Em Ilhéus, tradicionalmente, Aleilton Fonseca e Rita Santana, quando vão à Princesa do Sul, visitam à senhora Sapho, uma estátua situada na Praça do Palácio Paranaguá. Nesse local funcionava a sede do poder executivo ilheense. A praça continua importante: lá permanece as sedes do poder legislativo, de grupo maçônico e a imponente Associação Comercial de Ilhéus. E claro, a linda escultura de Inverno, à frente da Igreja Batista, encontra-se por lá também.
Um belo dia, no grupo de WhatsApp da Academia, eis que surge a ideia de homenagear Sapho, Então, autoconstituimos um grupo para cuidar da homenagem e organizar um livro. Afinal, parafraseando a acadêmica Maria Schaun, Sapho merecia um livro. Então, a Comissão organizadora foi constituída por mim, Aleilton Fonseca, Anarleide Menezes, Luh Oliveira e Ramayana Vargens.
A concepção do livro foi definida: uma obra que reunisse os diversos gêneros; que pudesse apresentar as obras plásticas e que refletisse o contexto “safhiano” de ser e existir. Sapho com “ph“ ou sem? Eis que a dúvida foi levantada e permaneceu com “ph” para homenagear conforme escrita existente ao pé da estátua. Agora, restava-nos convidar as pessoas. E assim, a comissão organizadora foi convidando poetas, escritores e artistas plásticos para constituírem o painel em homenagem a Sapho.
Sapho não é uma mera estátua em Ilhéus, nascida na Grécia, viveu na Ilha de Lesbos e foi uma das primeiras poetas (mulher, para reforçar) na Antiguidade. A sua obra imortalizada reflete a diversidade social e auxilia-nos a refletir sobre o cotidiano da sociedade brasileira.
O lançamento do livro ocorreu, mesmo que de forma rápida, na Academia de Letras de Ilhéus, no dia 14 de março, visto que a data exigiu prestação de contas da diretoria passada, posse da nova Gestão e saudação a Castro Alves, sem também deixar de registrar o lançamento da Revista Estante, n.º 02, da Academia. O momento foi concorrido de atividades. Em razão da obra e das inquietações, a Praça J. J. Seabra ganhou de presente as estátuas higienizadas de Sapho e Inverno. O gradil foi pintado e a iluminação reinstalada. Foram pequenas ações, mas a Prefeitura de Ilhéus, por meio da Secretaria de Cultura, surpreendeu-nos positivamente e sinalizou que podemos fazer trabalhos conjuntamente. Ganha a cultura, a cidade fica mais bonita e os cidadãos agradecem.
O livro “Celebrações a Sapho, musa de Ilhéus (Centenário1924 – 2024)” congrega diversos poetas, escritores, professores, fotógrafos e artistas plásticos: Antonio Sá da Silva, Aleilton Fonseca, Antônio Lopes, Efson Lima, Francino Vieira, Jane Hilda Badaró, José Nazal, Marcos Bandeira, Nívia Maria Vasconcellos, Pawlo Cidade, Adrian Eysen, Clarissa Macedo, Cyro de Mattos, Décio Torres, Elisa Oliveira, Fabrício Brandão, Geraldo Lavigne de Lemos, Goulart Gomes, Heitor Brasileiro, Heloísa Prazeres, Leônidas Azevedo Filho, Lia Sena, Luh Oliveira, Maria Luiza Heine, Ordep Serra, Piligra, Rafael Gama Moreira, Ramayana Vargens, Renato Oliveira de Prata, Rita Santana, Sandro Ornellas, Sérgio Ribeiro, Silmara Santos, Silvio Jessé, Suany Lima, Tallýz Mann, Uaçaí Lopes e Vladimir Queiroz. Então, esse conjunto de pessoas se aglomerou para em poesia, prosa, fotografias e pinturas celebrar o centenário da presença de Sapho em Ilhéus.
A professora Maria Luiza Heine, em síntese, resume a importância da escultura de Sapho para Ilhéus: “Cem anos depois, este monumento continua gerando admiração e curiosidade nos turistas e visitantes. Bela, rara e inigualável, a musa esculpida: uma perfeição. A escultura de Sapho é uma preciosidade a embelezar a praça principal do Centro de Ilhéus.” Portanto, Sapho se tornou um patrimônio da região, quiçá do Brasil, afinal, a escultura foi desenvolvida pelo italiano Pasquale de Chirico, inclusive, com várias obras em Salvador e tendo sido professor da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia.
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