quarta-feira, 7 de agosto de 2024

DISCURSO DE HOMENAGEM AO DR. SOANE NAZARÉ DE ANDRADE, PELO CONFRADE JOSEVANDRO NASCIMENTO

Noite da saudade em homenagem a Dr. Soane Nazaré de Andrade, em 05/08/2024, na Academia de Letras de Ilhéus.

*Josevandro Raymundo Ferreira Nascimento




Meus senhores, minhas senhoras:

 

Descrever a trajetória de Soane Nazaré de Andrade, o melhor presente que a cidade irmã de Uruçuca nos ofereceu, em 5 de agosto de 1930, filho de Adjovânio Andrade e Selika Nazaré de Andrade, é falar de EDUCAÇÃO. 

É falar do menino da Escola Afonso de Carvalho, do Instituto Municipal de Educação (IME), do adolescente do Colégio Estadual da Bahia, do Bacharel em Direito pela Universidade Federal da Bahia, nos idos de 1953. 


Casado com a profa. Heloisa Cavalcanti Nazaré de Andrade, companheira com quem viveu em harmoniosa união, gerando quatro filhos: Ana Virginia Cavalcanti de Andrade, Luis Frederico Cavalcanti de Andrade, Soane Nazaré de Andrade Júnior e Maria Valéria Cavalcanti de Andrade.

Além do convívio fraterno, Soane Nazaré era um sonhador, capaz de forjar realidades muito concretas, como a Universidade Estadual de Santa Cruz -UESC.

Dono de uma inteligência brilhante, era predestinado a realizações, porque idealista. Mas o seu sonho foi sempre a Universidade Estadual de Santa Cruz -UESC.


Para homenagear o Acadêmico Soane Nazaré de Andrade, considerando a extensão e riqueza da sua vida e de sua obra, elegemos comentar duas de suas publicações, que nos levará a conhecer o seu pensamento.

O livro "Três Mestres" reúne por iniciativa da Reitora da UESC, Professora Renée Albagli Nogueira, homenagens de Soane Nazaré de Andrade às suas Professoras Alina Berbert de Carvalho e Dolores Vieira, e ao antigo companheiro Professor Amilton Ignácio de Castro, que com ele fundou a Faculdade de Direito de Ilhéus e depois a própria Universidade Estadual de Santa Cruz -UESC.


A homenagem à Professora Alina Berbert de Carvalho foi em discurso proferido em sessão solene da Câmara Municipal de Ilhéus, realizada no dia 8 de Março, no ano de um mil novecentos e noventa e um, sob a presidência do vereador Dr Amilton Andrade.

Por seis décadas a Escola Afonso de Carvalho lançou muitas sementes e colheu muitos frutos.


Aluno interno, Soane era considerado filho de Dona Alina.

Dizia Dona Alina que “a Cartilha e as noções elementares recebidas na infância na Escola Afonso de Carvalho talvez tenham sido a prodigiosa semente que fez brotar a ideia da Universidade Estadual de Santa Cruz”, que sem a tenacidade, e o querer forte de Dr. Soane, teríamos sido privados desta realidade que honra a nossa região, a Bahia e o Brasil.

Dona Alina compreendeu que o aluno Soane Nazaré de Andrade, ao deixar a Escola Afonso de Carvalho, para ingressar no Ginásio Municipal de Ilhéus e seguir estudando, primeiro no Colégio da Bahia e, finalmente, na Faculdade de Direito, em Salvador, haveria de levar, aonde quer que fosse, o estandarte da escola amada.



Ela reunia o que de melhor possuía a cidade em competência, disciplina, postura ética, compreensão dos deveres da cidadania. Por isso, ao lado da técnica do ensino praticava-se a educação e se produzia cultura, dizia Soane Nazaré de Andrade, e prossegue:

“Quem dava o exemplo era ela, a professora, a diretora, a segunda mãe. Exemplos de estudo disciplinado, de respeito às normas de convivência social, da prática do bem, de solidariedade humana. Mais do que ler e contar, a Escola Afonso de Carvalho ensinava a viver e a conviver.”

Ainda falava Soane: 

“Lembro-me quando naufragou o Itacaré, tinha eu nove anos, aluno interno da Escola, então funcionando defronte da Barra, onde hoje está situado o Ilhéus Praia Hotel. Da varanda via-se com nitidez o pequeno navio emborcado, e ouviam-se os gritos de dor dos que buscavam sobreviver. Dona Alina transformou o colégio em centro de orações pelos mortos. E se apresentou voluntária para todas as ações de ajuda e amparo aos náufragos sobreviventes.

[...]

Se era medonha a tragédia do mar, maior era a lição de que, ou vivemos para servir ou não servimos para viver. Ela transmitia consciência a Instituição que criara e dirigia com o ímpeto da juventude e da energia modeladora do seu caráter.”


O Professor Soane Nazaré de Andrade era um cavalheiro a antiga: educado, elegante na expressão e nas atitudes, moderado e bom interlocutor. 

Em novembro de 1987, Soane Nazaré de Andrade fez um pronunciamento no auditório do Instituto Nossa Senhora da Piedade, na comemoração do Jubileu de Ouro de Magistério da Professora Maria Dolores Vieira Passos. 

Na Escola Afonso de Carvalho, Soane Nazaré de Andrade teve como sua primeira Professora, Maria Dolores Vieira Passos, no ano de 1938.

Dizia Soane: a professorinha estava construindo futuros. E porque era competente, as suas aulas não foram levadas pelo vento vadio que dispersa as folhas fugidias dos calendários. As suas aulas, as suas lições - creio poder dizer, o seu sangue- tudo quanto é a vida de Dolores renasce nos êxitos de tantos alunos, antigos e novos, nós todos que estamos, orgulhosamente, na apoteose do seu Jubileu de Ouro.


Há um provérbio japonês que ensina "Melhor é caminhar com esperança, do que chegar ao fim do caminho". A sabedoria de Dolores nos ensina, que é proibido chegar. Haveremos de continuar, como da lição de sua vida, a abrir e palmilhar caminhos. É proibido chegar, porque toda a beleza da vida está nos passos da caminhada.

Em maio de 1991, em sessão solene da Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC, Soane Nazaré de Andrade prestou uma homenagem a Amilton Ignácio de Castro, quando no seu pronunciamento disse: não há nada mais agradável, para mim, do que render homenagem aos que lançaram comigo os alicerces desta Universidade. E não só pelo prazer de ser pessoalmente justo. É, mais ainda, pela alegria de verificar quanto a sociedade, devidamente educada, pode aprimorar o seu senso de justiça, porque é próprio dos povos cultos o respeito e o carinho para com aqueles que contribuem para o seu engrandecimento e a sua felicidade.


A mim foi reservada a histórica oportunidade de chamar Amilton Ignácio de Castro ao reduzido número de fundadores desta por todos os títulos, gloriosa Universidade Estadual de Santa Cruz.

Foi no mais adequado cenário que conheci Amilton Ignácio de Castro. Subia os degraus da ampla escadaria do Palácio Paranaguá. Em sentido contrário, vinha descendo Amilton. Não tinha Soane mais que vinte e nove anos. Amilton Ignácio de Castro já tinha passado dos cinquentas. Contava, pois, com mais de meio século vivido com inteligência e abnegação, por isso pleno de cultura e sabedoria. Desejávamos ambos aqueles encontros. Amilton, recém chegado de Salvador, porque renunciara a cargo do Governo de Juraci Magalhães, para vir fundar a Faculdade de Direito de Ilhéus. E eu, porque informado de seus dotes de talento e de cultura, de honradez e de espírito público, virtudes essenciais ao perfil do Professor que eu buscava.


Completa Soane porque para mim o Ensino Superior tem para com a Nação um compromisso ético, além do educar, profissionalizar...

A outra publicação do acadêmico Soane Nazaré de Andrade foi em 1984, " A Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC em Porto Seguro - Um compromisso com a História".  

O principal marco da historia do ensino superior na região, se inicia com a criação da Faculdade de Direito de Ilhéus nos anos 60.

Para tal empreendimento ele contou com Amilton Ignácio de Castro, seu Vice-Diretor, amigo inseparável, que lhe dava apoio e inspirava confiança. Contou, também, com o apoio político do então Prefeito de Ilhéus, Henrique Weill Cardoso, com o apoio de seu grande amigo e colega da Faculdade, José Cândido de Carvalho Filho, então Deputado Estadual, que viera a integrar o grupo dos primeiros professores da Faculdade de Direito de Ilhéus. 

José Cândido de Carvalho Filho era contemporâneo de Soane Nazaré de Andrade, em uma época em que a amizade era coisa séria, Ele, José Cândido de Carvalho Filho ,subiu  ao palanque,  quando Soane Nazaré de Andrade se candidatou a Prefeito de Ilhéus, apoiado pelo então Prefeito Jabes Ribeiro.


Foi uma plêiade de professores competentes e idealistas, que Soane Nazaré de Andrade foi capaz de reunir para fundar a Faculdade de Direito de Ilhéus: Altamirando de Cerqueira Marques - depois Reitor Pró-tempore da UESC -, Manoel Targino de Araújo, Francolino Gonçalves de Queiroz Neto, Jorge Fialho Costa, Alberto Galvão, entre outros, todos eles inesquecíveis mestres.

A Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna-FESPI, alicerce da UESC, foi instituída em 22 de abril de 1974, no Campus Soane Nazaré de Andrade, por iniciativa dos servidores, que enviaram o documento ao Conselho da Fundação Santa Cruz / FUSC. 50 anos nos distanciam deste momento histórico.

A FESPI era mantida por uma Fundação de Direito Privado, a FUSC, com o grande alicerce da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira - CEPLAC, tendo como Secretário Geral, José Haroldo de Castro Vieira, que tinha profunda confiança na liderança, seriedade e competência de Soane Nazaré de Andrades


Foi José Haroldo Castro Vieira, que tinha grande vontade para implantar o ensino superior na região cacaueira, quem convidou Soane Nazaré de Andrade para reunir as três unidades de Ilhéus e Itabuna, criando a Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna - FESPI.

E os recursos financeiros indispensáveis não faltaram, sendo convidado o Prof. Erito Francisco Machado recebeu a incumbência de gerir a Fundação Santa Cruz - FUSC, mantenedora da FESPI.



E Soane Nazaré de Andrade liderou os pioneiros da Educação Superior, e em um escritório da CEPLAC, a Comissão se reunia semanalmente. Por dever de justiça a Comissão era constituída pelos seguintes professores: Erito Francisco Machado, Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas; Manoel Simeão da Silva, Diretor da Faculdade de Filosofia e Letras de Itabuna; Amilton Ignácio de Castro, Diretor da Faculdade de Direito de Ilhéus; Professoras Helena dos Anjos Souza, Valdelice Soares Pinheiro, Rosalina Molfi de Lima da Faculdade de Filosofia e Letras; e Flávio José Simões Costa, um batalhador da Educação Superior na Região.

Predestinado a realizações, porque idealista, ele continuou a sonhar com dias mais fecundos para a região cacaueira, que o viu nascer. Depois da FESPI, por iniciativa do Prefeito Jabes Ribeiro, foi convidado a ser Secretário de Governo do Município de Ilhéus e, nessa condição, lançou a ideia da Universidade Livre do Mar e da Mata, que atualmente encontra-se em péssimo estado de conservação, dada a ausência de manutenção pela gestão municipal.


Hélio Pólvora, companheiro de Soane Nazaré de Andrade, na época da Prefeitura de Ilhéus dizia: Soane é um eterno estudante, porque sempre a se aprimorar, transmite a serena certeza do homem realizado: o que sente e sabe que não esteve e nem estará só.

Em 27.07.2023, a Universidade Estadual de Santa Cruz chorou a sua partida e lembrou com extremo sentimento de gratidão, a longeva e grandiosa existência do Prof. Soane, hoje reverenciado aqui na casa de ABEL, num preito de justiça e saudade.

Para concluir escolhemos o Poema de Valdelice Soares Pinheiro, escrito em 31.07.1985, dedicado a Soane Nazaré de Andrade, na oportunidade em que concluída mais uma etapa de construção da Universidade.


"Cada espaço deste chão,

 cada folha, casa flor, cada árvore,

cada ave que pousa ou passa por aqui,

como que dizendo,

na expressão do voo,

o sonho livre da asa;

cada pedra,

cada grão de cimento,

cada prédio,

cada sala,cada voz nessas salas,

como que dizendo,

na extensão do tempo,

o sonho de sempre 

que o tempo não leva;

cada coisa ,enfim,

e cada destino 

e cada passo,

e cada gesto

guardam a presença 

do seu sonho confirmado 

na expansão infinita da semente 

para a verdade do fruto 

que já se colhe aqui."

 

Viva Dr. Soane !

 

 

* Membro da cadeira nº 14.

 

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS REALIZA SESSÃO EM HOMENAGEM À SOANE NAZARÉ DE ANDRADE





A Academia de Letras de Ilhéus (ALI) realiza, no dia 5 de agosto, segunda-feira, às 18h30min, a Sessão da Saudade em homenagem ao acadêmico Soane Nazaré de Andrade, um dos fundadores da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), falecido em 27 de julho de 2023. A solenidade, aberta à comunidade, será realizada na sede da entidade, situada à Rua Antônio Lavigne de Lemos, 39, no centro histórico.

Sob a presidência do acadêmico Pawlo Cidade, a saudação ao homenageado será feita pelo confrade Josevandro Nascimento, que abordará a vida e a obra de Soane Nazaré, ressaltando os três livros escritos por ele. Nascido em 5 de agosto de 1933, em Uruçuca, à época chamado Água Preta e pertencente ao município de Ilhéus, Soane é filho de Adjovânio Andrade e Selika Nazaré Andrade, tendo como irmãos, Deir, Gilta, Denílson, Vera, Suzana e Antônio.

Os pais mudaram para cidade de Ilhéus quando ele tinha seis anos de idade. Estudou na Escola Afonso de Carvalho e no Instituto Municipal de Ensino Eusínio Lavigne - IME. Em Salvador, no Colégio da Bahia e na Faculdade de Direito da Bahia, onde se formou, em 1953. Casado com Heloisa Cavalcante Andrade, tiveram quatro filhos: Ana Virgínia, Luís Frederico, Soane Jr. e Maria Valéria.

Soane Nazaré foi professor no IME, diretor da Penitenciária do Estado da Bahia; fundador, diretor e professor (Direito Constitucional e Direito Político) da Faculdade de Direito de Ilhéus (FDI); Chefe de gabinete do Ministro das Comunicações, Carlos Simas, de 1968 a 1969; delegado do Brasil na Conferência das Comunicações, em Genebra, Suíça, em 1969.

Fundador da antiga FESPI (Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna), onde foi o seu primeiro reitor e professor de Direito Constitucional, que originou a Uesc. O campus da atual Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), que completou 50 anos, tem o seu nome. Soane também foi idealizador da Universidade Livre do Mar e da Mata (Maramata), criada em Ilhéus para difundir ideias de preservação ambiental. Tornou-se membro da Academia de Letras de Ilhéus a 25 de junho de 1981, ocupando a cadeira 32, que tem como Patrono Pethion Villar e fundador, Flávio de Paula.

terça-feira, 9 de julho de 2024

ARTIGO




Murilo Rubião na esquina da Augusto de Lima com Espírito Santo: escritor referência do realismo fantástico também morou no Centro da capital
(foto: Humberto B. Nicoline/Acervo Escritores Mineiros UFMG)


O Absurdo em Kafka e Murilo Rubião 
Cyro de Mattos* 



Há uma identificação de padrões na criação do absurdo com suas relações associadas à existência humana entre o mineiro Murilo Rubião e Kafka, o grande escritor judeu, criador do realismo fantástico. Daí o escritor mineiro ser chamado de nosso Kafka brasileiro. Essa semelhança de atitudes na construção do absurdo e suas implicações com a realidade existencial da humanidade não permite que se afirme ter sido o mineiro Murilo Rubião influenciado pelo escritor judeu. O fato é que cada um tem sua experiência própria como ficcionista, sua marca, suas antevisões ambíguas, imaginário onírico fora do real como ele é. 

Kafka veio primeiro, tem um legado portentoso em termos de criação literária, enquanto Murilo Rubião viveu outra experiência aqui no Brasil, possivelmente sem conhecer a obra kafkiana. Sua produção literária está resumida a pouco mais de trinta contos. São escritores visionários, mas o escritor judeu aderiu ao vasto, enquanto o escritor mineiro ao ínfimo, com pouco mais de trinta histórias sobre gentes estranhas e coisas espantosas que acontecem na terra, como refere a epígrafe do Os Dragões e Outros Contos (1965), retirada de Jeremias, versículo 30. 

Kafka nasceu em 3 de julho de 1883 em Praga, e, em 1909, publicou no periódico literário Hyperion Conversação com o Orante e Conversação com o Ébrio, dois diálogos que integram a Descrição de Uma Luta. Em Praga, no diário Bohemia, publicou Os Aeroplanos de Brescia. No período compreendido entre 1909 e 1924, sua obra constituída de contos e romances passa a ser publicada em periódicos e revistas, trazendo na sua bagagem um cenário constituído sem lógica formal, do qual com uma estrutura visual ilógica a literatura convencional do Ocidente não estava acostumada. O espaço preponderante da história vai ser ocupado agora por situações e cenas formadas pela dimensão vertical, na qual o personagem convencional deixa de existir, não terá a liberdade nos movimentos, irá se mostrar como um autômato, um ser inferior prisioneiro dentro de um sistema mecanizado. 

Torna-se importante lembrar que a obra de Kafka será publicada em livros depois de sua morte, graças ao amigo Max Brod, que guardou seus escritos, prestando com a sua atitude acertada uma contribuição valorosa para o conhecimento de um dos gênios da literatura mundial, surgindo como um fenômeno para romper com a estrutura linear do drama, até então em voga no Ocidente. 

As Obras Completas de Kafka só virão aparecer na América Latina em 1959, em Buenos Aires, pelas Edições Emecê, reunindo em dois volumes os romances América, O Castelo e O Processo, além dos contos, relatos e outros escritos. Enquanto isso, O Ex-Mágico, o primeiro livro de contos de Murilo Rubião, foi publicado em 1947, pela Editora Universal, Rio. 

O fenômeno enfocado com verticalismo no centro da história, em que Murilo Rubião aborda as relações do absurdo na existência humana, assemelha-se na perspectiva com a natureza de certos relatos do mundo imaginado por Kafka nas zonas do ilógico. Fica evidente que seus efeitos imediatos em ambos os escritores consistem na suposição de que forças invisíveis manipulam a condição humana. No universo ficcional elaborado pelos dois narradores não existe a trama que resulta da história com episódios lineares e extraordinários. A fragmentação da narrativa para que o absurdo aconteça sem uma sequência lógica joga com panoramas humanos estranhos e estes sobrepõem na estrutura de suas construções o tempo/espaço como funções básicas, incorporando flashes back,monólogos interiores, visões concatenadas em que impera o ilógico e o imprevisível. Do ponto de vista da lógica comum, o assunto desenvolvido torna–se cada vez mais absurdo e inexplicável. No genial Kafka e no talento admirável de Murilo Rubião, não são usados os elementos tradicionais para a composição estética da vida no plano do absurdo. Não são adotados recursos da estrutura presa à forma de narrar realista. É alegórica na compreensão dissimulada das fraquezas humanas. 

Em “Os Dragões”, conto, Murilo Rubião narra como a aparição desses animais de aparência meiga causa confusão entre os moradores, que não sabiam como educá-los por desconhecimento de seus costumes. O vigário achando que fossem demônios determina que sejam recolhidos a uma casa velha, previamente exorcismada. A balburdia continuava, e o vigário sugeriu que eles fossem batizados. Acharam que por serem dragões não precisavam de nomes nem de batismo. Foram morrendo por doenças desconhecidas. Dois que restaram fugiam do casarão durante a noite e iam beber no botequim onde se embriagavam. Quando lhes foi negado a bebida, recorreram ao roubo. Eram presos e soltos com a intervenção de um de seus simpatizantes, que teve a incumbência de reeducá-los. Odorico, o mais velho dos dragões, alvoraçava-se quando estava na presença de um rabo de saia. Houve uma mulher que se apaixonou por ele e abandonou o marido. Até que um dia Raquel foi encontrada chorando junto do corpo do companheiro, morto por um tiro de caçador de má pontaria. O carinho que o homem simpatizante e sua mulher tinham por Odorico transferiu-se para João, o outro dragão. Certa noite, a mulher flagrou João vomitando fogo. Havia com isso atingido a maioridade. Era agora a atração entre as gentes da cidade. Quando um dia apareceu o circo de cavalinhos, feras amestradas e malabaristas, foi anunciado em um dos números a grande atração com o homem que engolia fogo. Os espectadores interromperam aos gritos, “Temos coisa melhor! Temos coisa melhor!” E João realizou a sua antiga proeza de vomitar fogo. Recebeu propostas para integrar o circo, mas recusou. Pretendia se eleger prefeito, o que não ocorreu. Apaixonou-se por uma das trapezistas e lá se foi com o circo. Depois disso muitos dragões passaram pela cidade. Os moradores insistiam para que permanecessem entre eles, mas suas súplicas não eram atendidas, buscavam outros lugares. 

“Teleco, O Coelhinho”, um dos contos famosos de Murilo Rubião, começa com o moço que está admirando o mar absorvido em ridículas lembranças. É quando escuta a voz que lhe pede um cigarro. Não dá importância ao pedinte que insistia. O moço ameaça de chamar a polícia para afastar dali o moleque inconveniente com o seu atrevimento. Ao descobrir de frente o coelhinho, o moço torna-se seu amigo. Fica sabendo que o coelho mora na rua, é convidado para morar no casarão com ele, que não tem família. Teleco quis saber se a sua intenção era sincera, se ele não gostava de carne de coelho. Revela que a versatilidade para se transformar em bicho é o seu fraco. Transforma-se em girafa. Aos vizinhos agiotas vira leões para amedrontá-los. Gostava de agradar às crianças, divertindo-as com os seus malabarismos, aos velhos ajudava-os levando suas cargas. O primeiro atrito entre eles dois foi quando vindo de um encontro com a irmã Emi, com quem teve áspera discussão, ao abrir a porta de entrada, deparou-se com aquele canguru e a moça, sentados no sofá. O que deseja a senhora com esse horrendo animal? - zangado, o moço perguntou. O canguru disse que era Teleco e para provar isso virou-se em uma perereca. Acrescentou que de agora em diante seria apenas um homem. Apesar da gargalhada do moço, apresentou-lhe Teresa, não é linda? Sem sono, os pensamentos do moço giravam em torno da mulher. Estava iniciada a peleja amorosa. Não admitia a tolice de Teleco em torno de Teresa, com suas pernas bem torneadas. Alterado com Teleco, que se dizia ser um homem, de nome Barbosa, o conflito entre eles se instaura forte, chegando ao máximo da explosão, Se é Barbosa, rua! O pranto de Teleco demoveu-lhe da decisão anterior, melhor dizendo, fora persuadido pelo olhar súplice de Teresa. Ante o pedido que voltasse a ser aquele coelho, cinzento e meigo, respondeu que nunca foi o bicho que ele se referia. E piscava o olho para a companheira. A intimidade de Teleco e Teresa tornava o ciúme dele incontrolável. Chegou ao auge com Teleco sendo esmurrado, terminando a surra com a sua expulsão de casa. Uma noite saltou janela a dentro um cachorro imundo. Era Teleco, que adiante, mais tranquilo, ia se transformar em animais pequenos. Até que se fez em um carneirinho, balindo tristemente. Cansado pela longa vigília, o moço fechou os olhos e dormiu. Ao acordar, percebeu que algo se transformava em seus braços. 



“No meu colo estava uma criança loura, 
encardida, sem dentes. Morta.” (pg. 30)



A metamorfose da existência humana ligada no absurdo está presente nos contos de Murilo Rubião. Essa condição tem a ver com o próprio contista e sua propensão para o alegórico. Perfeccionista contumaz, faz e refaz suas histórias estranhas no intuito de alcançar a clareza e a perfeição. Como se assim agisse numa espécie de metamorfose de autor em busca da perenidade virada em arte literária legítima. A linguagem do contista mineiro também se manifesta no olhar dos personagens, no qual a visão se presta a uma função necessária para sustentar a cena. Esse recurso, ligado no olhar do personagem para compor a construção da alegoria, adere como elemento natural na estrutura do ilógico, descrito como sendo uma coisa real nas questões da existência humana. Olhos que enxergam como janelas da vida dizem então dos sentidos, deixam transparecer no seu espelho a visibilidade do que somos nos momentos críticos, em que sutilezas e ambiguidades emergem da expressão do rosto para dizer de nosso sofrimento decorrente das relações absurdas da existência humana mais das vezes. 

Estudiosos destacam o papel que tem os olhos nos contos de Murilo Rubião, a sua função importante para que a narrativa alcance seus propósitos na cena, dentro do clima formado pelo diálogo entre os personagens. O olhar é capaz de revelar no gesto em silêncio que a alma do personagem está de acordo ou não com a observação do outro em torno do assunto no auge do conflito. Se fazendo súplica, expressa sua ternura, nos seus ares polidos, quando a situação crítica criada pelo outro atinge o coração, através de setas que foram desferidas para um alvo pressentido. Este se fará tocado pelas impressões de coisas que não têm sentido, propostas para que o absurdo não seja nada de mais na existência humana, através de incoerentes desejos, aflições incabíveis do ser-estar na vida. 

O clima do absurdo em confronto com a existência humana será como percebeu aquele personagem narrador de “Os Três Nomes de Godrofedo”, ao pressentir “que a vida se repetirá constante, sem possibilidade de fuga, silêncio e solidão”. (125)



Referência 

KAFKA, Franz. Obra Completa, dois volumes, Emecê Editores, Buenos Aires, 1959.

RUBIÂO, Murilo. Os Dragões e Outros Contos, Editora Movimento Perspectiva, Minas Gerais, 1965.

* Cyro de Mattos é membro da Academia de Letras de Ilhéus.

terça-feira, 2 de julho de 2024

EFETIVO ANTERIOR/EFETIVO ATUAL




Zélia Gattai Amado de Faria, nascida em 2 de julho de 1916, em São Paulo, foi uma escritora, fotógrafa e memorialista brasileira, tendo também sido expoente da militância política nacional durante quase toda a sua longa vida, da qual partilhou cinquenta e seis anos casada com o também escritor Jorge Amado, até a morte deste. Zélia Gattai morreu no dia 17 de maio de 2018. Pertenceu a Academia Brasileira de Letras e a Academia de Letras de Ilhéus, onde ocupou a cadeira nº 13.

Pawlo Cidade, nasceu em 23 de junho de 1968, em Ilhéus, na Bahia. É escritor, pedagogo, gestor cultural, dramaturgo, especialista em projetos culturais, autor de 24 livros. É sucessor de Zélia Gattai e o atual presidente da Academia de Letras de Ilhéus.

segunda-feira, 1 de julho de 2024

ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA



Portaria 004/2024 de 01 de julho de 2024.

 

 

Dispõe sobre convocação de assembleia ordinária.

 

 

A Academia de Letras de Ilhéus, presidida pelo Sr. João Paulo Couto Santos, eleito para o biênio 2023-2025, no uso de suas atribuições,

 

RESOLVE:

 

Art. 1º — Convocar todos os seus membros para Assembleia Geral Ordinária a realizar-se em 10 de julho de 2024 (quarta-feira), de forma REMOTA, às 19h, em primeira chamada; às 19h15, em segunda chamada.

 

Art. 2º — As decisões a serem tomadas serão validadas com o número de acadêmicos presentes.

 

Art. 3º — Ficam estabelecidos os seguintes pontos de pauta:

 

1.    Homologação do(s) candidato(s) à cadeira de nº 38;

2.    Criação da Comissão de Elaboração do Regimento Interno;

3.    O que ocorrer.

 

Art. 4º — O link para reunião será fornecido até 30 minutos antes do início da assembleia.

 

Art. 5º — Esta Portaria entra em vigor a partir da data de sua publicação.

 

 

 

João Paulo Couto Santos

Presidente

sexta-feira, 28 de junho de 2024

PARABÉNS, ILHÉUS!




É claro que Ilhéus não tem só escritores. Tem pintores, artesãos, atores, atrizes, dramaturgos, carpinteiros, marceneiros, artistas mil! Parabéns, querida Ilhéus! 

Desejamos à você um futuro digno de sua altura.


Pawlo Cidade
Presidente
Academia de Letras de Ilhéus

segunda-feira, 24 de junho de 2024

ESCRITORA NEUZAMARIA KERNER LANÇA "MEMÓRIAS DO SILÊNCIO"


Neuzamaria Kerner é membro da cadeira nº 36 da ALI

Imagine um lugar onde o invisível se torna visível e o inesperado é parte do cotidiano. Assim é “Memórias do Silêncio”, novo livro da escritora Neuzamaria Kerner. A cerimônia de lançamento ocorreu na Biblioteca Pública Municipal de Domingos Martins, situada na Av. Senador Jefferson de Aguiar, n. 275, no Centro Cultural Imperador, anexo ao antigo Hotel Imperador, em Vitória, Espírito Santo. 


“Memórias do Silêncio” é uma coletânea composta por 22 contos curtos. As histórias se movem no terreno do realismo fantástico, abordando temas como o invisível, o inesperado e a impermanência da vida. Os personagens nas narrativas transitam entre o céu e a terra, oferecendo um olhar único sobre as experiências humanas e suas próprias vivências.

Sobre seu novo trabalho, Neuzamaria Kerner comenta: “Em ‘Memórias do Silêncio’, cada conto é uma porta para mundos onde o fantástico e o real se encontram. Espero que os leitores se permitam caminhar por esses universos e descobrir as sutilezas da vida através dos olhos de meus personagens”, disse a escritora.

Neuzamaria Kerner, membro da cadeira 36 desde 1989, nascida em 1952 em Salvador (BA), é uma escritora com vários livros publicados e ex-professora universitária. Com formação em Letras e especialização em Leituras Múltiplas, ela se destacou também como educadora em projetos como o Proler e iniciativas de Filosofia para crianças. Além de seu trabalho acadêmico, Neuzamaria é autora, poetisa e possui contribuição para a literatura brasileira contemporânea.

Texto adaptado do site Montanha Capixaba.

sexta-feira, 21 de junho de 2024

ESCRITOR PAWLO CIDADE LANÇA "A INVENÇÃO DE SANTA CRUZ"




Pawlo Cidade é membro da cadeira nº 13


No próximo domingo, 23 de junho, termina a promoção de pré-venda do novo livro do escritor Pawlo Cidade: A Invenção de Santa Cruz. Coincidência ou não, no domingo também o escritor completa 56 anos de idade. Este é o seu 24º livro e o  6º romance. 

Para Pawlo Cidade, membro da cadeira nº 13 e atual presidente da ALI, escrever este novo romance foi uma experiência incrível que começou no verão de 2022, durante sua participação na 1a. Feira de Livros de Serra Grande - FLISG, em Uruçuca, Bahia. "Eu queria contar uma história diferente, talvez até original, que tivesse uma mistura de distopia, utopia e autoficção. Doideira, não é? Senti também que a mitologia indígena deveria permear toda a trama, envolvendo diretamente a participação de algumas divindades que estivessem ligadas diretamente ao comportamento humano e as ações da natureza. A exemplo de Amana-manha, a deusa da chuva e protetora das nascentes dos rios. Estas aleivosias que permeiam toda a história retratam a existência de um mundo em outro mundo (o nosso), numa mesma terra, em que coexistem, povoam e impregnam toda a trama", declara.

O escritor disse também ter optado por usar muitas expressões regionalistas. "Muitas vezes só nossa". Como: cabo-de-esquadra (amante), chuva-cachorra (chuva muita fina que não dá para molhar), cavalo-gravata (o que tem uma mancha no pescoço), entre outras. 

Em 2023, Pawlo Cidade disse que pensou em abandonar a escrita de A Invenção de Santa Cruz durante o tratamento de um câncer do cólon: "Entre uma quimioterapia e outra eu tentava escrever um capítulo. Mas os efeitos colaterais da quimio confundiam minhas ideias e não me deixavam dar prosseguimento a história. Quando finalmente terminei as 12 sessões, 12 longas batalhas, 12 longos trabalhos - como os de Hércules - a história estava lá, me esperando, só aguardando o momento dos meus dedos escorregarem pelas teclas do meu notebook para ganhar vida. E assim nasceram 41 mil palavras, 26 capítulos e 216 páginas". 


Capa embaixo d'água. Uma referência ao 
período chuvoso de Santa Cruz, em 1914.


O livro é editado pela Editora Teatro Popular de Ilhéus, com projeto gráfico e capa de Romualdo Lisboa. A capa é originada de um mapa de 1640, de João Teixeira Albernaz, o Velho, que retrata a porção Norte da Capitania de São Jorge dos Ilhéus.

O livro será lançado dia 25 de julho, às 18h30, na Academia de Letras de Ilhéus.

Para adquirir o livro basta fazer um Pix para o celular: (73) 9.9998.2555, em nome de João Paulo Couto Santos. Depois enviar o comprovante para o direct do Instagram do autor (@pawlocidade) ou para o e-mail: dimensoesculturais@gmail.com.

PAWLO CIDADE nasceu em 1968, em Ilhéus (BA), e, além de escritor, é também articulista, gestor cultural e professor. Publicou mais de vinte livros, entre romances, teatro, gestão da cultura e novelas juvenis. Ocupa a cadeira nº 13 da ALI. Está no segundo mandato como presidente da Academia de Letras de Ilhéus.

ESCRITORA LUH OLIVEIRA RECEBEU PRÊMIO BAHIA DE LITERATURA E ARTES 2024




Luh Oliveira, membro da cadeira nº 3


A Literarte, em parceria com a Casa do Olodum, promoveu o Prêmio Bahia de Literatura e Artes 2024, no dia 15 de junho, na Casa do Olodum no Pelourinho. O evento prestou homenagem aos talentos literários, aos educadores e à cultura brasileira. Nossa confreira, Luh Oliveira, membro da cadeira nº 3, foi uma das premiadas pelo conjunto de sua obra. 

"Mesmo sabendo que minha caminhada ainda está no início, fico honrada com essa medalha", disse a confreira ao receber o prêmio.

Luh Oliveira é sul-baiana, libriana, mãe, poeta, escritora, professora, produtora cultural. Especialista em Ensino de Língua Portuguesa com ênfase na escrita criativa; especialista em Literatura Comparada;  especialista em Literatura Infantil; mestra em Letras com foco no letramento literário e digital.

 


Apaixonada por poesia e pela literatura sul-baiana. Trabalha as obras de escritores da região em suas aulas desde 2004. Membro da Academia de Letras de Ilhéus, da Academia Internacional de Literatura Brasileira, do Mulherio das Letras e da Confraria de autoras de literatura infantojuvenil da Bahia (CONFRALIB) Participa do projeto InBaLê, Literatura Baiana para as Infâncias.  É co-fundadora do Festival Literário Sul-Bahia (FLISBA). Idealizadora/curadora da FILIN – Festival Ilheense de Literatura para as infâncias. Idealizadora da Vixi Bahia Literária, clube de escritores. Curadora da I Tour Histórico Literário de Ilhéus.

 

Desenvolveu de 2020 a 2022 o projeto “Bate-papo literário Luh Oliveira convida” no Instagram.  Ministra workshop de Escrita Criativa e Escrita Terapêutica, além de curso de formação em Letramento Literário para professores.  Participa ativamente de Feiras Literárias e Bienais do Livro por todo Brasil e de diversas coletâneas poéticas no Brasil e em Portugal. Entre 2012 e 2023 publicou 15 livros. Teve seu livro A+perto no coração indicado ao prêmio Jabuti em 2023. Suas obras têm sido adotadas e trabalhadas em escolas de Ilhéus, Itabuna, Ipiaú, Ubaitaba, Jequié, Vitória da Conquista, Salvador e em outros estados. Chamada carinhosamente de LuhPoesia, devido à sua intensa divulgação literária nas redes sociais.

 


quarta-feira, 19 de junho de 2024

ACADEMIA DE LETRAS LANÇA COMISSÃO HENRIQUE SIMÕES 500 ANOS




A logo criada para a comissão


A Academia de Letras de Ilhéus lança a Comissão Henrique Simões com foco nas comemorações pelos 500 anos do Município de Ilhéus, que serão celebrados em 2034. O nome do saudoso professor Henrique Simões, especialista em História do descobrimento do Brasil (ICALP/Instituto Camões, Portugal); professor titular no Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Santa Cruz. É autor, dentre outros livros, de "Cartas do Brasil" e "O Achamento do Brasil - A Carta de Pero Vaz de Caminha a El-Rei D. Manuel", ambos publicados pela Editus. O professor Henrique Campos Simões faleceu em 12 de julho de 2020.

Para festejar a participação, uma solenidade de lançamento será realizada no dia 26 de junho, às 18h30, na Academia de Letras, onde será apresentada a Comissão Henrique Simões, encarregada dos projetos e programas para a comemoração da data, e serão divulgadas as diretrizes fundamentais da comissão e a pauta inicial das atividades. A comissão é coordenada pelo professor Ramayana Vargens.

Durante o evento, o professor Dr. Marcelo Henrique Dias, coordenador do CEDOC/UESC, falará sobre o período de formação da colonização de Ilhéus e sobre a necessidade de sistematização das informações sobre a história de Ilhéus disponíveis.

A data escolhida coincide com a data de doação da Capitania de São Jorge de Ilhéus pelo rei de Évora, em Portugal, a Jorge de Figueiredo Correia, 26 de junho de 1534. 

"Há muito o que se falar sobre a história e a não-história de Ilhéus. E muito da não história foi escrita pela não gente. Ou seja, aqueles que muitos sequer conhecemos. Não podemos chegar aos quinhentos anos deixando arestas. Precisamos pavimentar muitas pontas que estão soltas", disse o presidente da Academia, Pawlo Cidade.

Fazem parte da Comissão Henrique Simões: Ramayana Vargens, Maria de Lourdes Netto Simões, Geraldo Lavigne, Ruy do Carmo Póvoas, Anarleide Menezes, Josevandro Nascimento, Aleilton Fonseca, Luh Oliveira, Maria Schaun e Pawlo Cidade.

domingo, 9 de junho de 2024

PORTARIA Nº 03/2024



Portaria 003/2024 de 08 de junho de 2024.

 

 

Dispõe sobre a indicação de membro para a cadeira nº 9.

 

 

A Academia de Letras de Ilhéus, representada pelo Sr. João Paulo Couto Santos, eleito para o biênio 2023-2025, no uso de suas atribuições,

 

RESOLVE:

 

Art. 1º — Fica aberta até o dia 9 de julho de 2024 a indicação de membro para a cadeira nº 9, cujo efetivo anterior foi o desembarcador Luiz Pedreira Fernandes.

 

Art. 2º — O(A) candidato(a) à vaga de membro efetivo deverá ser indicado, conforme Estatuto 2024, por três membros efetivos, em ofício próprio, enviado ao presidente, via o e-mail: academiadeletrasdeilheus@gmail.com, com nome completo e breve currículo do(a) indicado(a).

 

Art. 3º — A subscrição da indicação por mais de 03 (três) membros não dispensa o(a) indicado(a) de submeter-se ao processo eletivo.

 

Art. 4º — Esta Portaria entra em vigor a partir da data de sua publicação.

 

 

 

 

João Paulo Couto Santos

Presidente

sexta-feira, 7 de junho de 2024

SESSÃO DA SAUDADE

 


A Academia de Letras de Ilhéus tem a honra de convidar Vossa Senhoria para a Sessão da Saudade, em homenagem ao confrade Luiz Pedreira Fernandes, dia 7 de junho de 2024, sexta-feira, às 18h30. A saudação será feita pelo confrade Sebastião Maciel Costa.

Luiz Pedreira Fernandes era membro da cadeira nº 9, cujo patrono é Bernardino José de Souza e fundador o escritor Adonias Filho. Empossado como Presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA) em 1988, viu sua liderança reconhecida ao ser reeleito em 1990. Sua gestão foi caracterizada pelo compromisso com a promoção dos direitos eleitorais e o fortalecimento dos pilares democráticos. No período de 1996 a 1997, assumiu o cargo de Corregedor Geral da Justiça da Bahia, desempenhando um papel crucial na melhoria do sistema judiciário estadual. 

O comprometimento de Luiz Pedreira Fernandes com a comunidade jurídica não cessou com sua aposentadoria. Em 2010, assumiu a presidência da Associação dos Magistrados Aposentados da Bahia (Amap), consolidando-se como uma referência e inspiração para aqueles que seguiram seus passos.


segunda-feira, 3 de junho de 2024

PORTARIA 002/2024



Portaria 002/2024 de 03 de junho de 2024.

 

 

Dispõe sobre a prorrogação de indicações de membros para a cadeira nº 38.

 

 

A Academia de Letras de Ilhéus, representada pelo Sr. João Paulo Couto Santos, eleito para o biênio 2023-2025, no uso de suas atribuições, e em atenção a solicitação dos confrades e confreiras desta confraria,

 

RESOLVE:

 

Art. 1º — Fica prorrogada até o dia 28 de junho de 2024 a indicação de membros para a cadeira nº 38, cujo efetivo anterior foi o professor Carlos Eduardo Lima Passos.

 

Art. 2º — O(A) candidato(a) à vaga de membro efetivo deverá ser indicado, conforme Estatuto 2024, por três membros efetivos, em ofício próprio, enviado ao presidente, via o e-mail: academiadeletrasdeilheus@gmail.com, com nome completo e breve currículo do(a) indicado(a).

 

Art. 3º — A subscrição da indicação por mais de 03 (três) membros não dispensa o(a) indicado(a) de submeter-se ao processo eletivo.

 

Art. 4º — Esta Portaria entra em vigor a partir da data de sua publicação.

 

 

 

 

João Paulo Couto Santos

Presidente

NOTA DE PESAR





A Academia de Letras de Ilhéus lamenta profundamente a passagem do Confrade Gerson Alves dos Anjos, membro efetivo da cadeira nº 17, exemplo de cidadão, que soube honrar a poesia, no exercício da escrita.

Em tempo, enviamos à família enlutada, o nosso afetuoso abraço de pesar.

Pawlo Cidade
Presidente


Nota: O velório será realizado no SAF/Conquista, a partir das 10h00, do dia 05 de junho. E o sepultamento será no Cemitério São João Batista, às 10h, do dia 06 de junho de 2024.