um herói desconhecido que luta, incansavelmente, pelo sustento diário.

Os professores destacados pelo Almanak, na esfera pública foram: 1. Esfera estadual – Guilhermina de Góes, Julia Petit Ferreira, Maria dos Anjos da Fonseca, Marieta Cezimbra Coutinho, Donatilia Guimarães, Rosalina Maria da Fonseca e Antonio Destero. 2. Esfera municipal - Arlinda Torres, Judith Góes, Anna Cathalá Loureiro, Rachel Genoveva Gomes e Adelina Reali. Já na esfera particular, atuava na Escola da Sociedade Beneficente Valença Industrial a professora Helena de Magalhães e tinha como adjunta a professora Maria Fonseca Vasconcelos de Queiroz. Além disso, atuavam como professores particulares Evergisto de Deus, Amélia Messias, Alvina Costa Netto e Dufrosa Freitas. 

O poema que segue, escrito em 1940, segundo Aloysio de Carvalho Filho (1951), é composto por 12 quadras e soa como uma espécie de homenagem ao professor.



PELO SINAL DO PROFESSOR


Distingue-se o professor,

do modo mais evidente,

onde quer que se apresente,

pelo sinal:



É um tipo triste, cansado,

de aspecto pobre e servil:

o mesmo em todo o Brasil

da Santa Cruz.



Sempre queixoso do atraso

nas fôlhas de pagamento...

(Do seu perêne lamento

livre-nos Deus!).



Abandonado da sorte,

só numa coisa confia:

é que desta o leve um dia

Nosso Senhor.



Quando avista um companheiro,

sorri, compassivo, e diz:

- ali vai um infeliz

dos nossos...



Mas não lhe fala: não pode;

é hora de uma lição.

(Quem não souber diz que são

inimigos!)



Não aprecia uma festa,

Um cinema, um recital:

só tem vida social,

em nome.



Sóbrio à força, sonha, às vezes,

com frutas, doce, bebida...

Menos jejum tem a vida

do padre



E neste andar, oscilando

entre um apêrto e um apuro,

como cuidar do futuro

do filho?



Mas trabalha. E para a luta,

que sustenta, dia a dia,

tem que sacar energia

do espírito.



Meio cavaleiro andante,

misto de monge e jogral,

mas nutrindo um ideal

santo!



É um herói desconhecido.

Isso – é mais do que ninguém

Deus te proteja, colega!

Amen. 



Nessas estrofes, saltam aos nossos olhos o perfil do professor traçado pela sensibilidade do poeta. A primeira marca destacada é a de um sujeito passivo, cansado e servil, tipicamente o homem brasileiro. É um indivíduo queixoso e de lamento contínuo, infeliz em sua profissão, em virtude das injustiças que lhe são imputadas. Sem vida social, seu sonho está centrado em alimentos, já que, devido à sua condição financeira, padece de constantes jejuns. Mergulhado nessa miséria financeira, o professor é um ser em luta diária e em contínuas travessias sem norte (Cavaleiro andante, Dom Quixote a alimentar fantasias de um desejo impossível). Trata-se, sob a pena do poeta, de um herói desconhecido, pois, em seu anonimato e em suas injustiças, dedica-se ao trabalho com responsabilidade e afinco, nutrindo um santo ideal. De lá para cá, quase nada mudou. As injustiças continuam, e o professor ainda luta por se tornar um herói reconhecido socialmente. 


REFERÊNCIAS



ALMANAK LAEMMERT. Valença. In: Anuário Comercial, Indistrial, Agricola, Profissional e Administrativo da República dos Estados Unidos do Brasil para 1919-1920. Rio de Janeiro, 76º anno, 2º volume (Estados), p. 2323-2325.

CARVALHO FILHO, Aloysio de. Coletânea de poetas bahianos. Rio de Janeiro: Minerva, 1951.

(*) SILVA, Gilson Antunes da. Antonio Vasconcelos de Queiroz e sua vertente poética. Jornal Valença Agora. Valença, BA, nº 620, 16 a 22 de março de 2017, p.19, 2017.

 

Saiba quem é o professor, doutor em literatura e pesquisador Gilson Antunes da Silva clicando aqui.