terça-feira, 25 de agosto de 2026

5ª edição do Festival Literário Sul Bahia movimentou Canavieiras com mais de 40 atividades durante três dias




Roda de Conversa no Sítio Histórico de Canavieiras/Foto: Wiu

A 5ª edição do Festival Literário Sul Bahia (Flisba) foi encerrada no último sábado (22/08), após três dias de uma intensa programação que contou com cerca de 40 atividades, entre debates, oficinas, lançamentos de livros e apresentações artísticas. O evento deste ano aconteceu no Sítio Histórico de Canavieiras e reuniu cerca de 50 convidados de toda a Bahia, entre escritores, pesquisadores, ambientalistas, fazedores de cultura e livreiros.

Com o tema “Literatura e Sustentabilidade: um encontro com a cultura popular”, a 5ª edição do Flisba também prestou uma homenagem ao escritor grapiúna Adonias Filho. Na ocasião, foi realizada a exposição “Adonias Filho - A voz literária do sul da Bahia” e exibido o documentário “Adonias“, em parceria com a Academia Grapiúna de Artes e Letras (AGRAL).

Segundo Josanne Morais, presidente da Academia Grapiúna de Artes e Letras, as homenagens pretenderam fazer com que o público enxergasse Adonias Filho “não apenas como nome consagrado da literatura brasileira, mas como intelectual profundamente vinculado ao território, às paisagens humanas e às tensões históricas e existenciais do Sul da Bahia”.

Gratuito e aberto a todos os públicos, o Flisba também teve uma feira de economia solidária – organizada pelo Centro Público de Economia Solidária (Cesol) Litoral Sul -, tendas de venda de livros, palco para apresentações artísticas e um espaço dedicado à programação infantil. No Flisbinha, as crianças de todas as idades tiveram acesso a apresentações musicais, contação de histórias e brincadeiras.

De acordo com Luh Oliveira, presidente da Academia de Letras de Ilhéus e uma das organizadoras do Festival, o Flisbinha foi um espaço de encontro e aproximação entre os estudantes e a literatura. “Foi muito significativo perceber a participação e o encantamento dos alunos, sobretudo daqueles que estavam, pela primeira vez, diante de um escritor. São encontros assim que ajudam a formar leitores e a tornar a experiência com a literatura mais viva”.

Os colégios de Canavieiras, públicos e privados, aderiram à atividade e enviaram turmas para o Festival. Junto aos outros participantes – da cidade e convidados de fora -, os estudantes que participaram dos debates concorreram a brindes, entre livros e materiais escolares.

Para Efson Lima, da Academia de Letras de Ilhéus e um dos organizadores da atividade, a realização da 5ª edição confirma a importância do Flisba no sul da Bahia, “ao reunir as diferentes linguagens artísticas e as Academias de Letras da região, bem como os diversos escritores, poetas e artistas, e ao manter vivo o seu objetivo de circular nos municípios sulbaianos”.

A palestra de abertura do Festival, na quinta-feira (20), foi ministrada por Albino Rubim, ex-secretário de Cultura do Estado da Bahia e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em uma parceria com o Fórum de Agentes, Empreendedores e Gestores Culturais do Território Litoral Sul da Bahia (FAEG).

“Viver o Flisba em Canavieiras foi compartilhar conhecimentos e semear cultura com nativos e visitantes de forma intensa e contagiante”, resumiu o escritor Tácio Dê, um dos organizadores do evento.

sábado, 8 de agosto de 2026

DIA 10 DE AGOSTO: CELEBAR 114 ANOS DE JORGE AMADO

 

JORGE AMADO — 1912 - 2001


No dia 10 de agosto, ao celebrarmos os 114 anos de Jorge Amado, reconhecemos a permanência de uma obra que continua a produzir sentidos e que, para além de sua dimensão estética, constitui-se como espaço de memória, identidade e representação de um povo. Cada romance configura uma cartografia cultural na qual o território se converte em linguagem e a linguagem, por sua vez, transforma-se em patrimônio.

É nesse horizonte que a grapiunidade adquire centralidade. Antes de alcançar o mundo, Jorge Amado encontrou, na Região Cacaueira da Bahia, o núcleo de uma experiência humana que marcaria definitivamente sua criação. O universo do cacau, longe de ser simples cenário, configura um território simbólico onde se entrecruzam relações de poder, migrações, conflitos, solidariedades e afetos. A paisagem deixa de ser mero pano de fundo para tornar-se protagonista da história.

A literatura de Jorge Amado demonstra que os territórios são também construções culturais. A Região Grapiúna emerge como espaço de memória coletiva, onde vozes, costumes, saberes e narrativas resistem ao apagamento. Nesse contexto, escrever é preservar modos de existência, reafirmar pertencimentos e transformar a experiência regional em patrimônio da humanidade. Aí reside muito da singularidade de sua obra. O escritor não universaliza a Bahia porque abandona o regional; universaliza-a porque mergulha profundamente em sua cultura. Quanto mais enraizada é sua narrativa, mais ampla se torna sua capacidade de dialogar com diferentes povos e tempos. O local converte-se em linguagem universal.

Os clássicos permanecem porque continuam produzindo novas leituras e novos sentidos. Jorge Amado permanece entre nós não apenas pela força de seus personagens, mas porque sua obra nos convida, continuamente, a revisitar os territórios da memória, a reconhecer a diversidade como fundamento da cultura e a compreender que a literatura é também uma forma de resistência ao esquecimento.

Ao celebrar seus 114 anos, celebramos também a vitalidade da grapiunidade como patrimônio cultural e literário. Nesse encontro entre memória, território e palavra — Cacau, Terras do Sem-Fim, São Jorge dos Ilhéus, Gabriela, Cravo e Canela e Tocaia Grande —, Jorge Amado permanece vivo, lembrando-nos de que as identidades não se encerram no passado: renovam-se cada vez que a literatura devolve uma comunidade à consciência de si mesma. E sabemos que sua obra atravessa as fronteiras regionais e conta-canta a Bahia.

A permanência da obra de Jorge Amado projeta-se também para além do campo literário. Seus romances transformaram-se em poderosos mediadores da imagem da Bahia no Brasil e no mundo, convertendo a ficção em experiência cultural e turística. Leitores de diferentes países percorrem ruas, mercados, praias, terreiros e cidades movidos pelo desejo de reencontrar os cenários da narrativa. Trata-se de um singular exemplo em que a literatura não apenas representa um território, mas contribui para sua valorização simbólica, sua preservação e o fortalecimento de sua economia criativa.

O turismo literário, nesse contexto, constitui uma forma de leitura do espaço, na qual memória, patrimônio e identidade se entrelaçam, reafirmando a cultura como um dos mais relevantes ativos do desenvolvimento regional. Assim, Jorge Amado, mais do que um grande romancista, afirma-se como um dos maiores embaixadores culturais da Bahia. Sua obra continua atraindo leitores, pesquisadores e visitantes de diferentes partes do mundo, fortalecendo a imagem da Bahia e, particularmente, da Região Grapiúna como território da cultura, da memória e do turismo literário.

Celebrar seus 114 anos é reconhecer que sua literatura permanece viva, renovando, a cada leitura, o diálogo entre o local e o universal e reafirmando que a identidade de um povo também se escreve pela força de suas narrativas.


Por Maria de Lourdes Netto Simões (Tica Simões), membro da cadeira 19, Academia de Letras de Ilhéus.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

PROSA DAS LETRAS ESTREIA HOJE, 7 DE AGOSTO, COM UMA HOMENAGEM AO SAUDOSO CONFRADE JOSEVANDRO NASCIMENTO




Dar voz e conhecer mais profundamente as diversas academias de letras existentes em municípios baianos. Estes são os principais objetivos do Prosa das Letras, um programa realizado pela Academia de Letras da Bahia (ALB) em parceria com a TV ALBA. A apresentação é do escritor Aleilton Fonseca, atual presidente da ALB. Durante 30 minutos ele irá conversar com presidentes de Academias de Letras de diversos municípios baianos para um diálogo sobre sua instituição.

A estreia é na próxima sexta-feira, 7 de agosto, às 18h30 no Youtube da TV ALBA. Dividido em dois blocos, cada programa vai mostrar as origens, a trajetória, as atividades, desafios, projetos e conquistas de cada instituição. “Vai ser uma prosa também sobre as contribuições de cada Academia para a valorização da literatura, da cultura e da memória de seus municípios”, explica Aleilton Fonseca.

Neste primeiro programa o entrevistado é o saudoso Josevandro Nascimento, ex-presidente da Academia de Letras de Ilhéus (ALI). Professor, advogado e escritor, ele faleceu no dia 4 de julho de 2026 e a participação no Prosa das Letras foi uma de suas últimas entrevistas como presidente da ALI.

“Vai ser uma homenagem da ALB a este intelectual que dedicou sua vida à promoção da educação e da literatura”, afirma Aleilton Fonseca. O Programa também vai falar de acadêmicos como Adonias Filho e Telmo Padilha. E, como não poderia deixar de ser, resgatar histórias de Jorge Amado e Zélia Gattai em Ilhéus.

O Prosa das Letras será exibido quinzenalmente, às sextas-feiras, às 18h30, pelo YouTube da TV ALBA (@tvalba). Mas quem quiser também pode acompanhar pela TV aberta: Salvador e Região Metropolitana: Canal 12.2; em Barreiras: Canal 40.2; e demais cidades do interior da Bahia: Canais 9.2 e 10.2.