Para a realização da 5ª. Festa Literária de Ilhéus, prevista para julho de 2022, pela Academia de Letras de Ilhéus, o deputado federal Cacá Leão, irá destinar uma emenda parlamentar no valor de R$150 mil.
Páginas
- Início
- HISTÓRIA
- DIRETORIA 2025-2026
- MEMBROS
- PATRONOS E FUNDADORES
- DISCURSOS DE POSSE
- PORTARIAS
- MEMÓRIA DA ACADEMIA
- FALE CONOSCO
- LEI DE UTILIDADE PÚBLICA
- INDICADOS À COMENDA RUI BARBOSA
- PRÊMIO SOSÍGENES COSTA DE POESIA 2025
- ATAS
- ANIVERSARIANTES
- PRESIDENTE
- COMISSÃO 500 ANOS
- PRESIDENTES 1959-2024
- REVISTA ESTANTE
- ESTATUTOS
- DIRETORIA 2025-2026
- DISCURSO DE RECEPÇÃO
- CENTENÁRIOS COMEMORATIVOS
segunda-feira, 27 de setembro de 2021
DEPUTADO CACÁ LEÃO IRÁ DESTINAR EMENDA PARLAMENTAR PARA A ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS REALIZAR A FESTA LITERÁRIA DE ILHÉUS EM 2022
Para a realização da 5ª. Festa Literária de Ilhéus, prevista para julho de 2022, pela Academia de Letras de Ilhéus, o deputado federal Cacá Leão, irá destinar uma emenda parlamentar no valor de R$150 mil.
ARTIGO

As insuportáveis dores, ora agudas ora como pontadas, ora repuxando, faziam-me recordar vivamente minha falta de atenção por não me ter protegido dos raios solares, despertando-me arrependimento e sofrimento, causando até mesmo crises de desespero, pois eu receava que o estado em que me encontrava pudesse impedir-me de realizar minha tão sonhada expedição à floresta virgem.
quinta-feira, 23 de setembro de 2021
SELEÇÃO DE CONTOS PRORROGADA! APROVEITE!
Para quem ainda não se inscreveu, estamos prorrogando as inscrições para a seleção de contos ABXZ - Caminho das Pedras. Cada selecionado terá direito a um livro totalmente grátis. O que você está esperando? Corre e se inscreve clicando no banner ao lado.
Haverá lançamento coletivo. A promoção é da Editora Via Litterarum, em parceria com a Academia de Letras de Ilhéus.
terça-feira, 21 de setembro de 2021
domingo, 19 de setembro de 2021
SÁBADO QUE VEM TEM TERTÚLIA ACADÊMICA
No próximo sábado, dia 25 de setembro, tem a sétima edição do Tertúlias Acadêmicas. Os presidentes Pawlo Cidade, Tácio Dê, Samuel Mattos e Silmara Oliveira das academias ALI - Academia de Letras de Ilhéus, Academia de Letras de Canavieiras, Academia Grapiúna de Letras e Academia de Letras de Itabuna falam do papel e da importância destas confrarias para o Sul da Bahia. Aguardamos vocês pelo canal da Academia de Letras de Ilhéus, no Instagram, às 18h em ponto.
sábado, 11 de setembro de 2021
ARTIGO
Ilhéus nas criações de Adonias Filho
Cyro de Mattos
Na coletânea Histórias dispersas de Adonias Filho, que organizamos, Ilhéus aparece como o espaço ideal para a criação de dois contos desse ficcionista maior de nossas letras. A figura lendária de Dom Eduardo ressurge em O Nosso Bispo, através de imagens trazidas da memória, que em cada episódio exibe a criatura mais humilde e generosa, o único a que os presos amavam, os assassinos e os ladrões eram os irmãos preferidos. O autor ressalta a figura daquele abnegado frei, que percorria as roças de cacau, a pé ou montado pelas estradas de brejo. É para ele que Ilhéus pulsa a alma de sua gente com devoção e fé, reza e tem seu retrato nas casas, as criaturas apanham as flores no jardim porque acreditam que esse homem generoso como um santo, sereno como o mais humilde entre os seres humanos, possui os poderes do céu.
Em A Lição, o narrador de segurança técnica enfoca o menino na aventura da vida, livre como o vento, ágil como o peixe, alegre como o pássaro. Ao ser levado pelo tio para estudar no internato em Ilhéus, o menino vai saber de repente como a vida é triste quando trancada lá dentro, na alma, com pedaços da infância. O choque causado em razão da mudança da vida livre para a prisão do internato fere e torna o menino, naquele instante, o pior dos rebeldes. Com uma voz mansa, o diretor diz para ele só permanecer na escola por sua livre e espontânea vontade. Ele pergunta se pode tomar um banho. Com a aquiescência do diretor, dirige-se para o banheiro do colégio. Era assim a primeira lição
O mar de Adonias Filho, autor de ritmo poético, estilo sincopado na prosa cantante, mostra em Luanda Beira Bahia como exerce seu poder trágico para seduzir os homens, que não conseguem fugir ao destino de seu aceno movediço. Pelas vastidões das águas tudo trocam, pois são incapazes de permanecer na rotina do chão seguro. O mar no romance Luanda Beira Bahia está cheio de desafios e sortilégios.
Os homens de Ilhéus, ali do Pontal e do Malhado, tinham apenas dois caminhos – dois caminhos e nada mais que aprendia. Entravam matas adentro para o ventre da selva ou saíam mar afora para os portos do mundo. Preferiam o mar, os brancos e os negros, os de sangue português e africano, enquanto os caboclos de sangue índio escolhiam os sertões. O mar, assim começavam a andar, era o primeiro brinquedo. (p. 13)
A personagem Lina do Malhado via o que estava muito além do próprio mar. As mulheres queriam os homens e eles, como os filhos, saíam para o mundo. Primeiro fora o marido Pedro, depois o filho, também Pedro. Como se elas, as mulheres, “estivessem a parir homens para o mar.” (p. 13)
Luanda Beira Bahia apresenta também a personagem Maria da Hora, professora de Caúla, ainda moleque em Ilhéus, é quem traz as primeiras impressões a respeito do continente africano. Em certas horas, a mão negra se abria sobre o mapa e, mostrando os continentes, parava na África. “Homens de Ilhéus estão nesses mares”, observava.
No romance com sabor de obra-prima, os dois irmãos Caúla e Iuta apaixonam-se e se unem sem que conheçam o parentesco entre eles. Os dois são filhos de João Joanes, o Sardento, “que tinha o doido sangue dos marinheiros, herdado do pai, avô e bisavô”. Durante o tempo que viveu em Angola, João Joanes assumiu a identidade de Vicar. Num desfecho funesto, os três descobrem em Ilhéus, no sul da Bahia, ao mesmo tempo, os laços sanguíneos que os uniam e, diante de situação terrível, o pai põe fim à vida dos filhos e à própria vida como forma de reparar a tragédia que havia promovido.
O desfecho trágico do amor entre irmãos tem como testemunha a jindiba, árvore que era para o menino Caúla como o centro do mundo. O mar e as colinas tinham nela o ponto de referência. A jindiba de Adonias Filho tem função importante no alcance do verdadeiro efeito dramático carregado de simbolismo. Será derrubada e transformada em canoa, servindo como caixão para guardar os três corpos. Mulheres surgiram, não muitas, flores dos quintais nas mãos. Debruçaram-se sobre o caixão de jindiba e, dentro, viram o Sardento sozinho, em frente. Abaixo, lado a lado, Caúla e Iuta. Colocaram as flores, benzeram-se, fizeram o silêncio.
E, logo os homens ergueram o caixão e andaram na direção do cemitério, a chuva caiu como se viesse para lavar o mundo. Pé de Vento atrás, a seguir sem pressa, a pensar que deviam pôr um velame. Um velame de saveiro pequeno na canoa que era o caixão, largá-lo em mar alto, João Joanes e Caúla gostariam daquela viagem como bons marinheiros.
O negro pensando, a andar. E, com o velame aberto, fariam a volta que fizeram por Luanda, Beira, Bahia. (p. 139)
Em Luanda Beira Bahia, romance imantado sobre a dimensão de horror da tragédia, Adonias Filho mostra como consegue construir uma obra literária com valores míticos a impor soluções exasperadas, movidas pelas forças da vida e da morte. Entre a paisagem do mar, que exerce uma atração fascinante às gentes dos Ilhéus, e os mares interiores, fundos, profundos, no vaivém de águas aflitas, impregnadas do amor.
Os bonecos de seu Pope é um dos livros que Adonias Filho escreveu para o público infantil. Narrado com graça e mistério, conta a história de um velhinho, de poucos dentes, cabelos brancos, rosto vermelho de tomate maduro. Um tipo sábio, que um dia aparece na cidade de Ilhéus com seus bonecos de madeira, bem-falantes, sem que alguém soubesse de onde ele veio com seus filhos, que por serem diferentes atrai a curiosidade das pessoas. Os bonecos Quincas, Gaspar e Chico são como se fossem de osso e carne, sofrem e amam como qualquer criatura. Quincas pilheriava, Gaspar era o contador de histórias, o que mais agradava, e Chico o que dizia coisas sérias. Vestido como se fosse um artista de circo, conversando com os seus bonecos de roupas coloridas, o velhote fazia um espetáculo à parte, que atraía gente grande e adulta à praça, aos domingos.
Ilhéus serve de cenário luminoso e aconchegante para a exibição desses bonecos, que falam através de Seu Pope, velhinho que tem dez vozes na garganta. O mistério de como os bonecos foram criados por seu dono é guardado por Formiguinha, uma mulher que nascera do encontro entre o arco-íris e uma égua selvagem. Como isso foi possível, ninguém fica sabendo, pois Seu Pope some de Ilhéus no último espetáculo que daria na praça, lotada por gente ansiosa para saber a revelação de tal mistério.
Auto dos Ilhéus é um primor de texto no gênero. Está dividido em dez quadros. A Povoação, Os Colonos, Os Jesuítas, Os Sertanistas, A Santa Nossa Senhora, Os Desbravadores, Os Imigrantes, Os Sírios, Os Coronéis e Dom Eduardo. Os quadros cobrem o período de 1535 até o primeiro quartel do século XX, no qual sobressai a figura de Dom Eduardo, o padre dos pobres, pai dos desvalidos, dos necessitados de Ilhéus. Texto escrito com o som da história e as cores do coração recria a epopeia da fundação e desenvolvimento de Ilhéus, ofertando aos pósteros a memória da cidade plantada numa baixa de extensa varjaria, à borda da costa.
A novela Simoa alude à fase da ocupação da terra na infância da região cacaueira. Simoa veio das águas, foi encontrada na praia dos mares de Ilhéus. Suas atitudes na selva mostram-se ligadas ao plano divino. Torna-se respeitável, será guia no êxodo do povo negro, que recebe no final a nova terra, com a água doce nascendo e enchendo os canais. E todos viram quando ela e seu louro Naro sumiram no fundo da fronteira, em caminho do mar. Os mares de Ilhéus exercem aqui uma função mítica e contribuem para que a solidariedade seja exercida.
É prazeroso ver como Adonias Filhos demonstra que basta ao escritor tomar como motivação de sua obra o lugar onde nasceu e cresceu, mesmo que seja um ponto desconhecido do mapa, para ser reconhecido no mundo.
Referências
MATTOS, Cyro de. (organizador). Histórias dispersas de Adonias Filho, Editus, Ilhéus, 2011.
FILHO, Adonias. Luanda, Beira, Bahia, Editora Civilização Brasileira, Rio,17971.
----------------------- Os bonecos de Seu Pope, Edições de Ouro, Rio, 1989.
----------------------- Auto dos Ilhéus, Civilização Brasileira, Rio, 1981.
-----------------------"Simoa”, em Léguas da Promissão, Civilização Brasileira, Rio, 1968.
quarta-feira, 1 de setembro de 2021
SESSÃO DA SAUDADE DO ESCRITOR GUMERCINDO ROCHA DÓREA SERÁ REALIZADA ESTE MÊS DE SETEMBRO
sexta-feira, 27 de agosto de 2021
ACADEMIA DE LETRAS ELEGE NOVO EFETIVO
O ilheense Manoel Carlos de Almeida Neto irá ocupar a cadeira nº 39, em substituição ao saudoso confrade José Cândido de Carvalho Filho. O ato de indicação foi chancelado por 22 (vinte e dois) membros da Academia, portanto, maioria absoluta neste momento em que ainda estamos com duas vacâncias na confraria. A escolha se deu eu reunião ordinária, com a pauta específica das indicações, conforme rege os estatutos da ALI.
Subscreveram a indicação: Edvaldo Brito, Jabes Ribeiro, Luiz Pedreira, Sebastião Maciel, Soane Nazaré, Carlos Valder, Cyro de Mattos, Neuza Nascimento, Antônio Ezequiel, Antônio Lopes, Josevandro Nascimento, Ramayana Vargens, André Rosa, Pawlo Cidade, Luh Oliveira, Anarleide Menezes, Aleilton Fonseca, Jane Hilda, Maria Schaun, Carlos Alberto Arléo Barbosa, Gerson dos Anjos e Rui Póvoas.
O FUTURO CONFRADE
Manoel Carlos de Almeida Neto, 41 anos, é casado com Melissa Ribas de Almeida, com quem têm um casal de filhos (Isadora, 8 anos e João Manoel, 4 anos), e se divide entre a vida acadêmica na USP e encargos jurídicos no eixo Brasília-São Paulo.
Na seara acadêmica, é Professor da Faculdade de Direito da USP, nas Arcadas do Largo São Francisco, aprovado em seleção pública, para a área de Teoria do Estado.
É Doutor em Direito do Estado pela USP, grau obtido “summa cum laude”, em 2013, e pós-doutorando pela mesma instituição. É Mestre em Direito Público pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em cooperação e créditos cursados na Universidade de Brasília (UnB), em 2008, e foi Professor da Faculdade de Direito da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), entre 2005 e 2006, na cadeira de Teoria do Estado.
Publicou os livros “O Novo Controle de Constitucionalidade Municipal” (editora Forense, 2010); “Direito Eleitoral Regulador” (editora Revista dos Tribunais, Thomson Reuters, 2014); “Juiz Constitucional” (coordenador, editora Revista dos Tribunais, 2015); e as seguintes obras, em coautoria: “A Constituição entre o Direito e a Política” (editora Mundo Jurídico, 2017); “O Supremo por seus Assessores” (editora Almedina, 2014); “Reflexões sobre a Constituição” (editora Leya, 2013); “O Novo Direito Eleitoral Brasileiro” (editora Fórum, 2012); “Direito Eleitoral em Debate” (editora Saraiva, 2012), além de inúmeros artigos veiculados em jornais e revistas especializadas no Brasil e no exterior.
No campo profissional, é advogado, Secretário-Geral da Comissão de Estudos Constitucionais da OAB Nacional e exerce, desde janeiro de 2016, o cargo de Diretor Jurídico da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), empresa multinacional brasileira, 100% privada e de capital aberto. Foi Secretário-Geral da Presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), entre 2014 e 2016, e Secretário-Geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre 2010 e 2012.
Entre prêmios e títulos, foi agraciado com a “Medalha do Pacificador”, pelo Exército Brasileiro, 2011; com a “Ordem do Mérito Militar, no grau de Comendador”, pelo Exército Brasileiro, em 2011; com o “Troféu Dom Quixote de La Mancha”, pela Revista Justiça & Cidadania, em 2014; com a “Medalha Mérito Santos Dumont”, pela Aeronáutica do Brasil, em 2015; com a “Grande Medalha da Inconfidência”, pelo Estado de Minas Gerais, em 2015, e com a “Medalha Mérito Tamandaré”, pela Marinha do Brasil, em 2021.
Manoel Carlos de Almeida Neto é neto do saudoso Manoel Carlos Amorim de Almeida, que muito honrou a Academia de Letras de Ilhéus, ocupando a cadeira de número 33. A posse do futuro confrade ainda será designada pelo presidente, conforme rege o Regimento, e a saudação à sua chegada será discutida com o eleito.
quinta-feira, 26 de agosto de 2021
ARTIGO
James Amado: 1912 - 2001
Situação de James Amado
Cyro
de Mattos*
Os exemplos não são poucos em que
autores de uma obra importante não impressionam à crítica arguta com o livro da
estreia. As imperfeições são flagrantes.
O talento e a entrega ao fazer literário não se tornam suficientes para que o nascimento do escritor
aconteça no texto de nível superior
reconhecido. Fundo e forma demonstram instabilidade. Vícios e virtudes convivem
em alguns trechos.
É
muito grande o salto que James Joyce deu entre a primeira fase de sua obra e a
segunda com Ulisses (1966),
considerada esta como subversiva na estrutura tradicional das formas narrativas
da novelística ocidental. Machado de
Assis no passado e Jorge Amado no presente podem ser assinalados entre nós como
escritores que se tornaram importantes com a obra em andamento, ficando a
desejar com os seus livros primeiros. Os romancistas Assis Brasil e Lígia
Fagundes Telles chegaram ao ponto de
riscar de sua bibliografia o livro de estreia por considerá-lo
insignificante como expressão literária na prosa de ficção.
. O fato repetiu-se com os nossos autores ao longo dos anos em
razão de nossa novelística ainda não ter se aprofundado na renovação dos
processos formais de criação
e firmado uma tradição de autonomia. A intuição predominava na
construção do texto, os instrumentos de concepção e execução da obra não tinham
sido bem assimilados. O risco do desequilíbrio entre a forma e o fundo ocorria
sem que fosse obtido o efeito eficaz da projeção positivada.
Adonias Filho, com Os servos da morte (1946), João
Guimarães Rosa, comSagarana(1946), Samuel
Rawet, com os Contos de imigrante (1956),
Clarice Lispector, com Perto do coração selvagem (1944), José J. Veiga, com Os
Cavalinhos de Platipanto (1959) e Luís
Vilela , com Tremor de terra (1967),
entre outros, são exemplos de autores bem-sucedidos na estreia.
O romancista levado a
construir um universo ficcional com linguagem adequada e moderna, diferente dos
meios tradicionais empregados na sua época e antes dela, adota elementos
formais novos para focar sua temática característica. Expande suas visões
oblíquas do mundo ao introduzir no conteúdo os motivos decorrentes das relações
sociológicas e regionais, trabalhando com a perspectiva formal moderna, que
projeta encontrar para a narrativa uma maneira incomum de dizer sobre seres e
coisas, com base numa técnica avançada. Exemplo disso é o romancista James
Amado com o seu Chamado do mar, livro
de estreia, o único de ficção que o
autor escreveu.
James Amadoé o terceiro e último filho de João Amado
de Faria e Eulália Leal Amado, desbravadores da região cacaueira baiana, na
época da conquista da terra. Nasceu em Ilhéus, em 1922. Era o irmão caçula de
Jorge Amado. Com Chamado do mar obteve
menção honrosa no Prêmio Paulo Prado, em 1949.
O
livro reproduz um território que alterna a paisagem marinha e a servidão à
terra, tendo como cenário Pontal dos Ilhéus, no Sul da Bahia. A ambiência de natureza marinha é o local em
que acontecem conflitos interiores e sociais vividos por pescadores numa
colônia de pesca. É um dos romances mais vigorosos da ficção brasileira que tem
como motivação o mar e sua gente. Acontecem os dramas de ordem psicossocial
numa paisagem típica e regional, com personagens convincentes que transmitem a
imagem da criatura humana afundada numa conjuntura miserável, marcada pelas
injustiças sociais.
Na
incursão por sentimentos baixos e desvãos da alma, em que entra o desespero, a
revolta, o ciúme e o medo, o lirismo não é deixado de lado. A praia e a
economia do cacau com suas mazelas servem como referenciais contrários à
paisagem humana em que criaturas primárias vivem a dura realidade diária
carregada de dramas. O que chama atenção nesse romance com forte apelo do mar é
a técnica usada, que difere da empregada por Jorge Amado em seus romances de
conteúdo popular. Se em Jorge Amado o que interessa para a teia romanesca se tornar interessante
é contar a história como se apresenta na
vida real, com uma linguagem que corresponda a do povo, despretensiosa, em
nível da fala, através do relato que se
desenvolve nas ações dos personagens com princípio, meio e fim, em James Amado
o procedimento do ficcionista moderno toma direção inversa.
Existe no autor de O Chamado do mar uma técnica moderna na montagem do romance. Na
estrutura da obra entra o corte cinematográfico, o uso do contraponto e do
monólogo interior. Aqui com propriedade são empregados os meios adequados
modernos para auscultar a alma e expor o drama. Os personagens ganham dimensão
na trama, ocupando um curso que avança em situações descontínuas dos
movimentos.
Narrado
assim, com a técnica moderna dos ficcionistas norte-americanos, que trouxeram
para a estrutura do romance, após a Segunda Guerra Mundial, o uso do
contraponto e do tempo cronológicolinear fragmentado, desmembrado para se
associar à trama, até hoje Chamado do mar
guarda a áurea de texto romanesco inovador e mantém o segredo perene de
atualidade. Personagens de marcante psicologia sobressaem no desenvolvimento
fragmentado do enredo, como Alício, Arlinda, Tonha, Yazinha, José Alves e
Vicente.
Tradutor
de Tolstoi, Eugene O’Neil, Hemingway
e Sartre, James Amado foi também o responsável pela edição das Obras Completas
de Gregório de Matos, publicadas pela Editora Janaina, em Salvador. Pena que publicasse apenas um romance, dos
bons. Talento, vocação e consciência do ofício, qualidades que lhe sobravam,
infelizmente não foram requisitos
suficientes para motivá-lo a escrever
livros de contos ou romances, deixando um legado expressivo em termos de criação no panorama
das letras brasileiras. Seu conto “A sentinela” participa de três antologias: Panorama do Conto Baiano, organizada por
Nélson de Araújo e Vasconcelos Maia; Histórias
da Bahia, por Adonias Filho, eModerno Conto da Região Cacaueira, por
Telmo Padilha.
Formado em sociologia e política,
James Amado foi atuante na política e tinha posições firmes na defesa da
democracia. E na luta pela liberdade. Dono de um humor cáustico, exerceu o
jornalismo no Rio. Foi casado com Jacinta Passos, Gisela Magalhães e Luiza
Ramos, filha do escritor Graciliano Ramos. Ocupou como membro efetivo a cadeira
27 da Academia de Letras da Bahia. Faleceu em 1* de dezembro de 2013, em
Salvador.
Referência
AMADO, James. Chamado do mar, romance, Editora Record. 5ª. edição, Rio de Janeiro, 1977.
* Membro da Academia de Letras da Bahia, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna.
sexta-feira, 20 de agosto de 2021
NESTE SÁBADO TEMOS NOVA EDIÇÃO DO TERTÚLIAS ACADÊMICAS COM OS CONFRADES GERALDO LAVIGNE E JOSEVANDRO NASCIMENTO
segunda-feira, 16 de agosto de 2021
CONFRADE JOSEVANDRO NASCIMENTO LANÇA SEGUNDA EDIÇÃO DE FUNDAMENTOS DE DIREITO PENAL
O confrade, advogado e professor Josevandro Nascimento, informa que a 2a. edição revista e atualizada do seu livro Fundamentos de Direito Penal, já está à venda. Trata-se, como o autor mesmo diz, de "um livro básico de Direito Penal que procura mostrar aos alunos, os principais Instituto de Direito Penal, trazendo, ainda, um capítulo sobre a pena como consequência do crime.
O livro teve muita repercussão da comunidade acadêmica. Trás um prefácio do Prof. Yuri Coelho, renomado jurista baiano, prof de Direito Penal em diversas Faculdades em Salvador.
sexta-feira, 13 de agosto de 2021
MARIA LUIZA HEINE E SUEDE MAYNE LANÇAM “MEMÓRIA E HISTÓRIA: LIÇÕES DE UM VÍRUS ASSUSTADOR", SÁBADO,14/08
Nesse sábado, dia 14/08, às 16 horas, ocorre o lançamento do livro: “Memória e História: Lições de Um Vírus Assustador” por meio de live no Instagram: @ml_heine, com apresentação do professor Efson Lima. O livro é uma produção conjunta das professoras Maria Luiza Heine, ocupante da cadeira n° 20, da Academia de Letras de Ilhéus, e Suede Mayne.
quinta-feira, 12 de agosto de 2021
ARTIGO

Rui Barbosa - 1849 -1923
Erudição e Sabedoria em Rui Barbosa
por Cyro de Mattos
Rui Barbosa nasceu em
Salvador, aos 5 de novembro de 1849. Filho de Maria Adélia, moça de temperamento
calmo e bem educada. Seu pai, João Barbosa, fora um político atuante,
jornalista inflamado, homem preocupado com as reformas humanas no ensino, um
médico que abandonara a profissão.
Rui foi membro da Academia de Letras da
Bahia e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, tendo sido
presidente quando Machado de Assis faleceu. Era um homem de estatura baixa,
franzino, a cabeça grande sustentada por um pescoço fino. Tímido e feio, mas
tinha uma voz poderosa quando ocupava a tribuna. Os olhos faiscavam, de cada
centelha a oratória incendiava com a argumentação fascinante, baseada na verdade.
Fora incapaz de
conceber a vida sem um ideal. Liberal convicto, construtor da República,
deu-lhe o arcabouço jurídico inicial. Não aceitava a escravidão, clamava pela
adoção das eleições diretas, reforma do ensino com métodos humanos, investia
contra o poder papal, como defensor ferrenho da ideia de separação entre o
Estado e a Igreja.
A erudição adquirida ao longo do
tempo era aplicada com brilho nas relações sociais, no intuito de construir a
vida, só querendo fazer o bem. Gostava de repetir o versículo, “todo o bem que
fizeres, receberás do Senhor.” No elogio a José Bonifácio, falecido no fim de
1886, desabafou contra aquele mundo político, que o fizera sofrer várias derrotas
e que era considerado por ele como meio louco e míope, espécie de divindade
gaga, protetora do daltonismo e da surdez, uma combinação da esterilidade das
estepes com a paisagem onde não se
canta, supondo-se queassim fosse inimiga
da harmonia, contradição do belo, como tem sido neste país. E, numa
intencional advertência ao poder monárquico, reafirmou como encarava a questão
da escravatura na célebre frase, primeiro a abolição, nada sem a abolição,
tudo pela abolição.
Amara de verdade
duas profissões: o jornalismo e a advocacia. O jornalismo sempre foi a janela
de sua alma, por onde se acostumou a conversar durante todo o tempo, todas as
manhãs, para a rua com os seus compatriotas, como informa Luís Viana, seu
melhor e mais completo biógrafo, em A Vida de Rui Barbosa. Advogado do
povo, foi o patrono dos professores demitidos de suas funções na Escola
Politécnica. Quando o Congresso decretou a anistia, julgando impossíveis de
revisão as penas e os processos dos aparentemente beneficiados, ele bate às
portas dos tribunais para se opor à situação que feria a lei e maltratava a
justiça.
Ao se dedicar à política, fora
eleito Deputado Provincial em 1878 e no período de 1879-1884 exerceu mandato
na Câmara dos Deputados do Império. Com o advento da República, nomeado
Ministro da Fazenda, a política financeira que adotou caracterizou-se pelo
abandono do lastro-ouro e a adoção de grandes emissões garantidas por apólices
do Governo, visando fomentar o comércio, além da criação do Tribunal de Contas
e delegacias fiscais.
O conferencista falava mais de três horas,
sem que houvesse um murmúrio desaprovador do auditório repleto de pessoas.
Quando terminava, no meio das palmas demoradas ouvia-se: “Continue!
Continue!” Pessoas riam, choravam, deliravam, indignavam-se, aplaudiam,
acompanhavam o orador hipnotizadas pelas emoções que a sua alma a todos
transmitia.
Designado pelo Senado para examinar
o projeto do Código Civil, já revisto pelo filólogo baiano Carneiro Ribeiro,
essa tarefa sem natureza política revelaria ao Brasil um gramático conhecedor amiúde
e melhor na colocação dos pronomes. Em pouco tempo, o seu parecer apresentou
mais de mil emendas ao texto revisto por Carneiro Ribeiro, o antigo mestre do
Ginásio Baiano, sendo corrigido agora pelo ex-aluno nas regras gramaticais.
Em Haia, o assunto mais importante da
Conferência era a organização do Tribunal Permanente de Arbitragem, com o palco
previamente armado para o papel de destaque das potências que governavam o
mundo e mandavam nos povos.
A voz impetuosa e indignada de Rui apresenta
sua proposta para a Organização do Tribunal, onde todos os países terão
assento. Fica ao livre arbítrio dos contendores submeterem as suas questões ao
plenário do Tribunal. Falou em francês castiço, entre o silêncio geral, perante
um auditório que o desconsiderava, mas que ficara espantado. No final fora
reconhecido como uma das mais poderosas vozes da assembleia. Aquele homem
pequeno, de voz ritmada na verdade e no direito, derrotara os que representavam
os direitos e interesses das grandes potências, Alemanha, Estados Unidos,
Inglaterra, França, Rússia e Itália. Por seu desempenho superior ficou
conhecido como a Águia de Haia.
O discurso de Rui surpreende pela
variedade e nas expressões soberbas de suas leituras. Da palavra imantada nas
imagens candentes emergem verdades que iluminam a vida, mas sua erudição não é
apenas variada, de vocabulário ilimitado, domínio do idioma, citações e
argumentos que impressionavam vivamente. Pode-se dizer desse paladino da
liberdade que fora um erudito abraçado com um sábio.
Rui Barbosa, o que conhecia
Vieira, lia Castilho, recitava Camões aos dez anos, santo Deus, o erudito e o
sábio. Deixou este velho mundo em 1 de março de 1923. Fora residir na morada do
eterno.
Referência
A Vida de Rui Barbosa, Luís Viana Filho, Lelo& Irmãos, Porto, Portugal, 1981.
segunda-feira, 9 de agosto de 2021
SESSÃO DA SAUDADE SERÁ REALIZADA NO TRADICIONAL ILHÉUS HOTEL
Com o avanço da reforma do telhado e dos pisos superior e térreo da Academia de Letras de Ilhéus, em parceria com a Prefeitura Municipal de Ilhéus, a Sessão da Saudade do confrade José Cândido de Carvalho Filho será realizada na sede do Ilhéus Hotel, sito à Rua Eustáquio Bastos, 144, Centro.
Devido às restrições sanitárias, só poderão participar da cerimônia apenas 20 convidados. Para ampliar a participação, a sessão será transmitida ao vivo pelo Facebook e Pelo Youtube da Academia de Letras.
sábado, 7 de agosto de 2021
TERTÚLIA ESPECIAL NO DIA DO ESCRITOR JORGE AMADO
No dia em que comemoramos os 109 anos de nascimento do escritor Jorge Amado, a Academia de Letras de Ilhéus promove uma tertúlia especial com o confrade, professor, escritor e mestre em letras vernáculas, Ruy Póvoas que fará comentários sobre a obra do escritor. A conversa será mediada pelo poeta e confrade Geraldo Lavigne.












