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quinta-feira, 20 de maio de 2021
POESIA

sexta-feira, 14 de maio de 2021
NOTA DE PESAR
É com pesar que recebemos a notícia do passamento do amigo, professor e empresário Givaldo Alves Sobrinho, aos 83 anos. Grande mecenas das artes, incentivador da cultura regional.
Respeitado por todos, sua falta será sentida entre nós.
Pawlo Cidade
Presidente da Academia de Letras de Ilhéus
segunda-feira, 10 de maio de 2021
SONETOS
SONETOS ONDE ME ACONCHEGO
- Menino, já para dentro
que vem o vento ventoso
levado, levando cisco!
Menino, já para dentro!
- Boa romaria faz
quem em sua casa está
em paz. E essas adivinhas:
o que é, o que é? o ano todo
no deserto o mais quente é?
-Responda certo, menino
esperto. Como esquecer
essa de pura carícia:
da noite o beijo. Quem é?
- É minha sombra, de dia.
II
A casa era pequena, mas em tudo
os dias tinham tuas mãos zelosas.
Colocavas nos vasos aquelas rosas,
como sonho na manhã perfumando,
esbanjavam pelos ares ternura.
Davam vida à máquina de costura
tuas pernas ativas. Os bordados,
beleza tecida, sempre lembrados.
Como o mundo de Deus era grandão.
Dizias que primeiro a obrigação,
depois, filho, é que vem a diversão.
Só de lembrar me dão água na boca
teus doces. Cativando com açúcar
das mãos divinas as amargas nunca.
III
A casa toda alegre, a manhã sente
tua voz comovendo desde cedo,
os afazeres no ar iluminado
por teu jeito de torná-la cantante.
No quintal do vizinho passarinhos
faziam o coro com outros cantos.
Não sei qual dos cantos era o mais lindo,
o teu com o filho contente, sorrindo
ou o deles na festa, entre tantos,
a manhã pura bicavam, afoitos.
Como se fossem hoje os teus gestos
ainda estão nítidos dentro de mim
ligados num sonho que não tinha fim.
Tua voz, mãe, não ouço, teve um fim.
IV
Uma mãe é para cem filhos, cem
filhos não são para uma mãe, sem
hesitar me disseste certo dia.
Confesso que só depois saberia
o sentido justo do que dizias.
Crescido homem conheci nos dias
quanta falta tuas mãos faziam,
pois já não cuidavam, não limpavam
os caminhos na dura lei da vida,
tinha que ser comigo a travessia.
Foi quando vi como fazem o mundo
os humanos. Persistentes na lida,
bebiam na fonte de cada dia
o egoísmo como norma de tudo.
V
O pai pensava um dia ficar rico,
pobre era ser igual a vira-lata,
ao sabor da sorte, correndo o risco
de levar pancada, que às vezes mata.
O dinheiro serve para trocar
valores, simplificavas sorrindo,
mas sem querer o pai desanimar.
O sinal dado era para que o mundo
fosse visto com sua alma bondosa,
o homem não ser servo do vil metal,
pois nisso estava a raiz de todo o mal.
Comprar a virgindade, vender a alma.
A vida tudo mercando sem calma,
muitos usurpando sua beleza.
VI
Da balaustrada olhava as nuvens
acima do rio levando gente
e carga. Antes que a noite
chegasse, ofereciam viagens.
Mostravam castelos, cada gigante,
um velho barbudo em pé no tapete.
De calção, peito nu, lá no pátio,
ficava vendo-as no azul do céu.
Como elas que voltavam, voltaria
pra brincar com os amigos de infância
quando já fosse um homem? Só havia
um jeito de regressar ao passado,
rindo disseste, sonhando acordado.
Um homem com o menino conversando.
VII
- Você quer ser peixe ou quer ser gente?
No rio tinha sustos esplêndidos,
ultrapassava as linhas do horizonte.
A mãe como o pai sonhava com o filho
formado. Tuas mãos como as dele
incansáveis, dotavam para o filho
as bases da vida no esforço dos dias.
O tempo cor de sombras hospedou-se
com a doença sorrateira. Não sei
como estudava à noite no meu quarto
enquanto ouvia no outro teus gemidos.
Doíam, como doíam. Das noites
sem madrugada não houve revolta
enquanto perdurou tua agonia.
VIII
Como é ser ave e ter o canto preso?
Flor com cada pétala se esvaindo?
Chuva sem molhar a terra cheirosa?
Luz que se entreabre empalidecendo?
Sem beber a água boa pelos dedos
escorrendo. O rancor não abraçar.
O choro escondido no travesseiro.
Ter na alma a crença de que Deus reserva
tudo na vida. Em todo lugar mora.
O exemplo está no coração
que sente a morte nas gotas do dia.
O poeta diz que a mais difícil
prova é a do impotente. Tu provaste
que em cada fio perdido há grandeza.
IX
Sem te esquecer um só dia, andei
anônimo e solitário nas terras
longes. No esforço dessas terras,
entre meus medos, sombras, sonhei
que as horas ultimavam tua vez
de ser do vento memória. Chorei.
Tive saudades de mim. Procurei
uma razão que explicasse o porquê
do inevitável. Nada, nada achei.
O que é, o que é, viver para morrer?
Quem adivinhará isso de fato?
Cada um no seu canto sofre o seu tanto.
Nas terras longes, mãe, prossigo órfão.
Tua alma enche de amor meu coração.
X
Ventos trouxeram a má notícia.*Cyro de Mattos é poeta premiado no Brasil e no exterior. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia e da Academia de Letras de Ilhéus. Primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz.
X
Ventos trouxeram a má notícia.
Não cheguei a tempo para te ver
enfim calada, em paz com a agonia.
O desespero irrompeu de meu peito.
Soube da vileza para usurpar
seu lugar. De teu corpo tiraram
penas. Adaga de magia negra
fincaram. Nenhum canto de mágoa
se escutou de teu pássaro assim preso.
Iluminado altar cálice ergueu,
na expressão implume rosto sereno.
Lembrei-te em holocausto de carneiro.
De tua ida, não regresso, restou-me
nos anos um canto, fado em mim mesmo.
domingo, 9 de maio de 2021
sábado, 8 de maio de 2021
PRÓXIMA QUINTA-FEIRA, 13 DE MAIO, TEM REUNIÃO ORDINÁRIA
sexta-feira, 7 de maio de 2021
ARTIGO
terça-feira, 4 de maio de 2021
sábado, 24 de abril de 2021
CONTAS, QUE EU TE CONTO!
sexta-feira, 23 de abril de 2021
terça-feira, 20 de abril de 2021
A ACADEMIA DE LETRAS DE ITABUNA - ALITA COMPLETA DEZ ANOS!
quinta-feira, 15 de abril de 2021
"POBRE LÍNGUA RICA" ABRE UMA SÉRIE DE TERTÚLIAS DA ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS NESTE SÁBADO

A Academia de Letras de Ilhéus realiza, neste sábado, 17 de abril, às 18 h, roda de conversa entre os acadêmicos Sebastião Maciel, Ramayana Vargens e Ruy Póvoas,tendo como mediador o acadêmico Pawlo Cidade. O temaabordado será “LÍNGUA, LEITURA E LITERATURA”, no viés da “POBRE LÍNGUA RICA”, subtítulo que permitirá enfoques aos aspectos formais da língua portuguesa, a leitura na contemporaneidade e os gêneros literários que permeiam a literatura grapiúna. A transmissão será via Instagram da Academia de Letras de Ilhéus.
“Esta será a primeira de uma série de tertúlias que a Academia de Letras de Ilhéus promoverá ao longo do ano acadêmico de 2021. As tertúlias acadêmicas estão sendo programadas para acontecer mensalmente, e as temáticas abordadas visam a discussão do idioma, motivação do fazer literário, assim como o incentivo à leitura, com abordagens de vida e obra de autores diversos, resenhas de livros, etc. As rodas de conversas serão, certamente, especiais em seus conteúdos, e ocorrerão entre os membros da Academia de letras de Ilhéus e seus convidados com ricos saberes na área em comento ”, destaca o presidente da ALI, Pawlo Cidade.
quarta-feira, 14 de abril de 2021
CONTAS, QUE EU TE CONTO
segunda-feira, 12 de abril de 2021
ARTIGO

ARTIGO

Antologia Poética
(2013), de Afonso Manta (foto), seleção, prefácio e organização de Ruy Espinheira Filho, é uma publicação da
ALBA, editora da Assembleia Legislativa da Bahia, em parceria com a Academia de
Letras da Bahia. O livro está inserido na Coleção Mestres da Literatura Baiana.
Pela primeira vez um livro do poeta de Poções recebe uma publicação digna de
sua lírica. Seus livros tiveram edições por gráficas e editoras pequenas do
interior, fazendo com isso que sua poesia circulasse no ambiente de amigos e
poucos leitores. Tornaram-se raridades bibliográficas.
Essa Antologia
Poética agora faz jus ao conhecimento e expansão de um poeta que tem um
brilho inusitado, capaz de enlouquecer as flores, aprofundar as cores,
tornando-se, no trânsito da ternura, como um anjo em voo do infinito. Chegou a nos dizer que quando essa noite
passar com o seu manto de trevas, numa “sinistra gaiola comendo o alpiste do
dono... com seus frios caracóis de angústia e desesperança, praga dos que vivem
sós... faz teu canto na manhã, que todo dia traz luz. E não é vã, não é vã.”
É fácil perceber que a
poesia de Afonso Manta flui pelos caminhos da esperança, da ternura expressa
por uma linguagem simples longe do vulgar, ao invés disso se apresentando com a
palavra tomada emprestada ao encantamento. Toca-nos sem arroubos, nos versos
simples sem pieguismo, encanta o pensamento e o sentimento com leveza, dizendo
com nitidez sobre a tristeza diáfana. Nos momentos de sonho produz mel e
ingenuidade, que confortam e possibilitam uma carícia de brisa. Em muitos casos
usa a rima, a estrofe apoiada no verso que soa e fere a vida através das notas
da contradição humana. Mostra a alma fragilizada de um homem sensitivo, que ao
se ver no espelho flagra como está cansado de tudo.
Se a poesia no Brasil
repercute no século vinte com o que tem de melhor na clave da solidão, intensa
nos conflitos, em questões complexas, em Afonso Manta conserva-se nos ares
ingênuos, embora de interioridades profundas, como na explícita certeza desses
versos:
Vale a pena viver, mesmo sofrendo.
Eu mesmo vivo assim,
triste gemendo,
Escravo da ilusão e da
beleza.
Essa é a maneira do
poeta estar na vida com sinceridade, ter como base, apesar da dor, as
construções de conteúdo inocente, guardadas pela alma de um cantor prisioneiro
do menino, bebedor de umas doses de extravagância, mas sem maldades, a exalar a
consciência do dever cumprido, banhar-se com as luzes de uma musa portadora de
canários verdes na varanda. Entre a ordem e a vertigem, do viajante que
transita para o último gemido, Afonso Manta tece seus poemas de versos
harmoniosos. Escreve uma poesia clara, com a alma de um poeta que só precisa de
um pouco de sonho para equilibrar-se em seus rumos e rumores loucos, de
“estrelas na testa de rapaz” para que suas angústias fiquem serenas. Só assim,
com a mansidão das amargas, o poeta se dará por contente.
Se tudo isso aqui onde
vivemos é ilusão, para quem queira ler e ouvir a poesia de Afonso Manta vai
saber como esse poeta foi um homem digno de seu estar no mundo, corajoso
conforta-nos quando assume sua maneira de andar sozinho com os seus versos
delicados para o alimento da alma, intenso de saberes, sustentando-o como um
homem real, que transita na vida pela rua da solidão e do sonho com matizes do
lilás. Vai senti-lo em dado momento aos frangalhos, mas consciente de que não
precisa ser rico, nem ter crédito na praça, pois convive com o vento que o
agita interior e largado. No poema “O Realejo do Vinho”, esse poeta sabe como a
vida é falha, mas basta quando o torna com os cabelos devastados, rosto,
sorriso e palavra.
Na fatura do soneto
Afonso Manta é modelar, raro inventor de sentimentos na frase iluminada. Qualquer um deles surpreende pela
simplicidade da rima, condução nítida da ideia, o fluxo espontâneo que nos
torna cúmplice da palavra simulada com emoção e simbolismo. Libertos de sua camisa de força imposta pelo
formato clássico, vemos como tamanha é a habilidade de sua elaboração por um
mestre, que não se veste com a roupa compositiva de sua estrutura fixa. Faz com
fluência que transmitam sentimentos doloridos, os ares do que é triste, que se
encontrará sempre na paz do espírito redimido.
Assim o poeta procede em “O Rei Afonso”.
Aqui, o rei Afonso, o
Derradeiro,
Vê naus que não são
mais as naus do porto.
São já as naus febris
do sonho morto
No mar tão vasto como
traiçoeiro.
Aqui, o mesmo rei,
também chamado
Restaurador do Império
Agonizante,
Perde para o inimigo,
doravante,
O reino duramente
conquistado.
O rei, flor-de-lis
santa e vulnerável
Ferido pela dor
inevitável,
Perdoa a punhalada do
assassino
E morre sem palavra de
desgosto,
Mostrando paz até o fim
no rosto,
A mesma paz dos tempos
de menino...
Louco esse poeta vestido
do pôr do sol, mas que tinha uma rosa na cabeça? Bicho estranho que não queria morrer enquanto
existisse estrelas cintilando no céu e o pássaro cantando? Homem da lua, triste
divagando pelas ruas da Bahia? O que tocava o violino nas solidões de sua cidade
natal com as cordas do sorriso? Ousado guerreiro, dispersivo, que tudo
arriscava num momento veloz e passageiro? Um detentor de humanas paixões, que
morreu sereno e forte?
Era poeta que tinha um olhar vago, de mendigo
e sonhador, de aspecto excessivo de profeta.
Banhava-se nas águas da esperança. Não há quem não desperte enriquecido
quando se entra em contato com a sua lírica de alto nível, não se deixe
encantar com o prontuário iluminado onde não morre a solidão solidária,
imaginada nos toques do amor. Quanta
simplicidade em versos que enleiam, rumorejam com generosidade, primam por
relâmpagos que nos mostram da vida verdades. Poeta de alma com doces soluços,
brilhantes abraços da cor dos lírios, dos jasmins com seus inebriantes perfumes.
Oferta, na chuva que bate nas orelhas, incandescentes ternuras naquele lugar
onde a esperança não morre.
No poema “De Um
Rabisco”, de fino humor, os versos como se fossem para serem lidos em dia de
riso, Afonso Manta alerta:
Há que deixar em paz o
poema.
Ou o poema nos afeta.
O poema há de ser
perfeito.
Ou ele come o poeta.
No seu caso, o poema,
por ser perfeito, alimenta a alma, comete a catarse de curar como o melhor
alento.










