ILHÉUS 500 ANOS - um chamado à reflexão sobre
a identidade brasileira
Efson Lima
A Capitania de São Jorge dos Ilhéus se aproxima dos 500 anos e, com a chegada desse marco, diversas são as reflexões que se impõem aos ilheenses, baianos e brasileiros. No último dia 28 de junho se comemorou os 492 anos da Capitania – que, de tão extensa, incluía a região onde está hoje Brasília - e os 145 da posterior elevação à categoria de cidade. Assim sendo, o marco comemorativo do quincentenário da cidade-mãe, Ilhéus, irradia por todo o País e a necessidade de pensarmos sobre a identidade do povo brasileiro, bem como o desenvolvimento que devemos perseguir, se coloca a todas as pessoas. Inclusive, com o dever de refletir sobre (e com) os povos originários, que habitavam o vasto território, bem como os povos africanos abduzidos de suas terras e escravizados nessas.
Não podemos discorrer sobre lutas abolicionistas sem considerar os enfrentamentos de Gregório Luís, no Rio do Engenho, em face das condições impostas aos escravizados. Entre as capitanias de Porto Seguro e Bahia, a Capitania de Ilhéus foi uma das mais prósperas no período colonial. E no séc. XX, já ostentando a condição de cidade, cumpriu importante função com sua localização geográfica, presença do porto exportador e pujante produção de cacau, contribuindo significativamente para a arrecadação de ICMS e com os projetos estruturantes do estado.
A Academia de Letras de Ilhéus instituiu Comissão com objetivo de traçar estratégias para as celebrações dos 500 anos, sob a liderança do professor e acadêmico Ramayana Vargens, que tem sensibilizado as diversas organizações quanto à importância desse marco em razão do “signo Ilhéus” ultrapassar as fronteiras da região. O imortal é uma autoridade no assunto e integrou a equipe responsável pelas comemorações dos 500 anos do Brasil. A título de sugestão, a cidade de Ilhéus merece ter uma Comissão instituída por meio do Executivo Municipal, quiçá, via lei, para destravar os preparativos e pensar ações concretas que integrem o quincentenário, passando pelos 150 anos de elevação à categoria de cidade. O Centenário da cidade, em 1981, foi marcado por um conjunto de entregas à população.
As celebrações dos 500 anos do Brasil tiveram liderança firme da UESC, a partir da então reitora Renée Albagli. Agora, o sul da Bahia possui a UFSB, que muito pode colaborar nesse processo. É indispensável a colaboração da sociedade civil, do segmento produtivo e de outros atores e organizações. Ilhéus recebeu de presente e com alegria, no seu aniversário último, a reabertura da Casa de Cultura Jorge Amado, que se aproxima dos 30 anos. Mas a cidade merece muito mais, e todos devem buscar esse “mais”, porque as celebrações interessam, no mínimo, a todo brasileiro.
Professor de Direito Internacional da Universidade
da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira.
Membro das Academias de Letras de Ilhéus e
da Grapiúna de Artes e Letras (Agral).
E-mail: efsonlima@gmail.com


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