Hans Tosta Scharppi - Membro efetivo da Academia de Letras de Ilhéus, cadeira n. 3. Nascido em Salvador, onde também fez a passagem na madrugada de 16 de maio de 2018, aos 90 anos de idade. Ilhéus perde um grande homem. Idealista, guerreiro, hoteleiro, industrial, agricultor, pecuarista, escritor, artista plástico, compositor e dramaturgo ( prêmio Silvio Bocanera Júnior). Recebeu título de Cidadão ilheense em 1985! Nesta cidade viveu durante muitos anos, e por ela demonstrava grande amor! Vá em paz, confrade! Missão cumprida!
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quinta-feira, 17 de maio de 2018
quarta-feira, 9 de maio de 2018
Festa Literária de Ilhéus
Confirmada a atriz e escritora Elisa Lucinda na abertura da Festa Literária de Ilhéus
A arte marca a abertura oficial da Festa Literária de Ilhéus. O evento contará com a participação da escritora e atriz de peças, filmes e telenovelas da Rede Globo, Elisa Lucinda. A atriz participará de um bate-papo literário com a professora de Sociologia da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Flávia Alessandra de Souza. Será na próxima terça-feira (16), às 17h30, no Teatro Municipal de Ilhéus.
A escritora e professora da UESC, Maria de Lourdes Netto Simões (Tica Simões) é a homenageada desta edição da Festa Literária. O nome escolhido pela comissão organizadora levou em consideração a carreira de Tica Simões, sempre voltada para a pesquisa, leitura e literatura.
Ainda nesta cerimônia, haverá a premiação dos vencedores do III Prêmio Sosígenes Costa de Poesia e o lançamento da Campanha “Memórias de Leitura”, da Fundação Pedro Calmon (FPC). O público ainda vai poder curtir apresentações musicais, com os grupos locais Dilazenze e Mulheres em Domínio Público.
Festa Literária de Ilhéus integra Feira do Livro da UESC e Festival Literário de Ilhéus
A Festa Literária de Ilhéus será de 15 a 18 de maio, na UESC, Teatro Municipal de Ilhéus, Academia de Letras de Ilhéus, Biblioteca Municipal Adonias Filho, Casa de Arte Baiana, Human Network do Brasil, Calçadão Jorge Amado e Praça Pedro Mattos.
O evento é uma co-realização entre a Editus – Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Secretaria Municipal de Cultura, Academia de Letras de Ilhéus (ALI) e Fundação Pedro Calmon (Secult/BA), e reúne a 6ª Feira do Livro da UESC e o III FLIOS - Festival Literário de Ilhéus.
A programação geral conta com palestras, oficinas, saraus, exposições, apresentações culturais, lançamentos de livros, além de estandes para a venda de livros variados de editoras universitárias filiadas à ABEU (Associação Brasileira das Editoras Universitárias) e editoras comerciais, todos a preços promocionais. Outras informações sobre o evento podem ser conferidas no site: https://doity.com.br/festa-literaria-de-ilheus.
sábado, 5 de maio de 2018
Divulgados os finalistas do III Prêmio Sosígenes Costa de Poesia
Os escritores José de Assis Freitas Filho, Maria do Carmo Sena do Nascimento e Messias Nunes Correia são os finalistas do III Prêmio Sosígenes Costa de Poesia. Eles são autores, respectivamente, dos livros "Poemas sobre a ternura das lâminas", "Na veia da palavra" e "A ascensão noturna”.
No dia 16 de maio, às 17h30, no Teatro Municipal de Ilhéus, durante a abertura oficial da Festa Literária de Ilhéus será divulgado o resultado final e haverá a premiação do vencedor. O campeão terá o livro de poemas publicado pela Editus – Editora da UESC e ganhará um prêmio de R$ 2.000,00.
As inscrições para a terceira edição do Prêmio ocorreram entre os dias 20 de fevereiro e 30 de março. Cada autor teve que se inscrever em pseudônimo e apresentar uma obra inédita. O Prêmio Sosígenes Costa de Poesia é uma realização da Editus – Editora da UESC e Academia de Letras de Ilhéus (ALI) e, nesta edição, conta com o apoio da Secretaria de Cultura de Ilhéus. Ao homenagear o escritor sul-baiano Sosígenes Costa, a organização do concurso busca valorizar, difundir e revelar novos talentos da literatura poética baiana.
Na primeira edição, em 2016, o concurso premiou Weslley Almeida, mestrando em Literatura e morador de Feira de Santana, pelo livro “Memórias Fósseis”. Já em 2017, Natan José Muniz Barreto, tradutor e professor primário, nascido em Salvador e residente em Londres, foi o ganhador da segunda edição, com a obra “Um quintal e outros cantos” – que será lançada pela Editus no dia 15 de maio, na Festa Literária de Ilhéus.
quinta-feira, 3 de maio de 2018
Literatura e arte na programação da Festa Literária de Ilhéus
Contagem regressiva para a Festa Literária de Ilhéus. De 15 a 18 de maio, o evento vai oferecer palestras, oficinas, saraus, exposições, apresentações culturais, lançamentos de livros, além de estandes para a venda de títulos variados de editoras universitárias filiadas à ABEU (Associação Brasileira das Editoras Universitárias) e editoras comerciais.
Por meio do tema “Leituras Democráticas: livros e zaps”, a Festa Literária de Ilhéus vai propor discussões, durante os quatro dias de evento, sobre a integração das juventudes com o universo dos livros nas suas diferentes plataformas e linguagens, destacando as variadas maneiras de acessar e difundir o conhecimento.
A programação reúne nomes como a escritora capixaba Elisa Lucinda, o coordenador da Campanha Vidas Negras da ONU Brasil, Thiago Ansel; o membro da Plataforma Educação Não Formal e Tecnologias Sociais, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e ex-consultor da Secretaria Nacional de Juventude, André Sobrinho, e a cantora baiana Márcia Short. As atividades contemplam todos os públicos. As crianças contarão com uma programação especial, com jogos educativos, brincadeiras, oficinas e apresentações artísticas.
Inovadora, a Festa Literária nasce como uma ação integradora entre dois grandes eventos literários já consagrados na região: a 6ª Feira do Livro da UESC e o III FLIOS - Festival Literário de Ilhéus, e é uma co-realização entre a Editus – Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Secretaria Municipal de Cultura, Academia de Letras de Ilhéus (ALI) e Fundação Pedro Calmon (Secult/BA). O objetivo da parceria é somar esforços para oferecer uma programação diversificada e garantir uma maior participação e envolvimento da comunidade regional.
A realização da Festa Literária de Ilhéus conta ainda como o apoio da Pró-Reitoria de Extensão da UESC, NAU (Núcleo de Artes da UESC), Proler (Programa Nacional de Incentivo à Leitura), Rádio UESC, TV UESC, Casa de Arte Baiana, Human Network do Brasil, Rota Transportes, Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Bombom Gelados, Cenoe – Hospital de Olhos, Barrakítika, Bataclan, Vesúvio, Cerveja Sier Beer, TV Santa Cruz, Canal Futura, Rádio Bahia FM Sul, Rádio Gabriela FM, Rádio Ilhéus FM e Blog O Tabuleiro.
O evento será realizado na UESC, Teatro Municipal de Ilhéus, Academia de Letras de Ilhéus, Biblioteca Municipal Adonias Filho, Casa de Arte Baiana, Human Network do Brasil, Calçadão da Rua Jorge Amado e Praça Pedro Mattos. A programação completa e outras informações sobre o evento podem ser conferidas no site: https://doity.com.br/festa-literaria-de-ilheus
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
ASSEMBLEIA GERAL
CONVOCAÇÃO
O Presidente da Academia
de Letras de Ilhéus convoca todos os seus membros para ASSEMBLEIA GERAL a ser
realizada em 15 de fevereiro de 2018, às 17 horas, havendo quorum metade mais um
de seus membros, ou às 17:30, em segunda convocação com número de membros
presentes, na sede da instituição, sita
à
Rua Antonio Lavigne de Lemos n. 39,
centro, na cidade de Ilhéus-Bahia, com
o objetivo de referendar as diretorias
da Academia de Letras de Ilhéus desde o ano de 2005 até a diretoria atual, de
acordo com registros documentais existentes; e as mudanças estatutárias
ocorridas no mês de junho de 2017, procedidas dentro dos ditames regimentais. Ao
final, será lavrada uma Ata Histórica para registro e averbação no Cartório/Ofício
de Registro de Títulos e Documentos e Registro Civil de Pessoas Jurídicas de
Ilhéus-Bahia. Tal procedimento se faz necessário para regularizar civilmente a
ALI, de modo a possibilitar necessários procedimentos de direito.
Ilhéus, 9 de fevereiro de
2018
André Luiz Rosa Ribeiro-
Presidente ALI
Jane Hilda Mendonça
Badaró- Secretária Geral ALI
segunda-feira, 25 de dezembro de 2017
É NATAL!
Ilustração de Jane Hilda
O Amanhecer
Para Firmino Rocha,
em memória
A estrela desponta,
A
nuvem se descobre,
O galo clarineta
E
anuncia que em Belém
O menino já chegou
Na manhã mais bela.
A boa notícia corre
No fiozinho do rio
Que da montanha desce.
Segue no vento leve
Que sopra a flor sozinha
Na plantinha do brejo.
Vem com a borboleta
Que pousa na roseira
E fica brincando
Com os raios de sol.
Cyro de Mattos
quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
Poema: Carta a Ilhéus
Carta a Ilhéus
Poema
dedicado aos 500 anos de Ilhéus, passagem que ocorrerá em 2034.
Ilhéus, estou aqui, um dos seus,
filho de sua filha, plaga de sua plaga,
parte da Capitania.
Onde seu reino se instala,
não se apaga,
pois suas terras, como eu disse,
são sangue do nosso sangue,
sem distinção entre natos e
naturalizados.
Venho rogar pelos nossos dias. E venho
anotar,
também, o meu alistamento; ao qual, respondo
sem hesitar.
Valho-me do jus soli,
dos meus ancestrais que estão em seus
cemitérios,
do suor deles e do meu, que caíram sobre
as suas terras;
valho-me do jus sanguinis,
do nosso sangue mestiço;
valho-me das vitórias por Nossa Senhora,
dos colonos aqui radicados, dos migrantes,
do nosso sangue estrangeiro;
valho-me dos bravos nadadores
assassinados,
dos aimorés, das tribos expulsas,
do nosso sangue caboclo;
valho-me do levante do Engenho de Sant’Ana,
da resistência escrava, dos quilombos,
do nosso sangue crioulo;
e dirijo-lhe esta oração:
Ó, Ilhéus, terra mãe,
conduza-nos ao futuro.
Ajude-nos a salvar a sua memória,
ecoar os acertos e não reiterar os
erros.
Em um ambiente de paz e fraternidade,
dê-nos gana sem ganância.
Você, que é anciã, de sabedoria secular,
ensine-nos sobre igualdade e respeito.
Que, nesse porvir, tenhamos o mínimo
existencial,
para que cada cidadão seu tenha uma vida
digna.
Que a infância seja protegida;
a juventude, alimentada;
e a velhice, acolhida.
Que não falte ocupação aos adultos, nem amparo
na falta.
Que, na escassez, haja partilha; e, na
fartura, prudência.
Que as futuras gerações frequentem boas
escolas,
desfrutem da natureza e se preocupem com
as que virão;
e que encontrem em você um lar,
amando-lhe, como nós, hoje, amamos.
Geraldo Lavigne de Lemos
Membro
da Academia de Letras de Ilhéus e da Agenda 34.
quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
ARTIGO
UM MESTRE DA CRÔNICA
Por Cyro de Mattos
De origem grega, a palavra crônica vem de chronos, que quer dizer tempo. Forma textual de narrativa curta, a crônica possui
uma inclinação para os fatos da vida
diária, contemporâneos. Escrita para o jornal ou revista, televisão ou rádio, o
estofo literário retira-lhe a condição estrita de jornalismo, cuja linguagem é
objetiva para informar o fato. Conciso e útil,
o jornalismo pretende aproximar
do evento os seres humanos com a
linguagem precisa, onde quer que estejam,
para que tomem conhecimento do
que acontece no mundo, enquanto a crônica ameniza a notícia ou o evento levado
ao leitor sobre a vida diária.
Na crônica de humor, o autor faz graça com o cotidiano. Na crônica de
feição do ensaio, o cronista tece
crítica ao que acontece no sistema organizado, detectando falhas nas relações
sociais e de poder. Na crônica filosófica logra extrair do cotidiano
reflexões sábias, a partir de um fato. Na jornalística enfoca
aspectos particulares de notícias ou fatos, que podem acontecer na área
esportiva, policial e política ou em
outros campos da atuação humana.
Pode ser atemporal, se o
assunto, extraído da realidade
exterior sob bases sentimentais,
revestir-se de estofo literário,
servindo para ser lido tempos depois
desgarrado do seu contexto e
ainda assim causando emoção. Sempre
dando tratamento agradável ao assunto
em que está descrevendo, a crônica é
de tal forma argumentativa ou digressiva
nos devaneios dos sentimentos. Seu lirismo poetiza a vida, aviva o evento com graça, tornando-o ameno pelo eu que o recorda no relógio afetivo do peito.
A crônica atingiu o ápice na Idade Média quando passou a registrar uma série de acontecimentos, obedecendo uma sequência linear. Nessa época era destituída de qualquer interpretação nas
informações de natureza histórica. Com a significação moderna entrou em uso no
século XIX quando passou a designar
textos que, embora remotamente se ligam à forma originária, revestem-se de tratamento literário para
tornar o assunto menos insípido e fugaz.
Em nossas letras, Machado de
Assis, no século XIX, com engenho e arte encontrou os meios necessários para lhe dar
expressividade.
A crônica no seu arcabouço de escrita
híbrida, entre o jornal e o literário, não apresenta limites muito definidos.
Sujeita ao efêmero que passa ante o
eterno que fica, o espaço que melhor
achou para morar e se expandir
foi o jornal, lugar em que demonstra
leveza na informação do fato e corresponde ao que os ingleses chamam de commentary, sketch, light essay, literary column, human interest story. Usa a oralidade na fala dos personagens e o
coloquial na escrita, a linguagem é
simples, alguns querem que seja
como poesia espontânea em forma de prosa.
A crítica não aceita a crônica como uma
expressão literária significativa, se comparada ao romance, à poesia e ao conto. Nenhuma literatura se faz grande com livros
de crônicas, alega-se. No Brasil, quando se fala em cronistas de primeira
grandeza soam com aplausos os nomes de Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo
Mendes Campos, Carlos Heitor Cony, Henrique Pongeti, Stanislaw Ponte Preta,
Rachel de Queiroz, Carlos Drummond de Andrade, Nelson Rodrigues e Fernando
Veríssimo.
No elenco formado por esses cronistas
de primeira qualidade poderia figurar o
baiano (de Ilhéus) Fernando Leite Mendes?
Como todo bom autor, ele escreveu um
sem-número de crônicas para todos os gostos com fina sensibilidade. Dariam, se
publicadas, vários volumes. Ficaram
esparsas, esquecidas, perdidas no baú do tempo. O único livro desse cronista
admirável, Os olhos Azuis de D. Alina e
algumas crônicas (1985), hoje uma raridade
bibliográfica, foi publicado
postumamente, graças à iniciativa do sobrinho Gumercindo Leite Mendes. O volume
reúne cinqüenta crônicas, algumas antológicas, como “Os Gatos” e “Elogio do
Urubu”, a primeira de humor e a segunda com sabor de prosa poética; “João da
Verdura” e “ Adeus, Tamiroff!”,
crônicas, como de resto, além do cotidiano,
de tão humanas, atingem o universal, em seus tons carregados de subjetividade
comovente. Apresentam-se pontuadas de
ternura na exposição do drama.
Jornalista de talento excepcional, de
Salvador seguiu com sua vocação para o
Rio onde, nos anos em que residiu na metrópole, nunca esqueceu as raízes
baianas, fincadas em Ilhéus e
Salvador. Em terras cariocas, no seu voo
de homem inteligente, se impôs como
editor, redator e cronista dos principais veículos da imprensa. Lúcido,
esteve presente em algumas colunas importantes que assinou: O Homem da Rua, A Poesia do Asfalto, Sextas-Feiras
Estórias. Foi editor político de “Última Hora”, redator da
“Revista da Semana” e do “ Consórcio Time-Life”, editorialista do “Diário de
Notícias” e do “ Correio da Manhã”, redator-chefe do “Diário Carioca.”
Intensamente humano,
autêntico lírico que gostava de
expressar o lado encantador da vida,
como mostra em “Os Olhos Azuis de D. Alina”;
com a alma triste pelo que
percebeu na figura de Jacinto de
Gouveia, um tocador de piano no cabaré de Ilhéus, que fumava cachimbo inglês e
usava cachecol, na cidade atlântica de clima tropical, vivendo pobremente, e que, na última vez que
viu o cronista, pediu-lhe que trouxesse
do Rio a partitura do poema sinfônico Finlândia, de Sibelius; irônico como pede
o assunto em “Um Comedor de Vidro”; alegre com os lances aguerridos da
pelada, vista da janela, quando então se
revoltou com o adulto que quis
interrompê-la, depois aceitou o convite dos meninos e foi pegar no
gol.
Com uma capacidade de
falar de modo simples e, ao mesmo tempo, sedutor e culto, de gesto solidário e
terno, o Tempo não quis que esse
amanuense da palavra vivesse mais anos
aqui entre os humanos. Foi-se embora aos
48 anos. Tivesse mais tempo para esbanjar seu talento verbal, certamente
teria posto numa festa demorada da vida
mais riso, fraternidade, esperança e sonho, companhias necessárias, ontem como
hoje. Haveria mais leitura desses momentos fotográficos que ele registrou no teclado da
sua máquina portátil Remington,
levada para ser usada onde estivesse, em Hong-Kong ou Paris. Mais escuta
sensível dos seres humanos haveria,
graças a um senhor gordo, com alma de menino, um relógio de cordas suaves no
peito, cujos ponteiros costumavam marcar como poesia os passos da existência. Mais divulgado, em seu
brinquedo preferido, a crônica, ensejaria
minutos de delícia às novas gerações.
·
Baiano de
Itabuna, Cyro de Mattos é contista, novelista, romancista, cronista, poeta,
autor de livros para jovens e crianças
Já publicou quarenta e três
livros pessoais no Brasil e nove no
exterior. É membro efetivo da Ordem do
Mérito da Bahia, Academias de Letras
da Bahia, de Ilhéus e de Itabuna, e Pen Clube do Brasil. Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual
de Santa Cruz (Sul da Bahia). Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México.
quinta-feira, 23 de novembro de 2017
ACADÊMICA MARIA LUIZA HEINE LANÇA NOVO LIVRO
Maria Luiza Heine lançou o livro "Política Nacional de Educação Ambiental: entre a Lei e a realidade", em 13 de novembro p.p., na Academia de Letras de Ilhéus. Estiveram presentes seu editor prof. Gasparetto da Via Litterarum, André Rosa- Presidente da Academia de Letras de Ilhéus e a Secretária Geral da ALI Jane Hilda Badaró, Profa. Sandra Milanesi - Diretora da Faculdade de Ilhéus, Acadêmicos Raimundo Laranjeira, Eliane Saboia, Hans Scaeppi, Maria Schaun e Pawlo Cidade, também Secretário de Cultura de Ilhéus, Antonio Marcos Campos- Presidente da Associação Comercial de Ilhéus, Janete Lainha - do Conselho de Cultura, o contador de histórias José Delmo, além de amigos e familiares da autora.
Profa. Sandra Milanesi, Antonio Marcos Campos, Eliane Saboia,
Maria Luiza, Pawlo Cidade e Jane Hilda
Maria Luíza Heine é Membro efetivo da Academia de Letras de Ilhéus. Nasceu no Rio de Janeiro e veio morar em Ilhéus na década de 70. Formou em Filosofia pela Fespi, atual UESC. Fez Especialização em História Regional e Mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente. Tem sete livros lançados. Este título é resultado de sua tese de Doutorado em Educação na Universidade do Estado da Bahia
ARTIGO
Romancista do Nascimento do Brasil
Cyro de Mattos
Aracyldo Marques nasceu em Ilhéus onde fez os estudos primários.
Concluiu o secundário em Salvador. No Rio de Janeiro fez o curso científico e
ingressou na Escola de Medicina.
Mudou-se para o Paraná em 1954,
onde permaneceu por várias décadas, como
médico clínico, em Campo Mourão. Faleceu
em 20 de abril de 1996.
Publicou: As rosas florescem em
maio (1968), romance em que
recria a vida diária e provinciana de
Campo Mourão; E o verde voltará
(1971), contos, com temas relacionados à colonização do centro-oeste do Paraná;
O sino de cobre (1976), romance em
que enfoca o retorno à infância de um menino através de
sessões psiquiátricas e os conflitos que decorrem dessa volta; O tempo, cavalo doido (1982), romance
que tem como tema a difícil trajetória
de um retirante nordestino; Extermínio (1986),
romance em que narra a ocupação
da Capitania de São Jorge dos Ilhéus e
o genocídio que vitimou os povos nativos; Templo
de solidão (1987), romance, em que descreve o drama de um deficiente
rejeitado pelo mundo; Demônios do planalto, romance em que
relata a saga do Contestado; Os
desbravadores, romance que tem como fundo a saga dos pioneiros de Campo Mourão.
Em Extermínio, Aracyldo
Marques viaja pelos primórdios do Brasil
quando ainda estava nascendo como nação na Capitania de São Jorge
dos Ilhéus, pertencente ao escrivão luso Jorge de Figueiredo Correia. Numa narrativa que oscila
entre o lírico e o dramático, o
romance tem uma estrutura simples,
tripartite: O Paraíso, A Vila e A Guerra
dos Nadadores.
Na primeira parte, os costumes
dos nativos são mostrados em suas bases naturais e deles fazem parte uma nudez inocente. Em convívio de pura
integração comunitária, vemos como a vida organiza-se na tribo: os homens
pescam e caçam, os mais jovens,
os guerreiros, defendem a aldeia,
enquanto as mulheres dedicam-se à lavoura de milho e
aipim; além disso, são tecelãs
hábeis, no artesanato útil fazem esteira, rede e cesto. Há também o costume de comer moqueado o
inimigo colonizador, fazendo com que o ódio ao invasor seja alimentado em cada pedaço de carne comido..
A mata não tem fim, escura de dia, de tão fechada, a qualquer momento hostil nas emboscadas
do bicho, que rasteja, salta e voa. Abriga minúsculos e
maiúsculos dramas vividos por bichos e pássaros no cenário selvagem. Perde-se no verde, que brilha intenso ao sol
forte. À noite, a lua derrama sua prata
na cabeleira das árvores. O mar
perde-se nos confins do azul, lá onde o
céu se acurva. Sol ardente durante o dia, “sempre rutilante, que aquece a terra, e traz
algaravia aos pássaros, cio aos animais,
amor ao coração dos seres viventes que
falam e pensam. É festa na mata, é festa no mar, é festa também no céu.” (p. 29) Falam os nativos e
não deixa de pensar nisso Pedro Dias,
que chega a ter certeza de que é naquelas paragens, não em algum outro lugar desse mundo, que está o paraíso.
Pedro Dias e seu filho Jaguanharõ, que quer dizer onça-brava, são
personagens nucleares que entram em cena
já na primeira parte do romance. Seguindo com outro companheiro para
o degredo, o português Pedro Dias foi deixado
“num país estranho, no meio de selvagens que ele, por sorte ou por
fatalidade, ainda estava ali, vivo, fazendo parte da tribo como um deles, com
os costumes deles que adquiriu ao longo do tempo, inclusive o de comer moquém dos
inimigos”, e outras coisas mais, como o
de ter várias índias, ao mesmo tempo,
como suas mulheres. (p. 36)
O menino Jaguaranhõ, de cabelos cor de ouro e olhos esverdeados, irá se
transformar no grande herói dos povos
nativos, exterminados pelos colonizadores. Apesar de sua pouca idade e
ainda não ter se submetido às provas necessárias para ser considerado um
guerreiro, era tido como um menino muito
corajoso. Nunca dirigiu ao pai Pedro Dias
uma palavra, jamais abriu a boca para lhe mostrar um sorriso,
sempre arredio. Seu olhar duro provocava no rosto do pai uma expressão de medo.
segunda-feira, 13 de novembro de 2017
NOTAS DA ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS
Trata-se a Academia de Letras de Ilhéus, de um Templo da inteligência e do espírito - e desde sua fundação passaram, assim como também hoje estão, e são, intelectuais do mais alto quilate, pessoas exponenciais no cenário cultural e literário de Ilhéus e da Bahia, além dos que extrapolam fronteiras e galgam o reconhecimento nacional e internacional. Por isso vale registrar as notícias, os movimentos da “Casa de Abel”, como carinhosamente é chamado aquele sodalício, em homenagem a Abel Pereira, que a fundou nos idos de 1954, acompanhado por alguns sonhadores idealistas à exemplo de Nelson Schaun, Leones da Fonseca, Wilde Oliveira Lima, Jorge Amado, Paulo Cardoso Pinto, Ramiro Berbert de Castro, Adonias Filho, dentre outros. Vamos às nossas notas:
MARIA LUÍZA HEINE LANÇA LIVRO DIA 13 DE NOVEMBRO NA ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS.
A Academia de Letras de Ilhéus e a Editora Via Literarum, convidam para o lançamento do livro “Política Nacional de Educacão Ambiental: entre a lei e a realidade”, de Maria Luiza Heine, no próximo dia 13 de novembro ( segunda-feira), às 17 horas, na sede da ALI - Rua Antônio Lavigne de Lemos, 39 - centro, Ilhéus-Bahia - (73) 3231-1612. O livro é resultado do trabalho desenvolvido no seu curso de Doutorado em Educação realizado na UNEB, quando desenvolveu pesquisas em 12 escolas públicas da zona sul da cidade de Ilhéus, com tese defendida em 2013. A autora é membro da Academia de Letras de Ilhéus, professora visitante da Universidade do Estado da Bahia – UNEB - com atuação no mestrado profissional em Educação - GESTEC, e professora Titular na Universidade Tiradentes em Aracajú.
ALEILTON FONSECA FEZ PALESTRA EM EVENTO DA SORBONNE, E LANÇA TRADUÇÃO FRANCESA DO SEU LIVRO “O PÊNDULO DE EUCLIDES”, EM PARIS.
Aleilton Fonseca, membro da Academia de Letras de Ilhéus, da Academia Baiana de Letras, e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana, participou, na primeira quinzena de novembro, do Colloque Internacional da Université du CREPAL, Amérindianités au Brésil et au Québec: Art, Littérature, patrimoine, les armes d’une reconquête. Integrando as programações do Colóquio - evento promovido pela Universitè Sorbonne Nouvelle- Paris 3, em parceria com o Mestrado em Estudos Literários/UEFS - Aleilton participou de mesa redonda sobre a Guerra de Canudos, ao lado da professora Rosana Patrício, e realizou lançamento de “O Pêndulo de Euclides”, livro de sua lavra, traduzido para o francês por Dominique Stoenesco com o título “La guerre de Canudos: une tragedie au coeur du sertão” - Editora Petra.
MARIA SCHAUN REPRESENTOU A ALI NA ABERTURA DA SEMANA TECNOLÓGICA DO CEEP, DIALOGANDO SOBRE NELSON SHAUN.
Em 6 de novembro p.p. a acadêmica Maria Schaun, que é autora (org) do livro “Nelson Schaun merece um livro”, Editus/ UESC, esteve presente na abertura da Semana Tecnológica do Colégio Estadual de Educação Profissional do Chocolate Nelson Schaun – CEEP, antigo Colégio Estadual de Ilhéus, tendo participado de roda de conversa com professores, alunos e funcionários, sobre a vida e obra de Nelson Schaun, Na oportunidade esteve presente também Socorro Schaun, filha de Nelson, e o Superintendente de Educação Durval Libânio, que falou de seu encantamento com os escritos daquele que foi um dos grandes entusiastas para a criação e fundação da academia ilheense.
Para comemorar o Dia da Cultura, que transcorre anualmente em 5 de novembro de cada ano - data escolhida por ser a de nascimento de Ruy Barbosa - a Academia de Letras de Ilhéus, por seu presidente André Luiz Rosa, realizou em 7 de novembro p.p., uma visita guiada com alunos do quinto ano da rede municipal de ensino-Colégio Heitor Dias- no Centro Histórico da cidade, percorrendo os cenários ambientados na obra de Jorge Amado. Na oportunidade, foram realizadas rodas de conversas nas praças Ruy Barbosa e Castro Alves, em torno das estátuas dos dois grandes vultos da literatura baiana e nacional, sobre vida e obra dos mesmos.
NOVA COMPOSIÇÃO DA DIRETORIA DA ALI, ATÉ MARÇO DE 2018.
Com o pedido de afastamento de Pawlo Cidade do cargo de Secretário Geral da ALI, devido a nova função que passou a ocupar na Secretaria de Cultura do Município de Ilhéus- cuja titularidade deve ser oficializada em breve, a acadêmica Jane Hilda Badaró passou a integrar, desde outubro p.p., a diretoria da ALI, que fica assim composta para a gestão que se encerra em 14 de março de 2018:
Presidente: André Luiz Rosa Ribeiro
Vice-Presidente: Arléo Barbosa
Secretária Geral: Jane Hilda Badaró
1ª. Secretária: Maria Schaun
2º. Secretário: Josevandro Nascimento
1º. Tesoureiro: Gerson dos Anjos
2º. Tesoureiro: Gustavo Cunha
Diretor de Biblioteca: Geraldo Lavigne de Lemos
Diretora de Revista: Maria Luiza Nora ( Baísa)
SEBASTIÃO MACIEL EMPOSSADO NA ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS, COM SAUDAÇÃO DE LUIZ PEDREIRA FERNANDES.
Sabastião Maciel Costa passou a ocupar, a partir de 27 de outubro, a cadeira n. 2 da Academia de Letras de Ilhéus, cujo patrono é Afrânio Peixoto, e ocupante efetivo anterior Cláudio Silveira. O acadêmico Luiz Pedreira fez a saudação. Na mesa condutora da solenidade estiveram o Presidente da ALI André Luiz Rosa, Secretária Geral da ALI Jane Hilda Badaró, Presidente do Lions Clube Pontal- Gilda Porto, Representante da Marinha do Brasil - Capitão de Corveta Uanderson Simoni Lauriano, e prof. José Augusto Carvalho, docente da UESC e membro da Loja Macônica e Resistência. Presentes também os Acadêmicos Arléo Barbosa, Neide Silveira, Jabes Ribeiro, Pawlo Cidade, Neuza Nascimento, Leônidas Azevedo, Anarleide Menezes e Gerson dos Anjos, além de familiares, educadores ilheenses, e amigos do novo imortal.
RAMAYANA VARGENS FOI ELEITO PARA CADEIRA N. 11 DA ALI, EM 25 DE OUTUBRO P.P.

Eleito em 25 de outubro de 2017, Ramayana Vaz Vargens, logo seja empossado, passará a ocupar a cadeira n. 11 da ALI, anteriormente pertencente a Dorival de Freitas. O eleito é professor, jornalista, gestor, escritor e roteirista. Nasceu em 23 de Junho de 1944, na cidade do Rio de Janeiro, filho de Olímipio Balduíno da Costa Vargens e Deolinda Vaz Vargens. É neto de João Vargens, um dos fundadores de Camacan, um dos pioneiros de cacau na região. Fez o Ensino Médio e o Fundamental II na Escola Cruzeiro, no Rio de Janeiro. Começa a experimentar a escrita aos 13 anos e desde a juventude envolve-se em vários assuntos culturais, tendo participado do Centro de Cultura Popular da União Nacional dos Estudantes – um importante núcleo de formação da arte e cultura brasileira da década de 60 em diante. Depois entra no grupo de teatro Teatro Jovem, onde fizeram uma das primeiras montagem de Eugène Lonesco no Brasil e a primeira apresentação de Álbum de Família, de Nelson Rodrigues, antes proibido pela censura há 21 anos. Inicialmente ator, depois interessa-se pela direção, quando começa a escrever peças de teatro. Participou do concurso de peças teatrais do Estado do Rio de Janeiro em 1966 com a adaptação do livro A Revolta da Chibata, de Edmar Morel. Também no Teatro Jovem participou da criação da Feira de Música, que reunia no teatro cantores jovens, com participação de nomes como Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Gutemberg Guarabyra.
Durante o período de pré-vestibular, ensinou matemática e geometria analítica em aulas particulares. Prestou vestibular para arquitetura na Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro; mas, por ser militante de esquerda, teve dificuldade de reunir os documentos necessários (que sumiram, como, por exemplo, o processo de registro profissional como jornalista), tendo frequentado como ouvinte durante o primeiro ano. Em 1965, entrou para o Jornal do Brasil como repórter, ocupando posição de destaque na geração de redatores como Affonso Romano de Sant’anna e Hélio Pólvora e colaboradores como Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector, tendo permanecido até 1969. Considera tal período a grande formação em termos literários e culturais; e, para admissão nesse trabalho, fez o curso de formação de repórter, promovido pelo Jornal do Brasil e coordenado por Fernando Gabeira.
Colaborou para diversos suplementos literários do Rio de Janeiro, merecendo destaque a Tribuna da Imprensa, de Hélio Fernandes. Participou da antologia Cacos I, como contista, e Cacos II, como poeta. Líder do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, é preso pela ditadura em 1972e permanece um ano encarcerado. Ao retomar a liberdade, o grupo de teatro Teatro Jovem havia sido desarticulado pelas investidas do governo, e alguns remanescentes montaram o Grêmio Dramático Brasileiro, ao qual se aproximou, trabalhando com Luiz Carlos Maciel e Aderbal Freire Filho.Volta a dar aulas particulares e também ao Jornal do Brasil, mas fica insatisfeito com o jornalismo pelas limitações impostas pelo regime sobre o conteúdo das matérias.
Em seguida, trabalhou para a Editora Bloch, onde foi redator da revista Pais & Filhos. Colaborou, nessa época, para a Folha de São Paulo, a Revista Veja, o jornal O Globo. Participou fortemente da luta pela anistia e contribui para a edição de inúmeros jornais nanicos, até que fossem fechados pelo governo.A condição política do país continuou a causar-lhe desgosto, motivo porque largou todos os empregos e mudou-se para o Arraial do Cabo, reunião dos lagos do Rio de Janeiro, onde foi pescador durante quatro anos, quando também lecionou história na Escola Cardeal Arcoverde e formatou-se como professor regular.
Pretendia mudar-se para a África, mas, no final de 1979, foi trabalhar como Gerente de Bem-Estar Social no SESC de Rio Branco, no Acre; após apresentar uma palestra no mesmo Estado sobre imprensa, comunicação e meio ambiente. Trabalhou no campo cultural e de lazer, montou peças teatrais e organizou apresentações musicais. Utilizou a posição para fortalecer a comunidade indígena e promover encontros, tendo conhecido e se aproximado de Chico Mendes. Diante dessa atuação, o SESC fez uma articulação para a sua saída do cargo, conduzindo-o ao cargo de Coordenador de Ação Cultural do Estado do Acre, que correspondia ao atual Secretário de Cultura.
Em 1982, ocupando este último cargo, participou de uma reunião nacional do MEC em Brasília, quando defendeu que a pauta preestabelecida não atendia em nada aos interesses do Acre, e sim que seria importante dar voz aos diversos representantes para que pudessem expor os anseios e traçar um projeto nacional em termos de cultura. Daí em diante, todas as reuniões acataram a ideia. Foi relator da reunião que pela primeira vez exigiu a criação do Ministério da Cultura. Propôs a criação do Pacto Cultural da Amazônia e foi coordenador do projeto enquanto existiu. Conseguiu desenvolver o projeto Saber Comum com Governo Federal para diagnóstico cultural do Estado do Acre, visando conhecer a cultura popular sem pretender introduzir novos e externos padrões culturais.
Quando o Secretário de Cultura do Estado de São Paulo era João Carlos Martins, promoveu a Feira de Cultura do Brasil, com amplo envolvimento de todos os Estados brasileiros. No Acre, também atuou como jornalista no jornal Rio Branco e no Folha do Acre; e, depois, na última fase, foi editor do jornal Gazeta do Acre. Ainda no Acre, saindo dos cargos antes descritos, teve uma empresa de comunicação social e trabalhou para o primeiro governo eleito do Estado, pois antes o Governo era indicado.Ajudou a construir as primeiras organizações pró Diretas Já no Estado do Acre.
Voltou para o Rio de Janeiro, onde passou um ano na área de jornalismo e imprensa do CESP, inclusive no período da 8ª Conferência Nacional de Saúde, que concebeu a atual noção do Sistema Único de Saúde. Mudou-se para Ilhéus e Camacan em 1987, onde retomou o contato com as origens familiares e com a cultura do cacau. Participou ativamente perante os Governos Estadual e Federal após a disseminação da vassoura-de-bruxa para chamar à ordem sobre a crise que estava se instalando.
Começou a dar aulas de redação no Colégio Vitória, em Ilhéus, com novos métodos de ensino, baseados na formação que teve no Jornal do Brasil. Em março de 1990, entrou para o Instituto Nossa Senhora da Piedade, na gestão da Irmã Georgina Costa, onde permaneceu até a aposentadoria. Na Piedade, montou a peça Cidadão Jesus, durante 4 anos;a peça Dores de Maria, durante 3 anos;a peça O Grito da Voz de Dentro, com fragmentos de diversas obras sobre a consciência; e escreveu o roteiro de dois desfiles, um de uma escola de samba em 1992, De Colombo a Collor, com 1100 participantes, inclusive Chica de Cidra e Leto Nicolau, e o outro em agradecimento à comunidade pelo apoio à restauração da Piedade. Em 1992, festejou os 80 anos de Jorge Amado com a presença do autor em um grande evento na Piedade, juntamente com as escolas Ursulinas de Salvador e Ribeirão Preto, tendo na programação montagens sobre os 5 livros do autor que abordam Ilhéus e região.
Em 1998, foi convidado por Renée Albagli para auxiliar a Universidade Estadual de Santa Cruz na programação dos 500 anos do Brasil e montar um espetáculo baseado no texto O Auto do Descobrimento, de Jorge de Souza Araújo. A partir desse espetáculo, fundou o Núcleo de Artes da UESC, responsável pela formação inicial de artistas que até hoje se apresentam em Ilhéus. Nesse Núcleo, implantou o sistema de teatro de modelagem que aprendeu com Martim Gonçalves, na Embaixada Francesa do Rio de Janeiro, e desenvolveu também trilhas sonoras e peças, como O Auto da Compadecida e Terras do Sem Fim. Ainda no Núcleo, escreveu a peça Cururupe, sobre a batalha dos nadadores.
No Colégio Instituto Nossa Senhora da Piedade, em Ilhéus, entre 2008 e 2015, criou e coordenou o Programa de Educação Global, que levava e recebia alunos em intercâmbio por escolas Ursulinas ao redor do mundo, alocando-os em famílias locais, além de apresentá-las a cultura das respectivas cidades e de contribuir para o aperfeiçoamento dos professores envolvidos. Em Ilhéus, dirigiu espetáculos em programações locais, tais como Prata da Casa e Projeto Seis e Meia, e em ambientes locais, como a Casa dos Artistas. Durante o período de residência na Bahia, escreveu três livros, ainda inéditos: “Então Eu Grito”, de poesia; “Museu meu”, de poesia; “Sustos sem suspiros”, de contos. Compôs com Luciano Sanjuan Portela a música “Ilhéus”, que homenageia a cidade, gravada por Marcelo Ganem. (Na foto, ladeado pelas acadêmicas Jane Hilda Badaró e Anarleide Menezes, em evento cultural de Ilhéus. )
ABERTO PERIODO ELETIVO PARA CADEIRA N. 15 DA ALI, COM CANDIDATURA ÚNICA DE FABRÍCIO BRANDÃO

Encontra-se aberto o período de votação para a cadeira de n. 15 da ALI, anteriormente ocupada por Newton Pádua, com encerramento marcado para 29 de novembro próximo, às 17 horas. Fabrício Brandão é candidato único, por indicação dos membros presentes na reunião ordinária de 25 de outubro p.p., conforme ditames regimentais. Graduado em Comunicação Social pela UFES -Universidade Federal do Espírito Santo, Fabrício enveredou pelo ofício de editor cultural, editando a Revista Eletrônica de Literatura e Artes “Diversos Afins”, mensalmente,desde 2006, juntamente com Leila Andrade.Natural de Ilhéus- Bahia,”tem uma profunda e misteriosa relação com a palavra escrita, além de um amor táctil e espiritual pelos livros, fato que o desloca a lugares invisíveis com alguma freqüência”, conforme afirma. Produz textos literários ligados à poesia e prosa, bem como resenhas e ensaios sobre literatura, cinema, música, artes plásticas e fotografia. Atuou como parecerista ad hoc de texto original apresentado para publicação junto à Editus- Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz. Amante da sétima arte, engajou-se em projetos de exibição de filmes, a exemplo do Cinema BR em Movimento. Alguns de seus versos estão dispersos pela coletânea Diálogos – Novo Panorama da Poesia Grapiúna (Ed. Via Litterarum/Editus – 2010 – 2ª edição). Na categoria conto, integrou a coletânea Traços Tortos (Contos & Crônicas), publicada em 2015 pela Editora Mondrongo. Morou em quase todas as regiões do país, e deduz que sua sina não respeita endereço fixo. Atualmente é mestrando em Letras: Linguagens e Representações pela UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz), cuja linha de pesquisa reúne literatura e cultura. Membro do Conselho Municipal de Cultura de Ilhéus, representante da cadeira de literatura.
Texto (e/ou org.): Jane Hilda Badaró /Secretária Geral da ALI – novembro 2017
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