Itabuna, 5 de junho de 2026.
Ilustres confrades,
Ilustres confreiras.
(Amigos meus, amigas minhas).
Antes, aquele dia de ontem não tivesse amanhecido. Se ele, no entanto, foi forçado a amanhecer, enfrentemos, de pé como árvores, a tristeza com que ele nos rebuçou.
Sei, muito bem, de meu dever e obrigação: estar aí, reunido a vocês, numa última e justa homenagem a nosso Josevandro, nosso Presidente. Aprendi, no entanto, com meus mais velhos: A vontade mora no peito de quem não pode, pois quem pode mata a vontade.
A que me refiro? A uma ingrata e dolorosa impossibilidade de participar, em conjunto, numa irmanação de sentimentos, a homenagem tão merecida ao nosso querido Presidente. Não é momento para queixumes, mas as justificativas de minha ausência se fazem necessárias, se é que justificativa alguma preencha a lacuna deixada pela ausência.
Como eu gostaria de estar presente nas cerimônias que serão realizadas na Maçonaria, durante o velório e, depois, no sepultamento. Merecedor de nossos tributos, nosso Presidente sempre zelou pelo sucesso e bom desenvolvimento de nossa Academia. Dele, sempre recebi tratamento especial e cerimonioso e fazia questão de anunciar, em alto e bom tom, em qualquer momento das cerimônias nossas na Academia: “Nosso pai, professor e babalorixá, Ruy Póvoas.” A voz era firme e plena de reconhecimento pelo papel que exerço na sociedade de nosso tempo.
Sua atitude, ao assim proceder, significava injeção de ânimo e, mais além, que tenho acertado em minhas ações e, principalmente, na relação com demais confrades e confreiras,
Agora, aquela voz se cala, mas não há de se esvair a lembrança, a saudade, a memória que foi construída em ações constantes, por pessoa tão digna de nosso apreço e consideração.
Vá em paz, amigo, confrade, Presidente. Fica conosco a sofrida tarefa de chorarmos sua ausência. Fica, porém, o produto de sua luta que não visava lucro, nem fama. Apenas fazia porque queria fazer, sentindo e agindo com seriedade, respeito e dignidade.
As bênçãos divinas recaiam sobre você e a nós não desamparem porque vamos em frente para realizar, todos e todas mais unidos ainda, seus ideais para grandeza de nossa Academia.
E logo que você sempre me tratou por “meu pai”, me pedindo a bênção, receba deste seu velho e já um tanto cansado pai, minha bênção, até quando minha tarefa também terminar.
Ruy Póvoas
Titular da Cadeira de 18 da ALI

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